Ao longe, avisto a mansão de Renato pela primeira vez. A imponente construção surge no meio de um vasto terreno cercado por árvores altas e muros de pedra. A entrada é protegida por um portão de ferro ornamentado, vigiado por câmeras de segurança e homens armados. O carro em que estou se aproxima lentamente, os pneus estalando sobre a brita branca que cobre o caminho. Meu coração bate mais rápido, e não posso deixar de me sentir um pouco nervoso. Este é o covil do chefe, o lugar onde ele comanda tudo e todos. E agora, é aqui que vou ficar.
O portão se abre com um ranger pesado, e entramos. A estrada sinuosa leva até a frente da casa, onde uma fonte majestosa domina o centro do jardim. A água jorra de uma estátua de mármore, iluminada por holofotes que destacam cada detalhe. Ao redor, canteiros de flores bem-cuidados dão cor ao ambiente, contrastando com a frieza da construção. Quando o carro para, desço e me vejo diante da enorme mansão. As paredes de pedra, as grandes janelas envidraçadas e as varandas adornadas com colunas brancas compõem uma visão impressionante.
Do lado de dentro, a mansão é ainda mais grandiosa. Um hall de entrada amplo, com piso de mármore polido, se estende à minha frente. No centro, um lustre de cristal pendurado no teto alto lança reflexos por toda a parte, iluminando os detalhes dourados que decoram as paredes e os móveis. Tapetes persas cobrem o chão, abafando o som dos meus passos. Tudo aqui exala riqueza e poder.
Enquanto observo cada detalhe, sinto uma presença atrás de mim. Quando me viro, vejo Renato vindo em minha direção. Ele está impecavelmente vestido, como sempre, com um terno escuro que parece ter sido feito sob medida para ele. Há uma expressão indecifrável em seu rosto, algo entre o orgulho e a indiferença.
- Bem-vindo à minha casa, Davi. Renato diz, sua voz firme ecoando pelo hall.
- A partir de agora, este será o seu lar também.
Antes que eu possa responder, um movimento na escada ao lado chama minha atenção. Me viro para olhar e fico surpreso ao ver uma jovem descendo lentamente os degraus.
Ela é diferente de tudo que eu esperava encontrar aqui. Seus cabelos castanhos caem suavemente sobre os ombros, e ela veste um simples vestido simples e leve que contrasta com a elegância do lugar. Seus olhos são profundos e há uma aura de delicadeza ao seu redor que me faz esquecer, por um instante, onde estou.
Renato, percebendo o meu olhar, sorri levemente.
- Davi, esta é Laura, minha irmã caçula.
Laura se aproxima, seus passos leves como se mal tocassem o chão. Ela me estende a mão, e eu a seguro, sentindo a suavidade de sua pele.
- Prazer em conhecê-lo, Davi. Ela diz, sua voz suave como um sussurro. Há algo cativante em seu tom, uma gentileza que parece desarmar qualquer intenção hostil.
- O prazer é todo meu. Respondo, tentando manter a compostura. Meu coração, no entanto, acelera de maneira inesperada. Laura sorri, um sorriso discreto que parece iluminar o ambiente ao seu redor.
Renato observa a interação entre nós dois, mas não demonstra nenhuma emoção aparente. Em vez disso, ele se volta para Laura e diz, com sua habitual autoridade:
- Laura, seja uma boa anfitriã e mostre a mansão a Davi. Leve-o até o quarto de hóspedes.
- Claro, Renato. Responde ela, imediatamente se virando para mim.
- Por favor, me acompanhe.
Laura começa a andar, e eu a sigo de perto, passando por uma série de corredores decorados com pinturas clássicas e móveis antigos. O cheiro de madeira polida e flores frescas paira no ar, criando um ambiente acolhedor, apesar da imensidão do lugar. Enquanto caminhamos, não posso deixar de observar cada detalhe, desde os vitrais coloridos que adornam as janelas até os arranjos florais que parecem ter sido colocados meticulosamente em cada canto.
- Renato me disse que você vai ficar aqui por um tempo. Laura comenta, sua voz quase um sussurro no corredor vazio.
- Sim, parece que sim. Respondo, tentando manter minha voz estável, apesar da súbita tensão que sinto. Há algo nela que me intriga, uma combinação de doçura e mistério que me deixa curioso.
- Você mora aqui há muito tempo?
Ela acena com a cabeça, seus olhos encontrando os meus por um breve momento.
- Sim, a alguns anos, desde que Renato iniciou os seus trabalho no país.
Sinto que há mais em Laura do que aparenta, algo escondido sob a superfície tranquila. Estou disposto a descobrir.
Chegamos a uma porta no final de um corredor silencioso. Laura a abre, revelando um quarto de hóspedes que é, por si só, um luxo. A cama, com um dossel de veludo azul, ocupa o centro do cômodo, e as janelas altas oferecem uma vista panorâmica dos jardins. O chão é coberto por um tapete espesso, e uma lareira de mármore branco domina a parede oposta. Há também uma poltrona confortável ao lado da janela, com uma pequena mesa de chá ao lado.
- Este é o seu quarto. Diz Laura, entrando no cômodo e olhando ao redor como se quisesse garantir que tudo estivesse em ordem.
- Se precisar de qualquer coisa, pode me chamar. Estarei por perto.
- Obrigado, Laura. Digo, genuinamente grato por sua gentileza. Mas, ao mesmo tempo, sinto uma pontada de desconforto.
- Desculpe. Posso fazer uma pergunta? Ela diz.
- Claro, fique a vontade. Eu respondo.
- A quanto tempo conhece o meu irmão?
- A pouco tempo. Eu respondo.
- Porquê a pergunta? Agora eu pergunto.
- Renato não gosta de receber visitas e de repente aceitou você como hospede...isso é fora dos padrões. Ela diz.
- O que está tentando dizer? Eu pergunto.
Ela suspira antes de me responder, ponderando bem o que vai dizer.
- Ou ele realmente gosta de você. Ou ele te vê como uma grande ameaça. Ela diz mas não vejo muito sentido.
- Como assim ameaça? Eu pergunto.
- Renato segue a risca aquele velho ditado "Mantenha os amigos por perto...e os inimigos mais perto ainda".
Estar sob o mesmo teto que Renato já é o suficiente para me deixar em alerta constante, e agora Laura me diz isso. E quem é Laura? Ela é um mistério que não sei se quero ou devo desvendar.
Laura me encara por um momento, seus . Há algo não dito entre nós, uma tensão que não consigo definir. Então, ela sorri novamente, mas desta vez é um sorriso mais reservado, como se estivesse guardando seus verdadeiros sentimentos para si.
- Vou deixá-lo descansar. Ela diz, dando um passo para trás em direção à porta.
- Boa noite Davi. Seja bem-vindo.
- Obrigado. Boa noite, Laura. Respondo, observando-a sair do quarto.
Quando a porta se fecha, fico sozinho com meus pensamentos. O silêncio da mansão é quase opressor, e a escuridão que começa a se instalar do lado de fora torna tudo ainda mais surreal. Sento-me na beira da cama, tentando absorver tudo o que aconteceu. Estou em território desconhecido, rodeado por perigos que ainda não compreendo totalmente.
Olho ao redor do quarto luxuoso, mas nada aqui me dá conforto. Meu verdadeiro desafio está apenas começando, e ele é muito mais complexo do que eu imaginava.
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Atualizado até capítulo 80
Comments
Marly G Vieira
acho que ela é uma diaba camuflada e aí que mora o perigo.
2025-03-31
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Jossileide cardeal
tem algu errado nela também
2024-11-06
1
Elenita Treptow
acho que Laura é que manda Davi abra os seus sentidos fica atento
2024-10-22
0