Mirella passou sua lua de mel sozinha. A luxuosa suíte do resort de luxo, o cenário perfeito para um casal apaixonado, era uma prisão dourada para ela. Ela desfrutava das comodidades que o dinheiro de Otávio proporcionava, refeições requintadas, roupas de marca, uma vista deslumbrante do mar azul e cristalino. Mas nada disso a preenchia. Ela sentia um vazio imenso, como se estivesse num lugar onde o tempo parou, mas sua alma estivesse em constante agonia. Ela desejava companhia, uma conversa que não fosse com os empregados do hotel ou com os próprios pensamentos que, a cada dia, pareciam mais pesados e sombrios.
Otávio a deixara sozinha logo após a cerimônia. Ele sequer a buscou pessoalmente. Em vez disso, mandou seu subordinado, Alessandro, buscá-la e trazer de volta à mansão. Um sinal claro de que o casamento deles, longe de ser uma união, não passava de uma farsa. Mirella tentava se convencer de que não se importava, de que não estava esperando algo mais, mas o vazio em seu peito dizia o contrário.
Quando finalmente retornou à mansão, foi recebida com carinho e acolhimento pelas empregadas. Luna, sempre tão gentil, a abraçou com afeto. —Eu senti sua falta, Srta. Mirella, —disse ela, com um sorriso genuíno. Para Mirella, aquela frase foi um pequeno consolo em meio à dor que ela sentia. Ela ainda não compreendia o porquê de estar tão magoada com o comportamento de Otávio. Mas a verdade é que ela sentia que ele não a via. Ele não a via como esposa, como mulher, como ser humano. Para ele, ela era apenas mais uma peça no jogo que ele estava jogando.
Ayla, por sua vez, perguntou com certo tom de preocupação: —Por que eu não estou vendo o patrão? Vocês dois ficaram quinze dias fora.—Mirella engoliu em seco. Ela olhou para Ayla com os olhos cheios de tristeza, mas não teve forças para dizer a verdade. Ela não sabia onde Otávio estava. Ela queria dizer algo, queria explicar o que estava acontecendo dentro dela, mas as palavras simplesmente não vinham.
—Eu... não sei onde ele está—respondeu, tentando esconder a dor. Ela se sentou à mesa, tentando se distrair, mas as palavras de Ayla ainda ecoavam em sua mente. Ele tinha sumido, mas ela sabia que, em algum lugar, ele estava distante, talvez até mais distante do que ela poderia imaginar.
Quando Cecília trouxe a comida, Mirella não teve coragem de escolher o que queria. Ao invés disso, disse—Cecília, escolha você. Quero ver se temos gostos parecidos.—
Ela mal tocou na comida, mexendo com a colher no prato, sem realmente comer. Bia, que havia visto a tristeza de Mirella, perguntou com mais delicadeza —Como foi sua lua de mel, Srta.?” Mirella olhou para ela, e por um momento, o vazio dentro dela parecia consumir qualquer outra coisa que pudesse sentir. Ela respirou fundo, tentando se recompor. —Eu acho que a Srta. Mirella não passou a sua lua de mel com o patrão— comentou Bia com uma expressão triste, tentando perceber o que realmente acontecia.
—Ele me deixou assim que a cerimônia acabou... Ele saiu. Eu não sei onde ele foi...—disse Mirella, a voz quase inaudível, mas cheia de dor. As palavras saíram como um sussurro, e, no fundo, ela sabia que aquelas palavras significavam mais do que uma simples explicação sobre a ausência de Otávio. Elas eram um reflexo de um casamento cheio de obstáculos, mostrando para Mirella que o casamento dela não trará felicidades, ela sentirá mais dor e tristezas. O casamento deles era uma mentira, uma farsa do começo ao fim.
—Você está me dizendo que ele saiu logo após o casamento? Mas... onde ele está agora?”, Ayla perguntou, visivelmente desconcertada. Mirella balançou a cabeça, sem saber o que responder.
—Agora ele está no escritório— respondeu Yasmim.
— No escritório?
— Sim, Stela. Quando eu fui limpar o escritório, ele estava trabalhando mais o Alessandro.
—Meninas, estou cansada. Vou tomar um banho de banheira e dormir um pouco. Depois, a gente conversa mais sobre isso— disse Mirella, tentando fugir das perguntas, dos olhares curiosos, de tudo o que a fazia se sentir ainda mais sozinha. Ela subiu para o quarto e fechou a porta atrás de si. Ao entrar, notou que suas coisas haviam sido retiradas. O quarto estava vazio, exceto pela mobília que permanecia ali. —Meninas, venham aqui!—ela gritou, a voz um pouco mais alta, desesperada. Luna e Ayla correram até ela.
—Estamos aqui, Srta.— Ayla olhou para Mirella com olhos cheios de preocupação, e Luna não conseguiu esconder as lágrimas que começavam a se formar em seus olhos. Mirella olhou ao redor e perguntou: —Onde estão as minhas coisas? Por que elas não estão aqui?
—Srta., a dona Graziela ordenou que colocássemos suas coisas no quarto do patrão— disse Ayla, visivelmente desconfortável com a situação.
Mirella sentiu um golpe no peito. O que isso significava? Por que a dona Graziela estava fazendo aquilo? O que ela estava tentando provocar? Ela não aguentava mais ser tratada como uma simples peça nas mãos de todos. —Tragam minhas coisas de volta! Eu quero ficar neste quarto, e é aqui que eu vou ficar!— ordenou, tentando manter a calma, mas seu coração estava em frangalhos.
—Sim, senhorita— respondeu Luna, e as meninas saíram apressadas para retirar suas coisas do quarto de Otávio e reorganizá-las no quarto de hóspedes. Mirella, sentada na cama, fechou os olhos por um momento. A solidão apertava em seu peito, mas ela sabia que precisava se manter firme. Ela não sabia como, mas prometeu a si mesma que não seria mais uma peça no jogo de poder que estava sendo jogado ali.
Quando as meninas voltaram, Luna estava com uma expressão que Mirella não conseguiu decifrar. —O que aconteceu, Luna?— ela perguntou, preocupada.
—Srta., eu não quero que você vá embora. Você foi a única pessoa que teve um pouco de consideração por nós. Nós não queremos ver você indo embora daqui... se as coisas continuarem assim, você vai sair rápido, com o patrão tão distante. Você e ele parecem mais desconhecidos do que um casal— disse Luna, a voz quebrando de emoção. As lágrimas finalmente caíram dos olhos dela.
Mirella abraçou Luna com força. —Eu não vou embora, Luna. Eu prometo. Se algum dia eu tiver que ir, vocês vão comigo. Eu juro, eu não as deixarei para trás— disse, a voz firme, mas cheia de dor. Ela não sabia como iria lutar contra o destino, mas ela sabia que não estava sozinha.
Enquanto isso, no escritório, Otávio estava focado em conversas sobre negócios, como sempre. Alessandro entrou e, após uma breve troca de palavras, Otávio fez uma pergunta que estava em sua mente há dias. —Você já descobriu quem é o X9 entre nós?— perguntou, com o tom de quem já sabia que a traição estava mais perto do que ele gostaria de admitir.
—Não, senhor. Mas é alguém muito próximo. Pode ser um dos nossos irmãos... ou alguém que trabalha na mansão— respondeu Alessandro, com uma leve tensão na voz.
— Eu espero que não seja nenhum dos nossos irmãos. Se for, não terei piedade. Quanto a esse assunto, vamos ser cuidadosos. Não podemos dar mais passos em falso —Otávio respondeu, com um olhar ameaçador.
Mas algo na conversa chamou sua atenção. —Peça para as criadas trazerem as minhas coisas. Eu não quero mais dormir naquele quarto.
—Mas, senhor, a senhorita não está mais no seu quarto... Ela ordenou que as criadas colocassem as coisas dela no quarto de hóspedes.
Otávio sentiu uma mistura de raiva e confusão. —Qual é o verdadeiro objetivo dela aqui? Ela assinou o contrato sem hesitar, não aceitou a proposta da minha mãe... não está interessada no meu dinheiro, nunca quis se casar comigo. O que ela quer, realmente?— questionou, com um olhar penetrante.
— Ela não está aqui por vontade própria, Sr. Daniel informou que ela foi vendida para sua mãe pela própria família— Alessandro revelou, e as palavras caíram como uma bomba.
Otávio ficou em silêncio por um longo momento, absorvendo a informação. Ele sabia que estava lidando com algo muito maior do que imaginava. E, naquele momento, a raiva deu lugar a algo ainda mais intenso, a vontade de descobrir toda a verdade.
Sem perder mais tempo, Otávio pegou a chave do carro e partiu para a mansão de sua mãe. O jogo, finalmente, estava começando.
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Atualizado até capítulo 89
Comments
Leonor Santana
Estou amando a história só quero descobrir quando ele se internar da situação em que ela foi exposta qual será atitude dele.
2025-03-12
0
Geni Santos
pq ela não liga pra irmã pra saber da mãe
2024-12-13
1
Cristina Piveta
autora são tantas perguntas mas bora lá let
2024-12-13
4