O som da chuva batendo suavemente contra a janela era a trilha sonora daquela manhã. Lucas acordou com Marina aninhada ao seu lado, ainda adormecida, e por um instante, ele conseguiu fingir que tudo estava bem. Ele fechou os olhos, tentando absorver cada segundo daquele momento de paz. Seu corpo doía, e a dor em seu estômago parecia estar se tornando uma sombra constante, sempre presente, mas ali, com Marina dormindo tranquila, ele encontrou um breve refúgio.
Ele sabia que não poderia esconder sua condição para sempre, mas o que o mantinha acordado à noite era o medo de perder esses momentos com ela. Cada sorriso, cada palavra, cada toque... eram o que ele queria proteger, mesmo que isso significasse carregar o segredo sozinho por mais tempo.
Enquanto se levantava para começar o dia, Lucas sentiu a pontada familiar em seu abdômen, uma lembrança amarga do que ele estava enfrentando. Ele se segurou na pia do banheiro por um momento, inspirando profundamente para manter a postura, então se forçou a levantar e se preparar para enfrentar mais um dia. O mundo lá fora continuava girando, e ele precisava continuar fingindo que estava tudo bem.
Quando Marina acordou, encontrou Lucas preparando o café da manhã, como sempre fazia. — Bom dia, meu amor. — disse ela, ainda sonolenta, o sorriso dela era tão fácil, tão cheio de amor, que ele quase esqueceu de toda a dor. — Pensei em aproveitarmos o dia para comprar as alianças... O que você acha?
Lucas ficou em silêncio por um segundo, surpreendido pelo plano repentino. Marina sempre falava sobre o quanto queria que o momento de escolher as alianças fosse especial, uma promessa tangível do compromisso que estavam prestes a assumir. E, ao mesmo tempo, aquilo doeu como uma faca para Lucas — o símbolo de um futuro que ele não tinha certeza se poderia viver.
Mas ele não podia deixá-la ver isso. Ele sorriu, tentando parecer animado. — Eu acho uma ótima ideia. Vamos encontrar as alianças perfeitas.
Marina riu, pegando sua xícara de café e se sentando ao lado dele. — Eu quero algo simples, mas que tenha um significado, sabe? Algo que... simbolize a gente, nossa história.
Ele assentiu, tentando não pensar em como aquela ideia, embora bela, parecia uma cruel ironia. Enquanto tomavam o café da manhã, Lucas se permitiu se perder na conversa, nas pequenas alegrias do cotidiano. Ele sabia que a cada dia que passava, estava mais perto do momento em que teria que revelar a verdade, mas naquele momento, ele queria apenas ser o Lucas de sempre, o noivo que amava Marina e estava prestes a começar uma nova vida ao lado dela.
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O dia estava frio e nublado quando Lucas e Marina chegaram ao centro da cidade, onde as lojas de joias ficavam. A vitrine das lojas brilhava com as luzes dos refletores e os anéis de ouro, prata e diamantes reluziam como se chamassem a atenção de cada pessoa que passava. Marina segurou a mão de Lucas com força, puxando-o até a vitrine de uma das lojas.
— Olha só... esse daqui! — Ela apontou para um par de alianças finas, de ouro branco, com uma pequena linha de diamantes que se entrelaçava ao redor da aliança. — Achei tão delicado...
Lucas olhou para as alianças e tentou visualizar o futuro que elas representavam. Por um momento, ele quase conseguiu se ver e Marina trocando votos, sorrindo um para o outro enquanto deslizavam os anéis em seus dedos. Mas, então, a realidade o puxou de volta, e ele sentiu o peito apertar.
— São lindas... — Ele disse, apertando a mão dela com mais força. — Quer experimentar?
Ela assentiu, os olhos brilhando de entusiasmo. Eles entraram na loja, e a atendente os recebeu com um sorriso caloroso. Marina parecia uma criança em uma loja de doces, experimentando uma variedade de alianças, rindo ao mostrar para Lucas como ficariam. Ele observava tudo com um sorriso no rosto, mas a mente estava longe, pensando em como tornar aquele momento inesquecível para ela, mesmo que ele não soubesse o que viria depois.
— E essa? — Marina perguntou, estendendo a mão para Lucas enquanto experimentava outra aliança, uma mais simples, mas igualmente bela. Ele segurou a mão dela e passou o polegar sobre a aliança, sentindo o metal frio contra a pele.
— É perfeita. — Ele murmurou, e naquele momento ele queria acreditar que aquilo era verdade, que o futuro deles seria tão brilhante quanto aquela aliança.
Depois de algumas horas e muitas risadas, eles finalmente escolheram as alianças. Simples, elegantes e cheias de significado, exatamente como Marina queria. A atendente embrulhou as joias em uma pequena caixa de veludo, e Lucas a segurou como se fosse um tesouro.
— Esse dia vai ficar para sempre na minha memória. — Marina disse enquanto caminhavam de volta para o carro, o sorriso dela tão largo que fazia os olhos se fecharem.
Lucas concordou, mas não conseguiu evitar que o sorriso vacilasse por um momento. Ele sabia que cada passo que davam em direção ao casamento era como uma dança com o tempo, e ele não sabia quanto mais conseguiria esconder o segredo que carregava.
— Vai ser para sempre, amor. — Ele respondeu, tentando manter a voz firme. — Eu prometo.
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Naquela noite, eles decidiram celebrar em casa, fazendo um jantar simples, mas especial. Lucas cozinhou a receita preferida de Marina — uma massa com molho de tomates frescos e manjericão, acompanhada por uma taça de vinho. Eles riram, conversaram e relembraram memórias antigas, como se o peso da doença de Lucas fosse uma sombra que não tinha permissão para entrar naquela noite.
Depois do jantar, eles foram para a sala e colocaram uma música lenta para tocar. Marina se levantou e estendeu a mão para Lucas. — Quer dançar comigo? — Ela perguntou, com aquele sorriso malicioso que sempre fazia o coração dele derreter.
— Sempre. — Ele respondeu, segurando a mão dela e puxando-a para perto. Eles dançaram pelo pequeno espaço da sala, os corpos colados, movendo-se lentamente ao som da música. Lucas fechou os olhos, tentando gravar cada detalhe — o cheiro dos cabelos dela, o som suave da risada, o calor das mãos que seguravam as suas.
— Sabe... eu não poderia pedir por mais nada. — Marina sussurrou contra o ouvido dele. — Eu tenho tudo o que sempre quis. Você, nós... nosso futuro.
Lucas engoliu em seco, sentindo as lágrimas ameaçarem cair. Ele queria dizer a ela o que estava sentindo, queria confessar o medo, a dor, a incerteza que o consumiam. Mas ele não podia. Não naquela noite. Aquele momento era precioso demais, perfeito demais para ser destruído com a verdade.
— Eu também. — Ele respondeu baixinho, os lábios tocando a testa dela. — E eu vou fazer de tudo para que seja sempre assim.
Eles continuaram dançando, perdidos um no outro, como se o mundo ao redor não existisse. E, por um momento, a dor em seu estômago pareceu desaparecer, e Lucas conseguiu acreditar que aquela noite poderia durar para sempre. Mesmo que ele soubesse que o "para sempre" era uma promessa que ele não tinha certeza de poder cumprir.
Enquanto dançavam, o relógio na parede marcava o passar do tempo, e Lucas sabia que cada minuto que passava era um minuto a menos até que ele tivesse que contar a verdade. Mas, por enquanto, ele se permitiu esquecer de tudo, focar apenas em Marina, em seus braços ao redor dele, em seu riso, em sua presença.
Naquela noite, eles dançaram como se fossem eternos. E, para Lucas, era o suficiente.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Liselma Oliveira
affs vai ficar a Histiria inteira nessa amarração é ningiem merece que saco.🤤
2024-09-29
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