...PRÍNCIPE RÍAN ...
Luthiel e Sylas caminhavam pelo elegante jardim do castelo, envoltos em uma conversa que revelava a profundidade de suas preocupações e esperanças. O crepúsculo lançava uma luz dourada sobre o cenário, e o ar estava pesado com a sensação de que grandes mudanças estavam prestes a acontecer.
No entanto, a tranquilidade do momento foi abruptamente interrompida quando Sylas, de repente, deu um pulo ao ver uma figura se aproximando. Luthiel também notou a presença e imediatamente ficou tensa, sentindo o coração acelerar ao reconhecer a silhueta imponente do príncipe Rían.
Rían, com sua postura digna e olhos penetrantes, aproximava-se com uma expressão de seriedade que fazia o ambiente ao redor parecer ainda mais carregado de importância.
Luthiel e Sylas imediatamente se curvaram, um sinal de respeito e lealdade para com o príncipe. Luthiel sentiu o coração acelerar, o peso das circunstâncias e as recentes conversas com Sylas agora misturando-se com a presença do príncipe. Seus olhos se encontraram com os de Rían, e, por um momento, a intensidade do olhar do príncipe fez com que Luthiel se sentisse pequena e vulnerável.
Rían se aproximou de Luthiel, seus passos firmes e decididos. Ele estendeu a mão para ela, um gesto que, para Luthiel, parecia simultaneamente um convite e um desafio.
— Você sabe que amigos não se curvam uns para os outros, não é? — disse Rían, sua voz carregada de uma gentileza inesperada, mas com um tom de firmeza que indicava sua expectativa de proximidade.
Luthiel sentiu como se seu corpo estivesse em chamas. A intensidade emocional quase a fez vacilar, e a confusão interna era quase impossível de controlar. Com um esforço consciente, Luthiel estendeu a mão e a segurou com firmeza.
— Vossa Majestade, — Luthiel respondeu com uma reverência profunda, sua voz carregada de um respeito que quase a fazia dobrar-se completamente. — Não me sinto digna de ser chamada de amiga.
Rían soltou uma risada suave, que ecoou com um tom de afeto e um pouco de exasperação.
— Pare com isso, Luthiel. — disse ele, com um sorriso que revelava uma mistura de afeto e exasperação. — Levante-se. Não há necessidade de tanta formalidade entre nós.
Sylas, ainda se curvando, ergueu-se lentamente ao comando do príncipe. Ele olhou para Luthiel, notando o alívio e o desconforto misturados em sua expressão. A relação entre Luthiel e Rían era um enigma para ele, uma camada adicional de complexidade no já complicado cenário político e pessoal.
Rían voltou a focar sua atenção em Luthiel. Seus olhos, que antes haviam sido severos, agora estavam carregados de uma preocupação genuína.
— Eu fiquei preocupado com você, Luthiel. — ele disse, com uma sinceridade que parecia atravessar as barreiras de formalidade. — Sua ausência e o motivo da sua viagem ao sul não foram bem compreendidos. A situação no norte está crítica, e o rei não entende sua atitude.
Luthiel abaixou a cabeça, um gesto de humildade e resignação.
— Estava fazendo o meu dever, Vossa Majestade. — respondeu Luthiel, com um tom que misturava dever e uma pitada de frustração. — Minha intuição me dizia que o Inimigo era uma ameaça mais urgente.
Rían ficou em silêncio por um momento, suas expressões variando entre a perplexidade e a reflexão. O anel de ouro em seu dedo foi alvo de seus dedos, que o coçavam pensativamente enquanto ponderava sobre as palavras de Luthiel.
— O seu dever era no norte, Luthiel. — disse finalmente Rían, com uma voz que tentava entender. — Não posso compreender completamente sua decisão de ir para o sul, e o rei também não.
Luthiel, apesar de seu desconforto, permaneceu firme em sua resposta.
— Vossa Majestade, nem se tivéssemos todo o tempo do mundo, eu conseguiria te explicar totalmente. — disse Luthiel, com um tom que misturava frustração e uma sinceridade desarmante. — O que vi e o que descobri são muito mais complexos do que posso expressar em palavras. O que importa agora é que estou aqui e disposta a enfrentar as consequências.
Rían observou-a por um momento, sua expressão pensativa e introspectiva. Ele parecia ponderar sobre a complexidade da situação e a determinação de Luthiel. Era claro que a situação estava longe de ser simples e que a situação política e militar estava carregada de tensões não resolvidas.
Finalmente, Rían quebrou o silêncio com uma voz que tinha um tom de autoridade e uma pitada de resolução.
— Eu estou aqui porque o rei convocou uma reunião no grande salão. — Seu olhar tinha um tom resoluto, indicando que o momento de confrontar as questões políticas e responsabilidades estava próximo. — Há avisos e cerimônias importantes a serem realizados.
Luthiel respirou fundo, a preocupação estampada em seu rosto. A implicação das palavras de Rían era clara: ele não permitiria que uma insubordinação passasse em branco. A desobediência às ordens do rei não seria tratada com leveza, e a punição provavelmente seria imposta publicamente, diante da corte e do exército. O peso da responsabilidade e a iminência da repreensão faziam o ambiente parecer ainda mais carregado.
Com um gesto automático e familiar, Luthiel puxou uma mecha de cabelo áureo para trás, tentando manter a compostura. Ela olhou para Rían e, com uma determinação que tentava esconder sua apreensão, declarou:
— Avise ao rei que eu estarei lá. Estou pronta para qualquer coisa que seja.
A resposta de Luthiel foi firme, mas seus pensamentos estavam tumultuados. A ideia de enfrentar a ira do rei em público não era algo que ela recebia com prazer, mas sabia que a situação demandava coragem e determinação. A reunião no grande salão não seria apenas uma formalidade; seria o momento em que todas as ações e decisões passadas seriam julgadas e suas consequências finalmente confrontadas.
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Atualizado até capítulo 23
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