Uma Visita a Dra. Hollis

O céu estava cinza na manhã seguinte, e uma leve névoa cobria as estradas enquanto Sarah e Mendes dirigiam em direção à cidade onde a Dra. Eleanor Hollis vivia. A tensão no ar era palpável, e o silêncio no carro parecia carregado de perguntas que ambos evitavam fazer. Embora ainda estivesse cética, Sarah não conseguia ignorar os eventos recentes — o amuleto, as palavras de Richard, o diário de Evan. Tudo parecia convergir para algo que escapava à sua compreensão racional.

— Como acha que a Dra. Hollis vai reagir quando apareceremos com um amuleto antigo e uma história sobre uma família assombrada? — Mendes perguntou, quebrando o silêncio enquanto olhava para a estrada à sua frente.

Sarah deu de ombros.

— Ela é especialista em artefatos místicos, certo? Acho que já viu de tudo. Além disso, se Richard foi até ela com o amuleto, talvez ela já tenha alguma pista sobre o que está acontecendo. Mas temos que ser diretos e cuidadosos, Mendes. Não podemos descartar nada nesse ponto.

A viagem foi tranquila, e logo eles chegaram à pequena cidade de Hastings, onde a Dra. Hollis havia se aposentado. O lugar era pitoresco, com casas vitorianas antigas e ruas arborizadas. A sensação de calma do local era o oposto do ambiente denso e pesado que envolvia o caso dos Miller. No entanto, Sarah não podia deixar de sentir que estavam prestes a abrir uma porta para algo ainda mais obscuro.

A casa da Dra. Hollis ficava em uma rua tranquila, cercada por árvores imponentes. Era uma construção antiga, mas bem conservada, com uma cerca de madeira ao redor do jardim frontal. Enquanto Sarah e Mendes estacionavam o carro, ambos trocaram um olhar de compreensão. Estavam prestes a confrontar um novo mistério, talvez ainda maior do que o que encontraram na casa dos Miller.

— Vamos lá — Sarah disse, respirando fundo antes de sair do carro.

Eles caminharam até a porta da frente e tocaram a campainha. O som ecoou pelo interior da casa, mas por um momento, não houve resposta. Sarah estava prestes a tocar novamente quando a porta foi aberta lentamente por uma mulher de aparência frágil, com cabelos brancos e óculos de leitura na ponta do nariz. Ela os examinou com uma curiosidade cautelosa.

— Dra. Eleanor Hollis? — Sarah perguntou.

— Sim, sou eu. Em que posso ajudá-los? — a mulher respondeu, com a voz baixa, mas firme.

— Somos da polícia de Morton. Meu nome é detetive Sarah, e este é meu colega, Mendes. Gostaríamos de falar com a senhora sobre um amuleto que encontramos em uma cena de crime, e achamos que a senhora pode nos ajudar — Sarah disse, estendendo o distintivo.

Os olhos da Dra. Hollis se estreitaram ao ouvir as palavras de Sarah, mas ela não demonstrou surpresa. Com um gesto silencioso, abriu a porta e os convidou a entrar.

O interior da casa era aconchegante, cheio de estantes de livros antigos, artefatos culturais e objetos que pareciam ter vindo de diferentes partes do mundo. Havia uma grande lareira no centro da sala, e o aroma de chá recém-feito permeava o ar.

— Por favor, sentem-se. Parece que vocês têm uma história interessante para me contar — a Dra. Hollis disse enquanto se sentava em uma poltrona próxima, cruzando as mãos sobre o colo.

Sarah e Mendes se acomodaram no sofá de frente para a doutora, e Sarah foi direto ao ponto.

— Estamos investigando o caso da família Miller. O senhor Richard Miller foi encontrado morto, e seu filho, Evan, também morreu em circunstâncias que ainda não conseguimos esclarecer completamente. Durante nossa investigação, encontramos este amuleto, que estava escondido no porão da casa — Sarah retirou o amuleto de dentro de um pequeno saco de evidências e o colocou sobre a mesa de centro.

A Dra. Hollis olhou para o objeto com atenção, e uma leve mudança em sua expressão revelou que ela o reconhecia. Por um momento, ela ficou em silêncio, examinando os símbolos gravados no metal.

— Eu conheço este amuleto — ela finalmente disse, sua voz grave. — Richard Miller veio até mim há alguns anos, quando começou a acreditar que havia algo maligno em sua casa. Ele acreditava que este amuleto tinha o poder de protegê-lo de uma presença que, segundo ele, estava assombrando sua família.

Mendes franziu a testa.

— Ele mencionou um "homem escuro". Disse que essa presença estava afetando a mente dele e a de sua esposa. O que você acha que poderia ser isso? — perguntou, tentando manter o tom de ceticismo, mas curioso o suficiente para ouvir qualquer explicação.

A Dra. Hollis suspirou e tirou os óculos, apoiando-os no colo.

— O que Richard descreveu não era incomum entre as culturas antigas que acreditavam em entidades malignas ou espíritos que podiam se manifestar através de objetos. Este amuleto — ela apontou para o objeto na mesa — pertence a uma tradição muito antiga, que remonta a cultos que acreditavam na existência de seres que habitavam as sombras, entidades que podiam se alimentar da energia vital das pessoas.

Sarah sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

— Você está dizendo que Richard acreditava que algo assim estava acontecendo com ele? — ela perguntou, sua voz firme, mas carregada de uma curiosidade crescente.

— Não era apenas uma crença. Ele estava convencido — respondeu a Dra. Hollis, com seriedade. — E ele não foi o único. Este amuleto em particular tem uma longa história de ser associado a fenômenos que hoje poderíamos chamar de paranormais. Richard acreditava que sua família havia sido marcada por essa entidade, e que o amuleto era a única coisa que podia retardar sua influência.

Mendes olhou para Sarah, claramente desconfortável.

— Mas isso não passa de superstição, certo? Quero dizer, estamos falando de uma família destruída por tragédias pessoais, não por espíritos ou entidades — disse Mendes, cruzando os braços.

A Dra. Hollis sorriu, mas seu olhar era sério.

— A linha entre o que consideramos real e o que descartamos como superstição é muito mais tênue do que você imagina, detetive. As crenças que moldam a mente humana podem ter um poder profundo, e objetos como este amuleto podem amplificar esses efeitos. Se Richard estava mentalmente vulnerável, como parecia estar, o impacto de tal crença poderia ter sido devastador.

Sarah refletiu por um momento, tentando assimilar as informações. O que a Dra. Hollis dizia fazia sentido dentro de um contexto histórico, mas isso não explicava completamente o que havia acontecido com Evan e Claire. Algo mais estava em jogo.

— Dra. Hollis, Richard mencionou que acreditava que esse "homem escuro" estava afetando a saúde de Evan. Ele escreveu em seu diário que o garoto estava ficando cada vez mais doente sem explicação. Você acha que o amuleto poderia ter algum papel nisso? — Sarah perguntou.

A Dra. Hollis olhou para Sarah com um olhar de profunda compreensão.

— Eu não posso dizer com certeza o que estava acontecendo com Evan. Mas se Richard acreditava que o amuleto estava de alguma forma conectado à entidade que ele descrevia, é possível que ele tenha visto no garoto os sinais de uma influência externa. Crianças são particularmente vulneráveis a esse tipo de energia, especialmente se a própria família estiver em colapso.

Mendes soltou um suspiro.

— Então, o que fazemos agora? — perguntou, visivelmente frustrado com a direção que a investigação estava tomando.

A Dra. Hollis olhou para ambos com seriedade.

— Vocês precisam descobrir mais sobre a origem deste amuleto. Se ele realmente tem uma conexão com eventos trágicos, há mais do que apenas histórias antigas em jogo aqui. Algo foi despertado naquela casa, e enquanto esse mistério não for resolvido, a escuridão que Richard tanto temia pode não estar completamente extinta.

Sarah sentiu um calafrio atravessar seu corpo. As palavras da Dra. Hollis reverberaram em sua mente enquanto ela e Mendes se levantavam para sair.

— Obrigada pelo seu tempo, Dra. Hollis. Vamos continuar investigando isso — Sarah disse, apertando a mão da mulher.

— Apenas tomem cuidado. Algumas portas, uma vez abertas, nunca mais podem ser fechadas — a Dra. Hollis advertiu, enquanto os acompanhava até a porta.

Sarah e Mendes trocaram um olhar silencioso ao sair da casa. O mistério se aprofundava a cada passo, e agora tinham mais perguntas do que respostas. As sombras do caso Miller estavam longe de desaparecer — e o amuleto, com toda a sua história, parecia ser a chave para algo muito mais sinistro do que qualquer um deles havia imaginado.

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Comments

Cecilia geralda Geralda ramos

Cecilia geralda Geralda ramos

ficou vago á Doutora hollys ,creio que deveria saber mais sobre o amuleto. ou quem deu a pra Ribert.

2025-02-18

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