Depois da resolução entre a Kelly e o Michel, surtiu um mês de amizade contida e respeitosa. Nesse tempo, ela não teve mais nenhum sonho estranho, não conseguiu pensar em nada para voltar à realidade e, conforme passaram os dias, se adaptou ao novo mundo. Não fosse toda a estranheza de duas realidades diferentes e o desaparecimento do Charlie, poderia facilmente se adaptar à nova vida para sempre.
Esta nova realidade era muito melhor. As pessoas eram bem mais agradáveis. A família dela era unida e não brigava. Seus pais não pensavam em divórcio, seu pai não era alcoólatra e sua irmã era muito apegada a ela. Seus amigos ainda eram os mesmos, agradáveis, descontraídos e divertidos. E tinha o Michel, que a cada dia se mostrava mais gentil e leal.
Durante os últimos dias, Kelly tentou não pensar no mundo real. Ficou cada vez mais inserida naquela nova versão. Ela passou a se encontrar mais vezes com seus amigos. Também sentiu ansiedade em voltar para a faculdade porque tudo seria diferente, seus amigos não estariam na mesma classe dela por estar atrasada em um semestre devido ao coma. Portanto, conheceria uma nova turma, novas pessoas.
Porém, como ainda faltava um mês para começar suas aulas, passava os dias na companhia da sua mãe, ajudava com os trabalhos domésticos e passavam bastante tempo cuidando do jardim, que não existia no mundo anterior. Depois, saía para se divertir com sua irmã ou com seus amigos. Trocava mensagens quase o dia todo com o Michel e às vezes ele a visitava.
Michel ficou cauteloso com a amizade deles, tentou não demonstrar seus verdadeiros sentimentos, aceitou apenas a amizade dela. Era mais fácil para ele quando não se encontravam e conversavam apenas por mensagens porque sempre que se juntavam ficava mais atraído e a desejava mais do que um amigo poderia. Precisou lutar contra seus instintos e se segurar para não demonstrar seus desejos repentinos.
Mesmo assim, ele ficava desesperado para vê-la, não conseguia se contentar apenas trocando mensagens. Então, a convenceu de sair para beber. Foram a um bar e o Michel ficou encantado com como ela estava ainda mais linda nesse dia. Tudo que ela fazia encantava ele, se sorria, ele acelerava o coração, se sentia o perfume dela, e quando se tocavam sem intenção, tudo o deixava extremamente abalado, seu coração palpitava e suas pupilas se dilatavam.
Nesse dia, fez muito calor. Por isso, ela vestiu um short preto curto, mas sem ser revelador, e um top, também preto. Para ele, foi a combinação perfeita e quase babou quando a viu chegar. Boquiaberto, ele delirou no corpo escultural dela, suas belas formas corporais chamaram a atenção imediata.
Desejou que ela sentisse o mesmo por ele porque malhava todos os dias e seus músculos eram muito definidos e suas costas largas, dando-lhe uma aparência atlética, que aproveitou para chamar a atenção dela usando uma camiseta branca cavada e um jeans preto. Qualquer roupa que ele usava podia ficar bem apresentável em seu corpo. A camiseta deixou à mostra seus músculos esculpidos perfeitamente. Antes do encontro, malhou muito os braços e depois tomou um longo banho e se perfumou. Era impossível não achar os dois atraentes.
Eles se cumprimentaram com um abraço e depois se sentaram em uma mesa e começaram a conversar, falavam sobre qualquer aleatoriedade, enquanto bebiam cerveja e comiam petiscos. Assim ficaram por muito tempo e, já bêbados, decidiram ir embora. O bar ficava a cerca de vinte minutos a pé da casa dela e ele foi acompanhá-la, assegurando que seria seguro o percurso.
Ela só foi caminhando tão tarde da noite depois que se lembrou de que no mundo ideal não existia assalto ou violência. Eles estavam bastante bêbados e ficavam dando gargalhadas e se divertindo no caminho. Entraram em um beco escuro e deserto e ela ficou com medo. Ele percebeu e colocou seu braço envolta dela e perguntou se assim ficaria mais confortável e segura.
Ela sentiu seu coração palpitar mais rápido e deixou por um minuto aquilo acontecer, depois tirou o braço dele. Ele falou:
– Eu estava sendo o seu protetor, mas acho que você não precisa.
– Você é sempre tão dramático.
– E você é sempre tão linda.
Ela não falou mais nada e, inesperadamente, ele a empurrou levemente contra a parede e colocou seus braços entre o corpo dela, prendendo-a. Colocou-se com o rosto muito próximo ao dela e lançou um olhar de puro desejo. Eles ficaram se olhando por um tempo, olhares em chamas que percorriam os lábios e depois dentro dos olhos e logo voltavam aos lábios.
Kelly se sentiu extremamente fraca em segurar seus desejos e seu coração bateu acelerado, pareceu que sairia pela boca. Michel podia sentir seus batimentos. Enquanto isso, ele permaneceu decidido, umedeceu o lábio e pressionou o seu corpo contra o dela, seus narizes roçaram com tamanha proximidade.
Kelly relutou fracamente, sentiu-se em chamas e tentou segurá-lo, distanciando alguns centímetros a proximidade. Mas não foi decidida o suficiente e ele não percebeu a falha tentativa e encostou seus lábios aos dela. Ela os sentiu úmidos e deliciosos, depois disso não teve mais forças em relutar, tamanho o desejo que lhe percorreu.
Ele levemente beliscou os lábios dela, roçou a língua no lábio inferior e depois deu suaves mordidas. Logo adentrou com sua língua e ela correspondeu cheia de desejo. Estava gostoso para ambos e ficou cada vez mais ardente. Ela não conseguiu segurar uma sutil gemida entre o beijo, enquanto apertava a nuca dele, fazendo ferver mais em intensidade. Ele entrelaçou suas mãos no corpo dela, bem apertado, agarrou com força, para não perder o contato.
Vendo que a situação ficou mais quente, Kelly finalmente conseguiu forças e o empurrou levemente, interrompendo o beijo. Sem falar nada, saiu andando e o deixou parado. Ela andou alguns metros e ele ficou olhando de longe, bastante desapontado, e depois correu para alcançá-la. Eles voltaram a caminhar, dessa vez com grande distância e em silêncio.
Chegaram na casa dela e o Michel perguntou se podia dormir no sofá porque estava tarde e ele disse estar cansado. Ela permitiu e pediu que fosse embora ao amanhecer o dia, antes que seus pais acordassem. Depois, ela foi para o quarto, tomou um banho rápido, colocou seu celular para despertar às seis da manhã, no caso de Michel não conseguir acordar sozinho, e desabou na cama pensando no beijo, logo adormeceu.
No dia seguinte, Kelly despertou com o alarme do celular apenas para acordar Michel e mandá-lo embora antes de ser pega pelos seus pais. No entanto, ele não estava mais lá. Aliviada, Kelly voltou para sua cama e adormeceu de novo, e dessa vez teve aqueles sonhos repletos de mensagens, que aconteciam quando menos se esperava. Ela não achou que fosse sonhar novamente daquele jeito estranho.
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Atualizado até capítulo 64
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