Capítulo 5

Sylas entrou na sala com passos resolutos, sua presença imediatamente preenchendo o espaço com uma aura de seriedade e alívio. A luz suave das velas projetava sombras dançantes nas paredes, criando um ambiente de tranquilidade que contrastava com a agitação interna de Alicia. Todos os curandeiros haviam saído, deixando apenas Sylas e o brilho das velas para acompanhá-la.

Alicia observou-o atentamente, tentando ajustar sua percepção. Sylas era um homem de estatura imponente, com cabelos escuros e levemente desgrenhados que caíam sobre seus ombros. Seu rosto estava marcado por uma mistura de alívio e tristeza. A expressão dele, embora iluminada pela alegria ao vê-la acordada, carregava a carga emocional de sentimentos não correspondidos e um passado de dor.

Ela se lembrou de Sylas na trama. O amor profundo e platônico que ele nutria por Luthiel era um dos aspectos mais trágicos da história. Em sua dedicação à causa e ao dever, Luthiel não tinha espaço para responder a esse amor, seu coração e seus esforços estavam voltados para proteger o príncipe Rían e garantir a segurança do reino. Sylas havia implorado para que Luthiel não se sacrificasse, sua súplica envolta em desespero, mas suas palavras não foram suficientes para mudar o destino dela. No fim do livro, Sylas se exilou, uma sombra de dor e perda, longe de Luthiel e do reino.

Agora, ao ver Sylas, Alicia sentiu uma onda de tristeza. O peso da dor de Luthiel e a perda que Sylas havia enfrentado pareciam se materializar na figura dele. Sylas caminhou até a cama com uma mistura de urgência e esperança. Quando ele viu a Guardiã acordada, seu rosto se iluminou com um sorriso que misturava alívio e uma profunda gratidão. Seus olhos estavam agora repletos de uma vulnerabilidade que Alicia nunca havia imaginado.

— Luthiel... — Ele murmurou, a voz carregada de uma emoção que estava claramente lutando para se manter sob controle. — Eu... Eu não consigo acreditar. Estava começando a perder a esperança de que você retornaria.

Sylas se aproximou e segurou as mãos dela com um gesto que parecia ao mesmo tempo reverente e carinhoso. Seus dedos, fortes e calejados, seguravam as mãos dela com uma ternura que revelava a profundidade de seus sentimentos não expressos. O calor de suas mãos era um contraste com a frieza que Alicia sentia, e ela pôde perceber a sinceridade em cada toque.

— Estou tão feliz por vê-la acordada. — Sylas continuou, a voz tremendo ligeiramente. — Fiquei tão preocupado. A notícia do seu desaparecimento foi um golpe devastador para todos nós. Ver que está viva e bem é um alívio imenso.

Alicia, tocada pela sinceridade e pela dor nos olhos dele, se afastou um pouco, permitindo a si mesma um sorriso calmo. O sorriso não ocultava completamente a confusão e a tristeza que sentia, mas era um gesto de gratidão e de tentativa de conforto.

— Estou feliz em revê-lo também, Sylas. — Ela respondeu, tentando fazer a voz soar o mais natural possível. — Não esperava encontrar ninguém conhecido aqui, e sua presença é um alívio inesperado.

Sylas manteve suas mãos firmemente entrelaçadas com as de Alicia, e seus olhos fixos nela. O olhar dele, carregado de emoção, parecia querer transmitir tudo o que ele não conseguia colocar em palavras.

— Espero que você se recupere rapidamente. — Sylas disse, a voz carregada de uma sinceridade que rompia com a compostura normalmente reservada. — Você é muito importante para todos nós, especialmente para mim.

Enquanto ele falava, Alicia se permitiu uma reflexão profunda. A presença de Sylas, e o amor que ele sentia por Luthiel, agora pareciam mais reais do que nunca. Ela percebeu que o amor de Sylas era um fio invisível que ligava suas histórias, uma conexão que transcendeu a narrativa do livro. O conhecimento do sacrifício de Luthiel e a dor de Sylas a tocaram de uma forma que era quase visceral.

Alicia observou Sylas com um novo entendimento e uma empatia genuína. O amor platônico que ele sentia por Luthiel, apesar de nunca ter sido correspondido, agora parecia uma parte intrínseca de sua nova realidade.

Ela sabia que a história não havia sido escrita para garantir a felicidade de Luthiel ou de Sylas, mas para cumprir um propósito do amor entre o rei Rían e a heróina Eliza.

Alicia refletiu sobre a história e a realidade em que se encontrava. Ela sabia que a narrativa de "Amor nas Sombras" não havia sido escrita para garantir a felicidade de Luthiel ou de Sylas. Em vez disso, a trama estava orientada para cumprir o propósito maior do amor entre o príncipe Rían e a heroína Eliza. Luthiel e Sylas eram, de fato, personagens secundários, cujas histórias estavam destinadas a se desdobrar nas sombras dos protagonistas.

Ela percebeu que, apesar da profundidade de suas emoções e da importância de seus papéis, tanto Luthiel quanto Sylas estavam fadados a ocupar um espaço secundário no grande esquema da história. Seus destinos não eram de triunfos pessoais ou felicidades plenas, mas sim de sacrifícios e apoios essenciais para o desenrolar do amor entre Rían e Eliza. Essa realidade a entristeceu, pois viu como, mesmo em sua nova vida, ela e Sylas eram apenas peças em um tabuleiro maior, cujos destinos estavam entrelaçados nas margens da trama principal.

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