O céu estava cada vez mais escuro quando Sarah voltou para a delegacia. As nuvens pesadas cobriam o pôr do sol, e uma chuva fina começava a cair, criando uma névoa sobre as ruas da cidade. As palavras de Claire Miller continuavam a ecoar em sua mente: "Agora, ele está com vocês." Quanto mais Sarah pensava nisso, mais se sentia perturbada, embora ainda tentasse manter a racionalidade.
Ao entrar na delegacia, Mendes a encontrou imediatamente, com um olhar curioso. Ele parecia ansioso por notícias sobre a visita ao hospital psiquiátrico.
— E então? Como foi com Claire? — ele perguntou, puxando uma cadeira ao lado de Sarah, enquanto ela se sentava em sua mesa.
Sarah olhou para ele por um momento, tentando decidir quanto deveria compartilhar. Embora Mendes fosse um bom parceiro, sempre cético e pragmático, não sabia se ele estava pronto para ouvir o que Claire havia dito. Além disso, ela mesma ainda não sabia se acreditava completamente naquelas palavras.
— Ela está... perturbada, como era de se esperar — Sarah começou, escolhendo suas palavras com cuidado. — Ela insiste que Evan não está morto, que ele foi levado por alguma coisa. Algo que ela chama de ‘o homem escuro’.
Mendes balançou a cabeça, soltando um suspiro cansado.
— E você acha que isso significa alguma coisa real? Ou ela está apenas delirando, como pensei desde o início?
— Não sei, Mendes — Sarah admitiu. — Mas Claire mencionou algo sobre o amuleto. Ela disse que Richard trouxe o amuleto para casa, achando que ele os protegeria, mas acredita que foi esse amuleto que trouxe o ‘homem escuro’ até eles.
Mendes franziu a testa, claramente desconfortável com a direção da conversa.
— Isso está começando a soar cada vez mais como uma história de terror barata — ele disse, cruzando os braços. — Fantasmas, amuletos amaldiçoados... O que estamos fazendo aqui, Sarah? Nós investigamos crimes reais, não mitos.
Sarah compreendia o ceticismo de Mendes, mas algo dentro dela a impelia a não descartar tudo tão facilmente. A cada nova peça de informação, o mistério se tornava mais profundo e sinistro.
— Eu sei, Mendes. Mas há algo de muito errado nesse caso. E, por mais que eu não queira acreditar, estamos lidando com algo que foge ao comum. Talvez não seja um fantasma ou um demônio, mas alguma coisa influenciou profundamente Richard e Claire. E se isso está ligado ao amuleto, precisamos investigar mais a fundo.
Mendes suspirou, esfregando o rosto com as mãos.
— Tudo bem, vamos supor que haja algo mais nesse amuleto. O que fazemos agora? Voltamos à Dra. Hollis? Ela já nos disse o que sabe, e não parece que nos deu muitas respostas.
— Talvez não — Sarah disse, inclinando-se na cadeira. — Mas há algo que Claire disse que me deixou preocupada. Ela acredita que o amuleto não apenas atraiu essa entidade para eles, mas que, agora que o amuleto está conosco, essa coisa está nos observando.
Mendes riu baixinho, incrédulo.
— Ah, então é isso? Agora somos os próximos na fila para o ‘homem escuro’?
Sarah não riu. Em vez disso, o silêncio dela fez Mendes parar de rir também. Ele olhou para ela com seriedade.
— Você está falando sério?
— Não sei, Mendes. Não sei no que acreditar — ela admitiu, sentindo o peso de suas próprias dúvidas. — Mas o que sei é que, desde que encontramos aquele amuleto, tudo nesse caso tem sido... estranho. Não posso ignorar isso.
Mendes ficou em silêncio por um momento, pensando.
— Ok, e se Claire estiver certa, o que fazemos? Vamos exorcizar o amuleto? Levar para algum especialista em ocultismo?
— A primeira coisa que fazemos é descobrir mais sobre ele — Sarah respondeu. — Precisamos entender sua origem. De onde veio? Quem o deu a Richard? E por que ele acreditava que tinha algum poder?
Mendes assentiu, mesmo que a contragosto.
— Certo. Vou ver o que consigo descobrir sobre a origem do amuleto. Talvez haja algum registro histórico, algo que possamos usar. Mas, Sarah... precisamos ter cuidado com o quanto nos deixamos levar por isso. O que estamos investigando ainda é um caso de morte e suicídio. E, no fim do dia, precisamos de provas tangíveis.
— Eu sei, Mendes. Vamos seguir com o que podemos provar, mas não podemos descartar nada ainda — Sarah concordou, já pegando o celular para fazer algumas ligações.
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Mais tarde naquela noite, Sarah estava em seu apartamento, tentando relaxar após o longo dia. Mas algo estava errado. Havia uma sensação no ar que ela não conseguia descrever, uma presença que parecia sufocante. Ela andava de um lado para o outro na sala, sentindo uma inquietação crescente.
Seus pensamentos voltaram para o amuleto, ainda guardado na delegacia como evidência. Não era a primeira vez que encontrava algo que parecia carregado de uma história sombria, mas esse caso era diferente. Havia uma conexão inegável entre a família Miller e o amuleto, e a ideia de que essa conexão poderia se estender até ela e Mendes a deixava desconfortável.
Ela olhou para a janela, onde a chuva caía em gotas finas, batendo contra o vidro. A escuridão lá fora parecia mais densa do que o normal, como se estivesse se aproximando dela, cercando-a lentamente.
De repente, uma batida suave ecoou pela sala. Sarah congelou. A batida parecia vir da porta do apartamento. Seu coração disparou enquanto ela se dirigia até a porta, cautelosa. Ao abrir uma fresta, olhou pelo olho mágico e não viu nada. A porta do corredor estava vazia.
Ela hesitou por um momento antes de abrir a porta completamente. Olhou para os dois lados do corredor, mas estava deserto.
Sentindo-se cada vez mais inquieta, fechou a porta com força e trancou-a. Sua mente tentava racionalizar o que havia acontecido. Talvez fosse algum vizinho ou apenas uma coincidência. Mas o medo não a deixava.
Tentando se acalmar, voltou para o sofá e pegou o celular para ligar para Mendes, mas antes que pudesse discar o número, as luzes do apartamento piscaram. Sarah ficou paralisada, sentindo seu corpo enrijecer com o súbito apagão que mergulhou o lugar na escuridão completa.
Respirando fundo, ela se levantou lentamente, tateando pelo apartamento até encontrar uma lanterna no armário da cozinha. Quando a ligou, a luz fraca iluminou as paredes ao redor, mas nada parecia fora do lugar.
No entanto, enquanto caminhava pela sala, sentiu uma corrente de ar frio passar por ela, como se algo estivesse se movendo ao seu redor.
"Você está sendo observada."
As palavras de Claire ecoaram em sua mente com uma força esmagadora. Sarah sentiu uma presença atrás de si, como se algo estivesse ali, nas sombras, esperando. Ela se virou rapidamente, a lanterna tremendo em suas mãos, mas não havia ninguém.
No entanto, o ar ao redor parecia pesado, carregado de uma energia que não podia explicar. Uma sensação de pânico começou a crescer dentro dela, e, de repente, ela ouviu a batida novamente, desta vez mais alta e insistente.
Sem esperar mais, Sarah pegou seu celular e discou o número de Mendes, esperando que ele atendesse rapidamente. Quando finalmente ouviu sua voz do outro lado da linha, sua própria voz saiu mais trêmula do que esperava.
— Mendes... preciso de ajuda. Algo está errado. Acho que Claire tinha razão.
Do outro lado da linha, Mendes ficou em silêncio por um momento antes de responder, sua voz grave.
— Estou a caminho.
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Atualizado até capítulo 25
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