O frio que emanava da presença de Namtar era sufocante. Sarah e Mendes estavam paralisados por um breve momento, o cemitério ao redor deles se transformando em um terreno de pesadelo, onde as sombras pareciam vivas, se movendo com intenção própria. A lanterna que Mendes segurava começou a tremer em sua mão, a luz dançando de forma errática nas lápides antigas.
— Ele está aqui — Mendes repetiu, sua voz agora mais aguda, carregada de um medo visceral.
Sarah sabia que não poderiam fugir. Correr seria inútil, e, mais do que isso, significaria deixar Namtar mais forte. Eles haviam iniciado uma guerra ao destruir o altar, e agora, estavam no meio da batalha.
— Não podemos recuar — disse Sarah, forçando as palavras a sair com firmeza, embora o medo estivesse arranhando sua garganta. — Ele vai nos caçar até o fim se fugirmos. Temos que enfrentá-lo agora, aqui.
Mendes olhou para ela, os olhos arregalados de medo, mas também de entendimento. Ele sabia que Sarah estava certa. Fugir só atrasaria o inevitável. Ainda assim, ele engoliu em seco, a incerteza claramente refletida em seu rosto.
— E como vamos fazer isso? — perguntou ele, tentando controlar o tremor na voz.
Sarah apertou os punhos, a mente correndo com as informações que haviam juntado. A destruição do altar tinha sido um golpe certeiro, mas incompleto. Eles precisavam de algo mais, algo que fosse além do plano físico, algo que pudesse atacar Namtar em sua essência.
— O que Dra. Hollis disse — murmurou Sarah, lembrando-se da conversa. — Precisamos de um símbolo de vida, de esperança. Algo que seja o oposto de Namtar, que possa desafiar a sua escuridão.
Mendes franziu a testa, sem entender completamente, mas sem tempo para discutir.
— Evan? Você acha que ele...?
— Talvez — respondeu Sarah, incerta. — Mas há algo mais. A conexão de Namtar com essa família, com a casa dos Miller, é mais profunda do que sabemos. Algo foi deixado para trás, algo que pode nos ajudar. Precisamos de mais do que coragem, precisamos de uma arma contra ele.
A sombra de Namtar se moveu mais uma vez, rastejando pelas árvores, envolvendo-as em escuridão. Os ramos das árvores se torciam, como se o próprio ambiente estivesse sob o controle da entidade. O chão sob os pés de Sarah e Mendes tremeu ligeiramente, e a pressão no ar tornou-se quase insuportável.
— Ele está brincando conosco — Mendes murmurou, os olhos arregalados enquanto tentava seguir o movimento das sombras.
Sarah respirou fundo, tentando manter o foco. Ela se lembrou de algo que Dra. Hollis havia mencionado: que às vezes, entidades como Namtar podiam ser enfrentadas não com força física, mas com aquilo que ele mais temia. A luz não era apenas a ausência de escuridão; era algo que Namtar não podia compreender. O oposto dele era a luz, a vida, a redenção.
Sarah fechou os olhos por um segundo, tentando encontrar forças dentro de si mesma. As peças do quebra-cabeça estavam ali, ela só precisava colocá-las no lugar.
De repente, uma ideia surgiu em sua mente, uma que ela não havia considerado antes. Evan. Ele era o ponto central de tudo. Não apenas como vítima, mas como algo mais. Talvez sua conexão com a vida e a morte pudesse ser usada de alguma forma.
— Mendes, precisamos ir até o túmulo de Evan, agora — Sarah disse, sua voz ganhando uma nova determinação.
— O quê? — Mendes exclamou, confuso. — Você quer voltar lá?
— Sim. Evan é a chave. Ele foi vítima de Namtar, mas talvez também seja nossa única esperança. Precisamos fazer com que Namtar enfrente aquilo que ele mais teme. E se Evan for esse símbolo de vida que podemos usar contra ele? Talvez possamos transformar sua tragédia em uma arma.
Mendes hesitou por um momento, mas ao ver a resolução nos olhos de Sarah, ele assentiu, resignado. Eles sabiam que não tinham mais opções.
Os dois começaram a caminhar rapidamente na direção do túmulo de Evan, enquanto as sombras ao redor deles pareciam se intensificar. Namtar estava se movendo, sentindo a aproximação deles. Cada passo parecia mais pesado do que o anterior, como se a própria terra estivesse tentando impedi-los de chegar ao seu destino.
Quando finalmente chegaram ao túmulo de Evan, Sarah sentiu um arrepio profundo ao olhar para a lápide. Algo estava diferente. As flores que estavam ali estavam completamente secas, como se todo traço de vida tivesse sido sugado daquele lugar. O solo ao redor parecia mexido, como se alguém ou algo tivesse tentado violar o descanso do garoto.
— Namtar já esteve aqui — disse Sarah, a voz baixa, mas carregada de certeza. — Ele sabe que estamos perto de algo.
Mendes olhou ao redor nervosamente, mas manteve-se ao lado de Sarah.
— O que fazemos agora?
Sarah respirou fundo e se ajoelhou ao lado do túmulo. Ela fechou os olhos, tentando se concentrar. Havia algo ali, algo que ela podia sentir, uma energia invisível. Ela colocou as mãos sobre o solo frio e começou a falar baixinho, quase como uma prece.
— Evan… Se você está aí, se você pode nos ouvir… Sabemos o que Namtar fez com você. Sabemos que ele destruiu sua vida, sua família. Mas ele ainda está aqui, tentando fazer mais vítimas. E precisamos de você. Precisamos de sua ajuda para detê-lo.
Por um longo momento, o silêncio caiu sobre o cemitério. Sarah podia ouvir apenas sua própria respiração, o coração batendo com força em seu peito. Ela esperou, sem saber exatamente o que esperava que acontecesse.
De repente, o chão sob suas mãos começou a vibrar levemente. Sarah abriu os olhos, surpresa, e viu que uma leve névoa começava a emergir do solo ao redor do túmulo. Ela recuou ligeiramente, sem saber o que aquilo significava, mas instintivamente sentiu que estava no caminho certo.
— Você está sentindo isso? — Mendes perguntou, a voz cheia de espanto e medo.
Sarah assentiu, seus olhos fixos na névoa que começava a tomar forma. Ela sentiu uma presença ali, algo familiar, mas ao mesmo tempo distante.
E então, no meio da névoa, uma figura começou a emergir. Um garoto, jovem, com uma expressão triste, mas serena. Era Evan. Ou o que restava dele.
Sarah e Mendes ficaram paralisados por um momento, incapazes de falar. Mas Sarah soube, no fundo de sua alma, que não estavam vendo um fantasma comum. Evan estava ali, mas não como uma vítima. Ele era a chave, o símbolo que Sarah havia procurado. Ele era a esperança, a vida, a redenção.
— Evan — Sarah sussurrou, mal acreditando no que estava acontecendo. — Você… pode nos ajudar?
A figura de Evan não respondeu em palavras, mas a névoa ao redor dele pareceu se mover de forma mais intensa, como se estivesse respondendo. Sarah sentiu uma onda de calor atravessar seu corpo, uma sensação de segurança que ela não esperava encontrar ali, naquele cemitério escuro e amaldiçoado.
E então, como se soubesse exatamente o que fazer, a figura de Evan se virou, olhando diretamente para as sombras que cercavam o cemitério. Namtar estava se aproximando, a escuridão ondulando ao redor dele. Mas Evan, com sua presença etérea, estava pronto para enfrentá-lo.
Sarah sabia que esse era o momento. A batalha final estava prestes a começar, e Evan estava do lado deles.
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Atualizado até capítulo 25
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