O Ritual Começa

A noite estava mais fria do que o normal, e uma densa neblina envolvia a cidade quando Sarah e Mendes se preparavam para o que poderia ser a etapa mais difícil e perigosa de suas vidas. O plano já estava traçado: realizar o ritual com a ajuda da Dra. Valentina Hollis e, de uma vez por todas, quebrar o vínculo que o amuleto mantinha com Namtar. O risco, no entanto, era inegável. O menor erro poderia custar não apenas suas vidas, mas suas almas.

Sarah estava sentada em sua mesa na delegacia, verificando a lista de itens que Valentina havia enviado. Eram objetos aparentemente comuns, mas cada um com um propósito crucial no ritual: sal grosso, incenso de mirra, uma faca de prata e uma tigela de cerâmica, além de velas pretas e brancas que simbolizariam a dualidade da luz e das trevas.

Mendes entrou na sala segurando uma pequena caixa de madeira nas mãos. Dentro, o amuleto repousava, envolto em uma espécie de pano grosso e áspero. Ele o colocara ali por sugestão da Dra. Hollis, para conter parte da energia negativa que emanava do objeto.

— Aqui está — disse Mendes, colocando a caixa sobre a mesa de Sarah com um cuidado visível. — Temos tudo o que precisamos?

Sarah assentiu, sem desviar os olhos do objeto.

— Sim, todos os materiais estão prontos. A Dra. Hollis está esperando por nós no lugar onde o ritual será feito. Precisamos ir logo.

Mendes respirou fundo, claramente tenso. Ele olhou para Sarah com uma expressão preocupada.

— Você tem certeza disso, Sarah? Não quero ser o pessimista, mas isso não parece seguro. Se alguma coisa der errado…

— Eu sei — ela respondeu, sua voz mais firme do que o habitual. — Mas não temos outra escolha. Quanto mais tempo ficarmos com esse amuleto, mais forte a entidade se torna. Temos que agir agora.

Havia um silêncio pesado entre os dois por um momento. Ambos sabiam o que estava em jogo. Sarah sentiu um frio no estômago ao lembrar do que Dra. Hollis dissera: o amuleto poderia exigir um sacrifício, não de vida, mas de algo igualmente valioso. Não sabiam ao certo o que isso significaria até o momento do ritual.

Finalmente, Mendes concordou com um aceno de cabeça.

— Certo. Vamos acabar com isso de uma vez por todas.

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O lugar que a Dra. Hollis havia escolhido para o ritual era uma antiga capela abandonada nos arredores da cidade. Ela acreditava que a energia espiritual do local poderia ajudar a neutralizar parte da influência de Namtar. Quando Sarah e Mendes chegaram, o silêncio da noite parecia quase sufocante. A capela estava parcialmente em ruínas, com pedras musgosas e janelas quebradas. A neblina que envolvia o lugar conferia-lhe uma atmosfera quase etérea, como se o tempo tivesse parado ali.

A Dra. Hollis já estava esperando, preparando o ambiente. Ela havia desenhado um círculo de proteção no chão de pedra com sal grosso, e várias velas estavam dispostas ao redor. Ela os cumprimentou com um leve aceno de cabeça, seus olhos focados e determinados.

— Vocês estão prontos? — ela perguntou, sua voz baixa, mas cheia de gravidade.

— Estamos — Sarah respondeu, apesar da tensão que crescia em seu peito.

— Muito bem. Lembrem-se de que o ritual deve ser seguido à risca. Qualquer interrupção pode comprometer tudo. Precisamos anular o vínculo do amuleto com Namtar, mas a entidade pode resistir. Se isso acontecer, vocês não devem reagir com medo. Precisam manter o foco.

Dra. Hollis olhou para Mendes, que segurava a caixa com o amuleto.

— Coloque-o no centro do círculo.

Mendes hesitou por um momento antes de entrar no círculo e colocar a caixa no centro. Quando ele voltou para o lado de Sarah, a tensão no ar parecia ter aumentado. Era como se o próprio ambiente estivesse esperando pelo que viria a seguir.

Dra. Hollis começou o ritual, acendendo as velas e murmurando palavras em uma língua antiga que Sarah não reconhecia. A voz da mulher soava como um sussurro profundo, reverberando pelo espaço da capela.

Enquanto o ritual progredia, Sarah sentiu um frio estranho atravessar seu corpo. Não era o frio da noite, mas algo diferente, algo que parecia vir de dentro dela. Mendes olhou para ela de relance, e Sarah percebeu que ele também estava sentindo. Algo estava mudando no ambiente. A neblina ao redor da capela parecia se espessar, e as sombras no interior da construção começaram a se mover de forma inquietante.

— Está acontecendo — disse a Dra. Hollis, com um tom urgente na voz. — A entidade está resistindo. Precisamos ser rápidos.

Ela pegou a faca de prata e cortou a palma da mão de Sarah de forma rápida e precisa. Sarah não protestou, entendendo que isso fazia parte do processo. O sangue de Sarah gotejou na tigela de cerâmica no centro do círculo, e a Dra. Hollis murmurou mais algumas palavras, lançando um olhar rápido para Mendes.

— Agora você — ela disse, estendendo a faca para ele.

Mendes hesitou por um segundo antes de fazer o mesmo, cortando a palma da mão e deixando seu sangue pingar na tigela. O cheiro de ferro no ar misturou-se ao incenso de mirra, criando uma sensação pesada e quase sufocante.

De repente, uma rajada de vento atravessou a capela, derrubando algumas das velas. As sombras começaram a se mover mais intensamente, quase como se tivessem ganhado vida própria.

— Mantenham-se dentro do círculo! — gritou Dra. Hollis, sua voz cortando o caos ao redor.

O amuleto no centro do círculo começou a vibrar, emitindo uma luz fraca, mas crescente. O chão sob seus pés tremia levemente, e o ar ao redor parecia vibrar com uma energia invisível. Sarah sentiu como se estivesse sendo observada, como se algo antigo e poderoso estivesse ali, esperando por sua chance de agir.

Dra. Hollis continuava recitando os encantamentos, sua voz ficando mais alta e mais urgente a cada segundo. De repente, uma das sombras pareceu se destacar das outras, crescendo até assumir a forma de uma figura humana. Era alta, esquelética, com olhos vermelhos que brilhavam na escuridão. A presença dela era sufocante, como se toda a capela estivesse sendo comprimida ao redor daquele ser.

— Namtar... — Sarah sussurrou, reconhecendo imediatamente quem ou o que estava diante deles.

A entidade deu um passo em direção ao círculo, mas foi contida pelo anel de sal. A expressão em seu rosto desumano era de fúria e malícia. Ela observava cada um deles com um olhar faminto, como se estivesse esperando por uma falha, uma abertura.

— Não o encarem! — gritou Dra. Hollis, sem perder o ritmo do ritual. — Ele está tentando entrar em suas mentes. Concentrem-se no círculo!

Sarah tentou desviar o olhar, mas sentiu uma pressão imensa, como se a entidade estivesse tentando invadir seus pensamentos. Ela cerrou os olhos e se concentrou nas palavras de Dra. Hollis, tentando manter o foco no que realmente importava: destruir o amuleto e romper o vínculo.

Finalmente, a voz da Dra. Hollis atingiu um crescendo, e com um movimento rápido, ela derramou o conteúdo da tigela sobre o amuleto. O impacto foi imediato. O amuleto explodiu em uma luz ofuscante, e a entidade soltou um grito agudo, que parecia rasgar o próprio ar ao redor deles.

Sarah sentiu o chão tremer violentamente, mas, de repente, tudo parou. A entidade desapareceu, e o amuleto estava reduzido a cinzas no centro do círculo.

O silêncio tomou conta da capela. A respiração de Sarah e Mendes era pesada, mas estava feito. O amuleto estava destruído, e o vínculo com Namtar finalmente havia sido quebrado.

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