Capítulo 18: O Casamento

É hoje, o dia em fim chegou com a mesma inevitabilidade que se instala nos pesadelos mais persistentes. O sol, embora brilhante e quente, parecia um espectador cruel do que estava prestes a acontecer. A Fazenda Lá Rosa, que se preparara para o evento, estava adornada com flores brancas e fitas douradas, mas toda a beleza parecia um véu sobre um sofrimento indescritível.

Mamãe e minhas irmãs estavam ao meu lado enquanto me preparava, e o silêncio na casa parecia quase palpável. A atmosfera estava carregada de uma tristeza que não conseguíamos dissipar. O vestido de noiva, um elaborado modelo de renda e seda, estava pendurado com uma elegância que contrastava cruelmente com o desespero que eu sentia. Quando vesti o vestido, o tecido parecia uma prisão dourada que me lembrava constantemente do futuro que eu estava sendo forçada a aceitar.

Mamãe me ajudou a ajustar o vestido, e suas mãos tremiam de emoção. Olhei para o espelho e vi uma jovem que parecia não pertencer a aquele cenário. Minha aparência estava impecável, mas a imagem refletida era de alguém perdida e desolada.

— Você está linda, Suraya. — Mamãe disse, tentando soar encorajadora, mas sua voz traía uma tristeza profunda.

— Obrigada, mamãe. — Eu respondi, forçando um sorriso que nunca chegou a alcançar meus olhos. — Espero que esteja tudo bem.

Mamãe balançou a cabeça em um gesto que parecia mais um lamento do que uma confirmação. O olhar dela estava fixo em mim, cheio de um tipo de dor que palavras não conseguiam expressar. A sensação de impotência era esmagadora, e eu sabia que nada poderia mudar o que estava prestes a acontecer.

O caminho até o altar parecia interminável. Cada passo que dava era uma lembrança dolorosa da liberdade que estava prestes a perder. A fazenda estava cheia de pessoas, todas vestidas para a ocasião, tentando manter uma aparência de festividade que parecia quase irônica. Eu passei pelos convidados com uma sensação de estranheza, como se estivesse assistindo a um filme triste em que era a protagonista.

Quando finalmente cheguei ao altar, o Sr. Fonseca estava lá, impassível e frio. O contraste entre ele e eu era marcante. Ele estava vestido com um terno escuro, e sua expressão era uma máscara de confiança que não refletia o tumulto dentro de mim. Ele se dirigiu a mim com um sorriso que parecia mais um gesto de triunfo do que de afeto.

O padre começou a cerimônia com uma solenidade que parecia uma paródia diante da dor que eu sentia. Cada palavra que ele dizia parecia uma sentença de morte para a liberdade que eu havia perdido. O eco das suas palavras na igreja era um lembrete constante de que o que estava acontecendo era real e irrevogável.

— Suraya, você aceita Fonseca Alcântara Abreu como seu legítimo esposo, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe? — O padre perguntou, e eu engoli em seco, o peso das palavras quase me sufocando.

— Sim, eu aceito. — Minha voz soou fraca e distante, como se estivesse vindo de alguém que não era eu. Cada palavra parecia uma facada no coração.

Puta merda, olhei para ele que sorria com um brilho triunfante em seus olhos enquanto colocava o anel em meu dedo. O peso do anel era um símbolo cruel da prisão que estava prestes a enfrentar. Cada gesto dele era uma afirmação do seu controle sobre minha vida, e eu me sentia como uma peça em um jogo cruel.

Durante a cerimônia, minha mente vagava para longe da realidade. O vazio da cerimônia era um contraste chocante com o que eu esperava de um casamento. A ausência de Heitor era uma ferida aberta, e eu sentia como se um pedaço essencial de mim estivesse faltando. A ideia de que ele não estava ali para me apoiar era quase insuportável.

— Onde está Heitor? — Eu sussurrei para mamãe, desesperada para encontrar alguma explicação.

Mamãe olhou para mim com um olhar triste e cansado. — Não sabemos onde ele está, querida. Ele não apareceu para a cerimônia.

A dor da sua ausência era uma presença constante. Cada momento sem ele parecia um lembrete daquilo que eu havia perdido, e a realidade de que ele não estava ali para me apoiar era uma ferida que nunca cicatrizava.

A recepção começou após a cerimônia, e eu me vi cercada por um mar de rostos desconhecidos e palavras vazias. A comida e a bebida estavam em abundância, mas a festa parecia uma farsa diante da tristeza que eu sentia. Os convidados conversavam e riam, mas eu estava isolada, uma estranha no meio da celebração.

Fonseca se movia pela sala com uma confiança implacável. Seu sorriso parecia um triunfo sobre minha perda, e ele se aproximou de mim com um olhar possessivo. O que deveria ser um momento de celebração estava marcado pela sensação de que eu estava prestes a ser engolida por uma nova realidade que não escolhi.

— Suraya, minha querida esposa. — Fonseca disse, seu tom carregado de uma possessividade que me deixou gelada. — Espero que esteja se sentindo bem. A cerimônia foi maravilhosa, e estou ansioso para passar o resto dos meu dias ao seu lado, a gente vai ser muito feliz.

Eu forcei um sorriso, tentando esconder o desespero que sentia. — Sim, senhor Fonseca. A cerimônia foi… muito bonita.

Sua presença era uma constante lembrança da prisão em que minha vida havia se transformado. A recepção avançava com uma superficialidade que parecia cruel, e eu me perguntava como seria possível enfrentar o futuro que estava sendo imposto a mim. Cada momento parecia um lembrete doloroso da minha perda e da minha resignação.

À medida que a noite avançava, o sentimento de desamparo se intensificava. A realidade do casamento estava se tornando cada vez mais clara, e a ausência de Heitor era uma ferida que não poderia ser curada. O futuro que se desenrolava diante de mim era um caminho de dor e desespero, e eu me perguntava como seria possível encontrar algum alívio em meio a tanta tristeza.

Quando a recepção finalmente terminou e os convidados começaram a se dispersar, eu me retirei para um canto da casa, tentando encontrar algum momento de paz. A sensação de desespero era esmagadora, e eu me perguntei como seria possível enfrentar ou viver que estava prestes a ser imposto a mim. Cada passo que dava parecia um movimento em direção a uma vida sombria e incerta que haviam imposto para mim.

A cerimônia havia sido uma experiência dolorosa e opressiva, e o futuro que se desenrolava diante de mim parecia cada vez mais incerto. O casamento estava consumindo tudo o que eu havia conhecido, e a sensação de perda e resignação era um peso constante. Eu me perguntava como seria possível encontrar algum alívio em meio a tanta tristeza e desespero, enquanto tentava me preparar para o que eu nem sabia o que era.

Mais populares

Comments

Angela S Silva

Angela S Silva

onde o pai dela estava, só fala do Heitor e Heitor em momento algum apareceu, afinal de contas ele trabalha para qual dono de fazenda

2025-02-02

1

Fatima Vieira

Fatima Vieira

coitada ,tudo por um pai cafajeste

2025-01-31

1

Elza Lima Cavalcante

Elza Lima Cavalcante

gostaria de fotos da festa anterior e do casamento

2024-12-16

1

Ver todos
Capítulos
1 Prólogo
2 Capítulo 1: Vida em Belo Monte
3 Capítulo 2: A Casa em Desarmonia
4 Capítulo 3: Laços de Sangue e Coração
5 Capítulo 4: O Peso da Dívida
6 Capítulo 5: Segredos à Luz do Entardecer
7 Capítulo 6: Sombras Sobre a Mesa
8 Capítulo 7: O Declínio Silencioso
9 Capítulo 8: O Clímax do Conflito
10 Capítulo 9: Sonhos em Meio ao Café Amargo
11 Capítulo 10: A Chegada do Senhor Fonseca Abreu
12 Capítulo 11: O Encontro que Mudou Tudo
13 Capítulo 12: O Erro Fatal - A Aposta Maldita
14 Capítulo 13: O Acordo Sombrio - Porquê eu?
15 Capítulo 14: O Peso da Escolha
16 Capítulo 15: A Última Carta
17 Capítulo 16: O Desespero da Impossibilidade
18 Capítulo 17: Preparativos para o Casamento
19 Capítulo 18: O Casamento
20 Capítulo 19: A Viagem para a Cidade Grande
21 Capítulo 20: Chegada à Cidade Grande
22 Capítulo 21: A Vida Luxuosa e Sufocante na Mansão de Fonseca
23 Capítulo 22: A Dama da Mansão
24 Capítulo 23: O Jantar dos Poderosos
25 Capítulo 24: No Silêncio da Mansão
26 Capítulo 25: O Despertar de um Monstro
27 Capítulo 26: A Revelação do Cativeiro
28 Capítulo 27: A Sombra da Liberdade
29 Capítulo 28: A Virada de uma Vida
30 Capítulo 29: No Limiar de Sentimentos
31 Capítulo 30: Sob o Véu do Desconhecido
32 Capítulo 31: Adeus, Dubai; Olá, Lagoas
33 Capítulo 32: A Casa Nova, O Novo Eu
34 Capítulo 33: As Correntes Invisíveis
35 Capítulo 34: Um Novo Horizonte
36 Capítulo 35: Sob o Peso da Ira e do Desejo
37 Capítulo 36: Um Conto de Fadas na Realidade
38 Capítulo 37: Duas Vidas, Um Amor: Entre a Realidade e o Disfarce
39 Capítulo 38: Entre Dois Mundos: O Agito do Campus e a Realidade do Poder
40 Capítulo 39: Suspiros à Meia-Luz
41 Capítulo 40: O Veneno do Silêncio
42 Capítulo 41: Desespero e Solidão
43 Capítulo 42: O Funeral da Esperança
44 Capítulo 43: Quando Tudo Estava Contra Mim?
45 Capítulo 44: Os Muros da Injustiça
46 Capítulo 45: O Veredito Final
47 Série Sombras de Um Amor Fatal
Capítulos

Atualizado até capítulo 47

1
Prólogo
2
Capítulo 1: Vida em Belo Monte
3
Capítulo 2: A Casa em Desarmonia
4
Capítulo 3: Laços de Sangue e Coração
5
Capítulo 4: O Peso da Dívida
6
Capítulo 5: Segredos à Luz do Entardecer
7
Capítulo 6: Sombras Sobre a Mesa
8
Capítulo 7: O Declínio Silencioso
9
Capítulo 8: O Clímax do Conflito
10
Capítulo 9: Sonhos em Meio ao Café Amargo
11
Capítulo 10: A Chegada do Senhor Fonseca Abreu
12
Capítulo 11: O Encontro que Mudou Tudo
13
Capítulo 12: O Erro Fatal - A Aposta Maldita
14
Capítulo 13: O Acordo Sombrio - Porquê eu?
15
Capítulo 14: O Peso da Escolha
16
Capítulo 15: A Última Carta
17
Capítulo 16: O Desespero da Impossibilidade
18
Capítulo 17: Preparativos para o Casamento
19
Capítulo 18: O Casamento
20
Capítulo 19: A Viagem para a Cidade Grande
21
Capítulo 20: Chegada à Cidade Grande
22
Capítulo 21: A Vida Luxuosa e Sufocante na Mansão de Fonseca
23
Capítulo 22: A Dama da Mansão
24
Capítulo 23: O Jantar dos Poderosos
25
Capítulo 24: No Silêncio da Mansão
26
Capítulo 25: O Despertar de um Monstro
27
Capítulo 26: A Revelação do Cativeiro
28
Capítulo 27: A Sombra da Liberdade
29
Capítulo 28: A Virada de uma Vida
30
Capítulo 29: No Limiar de Sentimentos
31
Capítulo 30: Sob o Véu do Desconhecido
32
Capítulo 31: Adeus, Dubai; Olá, Lagoas
33
Capítulo 32: A Casa Nova, O Novo Eu
34
Capítulo 33: As Correntes Invisíveis
35
Capítulo 34: Um Novo Horizonte
36
Capítulo 35: Sob o Peso da Ira e do Desejo
37
Capítulo 36: Um Conto de Fadas na Realidade
38
Capítulo 37: Duas Vidas, Um Amor: Entre a Realidade e o Disfarce
39
Capítulo 38: Entre Dois Mundos: O Agito do Campus e a Realidade do Poder
40
Capítulo 39: Suspiros à Meia-Luz
41
Capítulo 40: O Veneno do Silêncio
42
Capítulo 41: Desespero e Solidão
43
Capítulo 42: O Funeral da Esperança
44
Capítulo 43: Quando Tudo Estava Contra Mim?
45
Capítulo 44: Os Muros da Injustiça
46
Capítulo 45: O Veredito Final
47
Série Sombras de Um Amor Fatal

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!