Mendes chegou ao apartamento de Sarah em menos de quinze minutos. O tempo que ele levou parecia uma eternidade para Sarah, que não conseguia se livrar da sensação de que algo estava observando-a de cada canto escuro de seu apartamento. Ela manteve a lanterna em mãos, com os nervos à flor da pele, esperando ouvir a batida familiar na porta.
Quando finalmente ouviu a campainha tocar, ela correu até a porta e a abriu rapidamente. Mendes estava ali, ofegante, claramente preocupado.
— O que está acontecendo, Sarah? — ele perguntou, entrando e dando uma rápida olhada ao redor, procurando por qualquer sinal de perigo.
— Não sei ao certo — Sarah respondeu, tentando manter a voz firme. — As luzes piscam, sinto uma presença aqui... e ouço batidas na porta, mas ninguém está lá.
Mendes franziu a testa, obviamente cético, mas Sarah percebeu que ele estava tentando não descartar sua preocupação.
— As luzes piscando podem ser só uma falha elétrica, e as batidas... — ele começou, mas foi interrompido por um som suave vindo da sala. Um leve sussurro, tão baixo que parecia o próprio ar sibilando.
Ambos congelaram. O sussurro era indistinto, mas claro o suficiente para que soubessem que não estavam sozinhos.
Mendes puxou uma arma do coldre instintivamente, embora o que quer que estivessem enfrentando não parecesse algo que uma bala poderia resolver. Ele caminhou lentamente até a sala de estar, os passos ecoando no silêncio pesado do apartamento. Sarah seguiu atrás, o coração batendo forte.
Quando chegaram à sala, o sussurro cessou. O lugar estava quieto, exceto pelo som suave da chuva lá fora.
— Você ouviu isso? — Sarah sussurrou, embora soubesse que Mendes tinha ouvido.
Ele acenou com a cabeça, mantendo os olhos na escuridão à frente.
— Sim, ouvi. O que diabos foi isso?
Antes que Sarah pudesse responder, as luzes do apartamento voltaram a piscar, e uma corrente de ar frio passou por eles. Mendes se virou rapidamente, apontando a arma para a direção de onde vinha o ar. A lanterna de Sarah tremia em sua mão, mas ela manteve o foco, iluminando a sala à medida que avançavam.
— Claire disse que o homem escuro estava nos observando agora — Sarah disse baixinho, mais para si mesma do que para Mendes.
— O homem escuro? — Mendes repetiu, incrédulo. — Isso não faz sentido, Sarah. Há uma explicação lógica para isso.
Mas nem mesmo Mendes parecia convencido por suas próprias palavras. O sussurro voltou, desta vez mais alto, e Sarah sentiu os pelos em sua nuca se arrepiarem. Ela girou a lanterna pela sala, tentando localizar a origem do som, mas não havia nada ali.
— O amuleto... — ela começou a dizer, sua mente voltando para o objeto sinistro que havia começado tudo isso. — Claire disse que ele o trouxe. E se... e se for o amuleto que está causando tudo isso?
Mendes não respondeu de imediato. Em vez disso, ele abaixou a arma lentamente e olhou para Sarah com uma expressão de preocupação crescente.
— Eu não sei, Sarah. Eu realmente não sei. Mas se esse amuleto está atraindo alguma coisa, não podemos deixá-lo aqui. Precisamos fazer algo.
Sarah sabia que ele estava certo. O amuleto estava guardado na delegacia, mas a mera ideia de estar em posse daquele objeto parecia errada agora. Algo nele estava afetando tudo ao redor, distorcendo a realidade de maneiras que ela não compreendia. Se as palavras de Claire fossem verdadeiras, o amuleto era mais do que um simples objeto. Ele era a chave para algo muito mais sombrio.
— Precisamos tirá-lo de circulação — Sarah murmurou. — Talvez devêssemos destruí-lo.
— E como exatamente você destrói um amuleto? — Mendes perguntou, claramente desconfortável com a ideia. — Isso não é uma coisa que podemos simplesmente jogar fora ou quebrar com um martelo, Sarah. Se tudo isso que Claire disse for verdade, estamos lidando com algo além da nossa compreensão.
— Eu sei, mas não podemos simplesmente deixá-lo lá e esperar que as coisas piorem — Sarah respondeu, determinada. — Precisamos agir.
Antes que Mendes pudesse dizer mais alguma coisa, o sussurro aumentou, ecoando pelas paredes, e desta vez, ambos ouviram palavras claras no meio dos sussurros. Eram palavras indistinguíveis, mas carregadas de uma energia que fez o ambiente parecer mais sufocante, como se o próprio ar estivesse ficando mais pesado.
Então, de repente, a lanterna de Sarah apagou. Eles ficaram no escuro total, e o sussurro se transformou em um som grave, quase como um rosnado distante.
— Precisamos sair daqui — Mendes disse abruptamente, sua voz urgente.
Sarah concordou, mas antes que pudessem dar um passo, uma batida forte ecoou pela porta da sala. Não era como as batidas leves de antes. Essa era uma batida pesada, poderosa, como se algo muito grande estivesse do lado de fora, exigindo entrar.
Ambos ficaram congelados por um momento, o som reverberando pela sala. Sarah segurou a lanterna com força, tentando ligá-la novamente, mas a luz não voltava.
A batida soou novamente, mais insistente, e Sarah sentiu o pânico subir à sua garganta. Ela sabia, instintivamente, que não deveria abrir aquela porta. Algo estava esperando do outro lado, algo que não era humano.
— Vamos sair pelos fundos — Mendes disse em um sussurro apressado, gesticulando para a cozinha.
Eles se moveram rapidamente, atravessando o apartamento enquanto a batida continuava, cada vez mais forte. Quando chegaram à porta dos fundos, Mendes destrancou-a rapidamente e a abriu, permitindo que ambos escapassem para o corredor de serviço do prédio.
A chuva caía forte lá fora, e o som das gotas ecoava no corredor vazio. Sarah e Mendes se entreolharam, ambos ofegantes.
— O que era aquilo? — Mendes perguntou, o rosto pálido, finalmente admitindo que algo inexplicável estava acontecendo.
— Não sei, mas precisamos sair daqui. — Sarah respondeu, começando a descer as escadas de emergência.
Eles correram pelas escadas até o nível da rua, onde o vento frio os atingiu com força. A cidade parecia estranhamente deserta naquela noite, como se o próprio ambiente estivesse de acordo com o terror que sentiam.
Sarah olhou para trás, para o prédio, ainda sentindo aquela presença maligna em algum lugar próximo. Algo ou alguém os estava observando, disso ela não tinha dúvidas.
— Vamos para a delegacia — Mendes disse, tentando recuperar o fôlego. — Precisamos descobrir o que fazer com esse amuleto.
Sarah concordou, mas sabia que o que quer que estivesse acontecendo agora não se limitaria apenas ao amuleto. Algo maior estava em jogo, e o “homem escuro” era apenas o começo.
Com uma última olhada para o prédio sombrio que acabara de deixar, Sarah e Mendes correram em direção ao carro. O que quer que os estivesse caçando, não desistiria tão facilmente.
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Atualizado até capítulo 25
Comments
Cecilia geralda Geralda ramos
que pavor .o que será isso né.
2025-02-18
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