No dia seguinte, logo cedo, Freya acordou com a luz do sol filtrando-se pelas cortinas, ainda um pouco abalada com os eventos da noite anterior. Ela se vestiu rapidamente, determinada a afastar os pensamentos que a atormentavam, e saiu em direção à floresta para encontrar Ethan, que já a aguardava.
— Olá! — exclamou ela, tentando disfarçar a inquietação que sentia.
Ethan olhou para os lábios machucados de Freya e perguntou:
— Você está bem?
— Sim! — rebateu ela, forçando um sorriso.
— Então vamos! — exclamou ele, animado.
Enquanto isso, no castelo, Arya começou a se preocupar ao perceber que Freya não estava no quarto.
— Liana, onde está Freya? — perguntou a matriarca, a preocupação evidente em sua voz.
— Ela está treinando! — respondeu Liana, com um brilho de excitação nos olhos.
— Treinando? — repetiu a matriarca, surpresa.
Nesse momento, Órion passava pelas duas e ouviu a conversa.
— Ela precisa descobrir o que é, se é humana ou lobo. Então pedi a Ethan que a ajudasse — explicou a jovem, sem perceber a tensão crescendo ao redor.
Arya ficou feliz pela novidade, mas a expressão de Órion era de descontentamento.
— Você deveria ter pedido a minha autorização! — exclamou ele, dirigindo seu olhar intenso para Liana, que recuou um passo.
— Alfa, Freya pode ser uma de nós. É preciso que aprenda tudo para que se torne forte! — insistiu, determinada.
Arya se posicionou, colocando-se entre os dois.
— Meu filho, vamos deixá-la aprender tudo. Será bom para todos nós. Ela é sua companheira agora; ela tem que se fortalecer! Disse, com firmeza.
Órion permaneceu em silêncio, mas sua expressão revelava sua relutância. Ele não disse nada, apenas saiu, seu silêncio ecoando a decisão de não se intrometer naquela situação.
Freya seguiu Ethan pela floresta, o som das folhas secas estalando sob seus pés enquanto o sol filtrava-se pelas copas das árvores. A atmosfera estava carregada de uma energia vibrante, e, aos poucos, ela começou a se sentir mais leve, afastando as incertezas que a atormentavam.
— Então, o que vamos fazer? — perguntou ela, tentando esconder a ansiedade que ainda a acompanhava.
Ethan parou em uma clareira iluminada, cercada por árvores altas e imponentes. Ele se virou para ela, um sorriso encorajador nos lábios.
— Hoje, vamos nos concentrar em despertar seus instintos. Você pode não saber exatamente o que é, mas dentro de você há algo especial que precisa ser descoberto.
Freya franziu a testa, confusa.
— Como eu vou fazer isso? Nunca me transformei, nem sei se sou realmente uma loba.
— Não se preocupe com isso agora — respondeu ele, dando um passo à frente. — O que importa é que você se conecte com a natureza ao seu redor. Vamos começar com algo simples. Feche os olhos e respire fundo. Sinta a terra sob seus pés, o vento em seu rosto.
Ela hesitou, mas seguiu seu conselho, fechando os olhos e respirando profundamente. Aos poucos, começou a sentir a energia da floresta. O cheiro da terra molhada, o canto dos pássaros e o sussurro das folhas pareciam se unir em uma sinfonia harmoniosa.
— Agora, tente relaxar e deixar sua mente se abrir — disse Ethan, sua voz suave como um sussurro. — Sinta o que está ao seu redor. O que você percebe?
Freya se concentrou, tentando silenciar os pensamentos que a atormentavam. Com cada respiração, ela se sentia mais conectada ao ambiente. Uma sensação de pertencimento começou a crescer dentro dela.
— É… como se tudo estivesse vivo — respondeu ela, a voz ainda baixa, mas mais confiante.
— Exatamente! — exclamou ele, animado. — Agora, tente se imaginar correndo livremente pela floresta. Sinta a força em suas pernas, a agilidade em seu corpo.
Freya visualizou-se correndo entre as árvores, seus pés leves e rápidos, a sensação de liberdade a envolvia. Um sorriso espontâneo surgiu em seu rosto.
— Isso é incrível! — disse ela, abrindo os olhos.
— E isso é só o começo — respondeu Ethan, com um brilho nos olhos. — Agora, vamos trabalhar na sua agilidade. Quero que você me siga. Vamos correr!
Com um aceno de cabeça, Freya se preparou, e juntos eles começaram a correr pela clareira, saltando sobre raízes e desviando de troncos caídos. Cada passo a fazia sentir-se mais viva, mais conectada a algo maior. Ela sabia que ainda tinha um longo caminho pela frente, mas naquele momento, sentia que estava um passo mais perto de descobrir quem realmente era.
****************
A tarde começava a se despedir, tingindo o céu com suaves tons de laranja e rosa, enquanto Freya, ainda cansada de seu treinamento intenso, caminhava de volta para casa.
Ao passar pelo vilarejo, seus olhos se fixaram em uma senhora idosa, que lutava para carregar um cesto repleto de frutas maduras e ervas frescas.
— Deixe-me ajudá-la! — exclamou gentilmente, aproximando-se com um sorriso caloroso.
A senhora levantou a cabeça, e seus olhos, repletos de gratidão, iluminaram-se ao ver a bondade da jovem.
— Oh, obrigada, minha jovem! — disse ela, aliviada ao sentir o peso do cesto ser aliviado.
Freya tomou o cesto em suas mãos, notando a suavidade das frutas e o perfume das ervas que escapavam de dentro. Juntas, elas se dirigiram lentamente à casa da senhora.
— Você é uma boa alma, minha querida — comentou a senhora, enquanto caminhavam, sua voz carregada de uma ternura que aquecia o coração de Freya. — Não vejo muitos jovens dispostos a ajudar.
— Eu realmente gosto de ajudar — respondeu Freya, sentindo-se aquecida pelas palavras da idosa. — É sempre gratificante poder fazer a diferença, mesmo que seja uma pequena ação.
Assim que chegaram à casa, a idosa a convidou a entrar, gesticulando com a mão para que Freya a seguisse.
— Por que não fica um momento? Tenho um pouco de chá e algumas histórias antigas para compartilhar.
Freya aceitou, atraída pela ideia de ouvir narrativas repletas de sabedoria e de saborear um chá quentinho.
Enquanto isso, no salão da Matilha, Órion estava sentado em uma imponente cadeira de madeira, esculpida com símbolos ancestrais. As paredes eram adornadas com peles de presas e troféus que contavam a história da alcatéia. O ambiente estava impregnado de uma atmosfera de autoridade e respeito, apropriada para um alfa.
Foi nesse momento que Lucky e Vincent entraram, trazendo consigo dois homens comuns, cujos rostos estavam pálidos e seus corpos tremiam de medo.
— Alfa, encontramos esses homens espionando nossa matilha! — exclamou Lucky, jogando os homens aos pés de Órion, que observava a cena com um olhar penetrante.
Órion se inclinou ligeiramente para frente, sua presença imponente fazendo com que os homens se encolhessem ainda mais.
— O que vocês querem? — perguntou, a voz profunda e firme ressoando na sala.
— Estávamos perdidos, não oferecemos perigo! — gaguejou um dos homens, sua voz trêmula enquanto tentava justificar sua presença.
O Alfa respirou fundo antes de responder.
— As matilhas se mantiveram durante anos separadas do mundo dos homens comuns, sabem por quê? — começou, a intensidade de suas palavras ecoando nas paredes do castelo. — Porque vocês, humanos fracos, sempre tiraram a paz dos lobos e destruíram a floresta em busca de lucro e poder.
O olhar de Órion se tornava cada vez mais severo, a indignação evidente em seu tom.
— Levem eles para o calabouço! — ordenou, sua decisão firme e inabalável.
Lucky e Vincent, obedientes, agarraram os homens pelos braços e os arrastaram para fora da sala, enquanto os ecos de seus protestos e súplicas se dissipavam pelos corredores do castelo. Ele permaneceu sentado, contemplando as consequências da intrusão e o futuro incerto que se desenhava entre humanos e lobos.
****************
Alguns dias se passaram, e a manhã despontava radiante, com raios de sol filtrando-se através das folhas verdes das árvores. Freya despertou em sua pequena cama, o cheiro fresco da floresta invadindo seu quarto, trazendo consigo a promessa de mais um dia repleto de desafios e aprendizados. Com um suspiro profundo, ela se levantou, sentindo a adrenalina da expectativa percorrer seu corpo.
Após se vestir rapidamente, Freya saiu de casa e dirigiu-se para o local onde costumava se encontrar com seu treinador. O caminho até o campo de treinamento era familiar, repleto de flores silvestres que balançavam suavemente ao vento e o canto dos pássaros que pareciam incentivá-la a seguir em frente.
Ao chegar, avistou Ethan.
— Bom dia, Freya! — disse ele, com um sorriso encorajador. — Pronta para mais um dia de treinamento?
— Sempre! — respondeu ela, determinada. — Hoje eu realmente sinto que posso avançar.
— Hoje, vamos trabalhar em seus reflexos — disse Ethan, sua voz firme e encorajadora. — Ser ágil e rápida é fundamental para a sobrevivência. Vou lançar alguns objetos em sua direção, e você precisará desviar ou pegá-los antes que eles atinjam o chão. Esteja atenta e confie em seus instintos.
Freya assentiu, mas uma onda de nervosismo a invadiu. Ela respirou fundo e se posicionou, os músculos tensos e prontos para a ação. Ethan começou a lançar pequenos galhos e pedras leves em sua direção, um por um. No entanto, apesar de sua determinação, Freya não conseguiu se concentrar.
O primeiro galho voou em sua direção, mas, em vez de desviar, Freya hesitou e acabou sendo atingida levemente, fazendo-a tropeçar. O mesmo aconteceu com o segundo e o terceiro lançamentos. Cada vez que ela tentava se mover, algo parecia bloqueá-la — era como se uma névoa de dúvida a envolvesse, dificultando sua capacidade de reagir.
— Não desista, Freya! — incentivou Ethan, observando sua frustração. — Tente relaxar e seguir seu instinto.
Mas, a cada novo objeto lançado, Freya se sentia mais desanimada. Ela não conseguia acompanhar a velocidade de Ethan, e a frustração começou a se acumular dentro dela. Após um erro de cálculo, ela acabou sendo atingida por um pequeno tronco que rolou em sua direção, fazendo-a cair de joelhos no chão.
— Eu... eu não consigo! — exclamou, a voz embargada. — Parece que nunca vou conseguir!
Ethan se aproximou, agachando-se ao seu lado. Ele a olhou nos olhos, sua expressão era de compreensão e apoio.
— Todos nós passamos por dificuldades, Freya. O importante é aprender com elas. Vamos tentar novamente, mas desta vez, não se concentre apenas no que está vindo. Concentre-se em como você se sente e em sua conexão com a natureza. Lembre-se de que você é mais forte do que pensa.
A jovem respirou fundo, tentando absorver suas palavras. Sabia que a jornada seria difícil, mas estava disposta a enfrentar seus medos. Com um leve aceno de cabeça, ela se levantou, determinada a não deixar que a frustração a dominasse. Juntos, eles se preparariam para um novo round de treinamento, e Freya estava decidida a se levantar e tentar novamente.
Distante dali, entre as sombras das árvores imponentes, o Alfa observava Freya com um olhar crítico. Ele estava escondido, mas sua presença era forte, emanando um ar de autoridade que fazia os outros animais da floresta se afastarem.
— Ela está tentando! — exclamou Lucky, a voz carregada de esperança. Ele sempre acreditou no potencial de Freya, mesmo diante das dificuldades que ela enfrentava.
— Ela é fraca! — rebateu Órion, com desdém.
— Não aguentará muito tempo assim! A vida na Matilha não é fácil, e se ela não conseguir acompanhar, será um peso.
— Ela é persistente como a mãe! — disse Lucky, com um brilho nos olhos. — Althea nunca desistiu, mesmo quando as coisas ficavam difíceis. Tenho certeza de que Freya encontrará seu caminho.
Órion cruzou os braços, ainda cético. Ele sempre fora protetor da matilha e temia que a fragilidade de Freya pudesse trazer problemas. Contudo, ele não podia ignorar a determinação que ela mostrava, mesmo que em pequenas doses.
— Vamos! — exclamou ele, decidindo que era hora de se afastar e deixar Freya a seu próprio ritmo.
Os dois se afastaram, as silhuetas desaparecendo nas sombras da floresta. Enquanto isso, Freya continuava seu treinamento, sentindo a pressão e a expectativa, mas também determinada a provar que estava pronta para se juntar à matilha e se tornar a loba que sempre sonhou ser. A cada desafio, ela sabia que estava mais próxima de honrar o legado de sua mãe e encontrar seu verdadeiro lugar na comunidade.
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Atualizado até capítulo 48
Comments
Claudia Claudia
falar e fazer são coisas diferentes ela vai aprender no seu tempo falar que ela é frágil submissa e fácil agora imagina ter que se esconder e sobreviver sozinha na floresta sem ter quem a ajudasse ou a orientasse dependendo única e exclusivamente dela mesma ela é forte só está tentando se adaptar a essa sua nova realidade
2025-02-12
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Fátima Ramos
Quando a loba dela sair vai ser poderosa, vai ser à loba branca e ele o lobo negro da profecia
2025-02-07
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Ana Regina Fernandes Raposo
TENHO CERTEZA QUE ELA VAI VENCER. E CADA HISTÓRIA DE LOBISOMENS É DIFERENTE. SE NÃO GOSTA E SÓ SAIR.
2024-12-15
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