O tempo estava se esgotando, e o dia do casamento se aproximava como um trovão distante, mas inevitável. A casa estava mergulhada em uma atmosfera de tensão e resignação. Enquanto os preparativos para o casamento continuavam, a sensação de opressão se tornava cada vez mais palpável.
Na manhã do jantar que o Sr. Fonseca havia organizado na Fazenda Lá Rosa, o clima era de um misto de nervosismo e tristeza. Era uma tentativa de normalizar o caos que se desenrolava, mas todos sabíamos que era apenas uma farsa para encobrir o desespero que se escondia por trás de cada sorriso forçado.
Mamãe e eu éramos as primeiras a nos preparar para o jantar. O vestido que eu usaria naquela noite era mais elegante do que qualquer coisa que eu já havia visto, mas a beleza do tecido não fazia nada para me confortar. Em vez disso, era um lembrete cruel do que estava prestes a acontecer. As mãos de mamãe tremiam enquanto ela me ajudava a vestir o vestido. Cada movimento era um esforço consciente para evitar o choro, e a expressão em seu rosto era de uma tristeza profunda que eu não sabia como aliviar.
— Você está linda, Suraya. — Mamãe tentou forçar um sorriso, mas o esforço era visível. — Apenas tente manter a calma e, por favor, não deixe que isso te derrube.
Eu apenas a olhei com um sorriso triste. Suas palavras eram gentis, mas não podiam mudar a realidade. A ideia de me casar com um homem que eu mal conhecia e que era tão mais velho do que eu, parecia um pesadelo que não tinha fim.
À medida que o sol começava a se pôr, mamãe e eu finalmente partimos para a Fazenda Lá Rosa. O trajeto foi silencioso, o som dos nossos passos ecoando em um vazio que parecia se expandir. O campo ao redor estava imerso em uma luz dourada e melancólica, que parecia refletir o estado de espírito que todos nós compartilhávamos.
Chegando à Fazenda Lá Rosa, fomos recebidos com uma pompa e circunstância que estava longe de refletir a realidade de nossa situação. A casa grande estava decorada com flores e fitas, e uma mesa de jantar elegantemente posta esperava os convidados. O contraste entre o ambiente festivo e o desespero que sentíamos era quase insuportável.
O Sr. Fonseca nos cumprimentou com um sorriso calculado e uma educação que parecia quase irreal. Ele estava vestido impecavelmente, seu porte imponente e sua presença dominadora eram inconfundíveis. Eu o observava com um misto de aversão e resignação. Cada gesto dele parecia ser uma afirmação de sua autoridade e controle sobre minha vida.
A mesa estava repleta de pratos elaborados e bebidas finas, mas a comida não me parecia apetecível. Eu mal consegui tocar em meu prato. Meu estômago estava embrulhado em um nó de ansiedade e tristeza, e o esforço para manter uma aparência de normalidade era quase impossível.
Durante o jantar, tentamos manter a conversa leve, mas a tensão era palpável. Os convidados estavam todos envolvidos em conversas sobre o futuro do casamento e o impacto que isso teria na Fazenda Lá Rosa e na Fazenda Lemos Monteiro. Havia um tom de celebração falsa, uma tentativa de transformar um evento doloroso em uma festa.
— Suraya, minha querida. — ele disse, dirigindo-se a mim com um sorriso forçado. — Espero que você esteja se sentindo confortável. É importante que este seja um momento especial para todos nós, é seu casamento.
Sua voz era suave, mas havia uma dureza subjacente que não podia ser ignorada. Eu forcei um sorriso e respondi com uma educação que não refletia o tumulto interno que eu estava sentindo.
— Sim, senhor Fonseca. Estou… bem, obrigada. — Minha voz tremia ligeiramente, e eu senti a necessidade de me afastar de sua presença opressiva.
A conversa continuou, e eu tentei me concentrar em algo, qualquer coisa, para desviar a mente da realidade que estava prestes a se concretizar. Havia uma sensação de inevitabilidade que parecia pesar sobre todos nós. Cada palavra, cada gesto, cada olhar parecia estar saturado de uma tensão que não podia ser ignorada, olhei para todos os lados e não achei o Heitor.
Quando o jantar terminou, ele se levantou e fez um discurso formal. Ele agradeceu a todos pela presença e fez uma série de promessas sobre o futuro da Fazenda Lá Rosa e o que ele esperava alcançar com o casamento. Suas palavras eram carregadas de uma confiança que parecia quase cruel, dada a situação.
— Estou ansioso para o futuro que estamos prestes a construir juntos — disse ele, olhando diretamente para mim. — E estou confiante de que, juntos, faremos grandes coisas.
Eu olhei para ele, tentando esconder o desdém que sentia. Sua confiança e entusiasmo eram uma fachada para o que realmente estava acontecendo. O casamento não era uma celebração de um futuro promissor, mas a concretização de um sacrifício doloroso e inevitável.
Quando o jantar terminou e os convidados começaram a se dispersar, eu me retirei para um canto tranquilo da casa. O desespero estava me consumindo, e eu precisava de um momento de solitude para processar tudo o que estava acontecendo. Me sentei em uma cadeira, observando a noite se instalar, e tentei encontrar alguma forma de paz em meio ao caos.
Enquanto a noite avançava, a sensação de inevitabilidade se tornou mais intensa. O casamento estava se aproximando e, com ele, a realização de um futuro que eu não havia escolhido e que não desejava. A sensação de desamparo era esmagadora, e a ideia de enfrentar a vida ao lado de um homem que eu não amava parecia um fardo insuportável.
Finalmente, a noite chegou ao fim, e eu me retirei para o quarto que havia sido preparado para mim. O silêncio do quarto era profundo e esmagador, e eu me deitei na cama, os olhos fixos no teto, tentando encontrar alguma forma de conforto. O desespero era um companheiro constante, e eu me perguntava como seria possível enfrentar o futuro que estava prestes a ser imposto a mim.
As horas passaram lentamente, e o sono não veio facilmente. Eu estava consumida por pensamentos e medos, e a realidade do casamento que se aproximava parecia mais real a cada momento. A noite parecia eterna, e o peso do que estava por vir era quase insuportável.
O sol raiou no dia seguinte, trazendo consigo a continuidade do pesadelo que parecia não ter fim. Os preparativos para o casamento estavam em andamento, e eu sabia que, a cada momento que passava, estava mais próxima de enfrentar o que eu temia.
O desespero e a resignação se tornaram meus companheiros constantes. Cada dia que passava era uma batalha para manter a dignidade e a força, mesmo quando a situação parecia estar além de qualquer controle. O casamento estava se aproximando, e com ele, a realização de um futuro que eu não havia escolhido, mas que parecia ser o único caminho possível.
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Atualizado até capítulo 47
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