O eco das portas de ferro batendo ainda ressoa nos meus ouvidos. Lembro-me da sensação do frio atravessando meu corpo, mesmo envolta naquelas paredes úmidas e sombrias. Cinco anos... Parece uma eternidade. Aqui dentro, o tempo é uma faca que corta a alma, dia após dia. Eu entrei nesta prisão como uma menina assustada, frágil e vulnerável. Hoje, sou uma mulher endurecida, transformada por cada dor, cada traição e cada perda.
Naquele primeiro dia, quando as algemas prenderam meus pulsos, eu pensei que não havia mais nada a ser tirado de mim. Eu estava errada. Eles arrancaram de mim até o que eu não sabia que tinha. Minha filha... Mal pude vê-la, mal pude senti-la, e já a tiraram de mim. Foi a última gota de humanidade que conseguiram arrancar, transformando-me em algo que eu jamais pensei que me tornaria. Aqui dentro, eu morri e renasci tantas vezes que perdi a conta. Morri como a Suraya inocente, a menina do interior que foi forçada a se casar com um magnata que nem ao menos me perguntaram, não tive escolha e nem voz. Renasci como uma mulher da alta sociedade, morri tantas outras vezes e renasci como a viúva, a criminosa, a assassina que todos acreditaram que eu era. E, mais uma vez, morri para renascer como outra.
Dizem que o tempo cura todas as feridas. Mas, para mim, o tempo foi apenas um lembrete cruel de tudo o que perdi. Quando entrei naquela cela pela primeira vez, cinco anos atrás, eu era uma mulher despedaçada. Estava desolada, acusada de um crime que não cometi, carregando a dor de perder o homem que, contra todas as expectativas, eu havia aprendido a amar. Ninguém me disse nada, nem ele me contou que seria a última noite apenas fizemos amor e concebi a Layla que qyer dizer noite, mais o destino me arrancou naquela noite a minha filha o pedaço do meu amor sem me dar a chance de segurar nos meus braços.
A vida na prisão era um inferno do qual não havia fuga. A cada manhã que nascia, eu sentia o peso das correntes invisíveis que me mantinham presa àquele lugar sombrio. Aquele lugar onde a esperança morria um pouco a cada dia. Não eram apenas as paredes frias que me aprisionavam, mas as lembranças que se recusavam a desaparecer. As manchetes dos jornais, as acusações, as traições... tudo girava na minha mente como uma tormenta sem fim.
Os jornais se divertiram com minha história que até um série eles escreveram e lucraramcom ela. Estamparam meu rosto em capas, falaram de meu passado, expuseram minhas feridas. Fui retratada como uma mulher gananciosa, sedenta por dinheiro e poder, que não hesitou em tirar a vida do marido. Mas o que eles sabem? Nada. Não sabem do que passei, das noites em claro, dos gritos silenciosos que dei, das lágrimas que secaram antes mesmo de cair.
Lá dentro, eu não era a mulher refinada e culta que o mundo conhecia. Eu não era a esposa de um magnata, a Sra. Abreu, nem a herdeira de uma fortuna que nunca pedi. Eu era apenas Suraya, uma sobrevivente. Uma mulher que teve que aprender a lutar, a resistir, a criar aliados em meio à escuridão. Aprendi a ler as entrelinhas, a decifrar a verdade nos olhos daqueles que tentavam me quebrar. E, acima de tudo, aprendi a esconder meu coração atrás de uma muralha que ninguém poderia derrubar.
E agora, ao olhar para o futuro que se desenha à minha frente, sei que a luta ainda não terminou. As feridas ainda estão abertas, o passado ainda assombra os meus passos. Mas há uma chama dentro de mim que se recusa a ser apagada. Pela minha filha, pela Layla, e por mim mesma, vou continuar.
Sete anos se passaram. Sete longos anos até que a verdade finalmente começasse a emergir. Quando as portas da prisão se abrirem novamente, eu não serei mais a mesma mulher que entrou. Serei uma mulher transformada pelo sofrimento, mas também pela justiça. Eu não busco vingança... Eu busco redenção.
E quem eu sou agora? Sou Suraya Lemos Monteiro de Abreu, a viúva do magnata, a mulher que se tornou seu próprio destino. Sou também Serpente, a mulher que controla as leis e a economia dessa cidade, eles vão ter de me engolir. Essa é minha história. Uma história de sobrevivência, de dor e de uma luta incessante contra aqueles que tentaram me destruir.
Agora, estou prestes a sair para o mundo novamente. Mas desta vez, não como a mulher que foi condenada por um crime que não cometeu, e sim como uma mulher que encontrou sua própria força no meio das trevas. Eles não me destruíram. E agora, eles vão descobrir o que acontece quando uma mulher como eu renasce.
Afinal, o que é a vida senão uma série interminável de batalhas? E eu, já aprendi que, para sobreviver, é preciso lutar até o fim. Então eles terão de ouvir a minha voz e seguir o meu rasto.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Vera Bruno
Não posso nem imaginar, todo o sofrimento 😢
2024-12-29
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Ana Zélia
É muito sofrimento.
Quero ver a mulher forte q vc se tornou
2024-12-30
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David Willer Pinheiro Da Rosa
bah! fiquei arrepiado até aqui. A história é bem viciante. melhor que as novelas do SBT. Tri bom!
2025-02-20
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