Eu não entendo o porque Renato teria um lugar assim. Isso aqui deve sobreviver a uma guerra nuclear, ou sei lá mais ao que. Eu digo.
- Se você que trabalha para ele não sabe. Imagina eu? Que nem sabia sobre essa casa.
Eu fico olhando séria para ela.
- Laura o que aconteceu entre nós...
- Vou preparar o café. Ela diz me interrompendo e rapidamente sobe as escadas.
Continuo no banquer olhando todo o sistema que tem ali. Laura está na cozinha, despreocupada, cantando alto, enquanto o som do rádio toca uma música que pela sua alegria acredito que seja a sua favorita. Ela se diverte enquanto prepara o café da manhã.
Aperto um botão e percebo que tem as imagens mudam para dentro da casa. Laura está na cozinha dançando e cantando com toda empolgação. Era divertido observa - la.
O aroma do café fresco se espalha e desce as escadas até chegar ao bunker, misturando se com o cheiro amadeirado do lugar, trazendo uma sensação momentânea de conforto, assistindo a tudo pelo sistema de câmeras de segurança. As telas brilham na penumbra, mostrando cada canto da casa.
Uma luz e uma mensagem pisca incessantemente me avisando que algo está acontecendo. Aperto novamente o botão e as imagens retornam para a área externa. Logo ouço o som inconfundível das hélices de um helicóptero cortando o ar.
Minha atenção se volta imediatamente para uma das telas que mostra a clareira em frente à casa. Vejo o helicóptero de Renato pousando, sua silhueta escura e se destacando contra o céu claro da manhã.Talvez Renato também tenha vindo se abrigar aqui.
Mas por um momento percebo que não é isso. Homens armados e encapuzados começam a descer da aeronave, movendo-se rapidamente em direção à casa. Meu coração acelera, o instinto de proteção tomando conta de mim.
- Merda!.Murmuro, já correndo para sair do bunker.
Pego a minha arma agindo rapidamente, então subo as escadas correndo e passo pela porta que dá acesso a casa. Corro até a porta de entrada e a tranco, na tentativa de segura - lo lá fora por mais tempo. Fecho todas as cortinas. Enquanto Laura permanece desapercebida cantando alto com a música.
Sigo o caminho que leva à cozinha, e Laura permanece alheia a tudo, dançando e cantando enquanto mexe em algo na frigideira. A música alta preenche o espaço, abafando o som da minha voz enquanto tento chamá-la.
- Laura! Grito, mas ela não me ouve. A batida da música domina o ambiente, e seu riso despreocupado é uma faca no meu peito.
Preciso alcançá-la antes que os homens lá fora invadam a casa. Cada segundo que passa é uma corrida contra o tempo. Dou um passo para dentro da cozinha e a vejo girando graciosamente, segurando uma espátula, totalmente perdida em sua própria bolha de felicidade.
- Laura! Tento novamente, mais alto, mas ela ainda está alheia a tudo. Meu grito é afogado pelo som da música e do café borbulhando na cafeteira.
De repente, ouço o som de passos rápidos do lado de fora, perto da porta da cozinha. Eles estão aqui.
Sem pensar, avanço para Laura, agarrando seu braço com força. Ela se sobressalta, derrubando a espátula no chão, os olhos arregalados em surpresa e confusão.
- Davi, para que isso? Ela pergunta. Mas logo percebe que não estamos mais sozinhos e a real gravidade da situação. Mas não temos tempo para explicações.
- Não há tempo, precisamos sair daqui agora! Arrasto-a, mas antes que possamos dar mais de dois passos, a porta da cozinha é arrombada com um estrondo. O barulho ecoa pela casa e, no instante seguinte, os homens armados entram, as armas apontadas para nós.
Puxo Laura para trás da bancada, usando o pouco tempo que temos para tira - la da linha de tiro. O primeiro disparo atravessa o ar, atingindo o lugar onde estavamos segundos atrás. O som é ensurdecedor, mas minha mente está em alta rotação, focada em mantê-la segura.
- Tome isso! Digo, tirando uma arma da minha cintura e disparando contra os invasores. Seus olhos se arregalam.
- Eu cubro você, precisamos chegar ao bunker. Siga-me! Eu digo
Ela assente, determinada, mas assustada. Preciso mantê-la perto e segura. Passo rapidamente por cima da bancada, levantando a arma e disparando contra os invasores. Um dos tiros atinge o alvo, e o homem cai com um grito. Mas eles são muitos, e precisamos nos mover rápido.
- Vamos! Puxo Laura novamente, correndo pelo corredor estreito que leva à sala. Os passos pesados dos homens atrás de nós ecoam, misturados aos sons dos disparos e dos gritos. Cada batida do meu coração soa mais alto que o último tiro.
- Estou com você. Eu grito e Laura me olha, há medo em seus olhos, mas também uma força que me faz querer protegê-la ainda mais.
Chegamos à sala, e antes que possamos avançar para o bunker, um dos homens aparece na porta, bloqueando nossa passagem. Ele ergue a arma, mas sou mais rápido. Disparo sem hesitação, acertando-o no peito. Ele cai com um baque pesado, e eu não perco tempo, empurrando Laura para dentro da porta secreta.
- Vai! Entra no bunker, rápido!
Laura se apressa, mas antes que ela possa desaparecer pela porta secreta, outro tiro passa zumbindo por minha orelha, quase me acertando. Viro-me a tempo de ver mais dois homens correndo pelo corredor. Disparo de novo, atingindo um deles, mas o outro atira de volta, forçando-me a me abaixar atrás de uma mesa.
Estou com pouca munição, e os homens continuam vindo, como um enxame. Sinto a adrenalina correndo por minhas veias, meus sentidos em alerta máximo.
- Davi, rápido! Ouço a voz de Laura me chamando da porta que dá acesso ao bunker. Ela está segura, mas por quanto tempo? Não posso deixar que eles cheguem até ela.
Levanto-me de repente, disparando meus últimos tiros antes de correr para o bunker. Um tiro acerta meu ombro, a dor latejante, mas não posso parar. Entro no bunker e fecho a porta atrás de mim, trancando-a com força. O som das batidas e tiros do lado de fora faz eco na sala de segurança, mas aqui dentro estamos seguros.
Laura corre até mim, seus olhos arregalados de medo e preocupação. Ela me ajuda a sentar, pressionando uma mão contra o ferimento no meu ombro. Estou ofegante, o sangue escorrendo, mas aliviado por termos conseguido nos esconder.
- Davi... você foi baleado. Ela diz, a voz trêmula, mas segura.
- Eu vou ficar bem! Eu digo, tentando sorrir para tranquilizá-la. Mas a dor é real, e eu a sinto intensamente.
- Estamos seguros!
- Por favor na segunda porta do armário tem um kit de primeiros socorros. Pegue por favor. Eu digo.
Ela corre e pega a caixa.
- Você precisa tirar a bala. Eu digo.
- Eu? Mas eu não posso! Ela diz com medo.
- Pode sim! Eu vou te explicando. Eu digo.
- Não! Eu não posso. Vamos para um hospital. Ela diz.
- Não podemos sair. Estamos presos aqui.E precisamos tirar para parar o sangramento e reduzir as chances de infecção. Você consegue! Eu digo a encorajando.
Ela acena com a cabeça concordando.
- Pegue esse soro e lave o ferimento. Laura lava, e usa a gaze para secar e segurar o sangramento.
- Pegue a pinça e coloque no buraco, e retire a bala. Eu digo.
- Davi, eu não...
- Você consegue Laura. Eu sei que consegue. Eu digo.
Laura pega e coloca a pinça no buraco causado pelo tiro.
-.Aaahhhhhh!!! Eu grito de dor.
- Davi! Ela diz agoniada.
- Continue, vou sobreviver. Eu digo.
Ela continua, eu mordo a almofada do pequeno sofá abafando o gemido de dor.
- Não estou encontrando. Ela diz enquanto mexe a pinça no ferimento. Até que ouvimos um som seco.
- Ai. Você achou. Eu digo.
Ela finalmente consegue retirar. E eu respiro aliviado.
- Pegue essa agulha curva e coloque essa linha, precisa suturar. Eu digo.
Ela faz como pedi, as suas mãos tremem muito.
- Dois pontos e suficiente. Eu digo.
Ela tenta, mas está tremendo.
- Não consigo! Estou tremendo. Ela diz visivelmente nervosa.
- Ei! Olha para mim. Respire fundo!
Ela olha e respira.
- Se acalme. Só falta isso. Eu digo.
Ela respira fundo outra vez e finalmente consegue fazer a sutura. Ela corta o excesso de linha e depois faz um curativo.
Me dá um anestésico e um anti-inflamatório.
Em seguida me abraça com força, o alívio finalmente tomando conta de nós dois. Sinto seu corpo tremendo contra o meu, e apesar da dor, passo meu braço em volta dela, tentando acalmá-la.
- Vamos sair dessa Prometo, embora as batidas continuem do lado de fora. Mas aqui dentro, no bunker, estamos protegidos. Não importa o que aconteça lá fora, enquanto estivermos juntos, ainda temos uma chance.
- Vamos pedir ajuda ao seu irmão! Eu digo e volto até a sala de segurança dentro do bunker.
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Atualizado até capítulo 80
Comments
Marlene Reis
QUE ESCONDERIJO,NADA ESCONDIDO.... A FUNÇÃO DELE MUDOU.... JÁ APANHOU DUAS VEZES DO RENATO,AGORA LEVA UM TIRO.... TEM TRAIDOR NESSA TRETA AÍ 🤣🙄.... AMANDO O LIVRO 😍
2025-02-03
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Damara Aparecida
adrenalina pura
2024-11-10
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Jossileide cardeal
será que quem tá por trás de td isso não é o Dante?????
2024-11-06
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