Priscila estava deitada em seu quarto, tentando acalmar a mente, quando ouviu batidas na porta.
— Quem é? — perguntou, com a voz baixa.
— O seu pai — respondeu Jackson do outro lado.
— A porta está aberta.
Jackson entrou e fechou a porta atrás de si. Seu semblante era sério, como sempre, mas havia algo de mais cruel em seus olhos. Ele se sentou na poltrona próxima à cama, segurando o bilhete que Priscila havia deixado.
— Eu vim assim que recebi o seu recado — disse, apontando para o papel. — Espero que tenha tomado a decisão certa.
Priscila respirou fundo, tentando conter as lágrimas.
— Pensei muito. Eu vou assinar o contrato, mas você tem que prometer que minha mãe ficará bem.
Jackson sorriu levemente, satisfeito com a submissão da filha. Ele pegou o celular e fez uma ligação diante dela.
— Dr. Murillo, quero que faça algo para mim.
— Estou à sua disposição, senhor.
— Vá ao hospital onde minha esposa está e a salve. Se falhar, pode dar adeus à sua família.
— Não se preocupe. Vou fazer o possível e o impossível.
Jackson desligou o telefone e encarou a filha.
— A minha parte está feita. Agora, é sua vez de cumprir o combinado.
Priscila engoliu em seco, pegou a caneta e posicionou o contrato sobre a mesa. Suas mãos tremiam enquanto ela se preparava para assinar. Mas, antes que pudesse concluir o ato, a porta do quarto se abriu abruptamente.
— O que você está fazendo? — perguntou Mirella, entrando apressada com Sofia logo atrás.
Priscila congelou.
— Mi, eu vou assinar o contrato de casamento.
— O quê? Você disse que não queria se casar!
— Eu não quero. Mas, se eu fizer isso, a mãe ficará bem. O pai já mandou alguém cuidar dela.
— Mas...
— Não tem mais "mas", Mirella. Já decidi.
Priscila reabriu a caneta, mas antes de assinar, Mirella pegou o objeto de sua mão e arrancou o contrato da mesa.
— Pai, você só vai salvar a mãe se sua filha assinar esse contrato?
— Sim. Minha parte já foi feita. Agora, ela deve cumprir a dela — respondeu Jackson, sem o menor remorso.
Mirella ficou em silêncio por alguns segundos, seus olhos fixos no pai, cheios de decepção.
— Eu vou assinar o contrato. Vou me casar no lugar da minha irmã.
O quarto ficou em completo silêncio.
— O quê? — Todos falaram ao mesmo tempo, chocados com a declaração de Mirella.
— Mirella, você está noiva! — protestou Priscila. — Não pode desistir do seu casamento por minha causa.
— Não estou mais noiva — respondeu Mirella, com um tom vazio.
— Como assim? Você e Pedro estão noivos há mais de um ano!
— Ela terminou com o Pedro — disse Sofia, tirando o celular do bolso e mostrando um vídeo a Priscila e Jackson.
No vídeo, Pedro estava aos beijos com outra mulher, falando de forma desprezível sobre Mirella e como ele apenas queria acesso ao dinheiro de Jackson.
Priscila sentou-se na cama, incrédula. Jackson ficou pálido.
— Pai, o Pedro só queria o seu dinheiro. Ele planejava te roubar.
Jackson levantou-se, enraivecido.
— Vou matar aquele desgraçado. Como ele pôde me enganar assim?
— Depois você resolve isso, pai. Vamos resolver uma coisa de cada vez. O contrato de casamento é tão importante assim para o senhor?
— Claro que é! — respondeu ele, sem hesitar.
— Então, eu vou assinar — Mirella disse, segurando a caneta com firmeza. — Não precisa forçar minha irmã. Faço isso por vontade própria.
— Não! Mirella, você não pode! — Priscila chorava, desesperada.
— Ei, calma. Não se preocupe comigo. Pense pelo lado bom, não estou mais noiva de um homem que brincou com meus sentimentos. Prometa que ficará feliz.
— Eu...
— Promete que vai ficar bem? Por mim...
— Prometo — respondeu Priscila, em lágrimas.
Mirella assinou o contrato e entregou ao pai, que o pegou com um olhar frio e distante.
— Pai — começou Mirella, encarando-o. — Espero que nunca se esqueça deste dia. Hoje, você ignorou a dor das suas filhas, negligenciou sua esposa, nos tratou como moedas de troca. A partir de hoje, não sou mais sua filha.
Jackson tentou falar algo, mas Mirella o cortou:
— Guarde o contrato. Ele vale mais para o senhor do que qualquer uma de nós.
Mirella saiu, deixando-o sozinho no quarto.
No corredor, ao fechar a porta de seu próprio quarto, ela desabou. Seu choro ecoava pela casa, um grito de dor e desespero que partia o coração de quem o ouvia.
No jardim, Sofia impediu que Priscila fosse ao encontro dela.
— Deixe Mirella sozinha. Ela precisa desse tempo. Se você quer vê-la feliz, não deixe que ela perceba o quanto está sofrendo.
O silêncio foi quebrado pelo toque do celular de Priscila. Sofia atendeu.
— Alô?
— Aqui é do hospital. Avise Priscila que Helena está fora de perigo. Um médico chegou de última hora e conseguiu reverter o coma.
Sofia desligou e deu a notícia a Priscila.
— Sua mãe está bem!
Priscila chorou de alívio, mas sua felicidade estava incompleta. Ela olhou para cima, desejando que, um dia, Mirella pudesse recuperar o sorriso perdido naquele dia sombrio.
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Atualizado até capítulo 89
Comments
Quitéria Santos
autora que loucura como pode tô passada como é possível que homem é esse
2024-12-08
0
Cristina Piveta
meu Deus que pai é esse escroto
2024-12-13
1
Ruthlene Rodrigues
Eu estou gostando, gostaria mais ainda, se tivesse foto, o história é ótima, parabéns autora.
2025-02-03
1