Capítulo 2

...LUTHIEL ...

O mar se estendia até onde a vista alcançava, uma vasta planície azul pontilhada por suaves ondulações. As ondas quebravam preguiçosamente, com um ritmo quase hipnótico, como se estivessem em paz consigo mesmas. O sol, ainda baixo no horizonte, lançava raios dourados sobre a água, pintando o oceano com tons quentes de laranja e dourado. O céu era limpo, sem uma única nuvem, e o silêncio absoluto era quebrado apenas pelo murmúrio das ondas e o som distante de aves marinhas.

Lentamente, em meio à imensidão azul, surgia uma silhueta no horizonte: um grande navio, suas velas completamente estendidas, deslizando sobre as águas como um gigante adormecido. O casco de madeira escura cortava o mar com suavidade, avançando com determinação. As velas brancas brilhavam sob o sol, e a bandeira do reino tremulava no alto do mastro, revelando sua presença aos céus e à terra. O navio era robusto e imponente, feito para a batalha e a exploração, com canhões em fileiras, prontos para serem usados se necessário.

No convés, um soldado de uniforme simples, mas bem cuidado, observava o horizonte com um binóculo. Seus olhos se estreitaram, fixos em algo distante, e seus lábios se comprimiram em uma linha tensa. Ele não se movia por alguns instantes, apenas observava, tentando ter certeza do que seus olhos viam. De repente, ele abaixou o binóculo e gritou, sua voz forte e clara cortando o ar:

— Lá! Algo no horizonte! — Seu grito fez eco por todo o convés.

Os marinheiros, que estavam espalhados pelo navio, se viraram instantaneamente, suas expressões alarmadas. Em questão de segundos, uma pequena multidão de homens se reuniu ao redor do soldado, todos curiosos e ansiosos.

— O que você viu? — perguntou um dos oficiais, franzindo o cenho.

O soldado ergueu o binóculo novamente, apontando para uma mancha distante no horizonte. Os outros seguiram o gesto, apertando os olhos na tentativa de enxergar melhor. Lá, flutuando em meio à vastidão do oceano, havia algo estranho.

— Parece… um pedaço de destroço, senhor — disse o soldado, com a voz baixa, mas urgente. — E tem algo... ou alguém, deitado sobre ele.

Os homens ao seu redor trocaram olhares preocupados. Um destroço no meio do oceano nunca era um bom sinal. Com um gesto rápido, o oficial ordenou que o navio se aproximasse, e as velas foram ajustadas para que pudessem navegar diretamente na direção da misteriosa figura flutuante.

Conforme o navio se aproximava, a mancha no horizonte se tornava mais clara. Um pedaço de madeira, talvez parte de um barco destruído, estava à deriva nas águas calmas. Mas o que chamou a atenção de todos foi a figura deitada sobre ele. O soldado não havia se enganado — era uma pessoa.

Quando a sombra imensa do navio cobriu o destroço, eles finalmente puderam ver com mais clareza. Era uma mulher. Seu corpo estava imóvel, como se estivesse desmaiada ou inconsciente. Seu rosto pálido estava virado para cima, iluminado pelos últimos raios do sol poente. Ela vestia apenas uma túnica branca, que agora estava ensopada e grudada em sua pele, destacando cada contorno de seu corpo frágil. Seus cabelos, longos e áureos, espalhavam-se sobre o pedaço de madeira, flutuando suavemente na água ao seu redor como fios de ouro.

Os soldados que estavam observando a cena de cima do convés entreolharam-se, e um murmúrio baixo percorreu o grupo. Algo naquela mulher os parecia familiar. Um dos marinheiros, mais velho e de olhar mais atento, inclinou-se um pouco mais, observando-a com mais cuidado. Seu coração quase parou ao reconhecê-la.

— Não pode ser... — sussurrou ele, os olhos arregalados de espanto. — É Luthiel… a Comandante e Guardiã Real! Ela está viva! A Guardiã está viva!

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