O calor do sol da tarde iluminava a confeitaria onde Lucas e Marina se encontravam. Era um lugar simples, mas charmoso, com paredes de um azul claro e cadeiras de madeira que pareciam saídas de um filme antigo. O aroma de massa fresca, baunilha e açúcar preencheu o ar assim que abriram a porta. Para Marina, era o lugar perfeito para escolher o bolo de casamento. Ela agarrou o braço de Lucas, apertando-o com entusiasmo enquanto passavam pelas mesas e vitrines repletas de doces coloridos e cupcakes decorados.
— É aqui, amor. É aqui que vamos encontrar o nosso bolo perfeito. — Marina murmurou, como se estivesse em um templo sagrado. Lucas sorriu para ela, aquele sorriso tranquilo de quem estava feliz simplesmente por estar ali, compartilhando o momento.
— Pode escolher todos os sabores que quiser. — disse ele com um tom de brincadeira, enquanto seus olhos percorriam os doces ao redor. Marina fez uma careta exagerada, como se fosse levar a sério a proposta de encher uma mesa inteira com todos os bolos da confeitaria.
Eles se sentaram em uma das mesas reservadas para degustação, e uma atendente simpática veio até eles, carregando uma bandeja com pequenas fatias de bolo. — Aqui estão as nossas opções de hoje! — A moça disse, colocando a bandeja diante deles. — Temos o tradicional chocolate com recheio de brigadeiro, baunilha com frutas vermelhas e um novo sabor... — Ela parou, sorrindo com certa expectativa. — Doce de leite com coco e nozes.
Os olhos de Marina brilharam, e ela logo pegou um garfinho para experimentar cada um dos sabores, falando sobre as combinações como se estivesse descobrindo um novo mundo. Lucas, por sua vez, apenas observava, deliciando-se mais com as expressões da noiva do que com os doces em si.
— Este... — Marina pegou um pedaço do bolo de doce de leite e fechou os olhos ao mastigar. — Eu acho que este é o meu favorito. — A felicidade estampada no rosto dela era contagiante, e Lucas se sentiu sortudo por estar ali, vivenciando aquele momento tão simples, mas significativo.
Ele pegou o próprio garfo, experimentando um pedaço do bolo. O doce de leite derretia na boca, misturando-se com o coco de forma suave. — Realmente... — ele disse depois de um tempo, enquanto pensava no sabor. — Acho que você acertou em cheio. Esse vai ser o nosso bolo.
Eles passaram o resto da tarde provando outras combinações, conversando sobre as ideias para a decoração, as flores, os convites, e Marina falava sobre cada detalhe com uma paixão que deixava tudo ao redor mais vivo. Lucas acompanhava as palavras dela, mas também se perdia na observação de pequenos detalhes: a forma como ela gesticulava ao falar, como os cachos dos cabelos dela balançavam sempre que se animava com algo, ou como ela franzia levemente o nariz quando tinha uma nova ideia.
Depois de escolherem oficialmente o bolo, pagaram a conta e saíram de mãos dadas, caminhando lentamente pelas ruas da cidade. A brisa estava mais fresca naquele fim de tarde, e Lucas sentiu um arrepio que não tinha nada a ver com a temperatura. Por um momento, a dor sutil que ele sentia há algum tempo voltou, um aperto no estômago, mas, como sempre, ele ignorou.
— Você está bem? — Marina perguntou, franzindo a testa e inclinando a cabeça para olhar para ele.
— Sim, sim. Só um pouco cansado, talvez. Acho que o trabalho está me sugando as energias. — Ele respondeu rapidamente, sorrindo para desviar a preocupação de Marina. Ele sempre foi bom em esconder coisas pequenas, e essa dor era apenas uma delas. Afinal, como poderia algo dar errado quando ele tinha tanta coisa para viver?
— Você trabalha demais, amor. Precisa descansar mais, tirar uns dias para relaxar... — Marina respondeu, abraçando o braço dele e apoiando a cabeça em seu ombro enquanto caminhavam. — Quando a gente se casar, você vai ter que me aguentar pedindo para tirar férias o tempo todo. — Ela riu baixinho.
— E eu vou tirar todas as férias que você quiser. — Lucas prometeu, embora não soubesse como o futuro realmente seria. Ele só queria que Marina continuasse com aquele sorriso, aquela felicidade que ele faria de tudo para proteger. Era um pensamento automático, quase um instinto. Proteger.
O casal chegou à estação de metrô, onde teriam que se separar para ir cada um para o seu trabalho. Marina tinha uma aula importante para dar naquela tarde — ela era professora de inglês para crianças, e sempre contava histórias sobre seus alunos com uma alegria contagiante. Lucas se despediu com um beijo demorado, segurando o rosto dela entre as mãos.
— Depois do trabalho, vou para casa direto. Não demora, ok? — disse ele, antes de soltar a mão dela e vê-la descer as escadas correndo, acenando para ele uma última vez antes de desaparecer na multidão.
Ele ficou ali parado por um instante, sentindo a ausência dela imediatamente. O mundo parecia mais frio e distante sem Marina por perto. Mas ele logo se forçou a seguir em frente, voltando ao trabalho e à rotina, tentando afastar qualquer pensamento que não fosse sobre o casamento e o futuro.
No escritório, a atmosfera era outra. O som de teclados sendo pressionados rapidamente, telefones tocando e pessoas discutindo casos jurídicos compunham um cenário completamente diferente da confeitaria. Lucas tentou focar nos documentos à sua frente, em relatórios e processos que precisavam de atenção. No entanto, por mais que tentasse, a dor leve em seu estômago voltava de tempos em tempos, como um lembrete de algo que ele precisava ignorar.
Ele ergueu os olhos para a janela do escritório e ficou ali, olhando para a cidade que se movia ao seu redor. O sol começava a se pôr, e aquela luz alaranjada banhava os prédios, criando sombras longas e profundas. Em um segundo, ele se viu refletido no vidro — uma sombra entre tantas outras.
O telefone em sua mesa tocou, puxando-o de volta à realidade. Ele atendeu, forçando-se a focar em suas responsabilidades. Era um cliente que queria discutir os últimos avanços do caso. Lucas tomou notas, formulou respostas, mas a imagem de Marina e o bolo de casamento permaneciam em sua mente, trazendo consigo uma onda de paz, mesmo naquele ambiente agitado.
Mas assim que desligou o telefone, a dor voltou, dessa vez mais forte. Ele segurou a mesa com força, fechando os olhos por um instante enquanto a pontada atravessava seu corpo. Não era normal. Não podia ser normal. Pela primeira vez, ele considerou ir a um médico, mas a ideia parecia uma afronta ao futuro que estava construindo.
"Vai passar," ele pensou, voltando a abrir os olhos, respirando fundo para se acalmar. "É só o estresse... Só preciso de uma boa noite de sono."
Lucas retomou o trabalho, mas a dor agora era como uma pequena sombra, sempre ali, lembrando-o de que algo não estava certo. No fundo, ele sabia que precisava enfrentar aquilo, mas naquele momento, ele só queria continuar acreditando que tudo estava perfeito. Que ele e Marina teriam um casamento feliz, filhos, e uma vida cheia de amor.
Ele escolheu o doce de leite com coco. Ele escolheu o futuro.
E o futuro, silenciosamente, começava a escolher por ele.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Grace 🌻🌷
Não vai não 😢. Uma opinião especializada é o mais sensato.
2024-10-10
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