A Casa Revela Mais Segredos

O vento soprava forte enquanto Sarah e Mendes voltavam para a delegacia após a conversa reveladora com o Dr. Julian. Cada detalhe que o psiquiatra havia compartilhado sobre Richard Miller adicionava uma camada de complexidade ao caso. Ambos estavam imersos em pensamentos enquanto o carro avançava pelas ruas da cidade, cada um tentando juntar as peças desse quebra-cabeça sombrio.

— Você acha que Richard realmente acreditava que estava sendo perseguido por algo sobrenatural? — Mendes finalmente quebrou o silêncio, suas mãos firmes no volante.

Sarah, com os olhos fixos no horizonte, respondeu depois de um momento de reflexão.

— Não sei. O que me parece é que, para ele, essa presença era tão real quanto qualquer pessoa que conhecemos. E, se ele e Claire estavam vendo a mesma coisa, pode ser que isso tenha alguma explicação psicológica, mas também pode ser que haja algo naquela casa que está influenciando tudo isso. Precisamos voltar lá. Revirar cada canto.

Mendes assentiu, mas não estava totalmente convencido. Ele sempre preferia soluções práticas, mas esse caso estava desafiando seu ceticismo de uma maneira que nunca havia enfrentado antes. O "homem escuro", as descrições de Evan e Claire, o medo que consumia Richard — tudo isso estava transformando o que parecia ser apenas mais um caso de tragédia familiar em algo profundamente perturbador.

Ao chegarem à delegacia, Sarah foi direto para a mesa de evidências. Entre os pertences da família Miller, haviam alguns objetos que ainda não haviam sido completamente examinados. Ela começou a folhear as anotações, buscando qualquer coisa que pudesse indicar o que Richard ou Claire acreditavam estar acontecendo antes de tudo desmoronar.

— Temos que voltar à casa. Hoje à noite — Sarah disse de repente, sua voz decidida. — Algo naquela casa está nos escapando, Mendes. E sinto que, se não voltarmos lá e olharmos com mais atenção, vamos perder a chance de descobrir o que realmente aconteceu.

Mendes hesitou, claramente desconfortável com a ideia de voltar à cena do crime à noite, mas ele sabia que Sarah estava certa. Havia algo de estranho naquela casa, algo que exigia uma investigação mais aprofundada.

— Tudo bem. Vamos hoje à noite, mas precisamos ser cautelosos. Não sabemos o que vamos encontrar lá, e eu não quero que nos coloquemos em risco — Mendes advertiu, tentando manter a praticidade em meio à crescente sensação de mistério.

---

Era quase meia-noite quando Sarah e Mendes chegaram à casa dos Miller. O lugar parecia ainda mais ameaçador sob a luz da lua. As sombras eram profundas, e o silêncio ao redor fazia a casa parecer isolada do mundo exterior, como se estivesse presa em um tempo e espaço próprios.

Ambos haviam trazido lanternas e suas armas, por precaução. Embora o lugar estivesse desabitado por anos, o ambiente transmitia uma sensação de vigilância, como se algo ou alguém estivesse observando cada movimento deles.

— Vamos entrar pela porta dos fundos. A última vez que estivemos aqui, focamos nos quartos. Acho que é hora de dar uma olhada mais cuidadosa no porão e no sótão — Sarah sugeriu, com a voz baixa, enquanto avançavam pelo jardim escuro.

Ao abrir a porta dos fundos, o ranger das dobradiças ecoou pela casa vazia, enviando um arrepio pela espinha de Sarah. Mendes acendeu sua lanterna e entrou logo atrás dela, os passos cautelosos no chão de madeira que parecia gritar a cada movimento.

— Porão ou sótão primeiro? — Mendes perguntou, mantendo a voz baixa.

Sarah pensou por um momento, tentando se lembrar das descrições de Claire e do diário de Evan.

— Vamos começar pelo porão. Claire mencionou que sentia presenças perto de Evan quando ele estava na cama, mas o diário dele também falava de ruídos estranhos vindos debaixo do chão. Talvez haja algo lá embaixo que possa explicar esses barulhos.

Eles encontraram a entrada para o porão perto da cozinha. A porta era pesada e rangia alto quando Mendes a puxou. Uma escada estreita descia para a escuridão, e o cheiro de mofo e madeira velha inundou suas narinas assim que abriram a porta.

— Cuidado onde pisa. Esse lugar parece antigo demais para ser seguro — alertou Sarah, descendo os degraus com a lanterna apontada para frente.

O porão era espaçoso, com paredes de pedra e um teto baixo. Havia caixas antigas empilhadas nos cantos, algumas cobertas de poeira e outras parecendo intocadas por anos. O ar era pesado, quase sufocante, e o som de seus passos ecoava pelas paredes.

Enquanto Sarah investigava o lado esquerdo, Mendes se aproximou de um canto onde havia uma prateleira de metal enferrujada. Algo parecia errado naquele espaço, como se uma parte da parede estivesse fora de lugar. Ele se agachou para examinar melhor, e foi quando percebeu uma leve rachadura na parede de pedra, logo atrás das caixas empilhadas.

— Sarah, acho que encontrei algo — ele chamou, enquanto começava a mover as caixas.

Sarah se aproximou rapidamente, com o coração acelerado. Eles começaram a retirar as caixas com cuidado, revelando um pequeno buraco na parede. Não era grande o suficiente para passar uma pessoa, mas grande o suficiente para ser notado, caso alguém estivesse procurando por algo escondido.

— O que é isso? — Sarah sussurrou, passando a mão pela abertura, tentando sentir o que havia atrás da parede.

— Parece uma espécie de compartimento, mas por que alguém esconderia algo aqui? — Mendes perguntou, visivelmente intrigado.

Sarah pegou a lanterna e iluminou o interior do buraco. Seus olhos se arregalaram ao ver o que estava lá dentro: um pequeno cofre de metal, antigo e enferrujado.

— Um cofre? — Mendes arqueou as sobrancelhas. — Precisamos abrir isso.

Com dificuldade, eles conseguiram puxar o cofre para fora da parede. Era pesado e, claramente, tinha passado anos naquele lugar sem ser tocado. Sarah pegou sua ferramenta de arrombamento, que sempre carregava no carro, e começou a trabalhar no cofre.

Após alguns minutos de esforço, a tampa finalmente cedeu, revelando o conteúdo. Dentro, havia uma série de papéis amarelados, um diário de capa preta e uma pequena caixa de madeira.

— Parece que encontramos os segredos de Richard Miller — disse Sarah, enquanto começava a folhear os papéis.

O diário estava cheio de anotações de Richard, datadas dos meses antes da morte de Evan. Cada página parecia estar mergulhada em paranoia e medo crescente. Richard escrevia sobre a presença que ele sentia em casa, sobre como Evan estava adoecendo de uma forma inexplicável e sobre suas tentativas de entender o que estava acontecendo.

— Escute isso — Sarah leu em voz alta uma das entradas: "Eu posso vê-lo agora, a sombra. Não sou só eu. Claire vê também, mas ela está ficando cada vez mais distante, como se estivesse sendo consumida. E Evan... Deus, ele está piorando. O médico não consegue explicar sua doença. Eu preciso fazer algo antes que seja tarde demais."

Mendes estava ao lado dela, lendo por cima do ombro.

— Ele estava claramente em um colapso mental — comentou Mendes, mas havia algo em sua voz que traía sua certeza.

Sarah abriu a pequena caixa de madeira que estava dentro do cofre. Dentro, havia uma série de fotos antigas, algumas da família Miller e outras de pessoas que Sarah e Mendes não reconheciam. No fundo da caixa, havia um colar com um estranho amuleto de metal, com símbolos que eles não conseguiam identificar de imediato.

— O que é isso? — Sarah sussurrou, segurando o amuleto na mão.

O frio do metal parecia se intensificar em sua palma, e ela sentiu um arrepio subir pela espinha. Algo naquele objeto parecia errado, como se carregasse uma energia que não deveria estar ali.

— Talvez seja apenas uma coincidência, mas esse amuleto parece ter algum significado para Richard — disse Mendes, pegando o objeto das mãos de Sarah para examiná-lo mais de perto.

Eles não sabiam o que significava, mas uma coisa era certa: a verdade sobre o que aconteceu com os Miller estava mais próxima do que nunca. E, ao mesmo tempo, mais aterrorizante.

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Comments

Bianca Souza

Bianca Souza

eu nunca fiquei tão nervosa quanto essa história misericórdia /Scream/

2025-03-07

0

Katoka Tsukaga~

Katoka Tsukaga~

veiii
dando nervosismo KK

2024-12-02

1

~£lo~ 🏳️‍🌈😘💅

~£lo~ 🏳️‍🌈😘💅

Ela também, tá pedindo p morrer

2024-11-02

1

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