Mirella estava inquieta. O quarto, que deveria ser seu refúgio, parecia uma prisão de paredes invisíveis. Andava de um lado para o outro, os passos ecoando como uma trilha do seu nervosismo. A iminente chegada de Graziela era um fantasma em sua mente. E agora, como se isso não bastasse, Otávio havia ordenado que suas coisas fossem levadas para o quarto dele.
— Senhorita, chega! — exclamou Ayla, erguendo as mãos. — Já estou ficando tonta com você andando em círculos.
Mirella parou, respirando fundo, mas a expressão em seu rosto não suavizou.
— Eu não consigo lidar com isso, Ayla. Graziela me odeia. E agora vou ter que dormir no quarto do... dele! Isso é absurdo!
Ayla suspirou, cruzando os braços.
— Senhorita, é melhor aceitar. O Sr. Otávio sabe como a mãe dele é. Se você continuar no quarto de hóspedes, vai acabar provocando mais problemas. Ele está tentando evitar isso, mesmo que você não veja.
— Tentar evitar problemas? Ele não se importa comigo! Isso é para o bem dele, não para o meu.
— Escute, senhorita. — Ayla sentou-se ao lado dela. — Eu sei que o patrão pode ser duro, mas ele nunca fez nada para te machucar. Ele viu você em situações desconfortáveis e nunca ultrapassou limites. Se quisesse, teria feito algo. Isso não prova nada para você?
Mirella ficou em silêncio por alguns segundos, mordendo o lábio.
— Talvez eu esteja exagerando...
Ayla levantou as sobrancelhas com um sorriso sugestivo.
— Ou talvez você esteja começando a gostar dele?
— Eu? Claro que não! — respondeu Mirella imediatamente.
Antes que Ayla pudesse provocá-la mais, um som suave chamou a atenção delas.
— Neh... neh... heh...
A bebezinha abriu os olhinhos sonolentos, murmurando algo ininteligível. Mirella imediatamente se levantou, pegando-a nos braços.
— Dorminhoca... — murmurou, acariciando o rostinho da nenê.
O sorriso da bebê começou a afastar o peso no coração de Mirella.
— Senhorita, você já pensou em um nome para ela?
Mirella olhou para a nenê com um brilho nos olhos.
— Bella. Acho que é perfeito para ela.
— Bella é lindo. Combina com ela.
Ayla pegou a mãozinha da bebê e começou a brincar, mas foi interrompida por três batidas na porta.
— Pode entrar.
Alessandro surgiu com um vestido longo e um conjunto de joias.
— O Sr. Otávio pediu que a senhorita vestisse isso. As visitas estão chegando, e ele espera que desça imediatamente.
— Tudo bem. Já vou descer.
Mirella se arrumou com cuidado, o vestido moldando seu corpo com perfeição. Mas, enquanto olhava no espelho, sentia-se desconfortável. As joias brilhantes pareciam pesadas, como se fossem correntes ao invés de adornos.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
Quando ela começou a descer as escadas, o salão inteiro silenciou. Todos os olhares estavam voltados para Mirella. Seu coração acelerou, mas ela manteve a postura, mesmo sentindo a pressão daqueles olhos.
Daniel, um dos seguranças, não conseguiu conter o comentário.
— Que mulher linda! Acho que me apaixonei.
Otávio, que estava no centro do salão, virou-se lentamente para Daniel, lançando-lhe um olhar gélido.
— Cuidado com o que você fala, Daniel. — Alessandro cochichou, mas Daniel apenas deu de ombros.
Mirella se aproximou do grupo, sentindo o olhar de Otávio cravado nela. Ele a estudava como um predador observando sua presa.
— Srta. Mirella, uma rosa para uma flor. — Daniel se aproximou, pegando uma rosa do vaso ao lado e entregando a ela.
— Obrigada. — disse ela, sorrindo suavemente enquanto cheirava a rosa.
— Você sabia que é igual a essa flor? — ele perguntou.
— Por quê?
— Porque ambas são lindas e delicadas.
Mirella sorriu novamente, mas dessa vez sentiu o ar ao seu redor mudar.
— Daniel, acho que você deveria voltar ao seu posto. — A voz de Otávio era baixa, mas carregada de ameaça.
Daniel percebeu o recado e se afastou, mas o desconforto no ar persistiu.
Antes que Mirella pudesse dizer algo, a avó de Otávio chegou, enchendo o ambiente com sua energia calorosa.
— Meu bebê! — exclamou, abraçando Otávio com força.
— Vó... por favor, não na frente de todo mundo. — Ele estava claramente desconfortável.
Mirella, observando a cena, não conseguiu conter uma risada. Otávio olhou para ela, o rosto endurecendo.
— Quem é essa moça linda? — perguntou a avó, aproximando-se de Mirella.
— Minha esposa. — disse Otávio, sem hesitar.
— Que sorte você tem, meu bebê. Mas por que seus olhos estão inchados, querida?
— Só estava descansando.
A avó acariciou o rosto de Mirella antes de ser interrompida por Graziela.
— Mãe, deixe-os. Vamos para o quarto.
— Vamos! Até mais tarde meu netinho querido.
Assim que Graziela e sua mãe saíram, Otávio virou-se para Mirella, o rosto severo. Ele a pegou pelo braço e a levou lá para cima.
Ayla estava no quarto, brincando com Bella, quando a porta se abriu com um estalo seco. Otávio e Mirella entraram, e a tensão entre eles era palpável. Ayla, percebendo a presença do chefe, levantou-se rapidamente.
— Senhorita... — Ayla começou, mas sua voz foi interrompida com um comando autoritário de Otávio.
— Pra fora! — A ordem foi dada de forma ríspida, sem espaço para discussão.
Ayla engoliu a resposta que queria dar, mas sabia que não era o momento. Ela pegou Bella no colo com agilidade e saiu do quarto, deixando um rastro de desconforto no ar. O som da porta se fechando atrás dela só fez aumentar o clima tenso que pairava entre Otávio e Mirella.
Mirella, ao perceber o comportamento de Otávio, não conseguiu esconder a indignação.
Ele puxou o braço dela com força, forçando-a a olhar para ela.— Eu não te falei para se comportar enquanto a minha mãe e a minha avó estiverem aqui? — Otávio a olhou, com os olhos gelados e implacáveis. Sua mandíbula estava tensa, um sinal claro de que algo estava fervendo por dentro.
— Mas o que foi que eu fiz? — Mirella perguntou, confusa, tentando entender a razão do comportamento dele.
— Você estava flertando com um segurança! — Ele respondeu, a voz grave e cortante, a frustração se tornando evidente. — Se a minha mãe vê isso, terei problemas, e você também. Você deveria esperar elas irem embora para se jogar em cima dos seguranças, se é isso que você quer.
Mirella ficou em choque com as palavras dele. Não sabia se devia rir ou chorar. Ela não tinha feito nada do que ele estava acusando, mas sua reação foi agressiva e desproporcional. Ela olhou para ele com os olhos arregalados, tentando processar a situação.
— Mas eu não estava flertando com ninguém! — ela retrucou, a voz embargada pela confusão. Ela não entendia a reação dele.
Otávio a encarou com um olhar que poderia perfurar uma parede. Seus olhos estavam escuros, quase ameaçadores, como se ele estivesse tentando ler cada palavra que ela dissesse.
— Não estava? E aqueles sorrisos, Mirella? — ele disse, dando ênfase a cada palavra. O tom dele era carregado de desconfiança e possessividade. Ele parecia imune à sua explicação. — Você acha que sou cego?
Mirella tentou manter a calma, mas a raiva estava começando a ferver dentro dela. Ela não podia acreditar no que estava ouvindo. Não era justo! Ela não estava fazendo nada de errado. E no entanto, ele a tratava como se fosse culpada de um crime.
— Eu não estava sorrindo para ele, Otávio — ela insistiu, agora mais firme. — Eu sorri porque estava pensando na minha mãe. Ela amava rosas. Ela tinha um jardim lindo em casa, e quando vi aquela rosa, me lembrei dela. Só isso. Nada mais!
A tensão no ar parecia insuportável. Otávio permaneceu em silêncio por um momento, seus olhos fixos nela, como se estivesse tentando decidir se acreditava ou não nas suas palavras. Ele parecia não entender. Mirella sabia que ele tinha a mãe dele por perto, mas o vazio que sentia por não ter a sua aqui era algo que ele nunca entenderia.
— Você tem a sua mãe perto de você, Otávio, mas eu não tenho a minha aqui! — ela disse, com os olhos brilhando de emoção reprimida. — Não consigo simplesmente ignorar a saudade, a falta que ela me faz!
Nesse momento, a porta foi batida com suavidade, e uma voz respeitosa veio do outro lado.
— Sr. Otávio e Srta. Mirella, a dona Graziela e a dona Carlota estão esperando vocês para o jantar. — A voz de Alessandro parecia aliviar a pressão, mas não apagagou a tensão que ainda pairava entre os dois.
Otávio virou-se para a porta, como se a entrada de Alessandro fosse uma desculpa para sair daquela conversa desconfortável. Ele não respondeu imediatamente, e Mirella, ainda com o coração acelerado, sentiu o peso das palavras não ditas. Algo estava errado entre eles, muito mais do que ela imaginava. Mas naquele momento, ela não sabia se o que estava acontecendo entre ela e Otávio era um sinal de progresso ou um abismo prestes a engolir tudo o que ela estava tentando construir.
— Já estamos descendo — Otávio respondeu, sua voz agora mais baixa e sem emoção. Ele deu um passo para a porta, como se quisesse deixar para trás a discussão, mas não sem antes lançar um olhar frio e calculista para Mirella.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
A sala de jantar estava impecável, decorada com flores frescas e uma luz amarela quente que criava um clima sofisticado. Mirella desceu as escadas acompanhada por Otávio, ainda sentindo a tensão entre eles, mas esforçando-se para manter a compostura. A dona Carlota estava à mesa, rindo animadamente com Graziela, que parecia mais amigável do que o normal, embora Mirella soubesse que isso era apenas uma fachada.
Os pratos foram servidos rapidamente por Alessandro e Ayla. Um aroma delicioso de carnes suculentas, acompanhadas de molhos ricos e temperos aromáticos, pairava no ar. No entanto, Mirella não conseguia relaxar. A presença de Graziela a deixava desconfortável, e o silêncio gélido de Otávio a fazia sentir-se ainda mais vulnerável.
— Querida, prove esse vinho — insistiu Carlota, estendendo uma taça para Mirella. — É da nossa reserva especial. Uma tradição da família.
Mirella hesitou por um momento, mas a insistência calorosa da idosa a convenceu. Ela tomou um gole, o sabor suave e adocicado descendo facilmente pela garganta. Carlota e Graziela trocaram um olhar discreto, enquanto Otávio, sempre atento, observava a interação.
— Otávio, você também deveria experimentar — Graziela sugeriu, enchendo a taça dele com o mesmo vinho.
— Eu não costumo beber durante os jantares, mãe — respondeu ele, com um tom firme.
— Mas é um momento especial, querido! — Carlota interveio, piscando para ele. — Família reunida, você com sua bela esposa... Um brinde é obrigatório.
Relutante, ele cedeu e tomou um gole. Mirella sentiu um frio na espinha enquanto os olhares das duas mulheres pareciam fixados neles. Algo estava errado, mas ela não conseguia identificar o quê.
Enquanto o jantar prosseguia, Mirella começou a sentir uma leve tontura. Sua cabeça parecia mais pesada, e a visão ficou ligeiramente turva. Ela olhou para Otávio, que estava com uma expressão semelhante, as sobrancelhas franzidas como se lutasse para se manter alerta.
— Você está bem? — ela murmurou, tentando disfarçar.
— Estou... estranho — ele respondeu, a voz um pouco mais lenta do que o normal.
Carlota e Graziela mantinham sorrisos afáveis, mas Mirella percebeu que havia algo nos olhos delas que a deixou ainda mais desconfiada.
— Acho que não estou me sentindo muito bem — Mirella disse, levantando-se da cadeira, mas as pernas cederam, e ela precisou se segurar na mesa para não cair.
— Cuidado! — Otávio tentou se levantar também, mas o efeito do que quer que estivesse acontecendo era visível. Ele cambaleou antes de Carlota se aproximar e segurá-lo pelos ombros.
— Queridos, vocês só precisam descansar — Carlota disse, a voz gentil, mas com uma firmeza que não deixava espaço para discussão. — Alessandro, leve-os para o quarto.
— O que... vocês fizeram? — Otávio conseguiu murmurar.
— Nada demais, só estamos ajudando vocês — Disse Graziela, antes de levar eles para o quarto.
Elas trancaram a porta e deixaram os dois sozinhos.
Mirella e Otávio derrepente começaram a sentir atração um pelo outro.
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Atualizado até capítulo 89
Comments
Leonor Santana
Que porra de mafiosos é esse burro e sem nenhuma atitude diante de o uma bandida.?
2025-03-12
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New Biana2
Que família louca elas drogaram eles que coisa.
2025-01-16
0
Maria Das Graças Reis
pode apostar é ciúmes kkk
2024-11-24
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