Mirella terminou seu banho, sentindo um monte de sanções estranhas, alívio, inquietação, angústia e um pouquinho de medo. A água quente alivia a tensão do corpo, mas não o peso das dúvidas e do medo do desconhecido. Ela se vestiu com roupas simples que encontrou no armário e decidiu explorar a mansão. O silêncio dos corredores era opressor, e as sombras que dançavam na luz fraca das luminárias pareciam esconder segredos. Havia algo de assustador na forma como os ruídos da casa ecoavam, como se as paredes guardassem lembranças sombrias.
Enquanto caminhava, ouviu vozes abafadas vindas de uma das extremidades da casa. Aproximou-se devagar, seus passos leves contra o piso de mármore. Deparou-se com Alessandro em uma conversa séria com outro segurança. A postura rígida e o tom baixo indicavam que era algo importante. Mirella sentiu o coração acelerar. Seu instinto alertava que não deveria ser vista ali. Voltou pelo corredor e seguiu para a cozinha, onde luzes estavam acesas e o som de talheres quebrava o silêncio.
Ao entrar, encontrou as criadas sentadas ao redor da mesa, compartilhando uma refeição simples. Assim que a viram, todas se levantaram apressadas, baixando os olhares. O nervosismo delas era evidente.
— Srta., precisa de algo? — perguntou uma delas, hesitante.
Mirella ergueu as mãos, tentando acalmá-las.
— Não, eu só estava andando por aí. Podem continuar.
— Não podemos comer na presença dos patrões — disse uma criada, ainda com os olhos fixos no chão.
Mirella arqueou as sobrancelhas, surpresa com a submissão.
— Não precisam me tratar assim. Sentem-se e comam.
As mulheres hesitaram, trocando olhares incertos.
— É uma ordem — Mirella insistiu, com um sorriso gentil.
Relutantes, elas obedeceram, mas o ambiente continuava tenso. Mirella se sentou com elas, pegou um prato e começou a se servir. O silêncio era quase tangível, até que Ayla, a mais corajosa, resolveu quebrá-lo.
— Srta., por que não foi jantar com o patrão no salão principal?
A pergunta fez Mirella rir brevemente, tentando aliviar a tensão.
— Quando vi aquele poste do Alessandro por lá, achei melhor vir para cá.
As criadas trocaram olhares confusos.
— Poste? — Ayla perguntou, franzindo a testa.
— Sim, ele estava parado como uma estátua, parecia mais um móvel.
As mulheres riram baixinho, mas Mirella percebeu que havia algo mais por trás da formalidade exagerada delas.
— Posso perguntar algo para vocês? — Mirella arriscou.
— Claro, srta. — responderam em uníssono.
Mirella inclinou-se, curiosa.
— O chefe de vocês é... muito ruim?
O clima mudou instantaneamente. As criadas trocaram olhares nervosos. Ayla respondeu com um sussurro.
— Ele não é ruim conosco. Mas é um homem... perigoso.
— Perigoso como? — Mirella insistiu, sentindo um calafrio.
— Ele não tem paciência. Quando está furioso, quebra tudo ao redor. Nunca nos machucou, mas aprendemos a sair de perto — explicou Luna.
Mirella hesitou, mas perguntou:
— E ele já teve outras mulheres?
As criadas se entreolharam, como se compartilhassem um segredo proibido. Foi Stela quem respondeu, a voz cheia de cautela:
— Sim. Mas nenhuma ficou por muito tempo.
— Por quê? — Mirella perguntou, sentindo um nó se formar em sua garganta.
Ayla respirou fundo antes de responder:
— As esposas... não sobreviveram. A primeira se jogou do último andar da mansão. — Ela fez uma pausa, como se precisasse de coragem para continuar. — Dizem que ela gritava por socorro, mas ninguém veio ajudá-la. Suas mãos estavam machucadas, como se tivesse lutado para abrir uma janela trancada.
— E a segunda? — Mirella perguntou, horrorizada.
— Ela se matou durante um jantar. Pegou um revólver escondido e atirou na própria cabeça. Dizem que, antes disso, ficou dias sem falar nada, como se algo estivesse consumindo sua alma — explicou Luna, os olhos cheios de medo.
Mirella sentiu um frio percorrer sua espinha.
— E as noivas?
Luna abaixou a voz, quase um murmúrio.
— Elas foram assassinadas. Há rumores de que seus corpos foram desmembrados. Algumas partes foram encontradas enterradas no jardim, outras... dentro das paredes. O cheiro... levou semanas para desaparecer.
— Isso é real? — Mirella perguntou, tentando controlar o pânico.
— É o que dizem. Mas ninguém ousa questionar. Quem investiga desaparece — disse Ayla, com os olhos arregalados.
O silêncio caiu novamente, pesado e sufocante. Mirella estava prestes a perguntar mais, mas Ayla sussurrou, como se temesse que alguém pudesse ouvir:
— Dizem que o patrão carrega uma maldição. Todas as mulheres que entram na vida dele estão condenadas.
Antes que Mirella pudesse processar aquelas palavras, a porta da cozinha foi aberta com força. Alessandro entrou, a expressão severa. Sua presença era quase sufocante.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou, a voz fria e autoritária.
As criadas ficaram paralisadas, algumas tremendo visivelmente. Mirella, no entanto, manteve a postura.
— Apenas conversando. Não sabia que isso era proibido.
— O patrão não gosta de empregados tagarelando — disse Alessandro, o olhar ameaçador. — É melhor a senhorita voltar para o quarto.
— E você acha que pode me dar ordens? — Mirella respondeu, cruzando os braços.
Ele hesitou, mas o olhar que lançou foi suficiente para silenciar as criadas. Alessandro se retirou, deixando um peso no ar.
Mirella olhou para as mulheres.
— Vocês não precisam ter medo dele.
Stela respirou fundo, mas ainda parecia aterrorizada.
— Srta., por favor, tenha cuidado. Aqui, até o silêncio esconde segredos.
Quando Mirella finalmente voltou ao seu quarto, sentiu-se tomada por uma mistura de medo e determinação. A mansão parecia viva, e cada canto parecia sussurrar segredos obscuros. Ela sabia que não podia confiar em ninguém.
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Atualizado até capítulo 89
Comments
Leonor Santana
Isso é uma mansão ou uma masmorra?
2025-03-12
0
Antonia Valdelene Nascimento Almeida
autorae o pai delas ? tem que dar uma boa lição nele vamos combinar ele merece.
2024-12-20
2
Cristina Piveta
que lugar é esse meu Deus
2024-12-13
1