Capítulo 19

Eliza correu o mais rápido que pôde, seu coração batendo forte. O manto de seda que escondia o ovo havia sido roubado, e ela não podia deixar isso acontecer. A multidão ao redor celebrava o festival com música, balões e confetes no ar, tudo contrastando com o desespero que tomava conta de Eliza.

— Ladrão! Larápio! Peguem-no! — Eliza gritou, sua voz cortando o barulho das festividades. Alguns olhares se voltaram para ela, confusos, enquanto outros simplesmente ignoravam o caos que se desenrolava.

O ladrão, porém, conhecia bem os caminhos. Ele se movia com destreza, desviando das pessoas e dos obstáculos com uma agilidade impressionante, escolhendo os becos mais estreitos e difíceis de seguir. Eliza, por sua vez, começava a sentir o cansaço pesar em seus pés e pernas.

Seus pés ardiam, e a respiração ficava cada vez mais curta. Mas ela se recusava a desistir. O festival ao seu redor era um borrão de cores e sons, mas sua atenção estava fixa no vulto à frente, o ladrão que desaparecia entre a multidão. Ela sentia o suor escorrer pelo rosto, seus cabelos ruivos grudando na pele.

De repente, tudo se apagou em um instante de dor. Ela bateu com força em algo sólido, como se tivesse colidido com uma parede. A dor explodiu em sua cabeça, e Eliza caiu no chão, soltando um grito abafado. Seu corpo se estatelou no cimento, e seus cabelos ruivos se espalharam como uma chama ao seu redor.

Por um momento, tudo parecia girar. A dor latejava em sua cabeça, e o som da multidão se tornava distante, quase irreconhecível. Ela tentou falar, mas as palavras saíam enroladas. Sua visão estava turva, e ela mal conseguia distinguir as formas ao redor.

Foi então que uma figura se aproximou. Eliza piscou, tentando focar, e viu dois pares de olhos a observando. O olhar era frio e hostil.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou uma voz masculina, firme e autoritária.

Eliza piscou novamente, tentando entender o que estava vendo. Era um soldado, sua armadura brilhando sob a luz do festival. Ela tentou sentir alívio.

— Eu... eu fui roubada! — ela conseguiu dizer, ofegante. Sabia que não podia mencionar o ovo, então tentou escolher suas palavras com cuidado. — Alguém pegou algo meu... muito importante...

Mas o soldado a encarava com impaciência. Ele cruzou os braços e a olhou de cima abaixo.

— Você está causando confusão em um festival real — disse ele, com desdém. — Este é um momento de paz, de celebração, e você está aqui, gritando e perturbando os cidadãos.

Eliza piscou, surpresa e confusa. Tentou se levantar, mas as pernas ainda tremiam. Olhou mais de perto para o soldado e viu algo que a fez hesitar. Ele tinha orelhas pontudas e feições afiadas. Elfos. O desprezo era claro em seu olhar, e Eliza se sentiu vulnerável.

Mesmo assim, ela não desistiria. Respirou fundo e forçou-se a levantar, ignorando a dor que ainda pulsava em sua cabeça. Encarou o elfo com determinação.

— Eu não estou causando confusão! — protestou, sua voz mais firme. — Fui roubada, e vocês deveriam fazer algo!

O soldado levantou uma sobrancelha, irritado. Ele deu um passo à frente, o que fez Eliza recuar um pouco, mas ela se manteve firme. O rosto do soldado estava a poucos centímetros do dela, e ela sentiu a tensão no ar.

— Cale-se, maga! — rosnou o elfo, a voz subindo em tom ameaçador. — Você não está em posição de exigir nada. Se continuar causando problemas, eu mesmo vou te prender por perturbar a ordem.

Eliza sentiu a raiva crescer dentro dela. Como ele podia falar assim com ela? Ela fazia parte da Ordem, ainda que fosse uma novata! E agora, não só havia perdido o ovo, mas estava sendo tratada como uma criminosa.

— Eu só quero que alguém me ajude! — insistiu, sua voz quebrando com a frustração. — Vocês são soldados do rei! É seu dever proteger o povo, e eu fui roubada!

O soldado, no entanto, não parecia disposto a ouvir. Ele a olhou com desprezo, os olhos semicerrados. Suas mãos se cerraram em punhos, como se estivesse pronto para acabar com a discussão.

— Já disse para se calar! — gritou ele, a voz ecoando pelos becos. — Não me importa o que você acha que aconteceu. Isso não é problema meu, e se não sair daqui agora, terá problemas maiores do que um simples roubo.

Eliza tremeu, tanto de raiva quanto de medo. Ela queria gritar, fazer algo, mas sabia que estava sozinha, cercada por hostilidade. Além disso, o ovo, sua chance de mudar seu destino, estava nas mãos de um desconhecido, sumindo no meio da multidão.

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