LAURA
Davi está muito machucado e me sinto culpada pelo que aconteceu. Sempre soube que Renato era instável. E se soubesse que um passeio ao Shopping causaria tudo isso, eu jamais teria insistido.
Na cabeceira da cama tem uma jarra de vidro cheia de água e um copo. Encho o copo com água e pego um comprimido.
- Tome Davi. Isso vai te ajudar com as dores. Eu digo e coloco o comprimido em sua boca. Apoio a sua nuca para que ele levante um pouco a cabeça e possa beber a água. Ele dá um gole e deita novamente.
- Você deveria ir ao hospital. Pode ter ferimentos internos. Eu digo.
- Não! Eu estou bem! Ele responde.
- Como preferir...então descanse, estarei aqui se precisar. Eu me sento na beira da cama, cubro Davi e fico mexendo em seu cabelo.
Logo ele adormece.
Tem algo de diferente em Davi, ele é diferente dos seguranças de Renato. Renato diz que por ser um importador de bebidas caras, e algumas exclusivas. Por isso é temido e ameaçado. Mas os seguranças de Renato tem um ar sombrio e Davi não.
Vou até meu quarto, tomo meu banho, visto meu pijama e retorno para ver Davi. Ele ainda está dormindo, pego meu livro de leitura, me sento na poltrona ao lado da cama dele, pego um cobertor e acendo o abajur e fico lendo.
- Não!! Não!! Ariel...nãããooo!! Ele começa a se debater, e a falar. Parecia estar em um pesadelo.
- Me soltem! Ariel! Ariel!!! Ele continua falando.
- Não!! Não!! Nããããooo!! Ele grita e desperta dando um pulo na cama.
- Ei! Estou aqui, estou aqui! Foi um sonho. Eu digo gentilmente.
Ele olha em volta, como se buscasse entender onde ele estava. Eu levo a mão a sua testa e ele estava queimando com febre.
- Vou te dar um anti térmico, você está com febre. Eu digo e pego um comprimido e a água. Ele engole e se deita novamente.
- Descanse! Eu digo.
Quando vou me afastando ele segura a minha mão e diz com ternura!
- Por favor, não me deixe sozinho!
Eu lhe dou um sorriso e me sento na cama ao seu lado. Ele apoia a cabeça no meu colo e adormece novamente. Eu acabo cochilando e acordo durante a madrugada, vejo que a temperatura de Davi estava normal, me levanto eu vou para o meu quarto.
Quando estou passando pela porta do quarto de Renato ele abre a porta, uma mulher sai. Ele beija ela e ela vai embora.
- Onde você estava? Ele pergunta.
- Aqui!
- Sem essa Laura. Eu fui no seu quarto e você não estava lá.
- Estava cuidando do Davi. Eu respondo e ele fica visivelmente irritado.
- Qual é o seu problema. O que você viu nesse cara?
- Eu não tenho problema nenhum. Agora você...você pensa que tudo se resolve com violência, Davi estava queimando em febre depois da surra que ele levou.
- Ele já foi chorar para você?
- Ele não falou nada. Eu vi ele machucado e não sou idiota. Você deve ter feito isso porque fomos seguidos.
Renato me olha com um sorrisinho sarcástico.
- Não aceito falhas.
- Ele não falhou. Pelo contrário, ele garantiu que eu ficasse em segurança. Eu digo.
- Olha! Eu não quero você de papinho com ele. Ele é seu segurança e nada mais.
- Ha Ha Ha! Eu não sou criança. Não sou sua filha. Sou uma mulher adulta e faço o que eu quiser.
- Não mesmo. Eu estou falando numa boa. Não me obrigue a...
- Ao quê? Me prender? Me agredir? Eu faço o que eu quiser e não vou me afastar do Davi. Ele é legal comigo.
- Você está parecendo uma vagabunda!
"Pah"
- Nunca mais fale assim comigo! Eu digo ao dar um tapa no seu rosto.
Ele respira fundo.
- Desde que o Costa entrou na nossa vida, você se rebelou. Vou tira - lo de nossas vidas o mais rápido possível.
- Esse é o seu problema. Você nunca admite o que faz. Sempre culpa as pessoas por tudo.
- Você culpou a guerra por matar a nossa família. Mas Papai disse para irmos embora. E você preferiu lutar na guerra. Se eles morreram a culpa é suaaa!! Eu grito chorando.
- Cale a bocaaa!! Cale a boca! Renato grita.
- Eu odeio você. Você não gosta de mim, só está perto de mim porque sou sua irmã. Eu estou cansada de tudo isso, eu vou embora daqui. Eu digo e saio andando para o meu quarto.
Renato vem atrás de mim e entra no meu quarto.
- Que tanto você reclama? Por acaso te falta alguma coisa? Você tem de tudo, tudo o que o dinheiro pode comprar. Ele diz.
Eu me viro para ele e com os olhos cheios de lágrimas e respondo:
- É exatamente isso! Você falou tudo!
- Eu tenho tudo o que o dinheiro pode comprar...mas não tenho nada do que ele não compra. Temos uma casa, mas não temos um lar. Temos dinheiro, mas não somos felizes. Podemos comprar qualquer coisa, mas não temos liberdade...somos uma família, mas não tenho amor.
Renato me olha, o seu olhar é diferente.
- Eu...eu queria mudar o passado, mas eu não posso mudar. Eu preciso que entenda que as coisas são diferentes agora. Não posso fazer nada.
- Eu te amo, Laura! Você é a minha família. Faço tudo para te proteger. E espero que um dia compreenda.
- Compreender? Compreender o quê? O que está acontecendo? Me diga a verdade por favor. Eu tenho direito de saber. Eu digo chorando.
Ele me olha, acaricia meu resto, ameaça dizer algo...mas vira as costas e sai. Eu fico chorando, até me acalmar. Me recomponho, respiro fundo e volto para o quarto de Davi.
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Atualizado até capítulo 80
Comments
Claudia
Laura quando souber a verdade 🤭🤭 Renato que se cuide pois os inimigos vão adorar 🧿♾
2024-08-30
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