Quando Mirella entrou no quarto de sua mãe, o cenário foi devastador. O quarto estava silencioso, exceto pelo som do coração de Mirella batendo descontrolado, como se já soubesse o que encontraria. Ela entrou, com o peito apertado, e ao virar a esquina do corredor, viu o corpo de Helena estendido no chão, coberto de sangue.
— Mãe! — A voz de Mirella soou como um grito de agonia, ecoando pelo corredor vazio, sem resposta.
Ela correu até o corpo da mãe, os pés pisando nas manchas vermelhas que marcavam o chão. As mãos trêmulas, ao tocá-la, estavam geladas. O sangue parecia não ter fim. Mirella estava em pânico, mas tentou se controlar, colocando as mãos no peito da mãe para tentar estancar o sangue que fluía.
Emilly entrou logo atrás, com uma expressão de horror que logo se transformou em desespero.
— Emilly! — Mirella chorou, sem conseguir formar palavras.
— Mirella, o que aconteceu? — Emilly perguntou, a voz tremendo, olhando em volta, como se procurasse uma explicação que não aparecia. Ela olhou para Helena, que estava imóvel, e seus olhos se encheram de lágrimas. — Não, não é possível!
Ela pegou o telefone, ligou para os paramédicos, sua voz falha enquanto as palavras saíam sem sentido.
— Preciso de ajuda! Minha irmã está gravemente ferida, por favor! — Ela berrava para o telefone, esperando que alguém, em algum lugar, fosse capaz de mudar a realidade que estava se desenrolando diante delas.
Logo a ambulância chegou, e o tempo pareceu esticar, como se a agonia daquelas horas tivesse se arrastado por uma eternidade. Helena foi levada rapidamente para o hospital, com Emilly, Mirella e Priscila seguindo atrás, em um carro, em um silêncio total, onde cada uma se afundava em seus próprios pensamentos.
UMA HORA DEPOIS
O hospital estava repleto de pessoas, mas, para Mirella, parecia um vazio absoluto. A espera era torturante. Ela andava de um lado para o outro, a mente em colapso, as mãos suando de nervoso. Priscila estava em silêncio, seus olhos estavam vazios, como se ela já tivesse perdido a capacidade de compreender o que estava acontecendo ao redor.
Quando o médico apareceu, o coração das duas acelerou, mas, antes que pudessem perguntar, ele já as encarava, como se soubesse a dor que sentiriam ao ouvir as palavras que viriam.
— Familiares da Sra. Helena Meireles? — O médico perguntou com uma expressão grave.
Emilly foi a primeira a se levantar, mas o medo nos seus olhos era palpável.
— Aqui! Doutor, como está minha irmã? — sua voz estava cheia de angústia, mas o doutor só balançou a cabeça, sem uma palavra de consolo.
— A Sra. Helena foi muito ferida. Ela perdeu muito sangue devido ao ferimento grave perto do coração. Além disso, encontramos hematomas por todo o corpo e sinais claros de enforcamento. — O médico disse com um tom de pesar.
Mirella deu um passo para trás, seu corpo instintivamente se encolhendo, como se a dor fosse física e não emocional. Ela não conseguia processar as palavras do médico. Priscila, ao seu lado, parecia ter sido golpeada com a mesma força, e seu rosto ficou branco como o de uma pessoa que tinha visto um fantasma.
— Não é possível! A mãe... nossa mãe não poderia estar assim! — Priscila gritou, mas as palavras não saíram com a intensidade que ela desejava. Era como se a realidade estivesse se distorcendo em volta dela.
Emilly não teve forças para responder. Ela ficou paralisada, sua mente lutando para assimilar o que estava ouvindo, mas tudo o que ela conseguia sentir era um desespero irreconhecível.
— Ela está... está em coma? — Mirella perguntou, sua voz um sussurro, como se fosse se quebrar a qualquer momento.
O médico assentiu, e as palavras vieram como uma lâmina afiada cortando o que ainda restava de forças nela.
— Sim, a Sra. Helena está em coma induzido. Os próximos dias serão cruciais, mas é uma luta difícil. Ela tem um longo caminho pela frente, e temos que esperar para ver como ela reagirá.
Mirella sentiu um nó se formar em sua garganta. O grito que ela tentou reprimir finalmente explodiu.
— Não! Mãe, não! — ela gritou, suas lágrimas queimando seu rosto.
O som de Emilly chorando, a dor de Priscila soluçando ao seu lado, tudo se misturava em um turbilhão que parecia não ter fim. Mirella queria desaparecer, queria voltar no tempo, salvar a mãe antes que fosse tarde demais, mas sabia que nada do que fizesse agora mudaria o que já havia acontecido.
ALGUNS MINUTOS DEPOIS
A sala estava pesada, e o silêncio dominava. Emilly estava sentada com a cabeça entre as mãos, tentando manter a compostura, mas a dor que sentia por sua irmã estava transbordando. Mirella e Priscila tentavam se acalmar, mas a verdade era que nenhuma delas conseguiria lidar com o que estava acontecendo. Era uma dor insuportável, como se o chão sob seus pés tivesse sumido.
Foi quando o telefone de Mirella tocou, quebrando o silêncio. Ela olhou a tela. Era Pedro, seu noivo. Ela hesitou, mas atendeu.
— Oi, minha princesa! — Pedro falou do outro lado da linha, mas Mirella mal conseguia escutar sua voz, seus olhos fixos no vazio à sua frente.
— Oi... tudo bem com você? — Ela tentou disfarçar, mas a voz estava quebrada, fraca.
— Sim, tudo bem. Eu só liguei para dizer que não vou voltar para casa hoje. Tenho muita coisa para resolver no trabalho. — Pedro disse, sem perceber a angústia no tom de Mirella.
Ela olhou para o celular e viu que ele havia desligado sem mais palavras. Ela não conseguia mais entender nada. Sua vida estava desmoronando ao seu redor, e ele não tinha sequer notado.
— Ele desligou na minha cara... — Mirella sussurrou, sentindo a sensação de abandono.
Priscila estava ao seu lado e tentou acalmá-la, mas nada parecia ajudar. Mirella queria gritar, queria quebrar tudo ao seu redor, mas se segurava, pensando na mãe, na dor que ela sentia. Ela queria ser forte, mas a cada segundo sentia que estava se afundando mais e mais.
Priscila a abraçou, mas nada poderia trazer alívio para aquela dor.
Mirella se permitiu chorar, sem forças para mais nada, a dor tomando conta de seu corpo e alma. Não havia consolo para o vazio que havia se instalado em seu peito.
AO AMANHECER
A noite passou lentamente. Mirella e Priscila estavam no hospital, aguardando mais notícias. O tempo parecia ter congelado, esticando as horas em um tormento sem fim. Elas estavam fisicamente exaustas, mas mentalmente ainda não conseguiam descansar. A mente de Mirella estava em um turbilhão de pensamentos sombrios e devastadores.
Quando o médico apareceu novamente, as duas se levantaram, esperando por qualquer notícia, mesmo que fosse a mais mínima.
— Familiares da Sra. Helena Meireles?
Emilly se levantou primeiro, os olhos vermelhos de tanto chorar.
— Aqui, doutor. Como está minha irmã? — sua voz estava rouca, mas ainda havia uma pitada de esperança em suas palavras.
O médico olhou para elas, e sua expressão era de quem trazia apenas más notícias.
— Não há muitas mudanças no quadro dela. Estamos aguardando uma reação, mas... a situação é muito grave... Ela pode falecer a alquer momento...
O golpe foi tão forte que Priscila quase desmaiou, e Mirella, com os olhos cegos de lágrimas, não conseguiu mais segurar a dor.
A cena se arrastou em um silêncio profundo.
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Atualizado até capítulo 89
Comments
LiLi
VAMOS VER NO DECORRER DA HISTÓRIA,. MAÍS É MUITO TRISTE O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM ESSA FAMÍLIA 😔😔😔😔😔😔😡😡😡😡😡
2025-01-27
1
Rosa Guimaraes Pantoja
que porra de filhas são essas que viram a mãe sendo espancada e não tomaram providências eu em que história mas sem noção agora ficam chorando no hospital preguiça de ler essas histórias todas os mesmos conteúdo
2024-12-28
1
Cristina Piveta
nossa que tristeza sem fim
2024-12-13
2