O som das hélices do helicóptero ecoa enquanto subimos em direção ao céu. Laura está ao meu lado, quieta, os olhos fixos na janela parecia assustada.
Eu toco em sua mão, está fria e suada.
- Vai ficar tudo bem! Eu digo e ela dá um sorriso forçado.
Logo os prédios e construções dão lugar ao verde das florestas e cinza das rochas, criando um contraste hipnotizante que é difícil de ignorar. O helicóptero balança levemente com o vento que sopra forte à medida que seguimos, mas estou tranquilo. Já Laura se segura no banco com força, tanta força que seus dedos ficam brancos.
Eu seguro em sua mão e não solto mais. Ela relaxa um pouco.
Estamos a caminho de um lugar onde, nenhum de nós nunca esteve.
Finalmente o piloto nos avisa que estamos nos aproximando, e eu olho pela janela, tentando vislumbrar o destino. A montanha se ergue majestosamente à nossa frente, e no topo, uma clareira plana aparece, como um santuário escondido do resto do mundo. O helicóptero começa a descer, e o ruído das hélices se torna ensurdecedor. Laura aperta a minha mão, como se precisasse de um lembrete de que tudo ficaria bem.
Quando finalmente pousamos, o piloto desliga os motores, e o silêncio das montanhas nos envolve. É uma paz diferente da que conheço, uma tranquilidade que quase me assusta. Desembarcamos, e assim que meus pés tocam o solo firme, inspiro profundamente o ar fresco e limpo. É revigorante, como se o ar carregado das cidades ficasse a milhas de distância. Laura desce logo atrás de mim, seus olhos se fixando na trilha de pedras que nos levará à casa.
- Viu! Eu disse que ficariamos bem! Eu digo e ela me abraça apertado.
- Ei! O que houve? Eu pergunto.
- Não gosto de helicópteros...lembra a guerra e o dia que saimos refugiados. Ela diz com a voz presa a garganta.
- Não estamos na guerra...fique tranquila. Ela suspira.
A caminhada pela trilha é curta, mas cheia de encanto. As árvores ao redor parecem mais altas, mais antigas, como se estivessem guardando esse lugar por séculos. A vegetação é densa, mas há um caminho claramente delineado, que serpenteia entre as rochas e leva direto ao nosso destino. Laura está quieta, absorvendo cada detalhe com uma expressão de maravilha nos olhos. Eu não posso culpá-la; este lugar é diferente de tudo o que já vimos.
Então, a casa surge diante de nós.
É imponente, mas de uma maneira que se integra perfeitamente à natureza ao seu redor. A estrutura de dois andares é feita de madeira escura, com um telhado inclinado que parece seguir as linhas naturais da montanha. As grandes janelas de vidro refletem o azul do céu, enquanto o sol, agora baixo no horizonte, banha tudo em uma luz dourada, mas o clima está bem frio. A casa parece uma extensão da própria montanha, como se sempre tivesse estado ali, escondida de olhares curiosos.
Vou até a porta e digito a senha na fechadura eletrônica. Empurro a porta da frente, que se abre com um leve rangido. O interior é ainda mais impressionante. O piso de madeira polida brilha sob a luz que entra pelas janelas, uma lareira de pedra acessa no canto nos envolve. Claramente alguém tem cuidado da casa.
A sala de estar é ampla, com um teto alto que expõe as vigas de madeira rústicas. Há sofás confortáveis de couro envelhecido. As paredes são decoradas com tapeçarias e quadros de paisagens montanhosas, dando ao ambiente um ar aconchegante e acolhedor.
Laura caminha lentamente pela sala, passando a mão sobre os móveis, como se quisesse absorver cada detalhe. Eu a sigo, observando enquanto ela explora o espaço. Há uma mesa de jantar grande, também de madeira rústica, com cadeiras que parecem ter sido feitas à mão. Uma cozinha aberta se conecta à sala de estar, com bancadas de granito e armários de madeira maciça. Modernas mas ao mesmo tempo clássica. Tudo parece cuidadosamente planejado para manter a harmonia com o ambiente natural.
- Isso é... incrível. Sussurra Laura, seus olhos brilhando com a excitação.
- Nunca estive em um lugar assim. Sua casa é linda. Ela diz.
- Bem, a casa não é minha. E do Renato.
- Renato? Meu irmão?
- Ele mesmo.
- Isso é novidade para mim. Ela diz.
- Acredite, para mim também.
- É exatamente o que precisamos agora, um lugar calmo e longe de qualquer perigo.
Laura suspira e seu semblante é de tristeza.
- Davi meu irmão está envolvido com coisas erradas...não é?
- Você precisa perguntar a ele. Só ele pode te dar a resposta.
- Conheço meu irmão. Ele jamais vai admitir. E sei que não teria tanta gente nos perseguindo se não fosse algo muito ruim.
- Por favor, me diga. Tenho direito de saber, como vou me proteger se nem sei o que está acontecendo. Ela diz gentilmente.
- Eu estou aqui para isso...te proteger. Eu digo. Ela se vira para mim, seu rosto suavizado por um sorriso tímido.
- Vamos conhecer o andar de cima? Eu digo.
Subimos as escadas que rangem suavemente sob nossos passos, revelando o segundo andar. A escada, também de madeira, leva a um corredor que se abre para um único quarto. Ao entrar, somos recebidos por um espaço que parece ainda mais grandioso do que o andar de baixo. O quarto é enorme, com paredes brancas texturizadas que refletem a luz suave do fim da tarde. Uma grande cama com dossel ocupa o centro do cômodo, coberta por lençóis brancos impecáveis e travesseiros que parecem tão macios quanto as nuvens. Cortinas brancas finas e delicadas.
À esquerda, uma porta de vidro se abre para uma varanda espaçosa. Laura caminha até ela, deslizando a porta e saindo para a varanda. Eu a sigo, e a visão que nos espera lá fora é simplesmente de tirar o fôlego. A varanda oferece uma vista privilegiada das montanhas ao redor, com o vale se estendendo abaixo, coberto por uma manta de vegetação densa. No canto da varanda, há um ofurô de madeira, a água ainda quente liberando uma leve fumaça no ar frio.
Laura se inclina sobre a grade, olhando para a paisagem, enquanto eu me aproximo devagar. A serenidade do lugar é como se estivéssemos em outro mundo, distante de tudo e de todos.
- Não consigo acreditar que estamos aqui. Ela diz, ainda olhando para a vista. Sua voz está cheia de uma emoção que não consigo identificar, algo entre alívio e um desejo profundo de que este momento pudesse durar para sempre.
- Esse lugar é mesmo especial. E o mais importante é que estamos seguros aqui. Murmuro, colocando uma mão em seu ombro.
Laura se vira de repente e ficamos colados, seu olhar é diferente, consigo sentir a sua respiração, o seu perfume marcante. Ela se aproxima e me beija. Eu retribuo seu beijo, seus lábios macios e perfeitos. Meu coração dispara, seguro Laura pela cintura. Nossas línguas se encontram em uma perfeita sintonia.
De repente eu me afasto.
- Desculpe! Não podemos fazer isso! Eu digo, viro as costas e entro novamente na casa.
Laura fica parada sem entender.
- Vamos olhar o restante. Sugiro, tentando quebrar a tensão do momento.
Laura sorri e me segue de volta para dentro. O banheiro ao lado do quarto é tão espaçoso quanto o resto da casa, com uma grande banheira de porcelana que parece convidativa depois de tudo que passamos. As torneiras são de metal antigo, e o chão de pedra dá um toque rústico que complementa o resto da casa.
De volta ao quarto, noto uma lareira menor, de frente para a cama. Imagino como deve ser reconfortante dormir com o som do fogo crepitando, enquanto o frio das montanhas tenta invadir o espaço aconchegante.
- Este lugar é mágico. Laura diz, sua voz ecoando suavemente pelo quarto.
- É.
Laura se aproxima de mim, e por um momento, fico sem saber o que fazer. Fico com medo dela me beijar novamente e eu não conseguir me controlar.
- Você é casado né? Ela pergunta.
- Eu? Eu..não! Eu digo
- De onde surgiu isso? Eu pergunto.
- Quando você estava machucado e com febre você falou o nome dela.
- Nome dela? Que nome?
- Ariel! Ela diz.
As palavras dela acertam o meu peito e doem mais do que se eu tivesse sido baleado.
- Não sou casado! Eu respondo e vou saindo do quarto.
- Ei espera! Ela diz.
- Temos uma coisa importante para resolver!
- Olha Laura eu não quero...
- A cama! Ela diz me interrompendo.
- Só temos uma cama e só um de nós pode ficar com ela...então...espero que curta o sofá! Ela diz.
- Como é? Eu digo.
- Você ouviu Davi! Ela diz e desce as escadas.
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Atualizado até capítulo 80
Comments
Jossileide cardeal
achou que ia dormir d3 cochicha davi
2024-11-06
1
Livia Pereira
se não pode transar com ela, como o irmão a manda pra esse lugar com ele? 🙈🙈🙈🙈
2024-09-28
1
Claudia
Laura bem espertinha e com ciúmes 🤭🤭🧿♾
2024-08-30
0