O motor do pequeno jato roncava suavemente enquanto taxiava na pista improvisada no meio da fazenda. O céu sobre nós era uma vasta extensão negra pontilhada de estrelas, e o ar noturno estava carregado com o cheiro de terra e grama recém-cortada. O contraste entre a tranquilidade da noite e o que estava prestes a acontecer era brutal. Mas eu não podia pensar nisso agora. Meu objetivo estava claro, e meu caminho traçado.
Ao subir a escada do jato, senti o peso das expectativas de Renato nas minhas costas. Esta não era apenas uma missão; era a prova definitiva da minha lealdade, da minha capacidade de cumprir com o que prometi. Ao entrar na pequena cabine, onde apenas alguns assentos de couro preto se alinhavam ao longo das paredes estreitas, percebi que o luxo aqui era funcional, nada mais. Cada detalhe, desde as janelas escuras até o minibar embutido, era desenhado para conforto e discrição, mas não para ostentação.
Sentei-me e prendi o cinto, os dois homens escolhido por Renato estavam presentes. Senti o jato acelerar pela pista e, em seguida, o familiar puxão da decolagem. O som dos motores abafou qualquer outro ruído, criando um silêncio forçado que me permitiu refletir sobre o que estava por vir.
Eu estava indo para Tijuana, no México, em busca de Pablo Herrera, um dos maiores inimigos de Renato. A missão era simples, mas letal: encontrá-lo e matá-lo. Essa era minha entrada para os Corvos, e não havia margem para erros.
Pablo era um homem conhecido tanto por sua crueldade quanto por sua esperteza. Um traidor, um rival que desafiava Renato em negócios e poder. Tijuana era seu refúgio, um lugar onde ele se escondia enquanto comandava suas operações do outro lado da fronteira. A informação que me deram indicava que ele passava muito tempo em uma casinha ao sul da cidade, onde sua amante morava. Era lá que eu o encontraria.
Horas depois, o jato pousou em um pequeno aeroporto privado. Eu desembarquei rapidamente, sem ser notado, e juntos com os dois homens entrei em um carro que já estava à nossa espera. O motorista, um homem de rosto inexpressivo e de poucas palavras, não disse nada enquanto dirigia pelas estradas escuras e desertas que levavam para fora de Tijuana.
As luzes da cidade logo ficaram para trás, substituídas por sombras e silhuetas de montanhas distantes. O caminho se estreitava à medida que nos aproximávamos do destino, com a estrada se tornando uma trilha empoeirada cercada por vegetação baixa e árvores esparsas. A sensação de isolamento era palpável, e isso só reforçava a certeza de que ninguém viria em socorro de Pablo Herrera.
Me troquei no carro mesmo. Coloquei o meu coturno, calça e jaqueta preta, luvas e a touca ninja para esconder o rosto.
Finalmente, o carro parou a uma distância segura da casa.
- Fiquem aqui, eu vou sozinho. Trabalho melhor sozinho. Se eu precisar de ajuda eu aviso pelo rádio. Se ouvirem uma troca de tiros, venham me dar reforços, mas acredito que isso não irá acontecer. Eu digo e desço do carro.
Me movo com cautela pelo terreno irregular. A casinha era pequena, uma estrutura simples de madeira envelhecida, mal iluminada por uma lâmpada pendurada no alpendre. Uma cerca baixa a cercava, como uma tentativa fraca de manter o mundo do lado de fora. Com uma pequena casinha ao fundo onde se guardavam as bagunças e ferramentas.
A primeira coisa que notei foi a moto de Pablo estacionada nos fundos da casa. Era uma máquina robusta, de cor escura, que quase se camuflava na escuridão. Eu sabia que ele estava lá dentro.
Notei que na pequena casinha aos fundos tinha uma corrente com um cadeado, mas que estava aberto.
Me abaixo e dou a volta pela casa, na janela do quarto o lindo casal namorava. Era a minha oportunidade.
Minha respiração ficou mais lenta enquanto eu me aproximava da moto, observando o silêncio ao meu redor. A adrenalina começava a correr pelo meu corpo, mas eu mantive meu foco. Meu objetivo estava à minha frente, e cada movimento tinha que ser preciso.
Passei os dedos pelos fios da moto, buscando causar uma distração. Sabia que se eu mexesse nos cabos de ignição de uma maneira específica, o alarme da moto se ativaria, e seria impossível desligá-lo sem a chave. Era um risco calculado, mas necessário.
Os fios se cruzaram e, de repente, o alarme começou a soar, alto e estridente. O som rasgou a tranquilidade da noite como uma faca, ecoando na vastidão ao redor da casa. Rapidamente, me escondi nas sombras, atrás de um barril de metal que estava jogado perto da cerca.
A porta da casa se abriu com um estrondo, e Pablo apareceu, irritado e desconfiado. Ele estava vestido apenas com a cueca, uma pistola na mão. Os olhos dele varreram a área em busca de uma ameaça, mas logo se fixaram na moto.
- Maldita! Alarme maldito! Ele grita para a moto, enquanto tentava desativá-lo com o controle remoto.
O som continuava, ensurdecedor. Pablo se abaixou, tentando desesperadamente entender o que estava errado. Foi então que aproveitei minha chance.
Saí do meu esconderijo com passos silenciosos, minha arma já em punho. Me aproximei rapidamente, o coração martelando no peito, mas a mente focada na tarefa. Quando estava a apenas alguns metros de distância, Pablo finalmente percebeu minha presença. Seus olhos se arregalaram, e ele começou a levantar a arma, mas era tarde demais.
Um único tiro... o impacto foi imediato, acertando-o na testa. Pablo caiu no chão com um baque seco, seus olhos ainda arregalados, mas agora sem vida. O alarme da moto continuava, um som constante e cruel que parecia zombar do silêncio que voltava a se estabelecer.
Me aproximei da moto e reconectei o fio, o som do alarme parou.
Arrastei Pablo para a velha casinha ao fundo. Havia muita coisa abandonada e cheia de poeira. Pablo estava morto, mas ainda tinha algo a fazer. Vi um machado preso a um tronco, perto de outros já cortado. Retire o machado e em um único golpe arranquei a cabeça de Pablo. Em seguida arranquei a sua mão direita.
Jogado ao fundo vi um cooler empoeirado. Peguei a caixa, estava vazia, coloquei a cabeça e a mão de Pablo. Tranquei o cadeado que estava na corrente, fechando a porta da velha casinha. Assim demoraria um pouco mais para encontra - lo.
Tempo suficiente para eu desaparecer. Corri até o carro levando o cooler.
- Anda! Vai! Vai! Vai. Eu digo e saímos acelerando.
Logo estavamos entrando novamente no avião e retornando para casa. Assim como na viagem de ida, retornamos sem trocar uma palavra se quer.
Eu segurava aquele cooler como se estivesse o meu coração la dentro. Assim que chegamos ao aeroporto, Dante nos aguardava em um carro. Entramos e partimos.
- Deu tudo certo? Dante perguntou.
- Sim! Eu respondi.
Chegamos ao bar, vou até o escritório de Renato. Abro a porta e entro. Coloco o cooler na mesa a sua frente.
Ele me olha sério e abre o cooler para olhar. Em seguida o fecha novamente.
- Eu pedi a cabeça. Porque tem uma mão junto? Ele pergunta.
- Simples! Os inimigos de Pablo costumam arrancar a mão direita dos inimigos. Ao repetir o gesto as suspeitas caem sobre eles, e jamais sobre nós. Além de diminuir os riscos, teremos o caminho livre para dominar o tráfico local. Eu digo.
- Gosto disso! Você pensa no futuro! Tem uma visão mais ampla das coisas. Ele diz.
- Vou nessa preciso buscar o meu carro. Eu digo.
- Que carro? Meu chevette, está preso na delegacia, apreenderam quando fui preso. Eu digo.
- Você tem 500 mil. Compre outro. Ele diz.
- Eu preciso de uma casa, eu perdi a minha quando fui preso. Onde estou morando foi cedido pela justiça provisóriamente, mas tenho que sair. Sorte que uns amigos me ajudaram com mantimentos, do contrário eu estaria mais ferrado. Eu digo.
- Até mais. Eu digo e viro as costas para sair.
- Fique na minha casa. Ele diz
Eu me viro novamente. Dante arregala os olhos como se o reprovasse.
- Não precisa eu me viro. Eu digo.
- Você agora é dá família. Não abandonamos a família. Ele diz.
- Ok. Se insiste. Vou arrumar as minhas coisas. Eu digo e saio.
Dante fecha a porta. Para por um tempo para ouvir, fingindo amar o coturno.
- Você ficou louco. Nem o conhece! Dante diz.
- Ele já mostrou ser leal. Vamos dar uma oportunidade. Renato diz.
- Isso pode ser um tiro no pé. Dante diz.
- Veremos! Renato diz.
Eu me levanto e vou embora.
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Atualizado até capítulo 80
Comments
Livia Pereira
👏👏👏👏👏🥰😍e com R$500 mil na mão
2024-09-28
0
Claudia
O plano está indo bem 🤭🤭♾🧿
2024-08-30
1