O Abrigo de Um Momento

Enquanto a tarde avançava e o sol começava a baixar no horizonte, o céu se pintava com tons de laranja e rosa, refletindo na superfície do mar. Lucas e Marina permaneciam deitados na areia, cada um absorvendo a presença do outro. Para Lucas, a vida parecia suspensa naquele instante, como se o mundo ao redor tivesse desacelerado apenas para permitir que eles vivessem aquele momento por um pouco mais de tempo. E naquele instante, eles não eram um casal lidando com uma tragédia iminente, eram apenas dois amantes na praia, abraçados, se sentindo completos.

Depois de algum tempo, Marina se sentou e olhou para Lucas, os olhos brilhando à luz do pôr do sol. — Você está com fome? — Ela perguntou, tentando romper o silêncio com um sorriso leve. — Tem um restaurante bem simples aqui perto que serve a melhor comida caseira da região. Lembra? A gente veio aqui uma vez quando estava de passagem.

Lucas assentiu, lembrando-se daquele dia como se tivesse sido ontem. Ele podia quase sentir o cheiro da comida saindo da cozinha, o calor da risada de Marina quando pediram sobremesa demais e se empanturraram até não aguentar mais. — Claro que lembro. — Ele sorriu. — E, sim, acho que uma boa comida agora seria incrível.

Os dois se levantaram, sacudindo a areia dos corpos e colocando suas roupas secas. Caminharam até o restaurante, de mãos dadas, enquanto o vento do mar brincava com os cabelos de Marina e trazia o cheiro de sal até eles. O lugar era pequeno, de aparência rústica, com mesas de madeira envelhecidas pelo tempo e toalhas xadrezes. Mas havia um charme autêntico ali, algo que fazia com que eles se sentissem em casa, como se fossem parte de uma história mais antiga, uma história que envolvia mar, amor e o sabor da vida simples.

Marina escolheu uma mesa próxima à janela, que tinha vista para o mar. Sentaram-se de frente um para o outro, e quando o garçom veio atendê-los, ela fez o pedido como se fosse algo que já sabia de cor. — Dois pratos de peixe com arroz e feijão. E de sobremesa, aqueles pastéis doces que vocês fazem tão bem. — Ela piscou para o garçom, que sorriu como se fosse um velho amigo. — E duas cervejas bem geladas.

Lucas riu baixinho enquanto observava a facilidade com que Marina falava com as pessoas, como ela se conectava com o mundo ao redor. Havia algo magnético nela, algo que fazia todos se sentirem bem. E naquele momento, ele se sentiu afortunado por poder compartilhar aquela conexão, por ter uma parte do coração dela para si.

— Você faz tudo parecer tão... fácil. — Ele disse, segurando a mão dela por cima da mesa. — Eu nunca sei o que pedir nesses lugares, mas você parece sempre saber o que é perfeito.

— Bom, não é que eu saiba o que é perfeito... — Marina respondeu, sorrindo. — Eu só confio que a vida é feita de momentos, e que a gente tem que aproveitar cada um deles, sabe? Até as coisas mais simples... como escolher o prato certo para comer. — Ela riu de novo, e o som da risada dela era como uma música que fazia o peito de Lucas se aquecer.

Quando os pratos chegaram, o aroma delicioso da comida tomou conta do ambiente. A mistura de temperos, o peixe fresco, o arroz solto e o feijão com molho denso — tudo parecia ter sido preparado com amor e carinho, e Lucas se sentiu grato por ter aquela refeição ao lado de Marina. Enquanto comiam, eles falaram de tudo e de nada. Marina contou histórias da infância, das traquinagens que fazia com os irmãos, das vezes que se metia em confusão na escola. E Lucas apenas a ouvia, absorvendo cada palavra como se estivesse bebendo daquela felicidade, saboreando cada momento.

— E você? — Marina perguntou depois de um tempo, olhando para ele com aqueles olhos intensos, como se quisesse descobrir cada pensamento dele. — Quando era criança, o que você queria ser quando crescesse?

Lucas riu, surpreso com a pergunta simples, mas cheia de significado. Ele fez uma pausa, pensando por um momento. — Acho que... queria ser super-herói. Ou algo assim. Alguém que pudesse salvar o mundo, sabe? Quando a gente é criança, tudo parece possível, tudo parece estar ao alcance... E depois, a gente cresce, e a realidade bate, e... percebe que não é tão simples assim.

— Bom, talvez você não seja um super-herói... — disse Marina, sorrindo com doçura. — Mas você salvou o meu mundo. E, para mim, isso é o que importa.

Lucas sentiu um nó se formar na garganta, e ele desviou o olhar por um momento para conter as lágrimas que ameaçavam cair. Aquela era a mulher que ele amava, a mulher que estava pronta para enfrentar a dor e o medo ao lado dele, sem hesitação. E tudo o que ele queria era poder continuar sendo o homem que a faria sorrir todos os dias.

Depois do jantar, eles pediram os pastéis doces — uma espécie de torta recheada com doce de leite e coberta com açúcar de confeiteiro. Lucas mordeu um pedaço, sentindo o sabor doce e caramelizado explodir em sua boca, e riu quando Marina fez o mesmo, ficando com açúcar nos lábios e no nariz.

— Está uma delícia, né? — Marina disse, lambendo o açúcar dos dedos como uma criança. — Acho que vou querer outra rodada desses.

— É, eu acho que também vou. — Lucas concordou, e eles pediram mais pastéis, como se estivessem tentando estender a noite o máximo possível, como se cada mordida fosse uma nova chance de saborear a vida.

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Quando finalmente saíram do restaurante, a noite já estava escura, e o céu estava repleto de estrelas. Eles caminharam de volta para a praia, onde as ondas pareciam sussurrar segredos antigos e a areia estava fria sob seus pés. Marina se sentou na areia, e Lucas se deitou ao lado dela, ambos olhando para o céu, para as estrelas que brilhavam como pequenas joias em um pano negro.

— Lembra daquela noite em que a gente acampou aqui? — Ela perguntou, olhando para ele com um sorriso nostálgico. — Foi uma das primeiras vezes que ficamos sozinhos... só nós dois, sob as estrelas.

— Eu lembro. — Ele disse, e o sorriso dele era cheio de memórias felizes. — Acho que foi a primeira vez que me senti realmente... conectado a alguém. Com você.

— Eu também senti isso. — Ela sussurrou, pegando a mão dele e entrelaçando os dedos aos dela. — Como se... fôssemos feitos para estar juntos. Como se todas as coisas que aconteceram em nossas vidas tivessem nos trazido até esse momento.

Lucas virou-se para ela, se apoiando em um cotovelo, e a olhou intensamente. — E você ainda sente isso? Mesmo agora? Mesmo com tudo o que está acontecendo?

Ela segurou o rosto dele, seus olhos se encontrando como se não houvesse nada além deles dois naquele universo. — Eu sinto isso mais do que nunca. — Ela disse, a voz cheia de convicção e amor. — Porque o que importa não é o que vai acontecer depois... é o que a gente tem agora. E agora, nós temos um ao outro. Nós temos esse momento. E isso... é tudo o que eu preciso.

Lucas sentiu as lágrimas se acumularem, mas não eram lágrimas de tristeza. Eram de gratidão, de amor, de uma esperança inesperada que ele encontrou nos olhos de Marina. Ele se aproximou e a beijou, um beijo profundo, que parecia conter todas as palavras que eles não podiam dizer, todas as promessas que não poderiam ser cumpridas.

Eles ficaram ali, sob as estrelas, abraçados, sentindo o calor do corpo um do outro e ouvindo o som das ondas que continuavam a bater na praia, incansáveis e eternas. O tempo parecia parar, e Lucas desejou que pudesse congelar aquele momento, guardá-lo para sempre.

Naquela noite, enquanto estavam juntos, Lucas percebeu que, mesmo que o futuro fosse incerto e a dor inevitável, ele ainda tinha uma coisa inegavelmente preciosa: o amor de Marina. E enquanto tivessem aquele amor, ele sabia que poderia enfrentar qualquer coisa.

E eles ficaram ali, na calmaria da noite, sabendo que a tempestade ainda viria, mas também sabendo que, enquanto tivessem um ao outro, podiam resistir a qualquer coisa.

Mesmo que fosse apenas por mais um dia.

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