Horas depois, Isabel se encontrou parada ao lado do velho carvalho, seu coração pesado com as memórias de tempos mais simples e felizes. O verão na praia, no Brasil, parecia uma eternidade distante, um período em que ela e Hygor corriam despreocupados pela areia, rindo e brincando como se o mundo fosse seu. A imagem de Hygor e as risadas compartilhadas a invadiram com uma dor pungente, um lembrete cruel de tudo o que foi perdido.
Ela se deixou cair no chão, encostando suas costas contra a árvore. A madeira fria contrastava com o calor de suas lágrimas, que escorriam sem parar. "Bebê, eu espero que eu consiga te dar uma infância melhor do que a que eu tive." murmurou, a voz embargada pela emoção. "Por favor, me dê forças para contar à sua avó sobre você... e nunca me abandone." pediu, acariciando a barriga ainda lisa onde a vida que crescia dentro dela parecia ser sua única fonte de esperança.
Hygor, que um dia fora seu porto seguro, parecia agora uma figura distante, como se estivesse vivendo em outra vida, em um lugar onde ela não podia alcançá-lo.
O vibrar do telefone em seu bolso a tirou do turbilhão de pensamentos. Isabel, com mãos ainda trêmulas, retirou o aparelho e viu uma mensagem de Cristian: "Amanhã de manhã estarei em Londres. Lembre-se, Isa, sempre estarei ao seu lado. Conte comigo para o que precisar."
As palavras de Cristian trouxeram um calor reconfortante ao seu coração, como um cobertor quente em uma noite fria. Mesmo imersa em um mar de segredos e incertezas, havia uma coisa que Isabel sabia com certeza: ela não estava sozinha. Cristian sempre fora seu refúgio, o único em quem ela podia confiar sem hesitar. Ele não fazia perguntas, simplesmente a entendia.
Uma nova chama de determinação acendeu-se dentro dela. Isabel levantou-se com passos firmes e decididos, começando a caminhar de volta para a mansão. Cada passo parecia um peso a menos em seus ombros, uma declaração silenciosa de que ela tomaria o controle de sua própria vida. O futuro era incerto, mas uma coisa estava clara: ela não deixaria mais ninguém manipular seu destino. Era hora de desvendar a verdade por trás das mentiras e de assumir o controle de sua própria história.
Ao entrar pela porta principal da mansão, foi recebida por um silêncio opressor. O eco de seus passos parecia amplificar a solidão da noite. Todos já estavam retirados para seus quartos, e a casa, mergulhada na escuridão, parecia ainda mais opressiva. Isabel subiu as escadas com o coração acelerado, parando em frente ao quarto de sua mãe. A porta entreaberta deixava escapar o som de Viviane murmurando uma oração, a voz frágil e carregada de um desespero que Isabel nunca havia ouvido antes.
O peito de Isabel apertou-se. Parte dela queria entrar, confrontar a mãe, exigir respostas que pareciam se esconder atrás de cada suspiro. Mas havia algo maior, uma força invisível que a impedia de dar esse passo. Em vez disso, ela se virou e seguiu para seu próprio quarto, fechando a porta atrás de si com um clique quase inaudível. As malas estavam prontas. O plano estava traçado. Amanhã, ela partiria, com a intenção de nunca mais voltar. Não poderia mais viver à sombra das mentiras e do medo.
Deitou-se na cama, mas o sono parecia um visitante distante. Seus pensamentos giravam incessantemente em sua mente, como um furacão implacável. Fechava os olhos e via o rosto de Hygor, sua expressão cheia de promessas não cumpridas. Via também a expressão de Viviane, assombrada pelos segredos que teimava em esconder. O que sua mãe temia tanto? O que poderia ser mais terrível do que as feridas e dores que Isabel já carregava?
Quando o sol começou a despontar no horizonte, tingindo o céu com suaves tons de rosa e laranja, Isabel se levantou. Sentia-se como se tivesse envelhecido uma década em uma única noite. Estava exausta, mas a determinação era firme como uma rocha. O caminho à frente seria repleto de obstáculos, mas ela estava pronta para enfrentá-los. Precisava proteger o bebê que crescia dentro dela e, acima de tudo, desvendar a verdade que estava enterrada nas sombras de sua vida.
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Na manhã seguinte, a casa estava imersa em um silêncio opressor, quase palpável. Isabel movia-se com cuidado, quase em silêncio, enquanto reunia seus pertences. Cada item colocado na mala parecia carregar o peso de uma vida que ela estava prestes a deixar para trás. O coração batendo freneticamente no peito tornava cada movimento mais difícil, mas também mais determinado. Com um último olhar para o quarto que ela havia chamado de seu, Isabel enviou uma mensagem rápida para Cristian, sua única âncora em meio à tempestade de sua vida. A resposta veio quase imediatamente: "Estou pronto."
Cristian sempre fora a pessoa em quem ela podia confiar cegamente, a âncora que a mantinha firme quando tudo ao seu redor estava desmoronando. Saber que ele estava disposto a cruzar o oceano para estar ao seu lado era um alívio imenso. Ao romper a escuridão da manhã, Isabel desceu as escadas da mansão como uma sombra, seus passos leves e furtivos, temendo acordar os fantasmas daquela casa que agora parecia cheia de segredos e sombras.
Ao sair pela porta dos fundos, o ar fresco da manhã a envolveu, um contraste bem-vindo com a opressão da casa. Ela viu Cristian esperando, a figura familiar oferecendo um pequeno conforto em meio ao caos. O carro estava estacionado discretamente na entrada lateral, o motor já ligado e pronto para partir. Ao entrar no veículo, Cristian virou-se para ela, sua expressão um misto de preocupação e firmeza.
"Você está pronta para isso, Isa?" Ele perguntou, a voz baixa, mas impregnada de um significado profundo. Era uma pergunta simples, mas para Isabel, carregava um peso imenso.
Isabel olhou para ele, o coração apertado, uma parte de si mesma gritando que não estava pronta, que nunca poderia estar preparada para deixar para trás tudo o que conhecia. Mas, naquelas circunstâncias, não havia escolha. Ela tinha uma nova vida dentro dela para proteger e uma verdade para descobrir.
"Sim, vamos." A resposta saiu de seus lábios com uma firmeza que ela tentou acreditar, apesar da turbulência que se desenrolava dentro dela. Sua voz era uma tentativa de convencer a si mesma de que estava pronta para o que estava por vir.
Cristian acelerou o carro, e a mansão Willians rapidamente começou a desaparecer no retrovisor. Isabel observou a paisagem se distanciar, uma mistura de alívio e medo tomando conta dela. Cada quilômetro que a afastava da casa parecia ser um passo para fora do pesadelo que a consumia. Mas, ao mesmo tempo, a incerteza do futuro a envolvia como uma neblina, sem promessas de segurança ou respostas fáceis.
Agora, com cada movimento do carro a levando para longe de sua antiga vida, Isabel sentiu uma determinação crescente. Não havia mais volta. O caminho à frente era desconhecido e cheio de desafios, mas ela estava disposta a enfrentá-los. A única certeza que ela tinha era que precisava proteger o bebê que crescia dentro dela e descobrir a verdade que estava enterrada nas sombras da sua vida anterior.
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Horas depois, Isabel e Cristian chegaram ao aeroporto, prestes a embarcar de volta ao Brasil. O terminal estava cheio de pessoas e sons, mas para Isabel, tudo parecia um borrão distante. Ela estava tão absorta em seus pensamentos que mal percebia o movimento ao seu redor. Seus olhos estavam abertos, mas fixos no vazio, enquanto sua mente mergulhava em um turbilhão de imagens e lembranças. Viviane, Richard, Hygor—tudo passava diante dela como um filme interminável e doloroso.
A preocupação com Hygor era constante. O que estaria passando pela cabeça dele? Como reagiria ao descobrir sobre o bebê? Será que ele ainda se lembrava dela ou era tudo apenas uma lembrança nebulosa? Cada pergunta parecia se agravar com o passar das horas, tornando o peso em seu peito quase insuportável.
Quando o voo pousou no Brasil, Cristian estava pronto para assumir o comando. Ele percebeu o cansaço e a fragilidade em Isabel e, sem hesitar, tomou a responsabilidade de levá-la ao hospital onde Hygor estava internado. Isabel, emocionalmente exausta, sentia-se como se estivesse carregando um peso impossível. Cada passo em direção ao hospital parecia um esforço monumental.
Ao chegarem, Isabel hesitou na entrada do hospital. O cheiro característico de antisséptico e o ambiente gelado do ar-condicionado faziam o lugar parecer ainda mais frio e distante.
"Cristian... e se ele não quiser me ver? E se ele... não quiser nos ver?" A voz dela era um sussurro quase inaudível, carregada de medo e incerteza. Ela acariciava sua barriga, tentando encontrar algum conforto no gesto, mesmo que ainda não houvesse sinais visíveis de gravidez.
Cristian segurou suas mãos com firmeza, transmitindo todo o apoio que podia. "Isa, não pense nisso agora. Vamos dar um passo de cada vez. Ele precisa de você, e você precisa dele. Não se esqueça disso." Suas palavras eram suaves, mas repletas de uma certeza que Isabel tentava se apegar.
Respirando fundo e tentando reunir a coragem que lhe restava, Isabel avançou. O corredor do hospital parecia interminável, e cada passo era um lembrete doloroso do que estava prestes a enfrentar. Finalmente, chegaram à porta do quarto de Hygor. Isabel parou, o coração batendo forte em seu peito, sentindo como se a coragem fosse escorregar de suas mãos.
Cristian olhou para ela com um encorajamento silencioso, um gesto simples que significava mais do que qualquer palavra poderia. Isabel respirou fundo mais uma vez e, com as mãos trêmulas, abriu a porta do quarto.
O quarto estava iluminado por uma luz suave e a presença de Hygor, deitado na cama, era quase um contraste com a frieza do ambiente ao redor. Ele estava com os olhos fechados, mas sua postura era firme, transmitindo uma força silenciosa que parecia estar em desacordo com sua fragilidade.
Antes que Isabel pudesse dizer qualquer coisa, uma voz feminina suave preencheu o espaço. "Eu trouxe algumas frutas para você."
Hygor abriu os olhos lentamente, o semblante relaxado ao ouvir a voz. "Não precisava, Kyra," ele respondeu, com uma gentileza que parecia um eco distante.
A visão de Kyra Assis, sentada à beira da cama e oferecendo uma maçã, fez o mundo de Isabel desabar em um instante. O chão pareceu se abrir sob seus pés, e uma sensação de desespero a envolveu. "Hygor..." Ela tentou chamar seu nome, mas as palavras ficaram presas em sua garganta, quebrando-se em um choro silencioso que ela tentou desesperadamente controlar.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Chị google là em
Incrível! 😍
2024-09-18
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