CONSUMAÇÃO

No quarto, Freya estava inquieta, pensando nas palavras de Liana. A incerteza a consumia; não havia um lugar seguro ali e Órion não a deixaria em paz.

Em meio a esse turbilhão de emoções, uma ideia começou a tomar forma em sua mente: fugir. Se conseguisse partir logo, teria uma chance de se afastar da matilha antes que notassem sua ausência. Quem sabe, talvez conseguisse chegar em casa. Agora que estava mais rápida, isso poderia ser possível.

Mas a jovem ainda não compreendia que Órion já havia capturado sua respiração, seu cheiro, e os batimentos acelerados de seu coração.

Desafiando mais uma vez seu Alfa, Freya decidiu agir. Quando a matilha se reuniu no salão, ela aproveitou a oportunidade e se lançou na floresta.

Ela corria sem hesitação, sem olhar para trás, movida por uma fúria primal. À medida que se afastava da matilha, um sorriso de alívio se espalhou em seu rosto.

— Consegui!, exclamou, continuando sua corrida em direção a casa.

Enquanto isso, a tarde avançava e Liana começava a se preocupar com a ausência de Freya.

— Mamãe, não consigo encontrar a Freya!, gritou, aflita.

Arya juntou-se à busca, mas a jovem não era encontrada.

Com a noite se aproximando e a lua cheia brilhando no céu, Arya foi até o salão da matilha. — Órion, Freya sumiu!, exclamou, a preocupação evidente em sua voz.

Órion a olhou com um semblante sério. —Eu sei, respondeu.

— Como assim?, perguntou ela, confusa.

— Quero que Freya entenda que, não importa aonde vá, nunca conseguirá se esconder de mim, disse ele, um leve sorriso se formando em seus lábios.

— Bom, vou indo!, exclamou, e logo se transformou em lobo, adentrando a floresta.

Freya já estava em sua casa, trancando portas e janelas, sentindo-se segura por um breve momento.

Órion corria pela mata, encantado pela caçada. Ao avistar uma casa no meio da floresta, o cheiro de Freya se tornava ainda mais intenso.

Ela estava na sala, quando ouviu batidas fortes na porta, o que a deixou assustada. Seu coração acelerava, intensificando a adrenalina de Órion.

— Abra a porta para mim, Freya! Exclamou ele.

Ela hesitou, ciente do que aconteceria se não obedecesse. Tremendo, finalmente abriu a porta.

Ao fazê-lo, encontrou Órion, com olhos vermelhos e furiosos.

— Por que você insiste em fugir? perguntou ele, a voz carregada de frustração.

— Eu não quero mais que me machuque! Respondeu Freya, sua voz trêmula.

Órion entrou e bateu a porta, caminhando em direção a ela, enquanto Freya recuava até cair sentada na cama. Ele posicionou seus braços de forma que ela não pudesse escapar, olhando profundamente em seus olhos e sentindo o cheiro de seu pescoço.

— Não aqui! Exclamou ela.

Ele a observou mais uma vez antes de beijá-la, mordendo seu lábio inferior.

— Por favor, não aqui! Sussurrou Freya, desesperada. Não queria que ele fizesse algo com ela naquele lugar que guardava memórias tão queridas.

Órion se afastou por um instante, mas logo puxou o braço dela, levando-a para a floresta.

Sob a luz da lua cheia, ele a beijou novamente com fervor, sem a mordida desta vez. Suas mãos exploravam o corpo dela, delicadamente, sem usar as garras. O medo de Freya começou a se dissipar, e ao olhar para a lua, algo primal despertou dentro dela.

Ela retribuiu o beijo, enquanto Órion rosnava, consumido pelo desejo. Suas mãos deslizavam pelo corpo dela, acariciando-a em pontos sensíveis.

Freya sentiu uma onda de prazer com seu toque, e seus olhos brilhavam em um azul intenso, contrastando com o vermelho ardente de Órion.

Ele a explorava, saboreando o corpo dela, enquanto Freya estava enfeitiçada pela luz da lua, e suas ações se tornavam cada vez mais instintivas, Guiadas por um desejo primal.

Com um movimento brusco, Órion levantou o vestido dela e a virou de costas, pressionando seu corpo quente contra o dela. Ele inclinou-se para ela, penetrando-a profundamente, um desejo avassalador pulsando dentro dele.

Freya não sentia dor, apenas uma onda de prazer que a envolvia. À medida que a intensidade aumentava, gotas de sangue começaram a pingar no chão, simbolizando a união selvagem entre eles e a consumação do casamento.

Órion sentiu a textura apertada de Freya e, ao perceber o aroma do sangue, uma ferocidade ainda mais intensa tomou conta dele. Em um acesso de instinto, ele passou suas garras pela pele dela, um ato que a fez despertar para a realidade.

Freya deixou escapar um grito de dor, a intensidade do momento a atingindo de forma brutal.

—Para! Ela implorou, sua voz embargada pelo medo.

Com um movimento brusco, Freya se afastou, olhando ao redor, atordoada. Ela estava coberta de sangue, a dor pulsando em seu corpo.

A jovem, com lágrimas escorrendo pelo rosto, olhou para Órion, a dor e a confusão refletidas em seus olhos. Órion, em um gesto impulsivo, aproximou-se dela e a beijou, na esperança de tranquilizá-la. Mas Freya virou o rosto, rejeitando o contato.

— Isso iria acontecer em algum momento, Freya! Exclamou ele, sua voz carregada de frustração.

Ela o encarou, os olhos cheios de lágrimas.

— Você me violou! gritou, a dor em sua voz ecoando no silêncio ao redor.

— Você queria! Ele respondeu, sua indignação crescendo.

— Eu não queria! ela retrucou, a voz tremendo. — Eu queria que fosse algo especial, com alguém que eu amasse e que me amasse! A intensidade de suas palavras fazia o ar ao redor deles parecer mais denso.

Órion a observou, um misto de frustração e confusão em seu olhar. Ele se levantou, tentando se recompor.

—Vamos, temos que voltar! Exclamou, a urgência em sua voz contrastando com a fragilidade do momento.

No fundo, Freya esperava um gesto de compreensão, algo gentil que pudesse acalmar seu coração despedaçado. Mas a frieza e a rudeza dele a feriram ainda mais, como uma lâmina afiada.

Ela se levantou lentamente, o peso da situação esmagando seus ombros. Juntos, eles começaram a voltar, o silêncio entre eles carregado de sentimentos não ditos e feridas abertas.

Durante o caminho de volta, ela começou a sentir-se cansada, o peso das emoções da noite a envolvendo. Órion, percebendo sua exaustão, não hesitou em pegá-la nos braços, envolvendo-a em seu abraço protetor. O calor de seu corpo a acalmou, e logo a jovem adormeceu, entregando-se ao descanso.

Ao chegarem à matilha, o Alfa levou Freya para o quarto dele, um gesto que nunca havia feito antes. Com delicadeza, ele a colocou na cama, tomando cuidado para que ela estivesse confortável. Olhando para ela, sentiu uma onda de ternura.

Decidido a cuidar dela, pegou algumas roupas limpas, cuidadosamente escolhendo um vestido que combinasse com sua beleza.

Com habilidade e suavidade, ele vestiu Freya, admirando cada detalhe de seu corpo enquanto o fazia. A suavidade de sua pele, a delicadeza de suas feições e a serenidade que emanava enquanto dormia o deixaram sem palavras. Cada movimento era realizado com respeito, como se estivesse tratando uma obra de arte preciosa.

Enquanto ela repousava, Órion se sentou ao lado dela, os olhos fixos em seu rosto sereno. Ele ficou ali, perdido em pensamentos, refletindo sobre a intensidade da noite e as consequências de suas ações. O brilho da lua iluminava o quarto, realçando a beleza de Freya e fazendo seu coração disparar.

A admiração que sentia por ela era profunda, mas também acompanhada de um peso que não conseguia ignorar.

...****************...

No dia seguinte, Freya acordou com a luz suave da manhã filtrando-se pelas cortinas. Ao abrir os olhos, percebeu que estava no quarto de Órion, um lugar que nunca havia sido permitido a ela. A confusão a envolveu ao se levantar, sentindo o tecido limpo de suas roupas contra a pele.

A fome começou a se manifestar, e ela decidiu que precisava de algo para comer. Com passos hesitantes, dirigiu-se à sala de jantar. Ao entrar, avistou Liana, que a olhou com uma mistura de surpresa e preocupação.

— Freya! exclamou, levantando-se rapidamente.

— Oi, respondeu Freya, a voz fraca e abatida.

A expressão de Liana se transformou em uma preocupação evidente.

— Aconteceu? perguntou, seu tom se tornando grave.

— Sim, Freya confirmou, sua voz carregada de tristeza.

Liana a observou, percebendo o quanto ela não estava bem.

— Freya, isso iria acontecer em algum momento. Fugir não será a solução, só piora! exclamou, a urgência em suas palavras refletindo sua preocupação.

A jovem sentiu uma onda de dor e confusão.

— Eu não me lembro de algumas coisas. Só senti as garras dele em minhas costas e uma dor ardente do ato! exclamou, a angústia despontando em sua voz.

— A deusa Luna a enfeitiçou, não foi? perguntou Liana, a preocupação se transformando em compreensão.

Freya balançou a cabeça em confirmação, um nó se formando em seu estômago.

— A deusa queria a consumação da união e fez acontecer de um jeito ou de outro. Os deuses sempre conseguem aquilo que querem, exclamou Liana, seu olhar firme.

Freya sentiu uma mistura de revolta e impotência. As palavras de Liana ressoavam em sua mente, mas a dor e a confusão ainda eram opressivas.

— Olha, vamos tentar distrair a mente, o que acha? Vamos caminhar um pouco pelo vilarejo, sugeriu ela, oferecendo uma saída do turbilhão de pensamentos.

Freya hesitou por um momento, mas a ideia de sair e sentir o vento fresco em seu rosto parecia um alívio.

— Ok! Respondeu ela, um leve sorriso se formando em seus lábios. — Acho que seria bom.

Enquanto as duas se preparavam para sair, Freya sentiu uma esperança tímida brotar dentro de si. Talvez, apenas talvez, uma caminhada pelo vilarejo pudesse ajudá-la a clarear a mente e encontrar um pouco de paz.

Freya e Liana caminhavam pelo vilarejo, enquanto Liana apresentava algumas pessoas para a jovem. Ao passarem por uma casa, ouviram risadas e vozes infantis. Liana sorriu e puxou Freya para dentro.

— Aqui nossas crianças aprendem a ler e escrever — exclamou, com um brilho de orgulho nos olhos.

Freya ficou encantada com a cena. As crianças, reunidas em pequenos grupos, estavam cercadas por sacerdotes que as ensinavam com paciência e carinho.

— Meu irmão, ele quem decretou que todos os lobos deveriam receber ensino desde criança — explicou, o orgulho evidente em sua voz.

Freya sentiu que Órion, apesar de sua postura autoritária, tinha um lado empático que ela não havia notado antes.

Enquanto continuavam a andar, elas cruzaram com Ethan, que estava em uma conversa animada com alguns outros jovens do vilarejo. Assim que ele viu Freya, seu sorriso desapareceu, e ele se aproximou.

— Me desculpe por aquele dia! — exclamou Ethan, seus olhos se fixando nas marcas deixadas pelo alfa no pescoço de Freya. Aquelas marcas intimidavam qualquer lobo que se aproximasse dela.

— Eu sei que você não teve culpa. A lua mexeu com você! Eu entendo — respondeu Freya, sua voz suave e compreensiva.

Ethan sorriu, aliviado com a resposta dela.

— Você está treinando com outra pessoa? — perguntou ele, curioso.

— Treinarei com Lucky — disse Freya, mas antes que pudesse continuar, sentiu uma presença imponente atrás de si.

De repente, uma mão firme agarrou sua cintura. Ao olhar, ela encontrou Órion, com uma expressão séria, apertando sua cintura e encarando Ethan com um olhar penetrante.

— Freya treinará comigo a partir de hoje! — exclamou ele, sua voz autoritária ecoando no ar e fazendo Ethan recuar.

Freya ficou surpresa, olhando para Órion com confusão.

— Você disse que seria Lucky! — exclamou ela, a frustração evidente em sua voz.

Liana, percebendo a tensão, não conseguiu esconder um leve sorriso ao ver a cena.

— Ethan, eu quero te falar uma coisa, vamos? — disse Liana, tentando deixá-los a sós. Ethan a seguiu, lançando um último olhar hesitante para Freya.

Órion não tirava os olhos ferozes de Ethan enquanto ele se afastava, e Freya se virou novamente para ele.

— Entendi agora, você apenas quer me controlar, não é? — sua expressão era séria, mas havia uma pitada de desafio em seu tom.

— Eu sou o Alfa. Deveria agradecer por treinar comigo, são poucos que têm esse privilégio — respondeu Órion, com uma arrogância que a deixava mais irritada.

— Eu posso escolher? — perguntou Freya, determinada.

— Não! — exclamou Órion, a resposta firme e intransigente.

Freya ficou em silêncio, processando a situação. Órion, percebendo a tensão no ar, moveu-se mais perto, segurando-a pela cintura. Ele passou suas narinas pelo pescoço dela, fazendo-a arrepiar.

— Você está pronta para acasalar! — exclamou ele, deixando a jovem assustada.

Órion conseguia sentir que Freya estava entrando no Cio.

Ela tentou se desvencilhar dos braços dele, mas antes que pudesse reagir, o Alfa a puxou para perto e a beijou com intensidade, enquanto todos no vilarejo observavam.

Freya não entendia o que realmente Órion queria. Ele era grosseiro em um momento e, em outro, a beijava com paixão, confundindo-a ainda mais.

— Vamos, quero te mostrar algo — exclamou ele, puxando-a em direção a um campo de treinamento.

— Que lugar é esse? — perguntou ela, sua voz séria, mas cheia de curiosidade.

— É aqui que você treinará a partir de agora! — respondeu Órion, a determinação na voz dele era inegável.

— Podemos começar agora? — exclamou ele, deixando Freya surpresa e apreensiva ao mesmo tempo.

O campo de treinamento era vasto, com equipamentos e espaços abertos, e, por um momento, Freya sentiu uma mistura de excitação e medo. O que viria a seguir? O destino a aguardava, e ela sabia que não poderia recuar.

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Comments

Ameles

Ameles

isso não é amiga é uma cobra que merece sofrer assim como toda essa matilha,agora entendi pq a mãe dela fugiu e mesmo após a morte de seu amor não voltou pra matilha pois sabem que são tóxicos, cruéis

2024-11-26

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Ivanúcia

Ivanúcia

Poderia demonstrar carinho no começo, ser um escroto no meio e ordinariamente gostoso e viril no final, mas fez tudo da forma errada e agora só tenho raiva dele.

2024-11-30

0

Ameles

Ameles

nada romântico e estrupo com a benção da deusa, cruzes eu acho que iria pra mais longe, ficar entre os humanos, ir pra outra matilha qualquer coisa é melhor que essa matilha escrota

2024-11-26

0

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