O convite de Renato

O dia amanheceu nublado, com nuvens carregadas que pareciam refletir o peso que eu carregava nos ombros. Meu corpo estava acostumado ao confinamento, mas minha mente já começava a se desgastar. Para minha felicidade essa dolorosa rotina estava chegando ao fim. Finalmente hoje era o dia em que eu retiraria essa maldida tornozeleira. Acordei cedo como de costume, até porque dormir é luxo aqui. Quando não tem música alta de festinha regadas a alcool e drogas. Tem os viciados que decidem bater na mulher, ou tem briga entre vicios. Durante o dia esse lugar é deserto. Mas a noite isso aqui virá o caos.

Eu que estou acostumado a colocar ordem, tenho que me esforçar para fingir que nada acontece nesse lugar. E mesmo que eu decida intervir, não posso. Nem arma eu tenho, está tudo no velho chevette que eu ainda nem pude buscar, já que tenho meu limite de distância.

Como dizem é a noite que os ratos fazem a festa. E isso é muito real, tudo acontece aqui a noite, gritos de socorro, troca de tiros e confusão. A verdade é que odeio esse lugar e se não estivesse em uma missão tão importante, já teria ido embora desde o primeiro minuto.

O barulho de um motor parando na rua em frente ao prédio aquietou meu coração. Espiei pela janela e vi o carro da polícia estacionado, os mesmos rostos familiares que tinham me jogado ali meses atrás.

Uma batida firme na porta me fez dar um salto. Abri lentamente, e lá estava a inspetora Carla, acompanhada por dois policiais. Ela entrou sem pedir permissão, seus olhos varrendo o pequeno apartamento como se procurasse algo fora do lugar.

- Chegou a hora Costa! Disse ela sem rodeios, segurando um dispositivo que parecia um scanner.

- Vamos tirar essa coisa. Ela conclui.

Eu me sentei no único sofá do lugar e ergui a perna, oferecendo a tornozeleira para ela. Carla se ajoelhou ao meu lado, e em questão de segundos, o dispositivo soltou um clique e a tornozeleira se desprendeu do meu tornozelo, deixando uma marca vermelha onde estivera apertada por tanto tempo.

- Pronto. Ela disse, levantando-se e estendendo a tornozeleira a um dos policiais.

- Aqui está seu alvará de soltura. Você é um homem livre agora. Ela diz.

A liberdade, embora limitada, era um alívio. Mas eu sabia que, na verdade, minha prisão ainda estava longe de terminar.

- Agora, ouça bem, Costa. Continuou ela, sua voz firme.

- Você não está mais sob nossa supervisão direta, mas isso não significa que estamos fora do seu rastro. Então, não faça nenhuma besteira.

Fiquei sério sem dizer nada. Eles me olharam uma última vez antes de sair, o silêncio entre nós carregado de uma tensão que todos sentiam, mas ninguém mencionava.

Assim que o som dos passos no corredor se dissipou, e o motor da viatura se afastou, alguém bate novamente na porta.

"Toc, Toc"

Caminhei lentamente até a porta, uma sensação de alerta subindo pela minha espinha. Abri, e lá estava ele, Dante, com seu sorriso de predador.

- Vamos dar uma volta. Disse ele, sem cerimônias.

Fechei a porta atrás de mim, seguindo Dante escada abaixo. Na calçada, um carro preto com vidros escuros nos esperava, o tipo de carro que passa despercebido nas ruas, mas que carrega um ar de ameaça silenciosa.

Dante abre a porta do carro para que eu entre. Eu entro e ele se senta ao meu lado, um outro homem estava do outro lado e mais o motorista e ao seu lado mais um homem.

Durante o trajeto, observei a cidade passar pela janela. As ruas eram familiares, mas agora pareciam diferentes, mais sombrias. Passamos por bairros decadentes, com prédios velhos, grafites nas paredes, e pessoas que se arrastavam pelas calçadas como almas penadas.

Enquanto o carro avançava, o trânsito se tornava mais escasso, as ruas mais escuras. Eu sabia que estávamos indo para a parte da cidade onde a lei só existia no nome, e onde o perigo não era apenas uma possibilidade, mas uma certeza.

Finalmente, o carro parou em frente a um bar mal iluminado, com uma placa de neon piscando o nome "Inferno", como se fosse um aviso para aqueles que ousassem entrar. Dante saiu primeiro, e eu o segui. O lugar exalava o cheiro de álcool barato e cigarro, uma mistura que grudava na pele e na alma.

Entramos no bar, e os olhos dos poucos presentes se voltaram para nós, avaliando cada detalhe. O ambiente era sombrio, com luzes fracas que mal iluminavam as mesas manchadas e o chão pegajoso. O bar em si era um balcão gasto, onde um barman de expressão cansada servia bebidas sem nem olhar para os clientes. E algumas prostitutas semi-nuas, tentavam tirar a grana dos caras bêbados.

Dante fez um sinal para que eu o seguisse até o fundo do bar, onde uma escada estreita levava ao andar superior. Cada degrau rangia sob nossos pés, como se estivesse prestes a ceder, mas nós continuamos subindo, o som abafado da música e das conversas desaparecendo enquanto nos afastávamos da agitação lá embaixo.

No topo da escada, um corredor escuro se estendia diante de nós, iluminado apenas por uma luz fraca no final. O ar ali estava ainda mais pesado, carregado com a promessa de que algo importante estava para acontecer.

Dante caminhava na frente, seu corpo bloqueando parte da visão, mas eu podia sentir a tensão aumentar a cada passo. Ao chegarmos à porta no fim do corredor, ele parou, virou-se para mim por um breve momento, e abriu a porta.

O ambiente dentro era um completo contraste com o resto do bar. Era uma sala bem iluminada, decorada de forma clássica, mas com bom gosto. Muitos livros como uma biblioteca particular, o que mostrava que seu proprietário era inteligente e culto. No canto uma poltrona vermelha e lá estava Renato.

Minha primeira impressão de Renato foi de uma presença esmagadora. Ele é um homem de jovem, e seu olhar parecia atravessar qualquer fachada. Ele é grande, mas a confiança que emanava de cada movimento fazia com que ocupasse o espaço inteiro da sala. Ele esta sentado casualmente, mas havia uma tensão em sua postura, como um leão pronto para atacar.

- Entre! Fique a vontade. Sou o Renato, líder dos Los Corvos. Ele diz com seriedade.

Eu entro, pois estava parado na porta. Dante fecha a porta, e fica do lado de fora.

- Você deve ser o famoso Davi Costa. Disse ele, sua voz grave e controlada, enquanto um sorriso se formava em seus lábios.

- Sente-se. Ele diz.

- Eu não diria famoso. Mas vou aceitar esse termo. Eu digo com seriedade.

O silêncio se alongou por alguns segundos, enquanto ele me estudava, como se estivesse decidindo se eu era digno de sua atenção.

- Digamos que você tem um belo curriculo. E isso chamou a minha atenção. Você pode ser valioso. Começou a dizer, seus olhos nunca deixando os meus.

- Dante me disse que você está a procura de um trabalho. Agora é hora de saber se realmente está disposto a tudo. Ele diz.

Meu coração acelerou um pouco, mas mantive a expressão neutra. Sabia que esse era o momento crucial.

- Sim! Estou. Eu respondo.

- Eu tenho uma proposta. Continuou Renato.

- Um trabalho. Poucas horas de serviço, mas que pode te render algo em torno de seis dígitos. Mas preciso saber se você está realmente disposto a se comprometer.

Ele fez uma pausa, seus olhos ainda fixos em mim, esperando por qualquer sinal de hesitação.

- Se você aceitar, terá uma chance para me provar que pode ser confiável. Mas saiba que, uma vez dentro, não há saída. Se decidir não aceitar, pode sair por aquela porta agora e desaparecer. Mas nunca mais será bem-vindo na minha cidade.

O peso das suas palavras caiu sobre mim como um martelo. Não havia espaço para erros. Sabia que minha vida estava em jogo, e que qualquer hesitação poderia ser fatal. Olhei diretamente nos olhos de Renato, sentindo a intensidade daquele momento. Estava claro que o caminho à frente era perigoso, mas não havia volta.

- Então, Costa...Renato diz, inclinando-se para frente,

- Qual vai ser?

Engoli em seco, mas mantive minha voz firme.

- Estou dentro.

Renato sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos.

- Ótimo. Espero que esteja pronto para o que vem a seguir. Porque agora, você pertence a mim. E a única forma de sair é com a morte.

- Não sou o tipo de Homem que foge das coisas. Eu respondo.

O ar na sala parecia ficar mais pesado, enquanto eu assimilava o que acabei de fazer...

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Comments

Claudia

Claudia

Apartir de agora teremos fortes emoções ♾🧿

2024-08-30

3

Marcia 🌻

Marcia 🌻

Eita que tá ficando difícil 😊 vamos que vamos Autora 🌷🥰

2024-08-29

3

Ver todos
Capítulos
1 A missão
2 A escolha
3 A transformação
4 O novo lar
5 Prisão invisivel
6 O convite de Renato
7 A missão teste
8 A prova de Fogo
9 O encontro com Laura
10 O inimigo revelado
11 A verdade de Laura
12 Mudando a rota
13 Minha nova função
14 O suspeito
15 Só quero a verdade
16 Guerra de gangues
17 Fuga ao estilo Davi Costa
18 Casa nas Montanhas
19 O bunker secreto
20 Invasão surpresa.
21 A espera
22 O tempo que se arrasta
23 A saída secreta
24 O túnel
25 O caminho das sombras
26 Verdades reveladas
27 Nova missão
28 Confronto inesperado
29 No coração das trevas
30 Um susto
31 Despertando
32 A verdade do momento
33 Novas ordens
34 Será o nosso fim?
35 Missão subaquática
36 S.O.S
37 Um convite para jantar
38 Minha doce Laura
39 Correndo contra o tempo
40 Passeio especial
41 Último chamado
42 A verdade
43 Minha para sempre
44 O infiltrado
45 Adeus
46 O pedido
47 Uma nova supresa
48 Reunião de família
49 Nosso casamento
50 Novo trabalho
51 Em busca de pistas
52 Banco Central
53 Boate Black Diamond
54 A perda
55 Clube Náutico
56 Master chef
57 Pedindo um favor
58 Novo propósito
59 Primeiro dia
60 A mansão
61 Em busca de novas pistas
62 Pequena rua
63 Laura como isca
64 Presa na rede
65 Triste escolha
66 Em busca de Laura
67 A tentativa.
68 O seu heroí
69 O resgate
70 O reencontro
71 A decisão
72 Últimas notícias
73 Seu novo lar
74 Visita inesperada
75 Surpresa!
76 A lei do retorno
77 Adeus
78 Um visitante surpresa
79 Uma nova história
80 Nossa joia valiosa
Capítulos

Atualizado até capítulo 80

1
A missão
2
A escolha
3
A transformação
4
O novo lar
5
Prisão invisivel
6
O convite de Renato
7
A missão teste
8
A prova de Fogo
9
O encontro com Laura
10
O inimigo revelado
11
A verdade de Laura
12
Mudando a rota
13
Minha nova função
14
O suspeito
15
Só quero a verdade
16
Guerra de gangues
17
Fuga ao estilo Davi Costa
18
Casa nas Montanhas
19
O bunker secreto
20
Invasão surpresa.
21
A espera
22
O tempo que se arrasta
23
A saída secreta
24
O túnel
25
O caminho das sombras
26
Verdades reveladas
27
Nova missão
28
Confronto inesperado
29
No coração das trevas
30
Um susto
31
Despertando
32
A verdade do momento
33
Novas ordens
34
Será o nosso fim?
35
Missão subaquática
36
S.O.S
37
Um convite para jantar
38
Minha doce Laura
39
Correndo contra o tempo
40
Passeio especial
41
Último chamado
42
A verdade
43
Minha para sempre
44
O infiltrado
45
Adeus
46
O pedido
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Uma nova supresa
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Novo trabalho
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Em busca de pistas
52
Banco Central
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Pequena rua
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Laura como isca
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Presa na rede
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Triste escolha
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Em busca de Laura
67
A tentativa.
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O seu heroí
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O resgate
70
O reencontro
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A decisão
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