Capítulo 10: Fantasma do passado

Sem aviso, Isabel se levantou abruptamente, seu rosto pálido como cera e carregado de uma ansiedade quase palpável. A expressão dela transmitia uma mistura de pânico e determinação, enquanto ela pegava as mãos de Dylan e Diana com uma urgência que fez Cristian franzir a testa e observá-la com crescente inquietação.

“Isa, o que está acontecendo?” Cristian perguntou, a voz carregada de confusão e preocupação. Ele tentava entender o motivo por trás da súbita mudança no comportamento de Isabel.

Ela não respondeu de imediato, a única reação visível sendo um murmúrio de desculpas enquanto se dirigia apressadamente para a saída do restaurante. A sua urgência era evidente, e a forma como segurava as mãos das crianças revelava o quanto estava lutando para manter a calma.

“Mamãe, o que aconteceu?” Dylan perguntou, seu olhar atento e preocupado refletindo a tensão que percebia no ambiente.

Isabel tentou manter a compostura, forçando um sorriso que não conseguia esconder o tremor em sua voz. “Ah, meus amores,” ela disse, a voz vacilando. “Vi um parque ali perto. Vamos brincar um pouco.”

Dylan e Diana, sempre otimistas e despreocupados, reagiram com entusiasmo, correndo em direção ao playground próximo sem questionar. Isabel observou-os à distância, suas pequenas figuras correndo para o parque, enquanto ela tentava acalmar sua respiração acelerada e controlar as mãos que tremiam.

O parque parecia um refúgio temporário, um lugar onde ela poderia se esconder da realidade que estava prestes a confrontar. Ela tentava racionalizar suas emoções, se convencendo de que o homem que havia visto no restaurante não era mais do que uma ilusão do passado, um fantasma que ela não estava pronta para enfrentar. Mas, quando olhou novamente para o restaurante, a visão do homem saindo confirmava seus piores temores.

A presença do homem, com sua postura inconfundível e o olhar que ela conhecia tão bem, parecia dar forma aos seus maiores medos. Isabel sentiu o coração acelerar, e a sensação de ser observada a envolveu como uma nuvem de opressão. Cada passo que o homem dava em direção à saída do restaurante parecia ser um lembrete cruel de que o passado estava de volta para assombrá-la.

Com um misto de desespero e determinação, Isabel sabia que precisava enfrentar a situação, mas a insegurança e o medo a paralisavam. Ela tentou se concentrar nas risadas e na alegria das crianças no parque, usando o momento como um escudo contra a realidade implacável que estava se aproximando. A luta interna entre a necessidade de proteger sua família e o desejo de confrontar o passado continuava a dominar seus pensamentos, enquanto o homem se aproximava cada vez mais da do parque.

O homem que Isabel avistou, com sua postura familiar e inconfundível, era ninguém menos que Hygor. Ele estava ali, andando com a mesma calma e compostura que sempre tinha, mas agora seus olhos estavam fixos nela, o que fazia o coração de Isabel acelerar freneticamente. Quando Hygor sorriu levemente ao se despedir de seu acompanhante coreano e começou a caminhar na direção dela, cada passo parecia ecoar como um tambor na mente de Isabel, reavivando feridas que ela pensava estarem cicatrizadas.

“Boa noite!” Hygor disse, o tom casual e descontraído contrastando fortemente com a turbulência interna de Isabel. “Notei que você e seu marido falam português.”

Isabel estava tão paralisada que mal conseguiu formar palavras. A tensão em seu corpo estava palpável, e a tempestade emocional que se abatia sobre ela era quase insuportável. Hygor continuou a se aproximar, e o olhar atento dele logo caiu sobre o sangue que voltava a escorrer pelo pulso de Isabel.

“Você se cortou quando deixou o hashi cair.” Hygor observou, com uma expressão de cuidado inesperado, enquanto tomava a mão de Isabel com delicadeza. O toque dele, ao mesmo tempo familiar e distante, provocou um choque em Isabel. Era como se ela estivesse tocando um fantasma do passado, e o contato fez com que ela recuasse bruscamente.

“Não me toque!” Ela exclamou, sua voz saindo carregada de aflição, dor e uma raiva que parecia querer consumir tudo ao seu redor. Era como se todas as feridas antigas se reabrissem instantaneamente, a lembrança das traições e da dor passada invadindo seu ser.

Hygor, imperturbável, retirou um lenço do bolso e começou a enfaixar o pulso de Isabel com uma eficiência silenciosa, sem sequer pedir permissão. “Você está tão distraída que nem percebeu o quanto se machucou,” ele disse, a voz imperturbável e profissional.

Isabel observava, as emoções se misturando em uma turbulência de raiva, confusão e um sentimento traiçoeiro de esperança. O gesto cuidadoso de Hygor era um contraste doloroso com o desprezo e a indiferença que ela havia experimentado no passado. Sua mente girava, lutando para entender por que ele estava ali agora, por que parecia tão calmo e distante, e o que isso significava para o futuro dela e de seus filhos. As lágrimas ameaçavam vir à tona, mas Isabel as manteve sob controle, segurando a dor e a confusão enquanto Hygor continuava a cuidar de seu pulso.

Isabel olhou para o pulso, notando o sangue que começava a coagular. O brilho rubro contra sua pele pálida a fez sentir uma pontada de vergonha e vulnerabilidade. Estava exposta diante de Hygor, e o desconforto de se mostrar assim, tão frágil, era palpável. “Eu não preciso da sua ajuda,” murmurou, esforçando-se para manter um tom de controle, mas seus olhos traíam uma maré de confusão e dor que não podia esconder.

Quando Isabel tentou se afastar, a voz de Cristian a fez parar abruptamente.

“Espere!” Cristian exclamou, correndo em sua direção. Seu rosto era uma mistura de preocupação e alívio, a expressão revelando um profundo sentimento de urgência.

Cristian se correu para o lado dela, pegando sua mão ferida com uma delicadeza quase reverente. “Por que você não me disse que estava machucada? Onde estão as crianças?” Ele questionou, o tom carregado de uma preocupação genuína e o desejo de proteger.

O cuidado de Cristian era um contraste doloroso com a presença de Hygor. Isabel podia ver a inquietação crescer no rosto de Hygor, um sentimento de amargura que se misturava com sua perplexidade. “Vocês formam um belo casal,” Hygor comentou, tentando parecer leve, mas sua voz carregava um subtexto de ressentimento que não conseguia esconder.

A expressão de Cristian mudou instantaneamente. O reconhecimento do homem à sua frente foi seguido por uma onda de raiva que contornava seu rosto. “Você?” Cristian sibilou, a voz tremendo com desprezo e fúria. Sem hesitar, ele agarrou Hygor pelo colarinho, seus músculos tensos e o olhar fixo em um gesto de confronto iminente. “O que está fazendo aqui? Como nos encontrou?”

Hygor, visivelmente surpreso e confuso, levantou as mãos em um gesto de rendição. “Calma, eu não sei do que você está falando. Eu só a ajudei com o ferimento.” Ele tentou manter a expressão de perplexidade, como se tentasse compreender a razão de toda a tensão crescente ao seu redor. O tom de sua voz era uma mistura de confusão e uma tentativa desesperada de esclarecer sua intenção, enquanto os olhos dele passavam de Cristian para Isabel, buscando algum sinal de entendimento.

Isabel, com o coração batendo acelerado e a mente mergulhada em uma confusão dolorosa, percebeu o perigo iminente de Cristian perder o controle. Com uma determinação visível, mas uma tristeza subjacente que quase a fazia vacilar, ela se dirigiu a Cristian. “Cris, larga. Ele não vale a pena.” Suas palavras, embora firmes, carregavam um tom de dor antiga e fraqueza que ecoava nas profundezas de seu ser. A lembrança de feridas não cicatrizadas se refletia em cada sílaba, como se cada palavra fosse um lembrete do sofrimento passado.

Cristian hesitou, seu olhar fixo em Hygor com uma intensidade que transbordava raiva e proteção. Sua mão ainda estava estendida, o desejo de confrontar Hygor evidente em cada músculo tenso. Mas, ao ouvir a voz de Isabel, ele percebeu a angústia em seu tom e, com um esforço visível, relaxou o aperto, afastando-se lentamente. A frustração e o ressentimento não desapareceram completamente de seu rosto, mas a tensão se aliviou um pouco.

Hygor, agora livre da força de Cristian, ajeitou a camisa de forma distraída, tentando recuperar a compostura. Seus olhos, fixos em Isabel e Cristian, mostravam uma confusão crescente, como se ele estivesse tentando entender a complexidade da situação em que se encontrava. O homem parecia perdido em um labirinto de emoções que não conseguia decifrar, e seu olhar refletia uma mistura de perplexidade e uma tentativa frustrada de manter a dignidade em meio à turbulência ao seu redor.

O silêncio que se seguiu era pesado e carregado de uma tensão palpável. Isabel, com um esforço visível para manter a calma, olhou para Hygor com um misto de tristeza e resignação. O confronto que uma vez teve o poder de destruí-la agora parecia um eco distante, uma lembrança dolorosa que ela estava tentando deixar para trás, mas que, de alguma forma, sempre encontrava uma maneira de voltar à tona.

O clima no lado de fora do restaurante estava denso, carregado com a tensão entre Isabel, Cristian e Hygor. Nesse momento, as risadas despreocupadas das crianças quebraram o silêncio opressivo. Diana e Dylan, com os rostos iluminados pela alegria inocente, correram em direção ao grupo. Diana, com seu olhar perspicaz, puxou a manga de Cristian, seus olhos brilhando de curiosidade. “Papi Cris, quem é esse homem?”

Cristian, com um esforço visível para manter a calma e o sorriso no rosto, se abaixou para estar ao nível das crianças. “Vamos para o carro com o papai, tá bom? A mamãe nos encontrará lá.” Ele falou com um tom de voz leve e reconfortante, tentando desviar a atenção da pergunta que claramente o deixava desconfortável.

As crianças, ainda absorvidas pela ideia de um novo brinquedo no carro, partiram animadamente, suas risadas se desvanecendo à medida que se afastavam. Hygor observou o cenário com uma expressão perturbada, o olhar fixo em Cristian e nas crianças enquanto eles se distanciavam. “Seu marido parece bastante protetor e amoroso.” comentou Hygor, sua voz carregada de uma admiração desconfortável.

Isabel, com uma expressão fria e distante, respondeu sem hesitar. "Não pergunte sobre minha vida particular.” Suas palavras foram cortantes, uma declaração que parecia delimitar claramente a linha entre seu passado e o presente.

A reação de Hygor foi de um ciúme inesperado, um sentimento que ele não conseguiu processar completamente. Seus olhos, inicialmente perplexos, mostravam uma nova dimensão de interesse misturado com um toque de arrependimento. “Então você...”

Aqui está uma versão revisada do seu texto:

---

Antes que Hygor pudesse completar a frase, o toque do telefone interrompeu o momento. O visor brilhava com o nome “Kyra” em letras grandes e iluminadas. Ao ver o nome, Isabel não pôde conter uma risada amarga, um som que carregava toda a ironia e ressentimento acumulados ao longo dos anos.

“Kyra,” sussurrou Isabel, sua voz repleta de uma ironia cortante. “Por que ainda me surpreendo? Você não mudou.” Ela balançou a cabeça com incredulidade, lançando a Hygor um olhar de desdém. “Nem tente se justificar. E não mencione a ninguém da família Duarte que nos vimos, incluindo a Kyra.” Suas palavras foram um convite à distância, um lembrete claro de que aquela interação deveria terminar ali, sem ilusões de reconciliação ou explicações.

Hygor estendeu a mão, tentando chamar a atenção de Isabel, mas ela já havia se virado, com as costas voltadas, afastando-se com passos firmes e decididos. Cada movimento dela carregava uma determinação que ele não conseguia ignorar. Seus passos aceleraram, e logo sua figura se desvanecia na distância, enquanto Hygor permanecia paralisado, absorvendo a cena. O telefone em sua mão vibrava incessantemente, um lembrete constante da realidade que ele estava tentando evitar.

Finalmente, tomado por um desespero crescente, Hygor atendeu à chamada. A voz de Kyra do outro lado era impaciente e carregada de urgência.

“Hygor, precisamos fechar o acordo com o Grup’IC antes que meu avô mude de ideia sobre minha herança,” disse Kyra, seu tom revelando pressão e desespero.

“Estou tentando contatar a presidente do Grup’IC, mas ela é quase um fantasma. Ninguém nunca a viu,” respondeu Hygor.

“Não importa como, você precisa encontrar a presidente Lee In-Na e convencê-la a aceitar a parceria com o Grup'Art,” insistiu Kyra, irritada.

Hygor desligou a chamada abruptamente, seus dedos tremendo ao manter o telefone firme. Ele olhou para o horizonte, onde Isabel havia desaparecido, e um vazio profundo se instalou dentro dele. O que deveria ter sido um encontro fortuito agora parecia uma interrupção dolorosa, a cena se desenrolando em sua mente como uma peça de teatro que ele não conseguia desvendar.

Sentado do lado de fora do restaurante, observando o parque, Hygor sentiu um buraco negro de dúvidas e perguntas não respondidas engolir seus pensamentos. Uma sensação de desorientação e perda o envolvia, misturada a uma angústia que ele não conseguia nomear. Ele se perguntava se suas ações passadas e decisões o haviam levado a esse ponto de crise, e se alguma vez conseguiria compreender verdadeiramente o impacto das escolhas que fizera.

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2024-09-29

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Capítulos
1 Capítulo 1: Mentiras
2 Capítulo 2: Pânico
3 capítulo 3: Segredos
4 Capítulo 4: Adeus
5 capítulo 5: Decepção
6 Capítulo 6: Gravidez indesejada
7 Capítulo 7: Ombro amigo
8 capítulo 8: Passagem de ida
9 capítulo 9: Lembranças dolorosas
10 Capítulo 10: Fantasma do passado
11 Capítulo 11: Manipulador de memórias
12 Capítulo 12: Angústia
13 Capítulo 13: Preocupação
14 Capítulo 14: Um passo da verdade
15 Capítulo 15: Dores do passado
16 Capítulo 16: Esquecimento
17 Capítulo 17: Determinação
18 Capítulo 18: Acidente
19 Capítulo 19: Reunião
20 Capítulo 20: Mágoas
21 Capítulo 21: Dúvida
22 Capítulo 22: Pensamentos confusos
23 Capítulo 23: Memórias
24 Capítulo 24: Questionamentos
25 Capítulo 25: Voltando para casa
26 Capítulo 26: País natal
27 Capítulo 27: Mais que amigos, somos uma família
28 Capítulo 28: Que os jogos comecem
29 Capítulo 29: Trauma
30 Capítulo 30: Comparações
31 Capítulo 31: Na sombra de Isabel
32 Capítulo 32: Duarte
33 Capítulo 33: A verdade está próxima
34 Capítulo 34: Familiaridade
35 Capítulo 35: Nervos à flor da pele
36 Capítulo 36: alucinações
37 Capítulo 37: hora da verdade
38 Capítulo 38: Revelações
39 Capítulo 39: Flashback
40 Capítulo 40: E-mail
41 Capítulo 41: Perdoe-me
42 Capítulo 42: Profundezas
43 Capítulo 43: Grande dia
44 Capítulo 44: Baile
45 Capítulo 45: Presidente do Grup'Art
46 Capítulo 46: Vestido vermelho
47 Capítulo 47: Seu coração ainda se lembra de nós
48 Capítulo 48: Rachaduras do passado
49 Capítulo 49: Reerguendo forças
50 Capítulo 50: Herdeira do Grup'Art
51 capítulo 51: Estão em minhas mãos
52 Capítulo 52: Família de mentiras
53 Capítulo 53: Desestabilizado
Capítulos

Atualizado até capítulo 53

1
Capítulo 1: Mentiras
2
Capítulo 2: Pânico
3
capítulo 3: Segredos
4
Capítulo 4: Adeus
5
capítulo 5: Decepção
6
Capítulo 6: Gravidez indesejada
7
Capítulo 7: Ombro amigo
8
capítulo 8: Passagem de ida
9
capítulo 9: Lembranças dolorosas
10
Capítulo 10: Fantasma do passado
11
Capítulo 11: Manipulador de memórias
12
Capítulo 12: Angústia
13
Capítulo 13: Preocupação
14
Capítulo 14: Um passo da verdade
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Capítulo 15: Dores do passado
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Capítulo 16: Esquecimento
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Capítulo 17: Determinação
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Capítulo 18: Acidente
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Capítulo 28: Que os jogos comecem
29
Capítulo 29: Trauma
30
Capítulo 30: Comparações
31
Capítulo 31: Na sombra de Isabel
32
Capítulo 32: Duarte
33
Capítulo 33: A verdade está próxima
34
Capítulo 34: Familiaridade
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Capítulo 35: Nervos à flor da pele
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Capítulo 37: hora da verdade
38
Capítulo 38: Revelações
39
Capítulo 39: Flashback
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Capítulo 43: Grande dia
44
Capítulo 44: Baile
45
Capítulo 45: Presidente do Grup'Art
46
Capítulo 46: Vestido vermelho
47
Capítulo 47: Seu coração ainda se lembra de nós
48
Capítulo 48: Rachaduras do passado
49
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50
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