Capítulo 12

A vergonha queimava dentro de Luthiel como brasas, e Alicia, tentando manter a compostura no corpo da guardiã, sentia o peso esmagador do silêncio que caíra sobre o grande salão. O rei, em pé, bateu palmas com firmeza. O som ecoou pelo salão como um golpe.

— Chamem os guerreiros que lutaram no norte! — ordenou o rei.

Os portões do salão se abriram, e uma fileira de guerreiros entrou, suas armaduras polidas brilhando sob as luzes das tochas. Eles avançaram com passos sincronizados, seus rostos firmes, carregando o peso da glória. Eles foram até o centro do salão, se ajoelhando diante do trono. Cada um parecia carregar o orgulho e a honra do reino.

Luthiel, ao contrário, permaneceu de pé, sozinha. O peso de sua presença ali era insuportável, e cada murmúrio que atravessava o salão parecia uma adaga em sua pele.

— Estes são os verdadeiros heróis, — disse o rei, com a voz retumbante — os que seguiram minhas ordens e protegeram o reino contra as ameaças do norte.

Os murmúrios começaram a crescer ao redor de Luthiel. Comentários sussurrados se espalhavam entre os presentes no salão:

— Veja como ela está de pé, sozinha.

— Uma mulher desobediente não merece o título que carrega.

— Que tipo de guardiã é essa?

Luthiel sentiu o rosto queimar, mas manteve-se firme. Ela sabia que seu rebaixamento era iminente. O rei olhou para ela com um olhar gélido, sem qualquer sinal de clemência.

— Luthiel — ele começou, sua voz fria — você desobedeceu minhas ordens, partiu para o sul por conta própria e colocou seu próprio julgamento acima da vontade do rei.

Os sussurros aumentaram, misturados a risadas abafadas de alguns nobres que se deliciavam com o espetáculo. Comentários baixos, cheios de desprezo, se arrastavam pelas paredes do salão:

— Mulher teimosa... jamais deveria ter sido Comandante.

— É isso que acontece quando colocam uma mulher no comando.

O rei bateu palmas novamente, e uma nova coroa foi trazida por uma das servas. Diferente das coroas de ouro dos guerreiros, essa era de prata, um símbolo claro de degradação. O rei ergueu-a para que todos vissem, e então, com um gesto implacável, ordenou:

— Ajoelhe-se, Luthiel.

Luthiel hesitou por um segundo, mas dobrou os joelhos diante do trono. O clangor da armadura ecoou pelo salão, e Alicia, dentro de Luthiel, sentiu o peso da derrota. A umidade de seus olhos era controlada pela força de vontade da personagem. Sabia que, por mais que quisesse, não podia mostrar fraqueza.

— Luthiel, Guardiã do Reino, é perdoada por sua insubordinação. — A voz do rei era fria como aço. — Mas não há perdão sem consequências. Seu título de Comandante é retirado. A partir deste momento, você será rebaixada à posição de soldado do reino.

Os murmúrios se tornaram risadas abafadas e palavras de deboche.

— Soldado? Ela mal consegue controlar as próprias emoções, quanto mais comandar um exército.

— Já não era sem tempo. O rei foi misericordioso demais.

Luthiel sentiu o toque da coroa de prata em sua cabeça. O peso físico era nada comparado ao peso do significado. Ela fora despojada de tudo pelo que lutara, e sua humilhação agora era pública.

— Não se orgulhe do que fez — continuou o rei. — Sua insubordinação não trouxe glória, apenas mortes e perdas. Eu não aceito 'sentimentos' como razão. O reino não pode ser guiado por palpites e medos. Não é lugar para fraquezas.

Luthiel abaixou a cabeça, o queixo apertado de frustração, mas ela sabia que tinha que manter-se firme. Cada palavra do rei era uma humilhação, mas ela não poderia se defender. Sabia o que tinha sentido. Sabia que o inimigo estava armando algo, mas naquele momento, tudo que podia fazer era suportar.

— O que você "sentiu" não justifica as vidas perdidas — disse o rei, sua voz carregada de desdém. — E não espere mais a confiança que um dia depositamos em você.

Luthiel tentou respirar fundo, mas o ar parecia pesado. Alicia, em sua mente, sentia-se impotente. Não sabia como sair daquela situação. Ela se lembrava das páginas do livro em que Luthiel enfrentou essa mesma humilhação, em que seus sentimentos foram desvalorizados e sua lealdade posta em dúvida. Era um momento que sempre a irritou enquanto leitora, mas agora, vivendo na pele da personagem, tudo parecia ainda mais real e doloroso.

O rei levantou uma das mãos, encerrando seu julgamento. Ele a encarou com desdém.

— Luthiel, soldado do reino, é o que você será de agora em diante. Faça jus ao mínimo de confiança que lhe resta. E lembre-se, não há mais segundas chances.

Com aquelas palavras, o rei voltou a se sentar em seu trono, deixando a sala em um silêncio tenso.

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