O detetive observava, com um olhar atento e perspicaz, a silhueta de Isabel enquanto ela saía do café, seus passos firmes e decididos ecoando na calçada. Era impossível não notar a determinação que emanava dela, mas também havia uma sombra de fragilidade, como se a coragem que exibia fosse um escudo contra a dor que carregava no peito. Ele sabia, com a experiência de quem já viu muitas histórias se desenrolarem, que o caminho que ela escolhera era repleto de espinhos e armadilhas. A busca por vingança, embora parecesse a solução mais clara, raramente se desdobrava conforme o planejado, especialmente quando o coração ainda se debatia entre amor e ódio, entre o passado e o futuro.
Isabel caminhava pelas ruas movimentadas de Seul, um labirinto de luzes brilhantes e rostos indiferentes, enquanto sua mente era um turbilhão de recordações. Cada passo que dava a levava a relembrar os momentos mais dolorosos que havia compartilhado com Hygor, mas também aqueles que eram recheados de amor e esperança. Ele realmente havia apagado tudo? As memórias de risadas, olhares cúmplices e promessas sussurradas à luz da lua a assombravam. E se ela conseguisse fazê-lo lembrar? Ele voltaria a ser o homem que ela havia amado ou seria apenas um eco do passado, consumido por uma culpa que o tornara irreconhecível?
Apressada, Isabel chegou à entrada de um pequeno parque, um oásis de tranquilidade no meio da agitação da cidade. Parou por um instante, permitindo-se absorver a beleza ao seu redor. As folhas das árvores dançavam suavemente ao vento, criando uma sinfonia de sussurros que contrastava com o furacão de emoções que a invadia. O som dos risos e das conversas ao seu redor parecia um lembrete cruel de que a vida continuava para todos, exceto para ela. Para Isabel, o tempo parecia ter congelado desde aquele dia fatídico em que Hygor desaparecera de sua vida, levando consigo não apenas um amor, mas todas as esperanças que havia nutrido para o futuro.
“Eu vou fazê-lo lembrar,” murmurou para si mesma, a voz carregada de determinação. Suas mãos se fecharam em punhos involuntários, como se, ao fazer isso, pudesse concentrar toda a sua vontade em um único propósito. “E quando ele lembrar, vai entender a dor que causou. Somente então, poderei encontrar a paz que tanto almejo.”
Havia um longo caminho pela frente, e Isabel sabia que o primeiro passo era voltar ao Brasil, enfrentar Hygor e Kyra de frente, sem hesitar. A ideia de encarar a mulher que agora ocupava o espaço que antes era dela a deixava nervosa, mas a adrenalina da missão a impulsionava. Ela precisava ser estratégica, utilizando todas as informações que havia reunido como armas afiadas. Sabia que Kyra, tão próxima de Hygor agora, seria uma oponente formidável, mas Isabel estava determinada. A verdade, por mais dolorosa que fosse, tinha uma força implacável, e era essa verdade que ela se preparava para revelar.
Ainda mergulhada em seus pensamentos tumultuados, Isabel pegou o celular e começou a planejar sua viagem de volta ao Brasil. A necessidade de cada detalhe ser meticulosamente calculado era crucial. Não havia mais espaço para decisões impulsivas guiadas apenas por emoções desenfreadas. Ela precisava ser fria, calculista e, acima de tudo, paciente. Cada etapa de sua jornada era uma peça de um quebra-cabeça complexo que exigia precisão e estratégia.
Enquanto se concentrava nos preparativos, a tela de seu celular iluminou-se repentinamente com uma mensagem inesperada. Era de um número desconhecido, e o conteúdo fez seu coração parar por um instante, como se o tempo tivesse congelado: "Você está mais próxima do que imagina. Não subestime os segredos que ainda não descobriu." Aquelas palavras, enigmáticas e ameaçadoras, reverberaram em sua mente, causando um calafrio que percorreu sua espinha.
Quem sabia de seus planos? Quem mais estava envolvido nessa trama complexa que parecia se entrelaçar com cada passo que dava? A angústia e a inquietação tomaram conta dela, como se a realidade estivesse se distorcendo ao seu redor. Isabel respirou fundo, tentando recuperar a compostura, e guardou o celular com um gesto firme. Olhando para o horizonte, sentiu que, seja quem fosse o remetente, ela estava pronta para enfrentar o que viesse. Nada poderia desviá-la de seu caminho agora; a vingança e a verdade estavam entrelaçadas em sua alma, e ela estava disposta a sacrificar tudo para alcançá-las.
Isabel olhou ao redor, seu olhar inquieto se movendo como se esperasse encontrar um rosto familiar observando-a. O parque continuava tranquilo, as folhas das árvores sussurravam com a brisa suave, e as pessoas ao seu redor seguiam suas vidas alheias ao que acabara de acontecer. Mas a mensagem desconhecida era um sinal claro de que ela não estava sozinha nessa jornada. Alguém a observava, alguém sabia de seus planos, e essa revelação a incomodava profundamente, como uma sombra que se estendia sobre seu coração.
Enquanto caminhava em direção à sede do Grup’IC, a sua mente fervilhava em questionamentos incessantes: quem poderia estar envolvido nisso? Seria Kyra, a nova aliada de Hygor? Ou alguém dentro do Grup'Art, sempre tão envolto em mistérios? A ideia de que ainda havia segredos obscuros sobre Hygor e tudo o que havia acontecido nos últimos seis anos fazia seu sangue ferver. A frustração e a raiva pulsavam em suas veias, mas, paradoxalmente, aquele recado misterioso alimentava sua determinação. Cada novo enigma a impulsionava a avançar, a se aprofundar na busca por respostas que a libertariam ou a consumiriam. A dualidade da dor e da força se entrelaçava em seu ser, moldando-a para a batalha que estava por vir.
Ao chegar ao edifício imponente do Grup'IC, a atmosfera era de respeito e expectativa. Isabel, a renomada e fria presidente, conhecida por sua determinação e eficiência, caminhava com passos firmes pelo elegante saguão. As paredes eram adornadas com obras de arte contemporânea, reflexo do espírito inovador da empresa. Os funcionários a observavam, alguns murmurando em voz baixa sobre sua reputação implacável. “Dizem que ela nunca hesita em demitir alguém que não corresponda às suas expectativas”, comentou um dos estagiários, com um misto de admiração e medo.
Isabel ignorou as olhadas curiosas enquanto se dirigia ao seu escritório. Ao entrar, trancou a porta atrás de si, o som do clique ressoando como um sinal de que agora estava sozinha. Jogou a bolsa no sofá de canto, um gesto que revelava seu estado mental tumultuado. A pressão que sentia nos ombros era quase palpável; precisava pensar com calma. O turbilhão de emoções e pensamentos que a assaltava não podia interferir em seu trabalho, especialmente agora.
Ela se sentou à mesa, respirando fundo, buscando clareza. Com uma caneta na mão, começou a anotar no bloco de notas, suas ideias fluindo como uma corrente de água que finalmente encontrava seu caminho. "Vamos lá, Isabel", murmurou para si mesma, "é hora de organizar isso tudo."
Listou meticulosamente cada peça que já tinha: o acidente de Hygor, sua amnésia, o envolvimento de Kyra, e o e-mail cruel que recebera, com palavras cortantes que pareciam ecoar em sua mente. “Por que você ainda o ama, Isabel? Você realmente acredita que ele voltará a ser o que era?” A lembrança dessas perguntas a deixava inquieta, e sua mão hesitava sobre o papel.
E agora, essa mensagem enigmática, um mistério que se entrelaçava com o resto. "Tudo parece tão conectado, mas por quê? Faltam partes cruciais desse quebra-cabeça", ela pensou, seu olhar distante, refletindo sobre a complexidade da situação.
Nesse momento, um leve toque à porta interrompeu seu pensamento. Era Jinho, seu assistente, um jovem sempre tão respeitoso e diligente.
“Presidente Lee In-Na,” ele começou, hesitando um pouco, “tem alguns documentos que precisam da sua aprovação.”
Isabel levantou os olhos, tentando afastar a nuvem de incerteza que a envolvia. “Deixe-os na mesa, Jinho. Estarei com eles em um momento.”
“Claro, presidente. E se precisar de algo mais, estou aqui.” A voz dele era reconfortante, mas a própria ideia de precisar de ajuda a fazia sentir-se vulnerável.
“Obrigada, Jinho. Você tem sido um bom suporte”, disse Isabel, tentando injetar um pouco de calor em sua voz. “Mas agora preciso de um tempo sozinha para resolver algumas questões.”
Ele assentiu e se retirou, deixando a porta entreaberta, como se ainda esperasse um pedido dela para voltar. Isabel, agora sozinha novamente, voltou sua atenção para o bloco de notas. As peças do quebra-cabeça ainda se recusavam a se encaixar. “Eu não posso me deixar levar pela emoção”, ela sussurrou para si mesma, mesmo enquanto seu coração clamava por justiça, por respostas, e, acima de tudo, por Hygor.
O relógio na parede fazia o tempo passar de maneira implacável, e Isabel sabia que cada segundo contava. Com determinação renovada, ela pegou a caneta novamente, disposta a traçar um caminho que a levaria até a verdade, não importa quão dolorosa fosse.
“Quem me mandou essa mensagem?” Isabel se questionou, mordendo nervosamente a ponta da caneta, seus pensamentos se agitando em um turbilhão de dúvidas e inquietações. "Estão tentando me avisar ou me intimidar?" Essa última ideia a deixou ainda mais ansiosa, um frio na espinha que a fazia hesitar. Cada vez que seu coração acelerava, uma nova onda de desconfiança a envolvia. "O que mais estão escondendo de mim?"
De repente, seu telefone vibrou sobre a mesa, rompendo o silêncio pesado que a cercava. Ao olhar para a tela, reconheceu o número imediatamente: era o detetive. Uma onda de alívio misturada com apreensão a percorreu.
“Isabel,” ele disse assim que ela atendeu, a voz grave e controlada como sempre, mas havia um tom de urgência que ela nunca tinha ouvido antes. “Precisamos nos encontrar. Há algo que você precisa saber, e não pode esperar.”
O coração de Isabel disparou, sua respiração se acelerando. Ela se esforçou para manter a voz firme, apesar do turbilhão interno. “O que aconteceu?” questionou, a ansiedade se refletindo em cada sílaba.
“Não posso falar pelo telefone. Me encontre no mesmo café de hoje, em uma hora,” ele respondeu, e antes que pudesse insistir ou perguntar mais, ele desligou, deixando-a em um estado de perplexidade.
Isabel ficou com o celular na mão, a tela escura refletindo sua própria expressão confusa. “O que poderia ser tão urgente que ele não podia compartilhar por telefone?” ela murmurou para si mesma, sentindo uma mistura de medo e curiosidade. Os minutos se arrastavam enquanto ela tentava decifrar o que poderia estar por trás da mensagem e da súbita urgência do detetive.
“Talvez seja sobre Hygor... ou sobre Kyra,” pensou, um nó se formando em seu estômago. A ideia de que mais segredos poderiam estar escondidos a apavorava, mas a necessidade de respostas era ainda mais intensa. Ela se levantou, a caneta ainda em sua mão, e começou a andar de um lado para o outro no escritório, as palavras do detetive ecoando em sua mente.
“Calma, Isabel,” disse a si mesma, tentando encontrar um pouco de clareza em meio ao caos. “Você precisa se preparar. Pode ser que a verdade esteja mais perto do que imagina.” Com um último olhar para suas anotações, ela decidiu que não poderia mais adiar as respostas que tanto desejava.
Colocou o celular na bolsa, sentindo a pressão aumentar, mas também uma determinação crescente. “Uma hora. Eu vou descobrir o que está acontecendo.” E assim, sem perder tempo, Isabel se encaminhou para a saída, cada passo carregado de expectativa e um leve temor sobre o que a aguardava no café.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Sueli Simão
na realidade o que eu acho que este Richard não e pai dela nada a mãe dela esconde o verdadeiro pai dela. muita coisa sem explicação que não estou entendendo.
2024-10-06
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Anonymous
O contexto da história é bom,, mas muito enrolado,,, até agora não entendi o que realmente aconteceu com ela, o pai e o restante
2024-09-29
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