O Amuleto

O amuleto parecia pesar mais do que seu tamanho sugeria. Enquanto Mendes o segurava, seus olhos se estreitaram, tentando decifrar os estranhos símbolos gravados na superfície de metal. A sensação que emanava do objeto era desconcertante. Ele havia lidado com muitos casos bizarros ao longo de sua carreira, mas nunca com algo que o fizesse questionar a própria realidade. O ar ao redor do amuleto parecia mais frio, como se o objeto carregasse em si a própria essência do inverno.

— Alguma ideia do que pode ser? — Sarah perguntou, observando Mendes enquanto ele examinava o objeto.

— Não faço a menor ideia. Nunca vi nada assim antes, mas… — Mendes hesitou por um momento, escolhendo bem suas palavras. — Há algo de errado nisso. Não sei explicar. Como se esse amuleto não pertencesse a este lugar, ou a esta época.

Sarah se aproximou, observando o amuleto mais de perto. Os símbolos esculpidos pareciam antigos, talvez de uma cultura que ela não reconhecia de imediato. As linhas não formavam letras ou números, mas sim um conjunto de formas geométricas que pareciam entrelaçadas de forma hipnótica. Era como se o próprio objeto contivesse algum tipo de poder antigo, oculto sob camadas de significado que eles ainda não compreendiam.

— Você acha que isso tem alguma coisa a ver com o que aconteceu com Richard e Evan? — Sarah perguntou, sua voz baixa, quase como se estivesse falando para si mesma.

— Talvez — Mendes respondeu, ainda olhando para o amuleto. — Richard estava claramente fora de si nos meses antes de sua morte, mas e se ele encontrou esse amuleto e acreditou que havia algo de sobrenatural nele? Isso explicaria o diário, as visões, o comportamento cada vez mais errático.

Sarah refletiu por um momento, os pensamentos correndo em várias direções. E se Richard estivesse realmente convencido de que esse amuleto tinha algum tipo de poder? Ou pior, e se o amuleto realmente tivesse algum efeito sobre a mente das pessoas? Era difícil para ela aceitar essa linha de raciocínio, mas após tantas evidências perturbadoras, ela sabia que não poderia simplesmente ignorar qualquer possibilidade, por mais improvável que fosse.

— Precisamos descobrir de onde isso veio — Sarah finalmente disse, voltando sua atenção para o diário que haviam encontrado no cofre.

Ela folheou as páginas com cuidado, parando sempre que algo parecia relevante. As entradas de Richard se tornavam cada vez mais erráticas à medida que os dias passavam, mas havia uma consistência em suas anotações sobre o "homem escuro" e o amuleto.

— Ouça isso — Sarah leu uma passagem em voz alta: "Ele está sempre lá, nas sombras. Não posso me esconder dele. Não importa o que eu faça, ele me encontra, e o amuleto é a única coisa que me mantém seguro. Eu sei que Claire não entende, mas ela verá a verdade em breve. Evan... Evan está sendo afetado também. Eu posso ver como ele está piorando. Talvez seja tarde demais para ele."

Mendes apertou os lábios, balançando a cabeça enquanto ouvia as palavras de Richard. Tudo indicava que o amuleto tinha um papel crucial na loucura que consumiu aquela família.

— Parece que Richard acreditava que o amuleto o protegia — Mendes comentou. — Mas também parece que ele sabia que estava perdendo o controle. Esse “homem escuro”... é como se ele fosse a personificação de tudo que estava assombrando a família.

— Não sei se podemos chamar isso de loucura. Tudo está começando a fazer sentido de uma maneira perturbadora. E se Claire também acreditava nisso? E se ela ainda acredita? — Sarah ponderou.

Enquanto examinavam as últimas páginas do diário, algo chamou a atenção de Sarah. Havia uma entrada, datada de apenas uma semana antes da morte de Evan, que mencionava um nome que ela não havia visto antes.

— Richard escreveu aqui sobre alguém chamado "Dra. Hollis". Ele menciona que foi a essa pessoa em busca de respostas sobre o amuleto. Talvez ela saiba mais sobre o que isso significa — disse Sarah, destacando o nome no diário.

— Isso é uma pista importante. Precisamos descobrir quem é essa Dra. Hollis e o que ela sabia sobre o amuleto — Mendes concordou, anotando o nome no celular.

Eles decidiram sair da casa imediatamente e ir à delegacia, onde poderiam tentar rastrear essa Dra. Hollis. Se Richard havia confiado a ela informações sobre o amuleto, talvez ela tivesse algum conhecimento sobre sua origem ou sobre o que realmente estava acontecendo com a família Miller.

Enquanto caminhavam em direção ao carro, uma sensação de inquietude tomou conta de Sarah. Ela olhou de volta para a casa uma última vez antes de entrar no carro. A casa parecia diferente agora, como se estivesse observando-os. A escuridão das janelas parecia ainda mais profunda, como olhos negros e vazios que os seguiam enquanto se afastavam.

— Não sei o que é, mas algo naquela casa... ainda está vivo — Sarah murmurou enquanto Mendes ligava o carro.

— Eu também sinto isso. Não importa quantas vezes voltemos lá, a sensação só piora — Mendes respondeu, acelerando em direção à delegacia.

---

De volta à delegacia, Sarah e Mendes começaram a buscar informações sobre a Dra. Hollis. Depois de alguns minutos de pesquisa, encontraram uma referência a uma Dra. Eleanor Hollis, uma professora de antropologia que havia escrito extensivamente sobre religiões antigas e símbolos místicos. Ela havia se aposentado alguns anos antes, mas parecia ser a pessoa que Richard havia procurado.

— Parece que temos nossa especialista em amuletos — Sarah comentou, enquanto lia sobre a carreira da Dra. Hollis. — Ela escreveu artigos sobre artefatos místicos de várias culturas. Provavelmente, Richard a encontrou por causa disso.

— Vou ver se consigo o contato dela. Se ela estiver em algum lugar acessível, precisamos falar com ela o quanto antes — Mendes disse, já digitando o nome da doutora em uma base de dados.

Não demorou muito para que Mendes encontrasse o endereço da Dra. Hollis. Ela estava morando em uma pequena cidade a cerca de duas horas dali, uma área tranquila e isolada. Ele olhou para Sarah, que imediatamente assentiu.

— Vamos falar com ela amanhã de manhã. Se alguém souber o que é esse amuleto, é ela — Sarah disse, se levantando da mesa.

Antes de saírem para casa, ambos passaram mais uma vez pelos papéis que haviam encontrado na casa dos Miller. Cada vez que liam as palavras de Richard, ficava mais claro que ele acreditava profundamente no poder do amuleto e na presença do “homem escuro”. E se ele estivesse certo? E se houvesse algo naquela casa que não podia ser explicado de maneira convencional?

Enquanto Sarah saía da delegacia naquela noite, uma sensação de desconforto profundo ainda a assombrava. O amuleto, os símbolos, as palavras de Richard e Claire — tudo parecia convergir para algo que estava muito além do que ela poderia imaginar quando começou a investigar o caso.

Ela sabia que a Dra. Hollis seria crucial para entender o que estavam enfrentando. Mas algo lhe dizia que, mesmo com respostas, as coisas só ficariam mais complicadas.

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Cecilia geralda Geralda ramos

Cecilia geralda Geralda ramos

será o que atraiu o mal.e como acabar com Tudo isso.

2025-02-18

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