Mirella terminou de guardar o uniforme no armário e desceu para tomar café da manhã. A casa estava em silêncio, exceto pelos ruídos ocasionais de passos ou portas se fechando. Ao entrar na cozinha, encontrou Luna organizando alguns itens sobre a bancada.
— Vocês não vão comer comigo? — perguntou enquanto se sentava à mesa e pegava um pedaço de pão.
— Já tomamos café, senhorita — respondeu Luna com um sorriso gentil. — Só você e a Cecília ainda não comeram.
— Ah, tá. — Mirella começou a comer em silêncio, sentindo o aroma fresco do café misturado com o leve cheiro de flores que vinha do jardim.
Ela terminou sua refeição rapidamente e olhou ao redor, sentindo-se inquieta. Embora soubesse que não precisavam de ajuda, decidiu dar uma mão às meninas na limpeza da casa. Afinal, queria se sentir útil.
— Vou ajudar vocês! — perguntou a Luna, que riu de leve.
— Não precisa, senhorita...
— Insisto.
Relutante, Luna concordou e dividiu as tarefas. Cada uma ficou com uma parte da casa, Luna cuidava do jardim, Stela limpava os quartos, Ayla estava lavando o banheiro, Cecília limpava o grande salão, e Mirella assumiu a cozinha.
Mirella estava concentrada lavando a louça quando, de repente, sentiu algo estranho na pia. A água começou a jorrar de forma descontrolada, como se um cano tivesse estourado. Em questão de segundos, a cozinha virou uma bagunça completa, com água esguichando por todos os lados.
— Ah, não! O que é isso?! — exclamou, pegando o primeiro pano de prato que encontrou para tentar conter o vazamento.
A água, porém, parecia ter vontade própria, escapando por todos os cantos. Mirella já estava completamente encharcada quando decidiu inclinar o corpo para tentar alcançar a válvula debaixo da pia.
No escritório, localizado a alguns cômodos de distância, Otávio, Alessandro e Daniel discutiam sobre assuntos da mansão.
— Que barulho é esse? — perguntou Alessandro, franzindo a testa ao ouvir o som da água correndo e algo que parecia um grito abafado.
Otávio levantou os olhos dos papéis que analisava e se inclinou ligeiramente na cadeira.
— Não faço ideia.
— Talvez seja algo na cozinha — sugeriu Daniel.
Otávio fechou o arquivo em suas mãos, já visivelmente irritado.
— Fiquem aqui. Vou ver o que está acontecendo.
Ele saiu do escritório com passos firmes, movido mais pela curiosidade do que por preocupação. Ao chegar ao corredor que levava à cozinha, parou ao ouvir o som de água jorrando ainda mais forte. Quando alcançou a porta, foi recebido por uma visão que o fez arquear uma sobrancelha, Mirella, molhada da cabeça aos pés, lutava contra o vazamento como se estivesse em uma batalha épica.
Otávio cruzou os braços, encostando-se ao batente da porta. Ele a observou por alguns segundos, um sorriso irônico aparecendo em seus lábios.
— Que idiota. Por que ela não mandou chamar um encanador? — murmurou para si mesmo.
Mirella continuava tentando conter a água, mas a situação apenas piorava. Quando ela tentou ajustar a torneira, acabou escorregando, embora tivesse conseguido se equilibrar antes de cair no chão.
Otávio soltou uma risada baixa, mas antes que pudesse agir, Alessandro apareceu no corredor.
— Senhor, está tudo bem?
Otávio virou-se bruscamente, o rosto endurecido.
— Volte para o escritório.
— Mas...
— Agora! — A voz de Otávio era tão fria e autoritária que Alessandro recuou sem protestar.
Depois de garantir que estavam sozinhos, Otávio tirou o casaco e entrou na cozinha. Mirella ainda não tinha percebido sua presença. Ele caminhou até ela em silêncio, e antes que ela pudesse reagir, lançou o casaco sobre sua cabeça, cobrindo-a completamente.
— Não se mexa. — A voz dele era grave, e Mirella ficou paralisada ao ouvi-lo tão próximo. — Ou quer ver o meu rosto?
Confusa, ela obedeceu, sem entender o motivo daquela atitude.
Antes que pudesse perguntar ou protestar, sentiu os braços dele a levantarem do chão com facilidade. Otávio a carregou em silêncio, passando pelos corredores sem se importar com a água que escorria pelo corpo dela e encharcava o chão.
Ao chegarem ao quarto, ele a colocou na cama com um movimento firme e a encarou com uma expressão de irritação.
— Como você consegue ser tão idiota assim? — perguntou, cruzando os braços.
— Eu não sabia que ia me molhar! — Mirella rebateu, a voz cheia de indignação.
— E achou que um pano resolveria? — Ele inclinou a cabeça, como se estivesse analisando sua resposta. — Você é burra ou o quê?
— Eu estava tentando ajudar!
— Ajudar? — Ele soltou uma risada sarcástica. — Você só criou mais problemas.
Mirella sentiu o rosto corar de raiva, mas antes que pudesse responder, Otávio saiu do quarto, batendo a porta com força. Ela ficou ali, sozinha, ainda confusa com o que acabou de acontecer.
Ao tirar o casaco da cabeça, olhou para o espelho do quarto e arregalou os olhos. Sua roupa, completamente molhada, estava transparente, deixando sua lingerie branca à mostra, junto com todos os detalhes de seu corpo.
— Ah, não! — gritou, cobrindo o rosto de vergonha.
O grito ecoou pela mansão, e em questão de segundos as meninas invadiram o quarto.
— O que aconteceu? — perguntou Stela, a primeira a entrar.
— Você está bem? — Ayla se aproximou, preocupada.
Mirella, ainda coberta de vergonha, apontou para si mesma sem dizer nada. As meninas olharam para ela e entenderam imediatamente.
— Ah, não é tão grave, senhorita — disse Cecília, tentando conter o riso.
— Não é grave? Eu estou quase nua!
As meninas trocaram olhares e começaram a rir, mas Mirella não achou graça.
— Otávio... ele me viu assim! Ele me cobriu com o casaco, me carregou e depois me chamou de idiota.
O quarto caiu em silêncio por um momento.
— Estranho — murmurou Ayla. — Ele nunca faz isso.
— Nunca faz o quê? — Mirella perguntou.
— Ele nunca se importou com ninguém antes, muito menos a ponto de cobrir alguém ou carregá-la até o quarto — explicou Stela.
— Não precisa se preocupar, senhorita. Ele provavelmente já esqueceu tudo — disse Cecília, tentando tranquilizá-la.
— Será? — Mirella não parecia convencida.
Antes que pudesse pensar mais no assunto, Bia entrou no quarto.
— Senhorita, você esqueceu que tem um compromisso com Madame Lívia?
Mirella olhou para o relógio e se desesperou ao ver que já estava atrasada. Ela correu para o banheiro, ainda tentando afastar os pensamentos sobre Otávio.
Enquanto se preparava, uma pergunta continuava ecoando em sua mente, quem era Otávio, afinal? E por que ele sempre parecia esconder seu rosto dela?
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Atualizado até capítulo 89
Comments
Leonor Santana
Tô ficando preocupada com a situação dela nesse trabalho pois vai enfrentar o inferno .
2025-03-12
0
Sonia Bezerra
Td bem que precisa de dinheiro,mais trabalhar no cabaré é demais.
2025-01-25
0
@Persefone
eita, será ciúmes? nem deixou o Alessandro olhar 😳
2024-12-15
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