O dia da partida chegou com a frieza de uma manhã de inverno. O céu estava nublado e o ar parecia tão pesado quanto o peso das minhas emoções. A estrada de terra que levava à cidade grande estava coberta de poeira e deixava um rastro de tristeza por onde passávamos. O carro do Sr. Fonseca, um elegante modelo preto, estava estacionado na entrada da fazenda, pronto para levar-me para um futuro incerto e doloroso. Cada minuto que passava era uma lembrança do que estava deixando para trás, e a despedida se tornava cada vez mais difícil de suportar.
Mamãe estava na entrada da casa, o rosto pálido e os olhos vermelhos de tanto chorar. As lágrimas corriam livremente por suas bochechas enquanto ela tentava manter uma aparência de força para as minhas irmãs, que também estavam de olhos marejados. Ayana e Anaya estavam ao meu lado, suas pequenas mãos segurando as minhas com uma força desesperada, como se isso pudesse me impedir de partir. O espaço entre nós estava carregado de um desespero que palavras não poderiam expressar.
— Mamãe, por favor, não me deixe ir… — eu implorei, minha voz embargada pelo choro. — Não é justo. Não é o que eu sonhei para mim.
Mamãe não conseguia falar. Seus lábios tremiam e ela tentava desesperadamente esconder o rosto no avental, mas as lágrimas continuavam a escorregar pelos seus olhos. Ela se abaixou para me abraçar, e o contato dela era uma tentativa desesperada de segurar algo que estava prestes a escapar. Eu me agarrei a ela com toda a força que tinha, tentando absorver a sensação de segurança que me fornecia.
— Oh, minha querida… — ela sussurrou, sua voz quase inaudível. — Eu gostaria que as coisas fossem diferentes. Que você pudesse ficar. Mas o que fizemos foi o melhor que podíamos…
Cada palavra dela era um golpe na minha alma. O peso do que estava acontecendo estava me sufocando, e eu me sentia como se estivesse sendo arrancada de algo que era meu por direito. A ideia de partir para a cidade grande, para uma vida que eu nunca escolhi, era um pensamento esmagador.
Fonseca estava do lado do carro, observando a cena com um olhar impassível. Ele parecia quase uma sombra na minha vida, uma figura distante e cruel que estava moldando meu destino. O olhar dele era de um homem que sabia exatamente o que estava fazendo e que não se importava com o custo emocional que isso tinha para mim e para minha família. Eu não podia deixar de sentir uma profunda aversão por ele, e cada vez mais a ideia de ser sua esposa parecia uma sentença de prisão.
— O tempo está passando, Suraya. — Fonseca disse, com um tom que parecia um aviso mais do que um conselho. — Devemos partir logo. Há muitos preparativos a serem feitos na cidade.
Ele parecia não notar a dor que eu estava sentindo. Seu tom era um lembrete constante de que, para ele, o casamento era apenas um contrato, uma questão de negócios. Ele havia cumprido o acordo, liquidado as dívidas da fazenda e feito um esforço para restaurá-la, mas a sua ajuda parecia um presente cruel. Era como se ele estivesse comprando minha lealdade, e o preço que eu estava pagando era muito alto.
À medida que o tempo passava, a despedida se tornava mais desesperadora. Minhas irmãs tentavam ser fortes, mas o pesar em seus olhos era evidente. Ayana, a mais nova, estava em lágrimas, agarrando-se ao meu vestido como se pudesse me manter lá. Anaya, tinha os olhos fixos no chão, tentando não mostrar o quão afetada estava. Eu podia sentir a dor de cada uma delas como se fosse minha, e isso tornava a despedida ainda mais difícil de suportar.
Fonseca deu instruções ao motorista para começar a carregar as malas. O som das malas sendo colocadas no carro era um lembrete cruel de que o momento estava chegando. Eu tentei, em vão, segurar as últimas emoções antes de entrar no carro. Mamãe ainda estava segurando as minhas mãos, e suas palavras eram uma mistura de consolo e resignação.
— Vá, minha filha, vá… — ela disse com uma voz cheia de tristeza. — Faça o melhor que puder.
Eu me afastei lentamente, o peso do que estava deixando para trás parecia me puxar para trás a cada passo que dava. Quando finalmente entrei no carro, olhei pela janela para ver minha família, notei que meu pai não estava lá o tempo todo, ele não teve coragem de ao menos despedir-se de mim, ao se afastando cada vez mais apenas vi ao fundo ele se juntado a mamãe. O rosto deles estava se desfocando à medida que o carro começava a se mover, e a realidade de que eu estava realmente partindo começou a se instalar.
As lágrimas continuavam a rolar pela minha face enquanto o carro avançava pela estrada. O som do motor e o balanço do veículo eram quase insuportáveis, uma constante lembrança de que minha vida estava mudando para sempre. Eu olhei para a paisagem familiar, tentando gravar cada detalhe na memória antes que se tornasse apenas uma lembrança distante.
O caminho para a cidade grande era longo e cansativo. Eu me sentia como uma prisioneira em uma cela de metal, sem controle sobre o futuro que estava prestes a enfrentar. A estrada era interminável e o ambiente ao meu redor parecia tão opressor quanto o destino que me aguardava. Cada curva e cada reta do caminho pareciam levar-me para mais longe do que eu conhecia e amava.
A sensação de estar à beira de um precipício emocional era avassaladora. A cidade grande, com suas luzes e sons distantes, parecia uma selva impenetrável à distância. O futuro que me aguardava ali parecia nebuloso e desconhecido, e eu não conseguia evitar a sensação de que estava sendo empurrada para algo que não era meu.
O futuro que me aguardava era um labirinto de incertezas e desafios, e eu me perguntava se haveria algum alívio ou esperança para mim em meio a tanta dor e desespero. Cada momento estava carregado de uma tristeza profunda e uma sensação de perda que parecia interminável, e eu me perguntava se algum dia encontraria uma maneira de lidar com o que estava prestes a enfrentar.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Elisiane Gomes
nossa que sofrimento
2025-04-04
0
Fatima Vieira
tadinha,muito triste 😔
2025-01-31
1