Capítulo 11: A Chegada de Valquíria

Quando uma nova guarda retorna ao Instituto Santa Helena, o clima na prisão muda de imediato. Valquíria, conhecida entre as detentas pela crueldade e arrogância, havia passado um tempo fora em férias, mas seu retorno foi como uma tempestade anunciada. Ela não era uma simples guarda; era um problema que respirava violência.

Assim que pisou na Ala Norte, o silêncio tomou conta do corredor. Até as detentas mais violentas abaixaram a cabeça, evitando cruzar o olhar com ela. Valquíria tinha uma presença ameaçadora, movendo-se como alguém que sabe que a força está do seu lado e que não precisa dar explicações para ninguém.

Logo nas primeiras horas de seu retorno, Valquíria deixou claro que não havia espaço para brincadeiras ou falhas. No refeitório, ela jogou uma bandeja inteira de comida no chão porque uma detenta não se levantou rápido o suficiente para passar a vez. No pátio, ela puxou uma mulher pelos cabelos por se mover durante a contagem matinal. As outras guardas não se intrometiam, sabiam que Valquíria não tolerava interferências. Ela era um rolo compressor que fazia questão de esmagar qualquer sinal de desobediência.

— Comigo, é no tapa. Tão avisadas. — disse Valquíria, enquanto um sorriso fino cortava seu rosto, mais uma ameaça do que um aviso.

Mesmo Serpente, que costumava ter o controle das situações, evitava interações diretas com ela. Era claro que a aliança com Serpente não seria suficiente para me proteger da fúria de Valquíria.

A rotina da prisão já era um pesadelo, mas Valquíria a tornava ainda pior. Ela parecia caçar motivos para punir, revistando celas aleatoriamente e tornando a humilhação uma parte do processo. Ninguém estava segura, e naquela manhã, foi a vez da minha cela.

— De pé, todo mundo! — gritou Valquíria, batendo o cassetete contra a parede. Eu e as outras detentas obedecemos sem hesitar.

— Quem é você? A princesa do rolê? — Ela parou na minha frente, os olhos cheios de desprezo. — O que você tá escondendo?

Antes que eu pudesse responder, ela me empurrou com força contra a parede. Minha cabeça girou por um segundo, mas fiquei firme, sabendo que qualquer reação pioraria tudo.

Valquíria, insatisfeita com a minha calma, chutou meu estômago com toda a força.

A dor foi imediata e aguda, irradiando por todo meu corpo. Caí no chão, ofegante, as mãos pressionando a barriga instintivamente. O terror me envolveu como uma maré escura: e se o bebê...?

Senti um calor entre as pernas. Quando olhei para baixo, vi o que mais temia: sangue.

Fui arrastada para a enfermaria por duas guardas que não se deram ao trabalho de disfarçar o desprezo. A dor na barriga persistia, e eu não sabia se era apenas medo ou algo pior. Cada segundo de espera era um tormento silencioso.

Na enfermaria, a enfermeira Cecília me lançou um olhar apático. Ela não parecia surpresa ao ver sangue. Para ela, a gravidez de uma detenta era apenas mais um problema que precisava ser tratado com a mesma frieza que uma febre ou uma ferida.

— Deita aí. Vamos ver o que tá rolando. — disse, sem emoção.

Ela fez o exame com a mesma falta de cuidado com que inspecionava qualquer outra paciente. Cada toque seu era frio e impessoal. Meu coração batia acelerado, esperando pela pior notícia. Mas então, finalmente, ela falou:

— O bebê tá bem. O sangramento foi leve. — Ela tirou as luvas e deu de ombros. — Mas da próxima vez, pode não ter a mesma sorte.

Essas palavras ficaram gravadas na minha mente como uma sentença silenciosa. Cecília não se importava se eu sobrevivia ou não, e muito menos se o bebê nasceria com vida. Para ela, eu e minha filha éramos apenas mais um número na lista de presas.

Enquanto voltava à cela, a dor física era nada comparada ao peso do medo que me esmagava. O pensamento de perder minha filha antes mesmo de conhecê-la era insuportável. Eu tinha aceitado que Laila seria minha única razão para continuar lutando, mas agora essa possibilidade parecia se esvair como areia entre os dedos.

Deitada no colchão fino, com as mãos protegendo a barriga, me perguntei se havia sido a escolha certa manter essa gravidez. E se eu não fosse capaz de protegê-la? E se tudo acabasse antes mesmo de começar?

Foi no meio da noite que aconteceu algo inesperado. Um pequeno movimento fraco, mas inconfundível, veio de dentro da minha barriga.

Por um instante, eu congelei, sem acreditar no que estava sentindo. Então aconteceu de novo: um leve chute. Era como se Laila estivesse me dizendo que estava lá, que sobreviveria.

Uma onda de emoção tomou conta de mim. Lágrimas brotaram nos meus olhos, mas não eram de tristeza. Era uma mistura de alívio, esperança e uma força renovada que eu não sabia que ainda existia dentro de mim. Por um momento, nada mais importava além daquela pequena vida que pulsava dentro de mim.

— Vai ficar tudo bem, Laila. Eu prometo. — murmurei na escuridão, com uma determinação que queimava como fogo.

Aquele pequeno chute foi mais poderoso do que qualquer golpe que Valquíria pudesse me dar. Minha filha estava viva. E agora, eu sabia que faria qualquer coisa para protegê-la.

Na manhã seguinte, o pátio estava mais silencioso que o normal. As detentas perceberam minha vulnerabilidade, e algumas cochichavam enquanto eu passava, observando cada passo meu com olhares calculistas.

Serpente se aproximou enquanto eu caminhava lentamente até um banco na sombra. Ela não perguntou nada, mas seu olhar deixou claro que sabia o que havia acontecido.

— A Valquíria vai continuar te testando. Não vai ser a última vez que ela tenta te quebrar. — disse, enquanto acendia um cigarro e me oferecia um.

— Ela não vai me quebrar. — respondi, segurando o cigarro entre os dedos sem acendê-lo.

Serpente deu um sorriso quase imperceptível, como se estivesse aprovando a resposta.

— Bom. Porque aqui, só os fortes vivem. E você tem mais o que perder agora, não é?

Eu não respondi, mas ela estava certa. Eu tinha Laila. E agora, cada passo meu dentro daquela prisão seria por ela.

 

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Comments

Lucilene Palheta

Lucilene Palheta

poxa ninguém vai visitar ela ,ver como ela estar ,malditos

2024-12-09

2

Irá

Irá

Autor pprq nem um advogado foi procurá-la? Mesmo que ela tivesse matando o seu esposo ela teria um advogado pprq até então ela seria a única erdeira do esposo! Já não era pra ela ter um advogado para lutar e tirar ela fã prisão e pegar quem fez essa armação é ppr ela presa?

2024-12-27

3

Ver todos
Capítulos
1 Avisos
2 Prólogo
3 Capítulo 1: O começo do Fim
4 Capítulo 2: Primeira Noite na Cela 676
5 Capítulo 3: Tortura e Quebra Psicológica
6 Capítulo 4: Primeiras Lições na Cela
7 Capítulo 5: A Primeira Tentativa de Assassinato
8 Capítulo 6: Primeiras Suspeitas e Conflito Interno
9 Capítulo 7: Aliança com a Serpente
10 Capítulo 8: Confirmação Brutal
11 Capítulo 9: Alianças e Sobrevivência
12 Capítulo 10: O Corpo Cobra seu Preço
13 Capítulo 11: A Chegada de Valquíria
14 Capítulo 12: A Primeira Grande Tarefa
15 Capítulo 13: Mudanças no Poder
16 Capítulo 14: O Preço das Dívidas
17 Capítulo 15: A Manipulação das Guardas
18 Capítulo 16: Dúvidas sobre a Maternidade
19 Capítulo 17: Crescendo na Hierarquia
20 Capítulo 18: A Segunda Tentativa de Reabrir o Caso
21 Capítulo 19: O Jogo da Sobrevivência
22 Capítulo 20: O Último Trimestre
23 Palavra do Autor - Uma Pausa para conversamos
24 Capítulo 21: A Filha Arrancada
25 Capítulo 22: A Tortura Final
26 Capítulo 23: A Escuridão
27 Capítulo 24: O Grande Confronto
28 Capítulo 25: O que tem lá Fora?
29 Capítulo 26: Cada Um paga a sua dívida
30 Capítulo 27: O Passado de Sônia Vidal
31 Capítulo 28: O Controle Total
32 Capítulo 29: A História de Rato
33 Capítulo 30: Laila e o Futuro
34 Capítulo 31: A Revolta e Queda
35 Palavra do Autor: Vamos Conversar Sobre a Nossa Viúva?
36 Capítulo 32: O Retorno da Viúva
37 Capítulo 33: O Retorno da Viúva - Parte II
38 Capítulo 34: As Sombras se Movem
39 Capítulo 35: Lembranças de Belo Monte
40 Capítulo 36: O Preço da Dívida
41 Capítulo 37: O Novo Diretor
42 Capítulo 38: Reflexos de um Sistema Quebrado
43 Capítulo 39: O Estopim do Caos
44 Capítulo 40: Sementes de Rebelião
45 Capítulo 41: A Tempestade Se Aproxima
46 Capítulo 42: A Proposta de Aliança de Rato
47 Capítulo 43: Humilhação e Rebelião Sutil
48 Capítulo 44: A Traição e o Assassinato de Marília
49 Capítulo 45: O Estopim da Rebelião
50 Capítulo 46: O Diretor e a Viúva
51 Capítulo 47: A Negociação das Sombras
52 Capítulo 48: O Monopólio da Viúva
53 Capítulo 49: A Infiltração da Ordem
54 Capítulo 50: O Ataque na Sombra
55 Capítulo 51: A Reabertura do Caso
56 Capítulo 52: Confronto com o Passado
57 Capítulo 53: O Encontro com Ayana
58 Capítulo 54: O Declínio do Diretor
59 Capítulo 55: A Grande Batalha
60 Capítulo 56: A Tentativa de Assassinato
61 Capítulo 57: A Carta e a Despedida
62 Capítulo 58: O Coração de Santa Helena Parte
63 Capítulo 59: A Última Palavra
64 Epílogo: Liberdade
65 Nota de Agradecimento aos Leitores
Capítulos

Atualizado até capítulo 65

1
Avisos
2
Prólogo
3
Capítulo 1: O começo do Fim
4
Capítulo 2: Primeira Noite na Cela 676
5
Capítulo 3: Tortura e Quebra Psicológica
6
Capítulo 4: Primeiras Lições na Cela
7
Capítulo 5: A Primeira Tentativa de Assassinato
8
Capítulo 6: Primeiras Suspeitas e Conflito Interno
9
Capítulo 7: Aliança com a Serpente
10
Capítulo 8: Confirmação Brutal
11
Capítulo 9: Alianças e Sobrevivência
12
Capítulo 10: O Corpo Cobra seu Preço
13
Capítulo 11: A Chegada de Valquíria
14
Capítulo 12: A Primeira Grande Tarefa
15
Capítulo 13: Mudanças no Poder
16
Capítulo 14: O Preço das Dívidas
17
Capítulo 15: A Manipulação das Guardas
18
Capítulo 16: Dúvidas sobre a Maternidade
19
Capítulo 17: Crescendo na Hierarquia
20
Capítulo 18: A Segunda Tentativa de Reabrir o Caso
21
Capítulo 19: O Jogo da Sobrevivência
22
Capítulo 20: O Último Trimestre
23
Palavra do Autor - Uma Pausa para conversamos
24
Capítulo 21: A Filha Arrancada
25
Capítulo 22: A Tortura Final
26
Capítulo 23: A Escuridão
27
Capítulo 24: O Grande Confronto
28
Capítulo 25: O que tem lá Fora?
29
Capítulo 26: Cada Um paga a sua dívida
30
Capítulo 27: O Passado de Sônia Vidal
31
Capítulo 28: O Controle Total
32
Capítulo 29: A História de Rato
33
Capítulo 30: Laila e o Futuro
34
Capítulo 31: A Revolta e Queda
35
Palavra do Autor: Vamos Conversar Sobre a Nossa Viúva?
36
Capítulo 32: O Retorno da Viúva
37
Capítulo 33: O Retorno da Viúva - Parte II
38
Capítulo 34: As Sombras se Movem
39
Capítulo 35: Lembranças de Belo Monte
40
Capítulo 36: O Preço da Dívida
41
Capítulo 37: O Novo Diretor
42
Capítulo 38: Reflexos de um Sistema Quebrado
43
Capítulo 39: O Estopim do Caos
44
Capítulo 40: Sementes de Rebelião
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Capítulo 41: A Tempestade Se Aproxima
46
Capítulo 42: A Proposta de Aliança de Rato
47
Capítulo 43: Humilhação e Rebelião Sutil
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Capítulo 44: A Traição e o Assassinato de Marília
49
Capítulo 45: O Estopim da Rebelião
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Capítulo 46: O Diretor e a Viúva
51
Capítulo 47: A Negociação das Sombras
52
Capítulo 48: O Monopólio da Viúva
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Capítulo 49: A Infiltração da Ordem
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Capítulo 50: O Ataque na Sombra
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Capítulo 51: A Reabertura do Caso
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Capítulo 59: A Última Palavra
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