UMA ESCOLHA

No dia seguinte, Órion foi acordado cedo para resolver alguns assuntos urgentes da matilha. Antes de sair, inclinou-se e deu um suave beijo nos lábios de Freya, que ainda dormia tranquilamente.

Após despertar, Freya comeu algo rápido e decidiu ir ver sua rosa negra, a única lembrança que a conectava a algo especial. Enquanto admirava a beleza da flor, Koda a observava de longe, intrigado pela cena.

Aproveitando a oportunidade, ele se aproximou.

— Rosa negra? — exclamou, fazendo Freya se assustar. — Desculpe, não queria te assustar! — ele se apressou em dizer, percebendo a reação dela.

— Tudo bem, — respondeu ela, um pouco nervosa, mas um leve sorriso se formou em seus lábios.

Koda, percebendo que ela relaxava, aproveitou o momento propício para fazer uma pergunta.

— Freya, quem é a sua mãe?

Freya olhou para ele, surpresa pela insistência em saber sobre sua família.

— Althea! — exclamou, sem pensar.

Koda ficou paralisado, já desconfiando da conexão entre elas.

— Althea... — sussurrou, enquanto tentava processar a informação.

— Você a conhecia? — perguntou Freya, a curiosidade transparecendo em seu olhar.

— Freya, — disse Koda, segurando suavemente o rosto dela. — Althea era minha irmã! — exclamou, deixando-a em choque e cheia de perguntas.

— Como assim? — indagou ela, a confusão tomando conta.

— Ela era minha irmã mais velha. Eu era muito novo quando ela foi enviada para cá, mas consegui decorar o cheiro dela. — Ele falava com nostalgia, e Freya sentiu um misto de emoção e surpresa.

— Quando eu vi você e senti seu cheiro, imediatamente me lembrei dela! Nosso sangue corre em suas veias, Freya. — Koda a olhou intensamente, a revelação pesando no ar.

Freya, tomada por um turbilhão de sentimentos, o abraçou, selando aquele encontro que mudaria tudo. Sempre acreditou que estava sozinha no mundo, sem família, sem matilha.

— Você é do leste. Órion escondeu isso de você. Por que ele fez isso? — perguntou Koda, a preocupação evidente em sua voz.

Freya sentiu uma onda de nervosismo e frustração. A revelação de Koda fez com que se sentisse traída por Órion, que havia escondido algo tão crucial de sua vida.

— Eu não sei! — exclamou, a decepção clara em seu tom.

— Freya, se você não for feliz aqui, saiba que sua matilha lhe espera. O leste é sua casa. Podemos desfazer o pacto de vocês, se assim desejar. Eu soube que você foi obrigada a se casar e que não é aceita nesta matilha. — Koda declarou, a sinceridade em suas palavras a tocando profundamente.

Freya hesitou, tentando absorver a magnitude de tudo o que acabara de ouvir.

— Eu preciso de um tempo. Preciso pensar um pouco, — disse ela, a voz tremendo.

— Eu entendo. Seja qual for a sua decisão, eu estarei aqui para apoiar. — Koda afirmou, inclinando-se para dar um beijo suave na testa de Freya, transmitindo conforto e compreensão.

...****************...

Durante a noite, Freya aguardava a chegada de Órion, seu coração acelerado por uma mistura de nervosismo e raiva. As horas pareciam se arrastar, e a tensão no ar era palpável.

Quando o Alfa finalmente entrou no quarto, exausto após um longo dia, ele tirou o casaco, aliviando-se do peso que carregava. Freya estava sentada na cama, com os olhos fixos no chão, perdida em pensamentos.

Órion olhou para ela e imediatamente percebeu que algo estava errado.

— Freya, você está bem? — perguntou, a preocupação evidente em sua voz.

Ela levantou o olhar, seus olhos se fixando nos dele, cheios de determinação.

— Por que você escondeu isso de mim? — indagou, a voz grave e firme.

Órion percebeu que ela já tinha conhecimento sobre sua verdadeira linhagem. Mesmo com a postura firme de um Alfa, ele se abaixou em frente a ela, buscando um contato que agora parecia distante.

Ele acariciou o rosto de Freya e a beijou, mas ela o empurrou.

— Por que? — exclamou Freya, decidida a ouvir a verdade.

Órion hesitou, lutando internamente para admitir seus sentimentos. Isso era algo que lhe custava muito.

— Eu não queria que você fosse embora! — confessou, a voz carregada de emoção.

— Eu tinha o direito de saber! — Freya disparou, a frustração transbordando. — Passei todo esse tempo acreditando que não tinha mais ninguém. Você sabia que eu tinha uma família e uma matilha, mas me manteve aqui e me obrigou a esse casamento!

— Nós nos casamos graças aos deuses! Eles nos obrigaram, Freya! — Órion exclamou, tentando justificar suas ações.

Freya o olhou, como se as palavras dele apenas piorassem a situação.

— Esse tempo todo você foi obrigado a viver com uma mulher que não ama. Por que não me enviou para o Leste? — questionou, encurralando-o com suas palavras.

Órion sentiu o peso de sua própria verdade.

— Eu precisava cumprir a vontade dos deuses! — exclamou, deixando Freya ainda mais decepcionada.

Ela se levantou, olhando para ele mais uma vez antes de declarar:

— Eu irei com meu tio amanhã! — disse, com determinação.

Freya virou as costas, caminhando em direção à porta.

— Se você for, haverá uma guerra entre o Leste e o Norte. Eu não permitirei que você vá! — ele gritou, sua voz firme e autoritária.

Freya voltou-se, a fúria pulsando dentro dela.

— E por que você se importa com minha ida? Por que isso te incomoda tanto? Deixar uma mulher que você não ama! — gritou, os olhos ardendo de indignação.

Num impulso, Órion a agarrou e a beijou ferozmente, como se quisesse se comunicar através do beijo, expressando toda a confusão e desejo que sentia.

Ela o empurrou com força e saiu do quarto, deixando Órion frustrado e nervoso, a batalha interna entre seus sentimentos e deveres ecoando em sua mente.

A jovem se sentou no jardim, tentando acalmar seu coração agitado. As lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto olhava para a lua crescente, buscando uma resposta nas estrelas.

— O que quer de mim? — sussurrou, sua voz quase um eco na quietude da noite. Ela se sentia perdida, como se estivesse sendo puxada em direções opostas.

Lucky, que observava de longe, percebeu a tensão no ar e se aproximou, juntando-se a ela sob o brilho prateado da lua.

— Você também sabia, não é? — perguntou Freya, sem desviar o olhar da lua.

Lucky, já imaginando a gravidade da situação, respondeu com um aceno triste.

— Sim, eu sabia.

— Por que me esconderam isso? — exclamou Freya, a frustração transbordando em suas palavras.

— Freya, Órion temeu que você fosse para o leste ao descobrir que tinha uma família — explicou Lucky, sua voz suave e compreensiva.

— Órion gosta de decidir tudo, sem se importar com os sentimentos dos outros! — ela disse, decepcionada, a amargura em sua voz evidente.

— Freya, você não viu o que eu vi. A conexão entre você e Órion é inegável. Naquela noite na floresta, ele ouviu seus gritos, sentiu seu cheiro. Ninguém mais sentiu o que ele sentiu. Estávamos muito longe, mas ele sentiu um instinto de proteção crescer dentro dele. Ele foi até você determinado a salvá-la.

Freya olhou para Lucky, seus olhos refletindo uma mistura de dor e confusão.

— Eu sei que as coisas não têm sido fáceis para você, mas você não sabe o que é viver sem seu companheiro escolhido. Eu esperei a vida toda pela sua mãe; nunca consegui seguir em frente. Quando soube da morte dela, foi um golpe no meu peito. Sua mãe escolheu seu pai e esperou por ele até não suportar mais a saudade. Os lobos são assim, Freya. Quando estão longe de seus escolhidos, são como folhas secas jogadas ao vento. Você e Órion são ainda mais especiais; os deuses uniram vocês. Se ficarem longe um do outro, só se machucarão. Acredite, não é fácil ficar longe de quem amamos — disse Lucky, a sinceridade em suas palavras.

— Órion não me ama — exclamou Freya, a tristeza evidente. — Ele é impulsionado pela lua, pela obrigação, não por amor. Ele não se importa com essas coisas.

— Talvez ele apenas não esteja pronto para assumir seus sentimentos, Freya. Órion sempre foi difícil de demonstrar o que sente, e quando está com você, ele muda. Não esqueça que ele é um Alfa — exclamou Lucky, afastando-se e deixando Freya com seus pensamentos.

Ao retornar ao quarto, Freya se deitou, enquanto Órion corria pela floresta, tentando acalmar os nervos. Seus olhos vermelhos e sua pelagem escura brilhavam sob a luz da lua.

Quando ele finalmente voltou, Freya estava dormindo. Ele a observou, sentindo uma onda de desespero ao perceber que poderia perdê-la.

— Não vá! — sussurrou, passando a mão pelo rosto suave dela.

A noite passou, e quando Freya acordou, estava determinada a partir. Parte dela queria ficar, mas outra parte ansiava por sua linhagem.

Órion entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, sua expressão séria.

— O que você está fazendo? — exclamou Freya, surpresa.

— Eu falei que você não irá! — disse ele, decidido.

— Órion, não precisamos mais discutir. Isso só vai piorar as coisas! — protestou Freya.

— Você não vai sair desse quarto! — exclamou ele, a determinação em sua voz.

— Por que você não quer que eu vá? — Freya perguntou, esperando ouvir a verdade.

— Você é minha companheira e precisa ficar comigo! — ele declarou, a voz autoritária.

Freya, impaciente, tentou sair, mas Órion a segurou.

— Freya! — exclamou ele, nervoso. — Eu... eu não quero que você vá...

— Por que não quer que eu vá, Órion? — ela repetiu a pergunta, buscando clareza em seus olhos.

Os dois se encararam, os corações batendo acelerados e ofegantes.

— Porque eu amo você! — exclamou ele, a urgência em sua voz ressoando como um eco poderoso na brisa suave. — Eu desejo você! Eu não consigo ficar longe de você! Você é minha! Minha companheira! — As palavras escaparam de seus lábios com uma intensidade ardente, carregadas de um sentimento profundo e avassalador.

Nesse instante, Freya não conseguiu resistir. Com um impulso de paixão, ela se inclinou para frente e o beijou intensamente, como se quisesse selar aquele momento para sempre. Órion, tomado pela emoção, a pegou em seus braços fortes e a levantou, colocando-a delicadamente em cima da penteadeira, onde a luz do dia refletia em seus rostos, criando um halo de calor e brilho ao redor deles.

Enquanto a proximidade se tornava ainda mais íntima, Órion começou a beijar o pescoço de Freya, seus lábios quentes e suaves explorando cada centímetro de sua pele. Ele a acariciava intensamente, como se tentasse transmitir todo o amor e desejo que sentia por ela através de cada toque, cada sussurro.

Ali, sob a luz do dia, eles selaram aquele momento de entrega e declaração, um pacto silencioso de que pertenciam um ao outro. Freya sentia a certeza de que, apesar das incertezas do mundo ao seu redor, naquele instante, estavam exatamente onde deveriam estar: juntos.

Durante a despedida, Koda caminhou em direção a sua sobrinha com um semblante sério, mas acolhedor. A luz do sol filtrava-se entre as árvores, criando uma atmosfera única e cheia de emoção.

— Então, o que decidiu? — perguntou ele, o tom de sua voz carregado de expectativa.

— Ficarei ao lado do meu companheiro — exclamou Freya, sua determinação irradiando confiança. Era uma escolha que vinha do fundo de seu coração, e ela não hesitou em expressá-la.

Koda sorriu, aliviado e orgulhoso.

— As nossas portas estarão sempre abertas! — exclamou ele, inclinando-se para dar um beijo suave na testa de Freya, um gesto que carregava todo o amor e proteção que ele sentia por ela.

— Eu irei visitá-los logo! — prometeu Freya, a animação em sua voz refletindo a esperança de manter os laços familiares fortes. Logo depois, ela se virou e abraçou Liana.

— Agora sou sua tia e cunhada! — exclamou Liana, com um sorriso brincalhão, quebrando a tensão do momento. As duas riram juntas, um som alegre que ecoou entre as árvores.

— Eu quero que vocês sejam muito felizes! — disse Freya, a sinceridade estampada em seu rosto, enquanto olhava para os dois com carinho.

Koda então se dirigiu a Órion, seu olhar se tornando sério.

— É bom que cuide bem dela, ou teremos sérios problemas — exclamou Koda, a voz firme enquanto os dois se encaravam profundamente. Havia um entendimento claro entre eles: a proteção de Freya era uma prioridade.

Órion assentiu, reconhecendo a gravidade da declaração.

— Pode contar comigo — respondeu ele, a determinação em sua voz refletindo seu compromisso.

Então, para quebrar o gelo, Koda sorriu e estendeu os braços.

— Dá um abraço aqui! — exclamou, e Órion não hesitou. Eles se abraçaram, uma troca calorosa que simbolizava um novo começo entre eles.

Freya e Órion, agora abraçados, acenaram para Koda e Liana, que já estavam se distanciando. O sol brilhava intensamente, prometendo um futuro radiante.

Órion se virou para Freya, inclinando-se para dar um beijo suave em sua companheira. Com os corações entrelaçados, eles deram as costas para a despedida e começaram a caminhar de volta para o castelo, prontos para enfrentar o que o futuro lhes reservava, juntos.

Durante a noite, deitados na cama, Órion admirava Freya. A luz suave da lua filtrava-se pelas cortinas, iluminando os contornos de seus rostos enquanto estavam virados um para o outro. Ele acariciava os cabelos dela, seus dedos deslizando suavemente, como se temesse que a beleza dela pudesse se dissipar a qualquer momento.

— Os deuses tinham razão — exclamou ele, quebrando o silêncio com uma voz intensa. — Eles me enviaram você para trazer alívio à minha alma, para preencher o vazio do meu coração. Você sente isso também, Freya? — perguntou, sua voz tremendo de expectativa.

Freya hesitou, a vulnerabilidade em seu olhar revelando um conflito profundo.

— Eu tenho medo de te amar, Órion. Tenho medo que esse amor possa me destruir — respondeu ela, a sinceridade em suas palavras cortando o ar entre eles como uma lâmina afiada.

Órion a olhou com determinação ardente.

— Eu jamais irei machucá-la! — exclamou, sua voz carregada de promessa. — Pelo menos não o seu coração! — ele brincou, tentando trazer um sorriso ao rosto dela, mesmo sabendo que suas naturezas não eram tão simples.

Freya sorriu, mas a sombra de seu medo ainda pairava.

— Eu amo você! — declarou, e essas palavras foram como um feitiço, envolvendo-os em uma aura intensa de desejo.

Órion não hesitou. Ele a puxou para perto e a beijou, o beijo era quente e doce, como se cada toque de seus lábios acendesse uma chama que havia estado adormecida. A paixão entre eles crescia como um fogo indomável.

...****************...

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Comments

Claudia Claudia

Claudia Claudia

Alfa vc ainda não está fora de perigo se a tua amante aprontar contigo vc perde a sua Luna ela te avisou que não admite traição em 👀👀

2025-02-13

0

daddi

daddi

ele machucou ela com palavras e fisicamente e agora diz que não vai machuca-la ? tá de brincadeira né?.

2025-01-27

0

Ana Lúcia De Oliveira

Ana Lúcia De Oliveira

Cada história tem suas particularidades, nunca li sobre o Alfa poder ter amantes.

2025-02-15

0

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