...SYLAS...
O sol estava começando a se pôr quando a pequena cabine foi iluminada pela luz dourada do crepúsculo. O quarto, com suas paredes revestidas de madeira escura e móveis simples, parecia um refúgio acolhedor em meio ao caos do mar. A cabine era pequena, mas havia espaço suficiente para a cama onde Luthiel repousava, envolta em cobertores e sob os cuidados dos curandeiros.
Luthiel estava inconsciente, a pele ainda marcada pelo sol implacável e seus lábios secos agora estavam um pouco mais hidratados com a água que os curandeiros haviam administrado. O ambiente estava silencioso, exceto pelo som suave das ondas batendo contra o casco do navio e pelo murmúrio ocasional dos curandeiros, que trabalhavam diligentemente ao redor da cama.
Sylas, o oficial responsável pelo navio, entrou na cabine com passos silenciosos. Ele era um homem de estatura média, com cabelos escuros e uma expressão que misturava preocupação e cansaço. Ao vê-lo, uma curandeira de olhos grandes e verdes se levantou. Seus olhos eram cheios de uma gentileza profissional, mas também de uma curiosidade sutil.
— Senhor Sylas, — disse ela com um tom de respeito e cuidado. — Está tudo bem?
Sylas ergueu a cabeça, encontrando os olhos da curandeira. Sua expressão era de um sorriso triste, como se houvesse um peso imenso sobre seus ombros. Ele respondeu com um tom suave e um olhar distante, como se estivesse falando mais para si mesmo do que para a curandeira.
— Sim, está tudo bem, — disse ele, a voz carregada de um sentimento indefinível. — Eu só queria ver Luthiel. Fomos amigos de longa data. Quando recebi a notícia de seu desaparecimento, nunca imaginei que seria a minha própria tripulação a encontrá-la.
A curandeira assentiu, compreendendo a profundidade da situação. Seus olhos observavam Sylas com uma mistura de compaixão e curiosidade, percebendo que havia algo mais na relação entre ele e a mulher que agora estava à mercê dos cuidados dos curandeiros.
Sylas se aproximou da cama, seu olhar fixo no rosto sereno e pálido de Luthiel. Ele estava visivelmente preocupado, os dedos se movendo involuntariamente, como se quisesse tocar a mão dela, mas hesitava. O ambiente estava impregnado de uma tensão silenciosa que só o tempo poderia dissipar.
— Nunca pensei que teria a chance de vê-la novamente, — continuou ele, mais para si mesmo do que para a curandeira. — Luthiel sempre foi uma força da natureza... tão destemida, tão... especial. Quando soube que ela havia desaparecido, pensei que o destino tinha sido cruel demais. Agora, vê-la assim, ainda com vida, é quase um milagre.
O tom de Sylas carregava um sentimento profundo e genuíno. Ele se afastou um pouco, mas seu olhar permaneceu fixo em Luthiel, como se tentasse captar qualquer sinal de vida, qualquer sinal de que ela poderia despertar em breve.
A curandeira, percebendo a profundidade dos sentimentos de Sylas, se inclinou um pouco e falou com uma voz suave e encorajadora.
— Estamos fazendo tudo o que podemos para cuidar dela. A pele queimada e os lábios secos são apenas sinais temporários. A maior parte do dano pode ser recuperado com o tempo e os cuidados certos.
Sylas balançou a cabeça em agradecimento, seu sorriso triste permanecendo em seus lábios.
— Agradeço por isso. — Sua voz era um sussurro carregado de emoção não dita. — Quando ela era comandante, eu tinha um grande respeito por ela, mas nunca imaginei que teria essa oportunidade. Luthiel sempre fez sacrifícios pelos outros, e agora, eu só espero que ela tenha a chance de receber algo em troca.
Ele olhou novamente para Luthiel, seu olhar suave e quase possessivo, como se tentasse memorizar cada detalhe dela. Havia um tom de vulnerabilidade em sua voz, algo que ele não costumava mostrar para os outros.
— Eu... — Sylas hesitou, procurando as palavras certas. — Eu me pergunto o que teria acontecido se eu tivesse estado lá para protegê-la. Mas agora, só me resta esperar e torcer para que ela se recupere. Nunca imaginei que ela voltaria para mim, para nós, dessa forma.
A curandeira notou a dor disfarçada por trás da voz de Sylas e fez um gesto reconfortante.
— Faremos o possível para que ela se recupere rapidamente. — Ela disse, com um tom firme e acolhedor. — Se há algo mais que possa fazer, me avise.
Sylas balançou a cabeça, um leve sorriso de gratidão nos lábios.
— Obrigado. — Sua voz era um sussurro carregado de emoção não dita. — Eu só espero que ela acorde logo e tenha uma chance de retomar a vida que merece.
Com um último olhar para Luthiel, Sylas se afastou, saindo da cabine com um passo que parecia mais pesado do que o habitual. A curandeira voltou sua atenção para os cuidados de Luthiel, mas um leve sorriso de compreensão estava em seus lábios enquanto ela observava Sylas se afastar.
O quarto se encheu novamente com o som suave das ondas e o murmúrio dos curandeiros, enquanto a noite se aproximava e Luthiel continuava sua espera silenciosa, alheia ao turbilhão de emoções que a cercava.
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Atualizado até capítulo 23
Comments
Ivan Maia
Está cativante, despertando interesse na leitura, estou gostando deste início desta aventura.
2024-09-30
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