Otávio chegou à casa de sua mãe em um estado de inquietação, o peso da conversa com Alessandro ainda martelando em sua mente. Ele imaginava que poderia ter uma noite de descanso, mas, ao perceber que Graziela não estava em casa, decidiu esperar, como se aquela fosse uma pausa na tempestade que o cercava.
Enquanto esperava, seu pensamento foi interrompido pela chegada de sua mãe, que entrou com uma expressão severa, como sempre. Ela se aproximou dele sem dizer uma palavra, mas Otávio sabia que ela estava prestes a falar. O silêncio entre eles era opressor.
— Eu achei que eu iria passar a noite aqui... só esperando você voltar. — Otávio disse, tentando desafiar a opressão do lugar.
Graziela o encarou de forma fria, um olhar calculador que ele já conhecia muito bem. Ela sempre tinha algo a dizer, algo que fazia a atmosfera pesar ainda mais.
— Se meteu em problemas? Você nunca veio me ver. — A voz de Graziela estava impregnada de uma ameaça velada, como se fosse um aviso para Otávio manter-se sob controle.
— Eu quero te fazer uma pergunta. — A resposta de Otávio foi ríspida, e ele se aproximou, com um olhar desafiador.
Graziela cruzou os braços, encarando-o com um sorriso frio. — Fala.
— Por que você comprou uma esposa pra mim? — A pergunta saiu cortante, como uma lâmina afiada. Não era só curiosidade, era uma acusação.
Graziela não se moveu, mantendo a calma. — Eu não a comprei, eu apenas dei alguns bens para o pai dela, em troca de uma das suas filhas. Mas ela assinou o contrato por vontade própria. Você deveria era me agradecer. Caso contrário, você iria morrer solteiro.
Otávio sentiu um nó na garganta. A frieza da mãe sempre o fazia se sentir como se estivesse falando com uma estranha, não com a mulher que lhe deu a vida. Ele desviou o olhar, tentando esconder sua revolta.
— Eu preferiria morrer solteiro do que casado. — A voz dele estava tensa, como se cada palavra fosse uma luta interna.
Graziela se aproximou, seu olhar fulminante. — Parado aí! Meu filho, eu não me importo se você queria estar casado ou não. A única coisa que eu quero é um neto. Aquela mulher tem três meses para engravidar, se ela não for capaz de fazer isso, ela não terá mais utilidade para mim. Eu irei matá-la!
A ameaça pairou no ar, pesada e real, como um veneno que se espalha lentamente. Otávio sabia que a mãe não estava brincando. Mas o que ele não sabia era até onde ela estaria disposta a ir para garantir o que queria. O ódio que ele sentia por ela aumentava a cada palavra. Sem dizer mais nada, ele pegou a chave do carro e saiu, ignorando a mãe, como sempre.
...☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆...
Enquanto isso, em outra parte da casa, Mirella estava no quarto com as meninas, refletindo sobre a situação em que se encontrava. Ela havia tomado uma decisão, e agora estava compartilhando com as empregadas o seu plano.
— Meninas, eu já tomei a minha decisão. Eu não quero depender do dinheiro do seu chefe. Eu quero ter o meu próprio dinheiro. — Mirella falou com um tom de determinação, mas seus olhos, por um momento, vacilaram, como se ela estivesse tentando se convencer mais do que estava tentando convencer as outras.
Ayla, sempre a mais sensível do grupo, ficou em silêncio por um tempo, absorvendo as palavras de Mirella. A reação das meninas foi mista. Luna, a mais nova, olhava para Mirella com uma expressão de preocupação, enquanto Stela parecia relutante, mas compreendia.
— Srta. Mirella, ele é o nosso chefe, mas também é o seu marido. O dinheiro dele também pertence a você. — Luna tentou acalmar Mirella, mas a insegurança em sua voz era palpável.
Mirella riu levemente, um som sem humor. — Eu não quero o dinheiro dele. O meu pai me vendeu para a dona Graziela. Eu não tive escolha. Mas eu não vou ficar aqui por muito tempo. Assim que eu conseguir juntar o dinheiro, eu vou buscar a minha mãe e as minhas irmãs. Eu não quero que elas fiquem com o meu pai.
O silêncio foi interrompido quando Ayla, chocada, perguntou: — O que? A senhorita foi vendida?
As outras meninas ficaram em choque, sem saber como reagir. A realidade da situação de Mirella parecia mais sombria a cada palavra revelada.
Mirella, com um olhar distante, respondeu — Esse casamento poderia ter sido pior, mas eu e o chefe de vocês chegamos a um acordo. — Ela suspirou, uma expressão amarga tomando conta do seu rosto. — Quando o contrato terminar, eu vou ter minha família de volta. Eu vou sair daqui.
O clima no quarto mudou. As meninas perceberam que Mirella estava lutando uma batalha silenciosa e dolorosa. Elas poderiam não entender completamente as suas razões, mas respeitavam sua decisão.
— Srta. Mirella, você pode contar com a gente sempre. — Cecília disse, com um tom de lealdade inabalável.
Mirella sorriu, embora não fosse um sorriso de felicidade. — Obrigada, meninas. Eu sei que posso contar com vocês. Mas... eu preciso de um emprego. Eu preciso juntar dinheiro. Conhecem alguém que possa me ajudar?
A conversa seguiu para a possibilidade de um trabalho, e foi então que Stela falou, hesitante: — Eu acho que sei de alguém que pode te ajudar. Mas... — ela hesitou, as palavras pareciam difíceis de engolir. — A Bia tem dois empregos. Ontem, ela mencionou que a madame Lívia estava precisando de uma garçonete.
— Não! — Gritou Ayla, interrompendo Stela.
— Não, você não pode trabalhar lá! — Disse Luna, sua voz cheia de pavor.
Mirella olhou para ela com calma. — Por que não? Eu preciso de um emprego.
Stela se afastou, com um olhar desconfortável. Ayla, então, foi mais direta: — A Bia trabalha em um bordel. Ela faz programas lá.
Mirella, embora não surpresa, ficou em silêncio por um momento. Ela já sabia disso, mas não disse nada. — Então eu posso aceitar o emprego no bordel. Eu serei apenas uma garçonete.
— Não! — Ayla e Stela falaram em uníssono, mas Mirella já tinha tomado sua decisão.
Ela respirou fundo. — Esse lugar é muito perigoso, mas eu não tenho outra escolha. Se isso for o que for preciso, eu vou fazer.
As meninas, ainda inseguras, concordaram em ajudá-la. — Amanhã, eu e a Stela vamos conversar com a Bia. Vamos ver o que podemos fazer.
Mirella agradeceu, mas sabia que o futuro estava prestes a se tornar ainda mais sombrio. O caminho estava repleto de perigos, e ela precisaria ser mais forte do que nunca.
Quando as meninas se retiraram, Luna acabou pegando no sono. Mirella, atenta, ficou ao lado dela, cobrindo-a com um cobertor. Ela sabia que, em um mundo tão cruel e incerto, a única coisa que ela podia fazer era proteger quem ainda estava ao seu lado.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 89
Comments
Leonor Santana
Caramba ela vai se meter em mais problema eu preferia que ela pedisse emprego pro próprio marido só pra testar a reação dele.
2025-03-12
0
Cristina Piveta
autora isso não vai dar certo muito perigoso
2024-12-13
1
Heloa Regina
quero ver quanto o marido dela descobrir como vase
2024-12-29
0