LUA PRATEADA

Enquanto Freya corria, seu corpo se movia com agilidade entre as árvores, mas, em um instante de distração, ela tropeçou em um galho oculto no chão, caindo pesadamente. O impacto foi brusco, e sua respiração ficou ofegante enquanto ela tentava se recuperar e levantar.

Os homens se aproximaram, suas silhuetas ameaçadoras se destacando na penumbra da floresta, e um deles brandiu uma faca reluzente, o metal refletindo a luz da lua.

— Por favor, não façam isso! — exclamou Freya, sua voz carregada de desespero e medo. A súplica ecoou na noite, mas parecia ser em vão.

Quando um dos homens se preparou para feri-la, um rugido profundo e feroz cortou o ar. Um enorme lobo negro, com pelagem escura e olhos fulgurantes como brasas, avançou sobre o homem, lançando-o longe com um golpe poderoso. O grito do agressor se misturou ao som de folhas e galhos quebrando sob o peso do lobo.

O segundo homem, apavorado ao testemunhar a cena, deu meia-volta e tentou fugir. Mas o lobo negro, ágil e implacável, saltou sobre ele, atacando-o com uma ferocidade que parecia quase sobrenatural, estraçalhando-o como se fosse papel.

Após o breve, mas intenso confronto, o lobo se voltou para Freya, que ainda permanecia caída no chão, apavorada e ferida. Ele a olhou profundamente nos olhos, seus sentidos aguçados percebendo o cheiro dela e ouvindo o pulsar acelerado de seu coração. A conexão entre eles se estabeleceu em um instante, e, para surpresa de Freya, ela não sentiu medo — apenas uma estranha sensação de segurança.

Logo depois, Órion, o lobo que a salvara, começou a se transformar. A magia da lua cheia iluminou seu corpo enquanto ele voltava à sua forma humana, sua silhueta musculosa e imponente se erguendo diante dela. Junto com ele, a alcatéia também se transformou, revelando seus membros humanos, mas com olhares que ainda carregavam a ferocidade de suas formas lupinas.

Órion estendeu a mão, oferecendo ajuda a Freya para que se levantasse. No entanto, seu semblante era sério, e a intensidade em seus olhos não deixava espaço para dúvidas.

— Quem é você? — ele questionou, a voz grave e autoritária, como se estivesse diante de uma estranha ameaça.

Freya sentiu um frio na espinha, não apenas pelo tom de sua voz, mas pela ferocidade que ele e Lucky demonstravam. Os dois homens humanos que haviam se transformado em lobos estavam agora em pé, prontos para interrogar e proteger o que era deles.

— Por que você estava sozinha na floresta? — Lucky acrescentou, seu olhar penetrante avaliando a situação, como se cada palavra fosse uma peça do quebra-cabeça que precisavam resolver.

Freya respirou fundo, tentando reunir coragem diante da intensidade da situação. As palavras estavam na ponta da língua, mas a vulnerabilidade que sentia a deixava hesitante. Ela sabia que precisava explicar, mas também entendia que sua resposta poderia moldar a forma como aqueles homens, agora em suas formas humanas, a viam.

— Eu não sei, eu apenas olhei para a lua cheia e, quando percebi, já estava na floresta! — Freya exclamou, sua voz tremendo de nervosismo, os olhos brilhando com uma mistura de medo e confusão.

A pergunta de Órion pairou no ar como uma sombra, carregada de uma gravidade que a fez sentir-se ainda mais vulnerável. Ele se aproximou, sua presença imponente fazendo o coração dela disparar.

— Você é uma de nós? — a voz grave de Órion ressoou, firme e autoritária, como um trovão em uma noite tempestuosa.

Percebendo que a intensidade de Órion estava apenas amplificando o pavor que já dominava Freya, Lucky decidiu intervir. Com um gesto gentil, ele chamou seu sobrinho para um lado, afastando-se um pouco da jovem.

— Órion, podemos conversar? — ele sugeriu, sua voz suave contrastando com a tensão palpável no ar.

— Ela está com medo e ferida. Vamos dar a ela um momento para respirar. Deixe-me interrogá-la, está bem? — Lucky falou, tentando apaziguar a situação como um pai que busca confortar uma criança assustada.

Órion hesitou, mas finalmente acenou com a cabeça, concordando relutantemente. Freya, ainda tremendo, se sentou no chão coberto de folhas, tentando controlar a respiração enquanto tentava acalmar o coração que pulsava descontroladamente dentro do peito. Os outros membros da alcatéia sussurravam entre si, trocando olhares de curiosidade e preocupação, como se a floresta ao redor estivesse absorvendo a tensão.

Após alguns minutos que pareceram uma eternidade, Lucky se aproximou de Freya, sua presença agora mais tranquila, buscando estabelecer uma conexão genuína.

— Qual é o seu nome? — ele perguntou, a voz mais calma e encorajadora ajudando a aliviar a pressão que pesava sobre os ombros dela.

— Me chamo Freya, — ela respondeu, um leve suspiro escapando de seus lábios, como se finalmente pudesse exalar um pouco da ansiedade que a consumia.

— Você também é uma de nós? — Lucky questionou, a curiosidade evidente em seus olhos, como se esperasse que a resposta pudesse iluminar um caminho desconhecido.

— Eu não sei... eu nunca me transformei, — Freya disse, a expressão de decepção se espalhando por seu rosto, como se uma sombra tivesse cruzado sua alma.

— Seus pais são como nós? — ele perguntou, tentando montar o quebra-cabeça que se formava diante deles.

— Apenas a minha mãe. Ela era como vocês, — Freya respondeu, sua voz vacilante, carregada de nostalgia e saudade.

— Quem era a sua mãe? — Lucky insistiu, a intenção de descobrir mais sobre a jovem evidente em seu olhar fixo.

— Althea. Ela se chamava Althea, — Freya revelou, a lembrança da mãe trazendo um misto de dor e amor à tona.

As palavras de Freya deixaram Lucky em estado de choque, uma onda de sentimentos conflituosos o envolveu. O nome “Althea" ressoou em sua mente, como um eco distante de um passado que ele nunca conseguiu esquecer.

— Althea é sua mãe? — ele repetiu, quase sem acreditar, a incredulidade tingindo sua voz.

— Sim, ela era como vocês, mas meu pai era apenas um homem comum, — Freya explicou, compartilhando a história de sua origem, cada palavra carregada de um peso emocional que parecia ecoar na escuridão da floresta.

Freya contou a Lucky sua história.

A tristeza tomou conta do lobo ao ouvir sobre a morte de Althea, um sentimento profundo e doloroso que o fez sentir como se uma parte de sua própria história tivesse sido arrancada. Ele se levantou, buscando a presença de Órion, seu coração apertando ao pensar na revelação.

— Por que você está assim? — Órion perguntou, notando a mudança no semblante do tio.

— Ela é filha de Althea, — Lucky revelou, a confissão caindo como uma pedra em um lago calmo, criando ondas de surpresa e preocupação.

— Então, por que ela não se defendeu? — Órion indagou, sua voz carregada de desconfiança enquanto olhava de longe para Freya, que se retraía sob o olhar escrutinador.

— Ela é filha da loba com um homem comum. Ela nunca se transformou, — Lucky explicou, a realidade da situação se tornando mais clara, como um dia que vai se revelando aos poucos.

— Então, ela é uma humana, — afirmou Órion, a frieza de suas palavras ecoando na escuridão da floresta.

— Pode ser, ou não! — retrucou Lucky, a inquietação crescendo em seu peito. Ele sabia que havia algo mais em Freya, algo que merecia ser descoberto.

— Vamos deixá-la ir embora e retornar para a matilha, — exclamou Órion com determinação, sua voz firme como um comando que não admitia contestação.

— Não podemos deixá-la aqui! — insistiu Lucky, a urgência em sua voz aumentando. — Ela pode ser uma de nós. Não podemos ignorar o que ela pode se tornar.

— Ela é fraca, Lucky. Não pode viver conosco, — Órion respondeu, seu olhar austero e implacável. Aquelas palavras cortaram como uma lâmina, e Lucky sentiu uma onda de impotência lhe invadir. Ele sabia que tinha que obedecer ao seu alfa, mas o desejo de proteger Freya pulsava dentro dele como um instinto primitivo.

Com um suspiro pesado, os dois se voltaram, deixando Freya sozinha na penumbra da floresta. O silêncio envolveu o local, e a jovem sentiu o peso da solidão se instalar em seu coração. Um misto de medo e tristeza a envolveu, enquanto os ecos de sua própria confusão ressoavam em sua mente.

À medida que Órion caminhava, a luz da lua cheia iluminava seu caminho, mas também parecia distorcer sua percepção. Uma voz suave e desesperada começou a ecoar em sua mente, como um sussurro que se entrelaçava com o vento noturno.

— Não me deixe sozinha... — a voz murmurava, uma súplica que parecia vir de um lugar profundo e desconhecido, fazendo com que seu coração hesitasse. A lua refletia suas emoções, trazendo à tona um conflito interno que o fazia vacilar.

De repente, como se uma força invisível o puxasse, Órion se virou abruptamente e correu de volta até Freya. Ele a encontrou ali, vulnerável, pequena sob a luz prateada da lua, e algo dentro dele se despedaçou.

Sem hesitar, ele a pegou em seus braços, a força de seu corpo envolveu Freya em um abrigo inesperado. Ela ficou surpresa, seus olhos se arregalando de incredulidade enquanto ele a levantava com facilidade, como se ela fosse feita de plumas.

— O que você está fazendo? — ela perguntou, a voz tremendo entre a confusão e uma ponta de esperança.

— Não podemos deixá-la aqui, — ele declarou, a determinação renovada em seu tom.

Com Freya em seus braços, Órion começou a correr em direção à matilha, seus lobos o seguindo em um frenesi, como flechas cortando o ar. A floresta parecia vibrar ao redor deles, os sons da natureza se misturando com o batimento acelerado de seu coração.

Freya sentiu o vento em seu rosto e, por um momento, a sensação de liberdade a envolveu. Ela não sabia o que o futuro reservava, mas ali, nos braços de Órion, havia uma centelha de esperança.

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Comments

Fátima Ramos

Fátima Ramos

Se ele a está a ouvir é porque ela tem loba

2025-02-07

0

Magna Figueiredo

Magna Figueiredo

Simmmmm...ela é a companheira dele...apenas não conseguiu se transformar ainda /Blush//Blush//Blush//Blush//NosePick//NosePick//NosePick/

2025-02-22

1

Ana Lúcia De Oliveira

Ana Lúcia De Oliveira

lindo capítulo 👏👏

2025-02-14

0

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