Dez longos dias se passaram desde que Freya fora deixada à mercê de sua própria luta. O silêncio no quarto tornara-se ensurdecedor, e a expectativa de sua morte pairava no ar como um manto pesado. Os membros da matilha, com expressões de desânimo, se reuniam em torno da porta, trocando olhares que falavam mais do que palavras poderiam expressar.
— Talvez ela não passe dessa Lua cheia, — exclamou Arya, a tristeza em sua voz ecoando como um lamento. Ela olhava para a janela, onde a luz prateada da lua filtrava-se, iluminando suavemente o rosto de Freya, que permanecia inerte na cama.
Naquela noite, a lua cheia brilhava intensamente, banhando o quarto em uma luz etérea. E, de repente, como se o universo tivesse decidido intervir, Freya despertou. Ela levantou-se abruptamente, seus olhos azuis reluzindo com uma intensidade que parecia refletir a essência de sua loba emergente. A transformação que ocorria dentro dela era palpável e poderosa.
Com um movimento decidido, Freya se levantou da cama e caminhou em direção à janela, completamente nua, sua pele brilhando sob a luz da lua. Do lado de fora, os lobos estavam em um estado frenético, a lua cheia despertou um instinto primal que os deixavam inquietos.
Ao avistarem Freya, suas energias mudaram; olharam para ela, hipnotizados, como se ela fosse a própria luz da lua que os atraía.
Órion, que estava ao lado de Lucky, sentiu uma onda de possessividade percorrer seu corpo. Seus instintos se agitaram, e algo feroz despertou dentro dele. Os lobos, cativados pela presença de Freya, começaram a rosnar uns para os outros, a tensão no ar crescendo à medida que a lua os deixavam loucos.
Freya, por sua vez, estava absorta na beleza da lua, mas ao notar os lobos agitados, seu olhar cruzou com o de Órion. Ele a observava com um desejo selvagem, como se sua essência estivesse chamando por ela. A conexão entre eles era inegável, mas também aterrorizante.
Num instante, Órion não pôde mais conter seu instinto. Ele disparou para dentro do castelo, em direção ao quarto de Freya, feroz e determinado a possuíla. O coração de Freya disparou ao perceber a ferocidade em seus olhos; ela sentiu o medo tomar conta de seu ser e, em um impulso, correu para a porta, fechando-a com força atrás de si.
Sem hesitar, afastou um móvel e o colocou em frente à porta, tentando criar uma barreira entre eles.
Órion, tomado pela fúria da lua cheia, começou a arranhar a porta, o som da madeira sendo dilacerada ecoando pelo corredor. Freya empurrou a cama contra a porta, buscando desesperadamente uma proteção contra a força indomável que se aproximava.
A tensão no ar era palpável, e a fúria de Órion era uma tempestade, uma força da natureza que ameaçava transbordar. O tempo se arrastou, e a sensação de desespero começou a consumir Freya.
Mas, eventualmente, o som da destruição cessou. O silêncio se instalou, e Freya, com o coração ainda acelerado, percebeu que Órion havia se afastado. Um alívio intenso a envolveu, mas a sensação de que a batalha estava longe de terminar ainda pairava sobre ela. A lua cheia continuava a brilhar, e com ela, os instintos primais de todos os lobos, incluindo os de Órion, que iriam, sem dúvida, retornar.
O Alfa e os outros lobos deixaram a matilha e se embrenharam na floresta, a lua cheia ainda iluminando o caminho com sua luz prateada. O ar estava carregado com o cheiro da vegetação úmida e da vida selvagem, e a energia crua da noite pulsava ao redor deles, intensificando o desejo de caça que dominava cada um.
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Durante a manhã, Freya despertou cedo, o sol ainda mal despontando no horizonte. Com um movimento decidido, ela afastou os móveis que obstruíam a porta, revelando o estrago que havia sido causado na madeira. Ao abrir a porta, seus olhos se depararam com buracos imensos e arranhaduras profundas, marcas de um confronto que deixara sua marca.
— Freya! exclamou Liana, sua voz ressoando com alegria ao ver a amiga acordada e aparentemente bem. Ela a envolveu em um abraço apertado, transmitindo uma sensação reconfortante de camaradagem.
— Eu sabia que você conseguiria acordar! Liana exclamou, mas logo seu olhar se voltou para a porta e os estragos que a adornavam. A preocupação tomou conta de seu semblante.
—Você não o deixou entrar, não é?
Freya desviou o olhar, um leve rubor de vergonha pintando suas bochechas.
— Ele ia me atacar, eu não tive escolha! respondeu, a voz trêmula, revelando a intensidade do momento.
— Freya, você sabe que uma hora ou outra vocês terão que acasalar, não sabe? disse Liana, tentando abordar o assunto de forma delicada.
— Eu tenho medo! a jovem respondeu, a voz elevada, enquanto a angústia tomava conta dela. — Tenho medo que ele me machuque. Eu não sei como funciona, e não quero passar por isso!
Liana segurou a mão da amiga, um gesto de apoio e compreensão. — Freya, você é uma loba. Não deveria ter medo dessas coisas; isso já faz parte de nós, é parte de nossos instintos, explicou, com um tom encorajador.
— Mas eu ainda não me transformei! ela retrucou, sua insegurança evidente.
— Você pode não ter se transformado ainda, mas já possui as habilidades e instintos necessários. Você protegeu aquelas pessoas; a força com que socou o lobo... você é uma de nós. Apenas precisa de tempo para a transformação.
Liana afirmou, sua voz cheia de confiança.
— Agora vamos! A mesa de jantar nos espera, disse, puxando Freya para fora do quarto.
— Bom dia! exclamou Órion ao se sentar à mesa, seu tom carregado de uma formalidade que Freya achou desconcertante.
Ela, com a cabeça baixa e o coração pesado, temia o que ele poderia dizer.
— Fico feliz que tenha se recuperado! ele exclamou, mas seu rosto permanecia cerrado, como se uma tempestade interna estivesse prestes a eclodir.
— Obrigada! Freya respondeu, a voz mal saia.
— Preciso conversar com você, a sós! O Alfa declarou, lançando um olhar significativo para Liana, que imediatamente se retirou da mesa, deixando-os.
O nervosismo tomou conta de Freya, seu coração acelerando e sua respiração ofegante.
— Por que está nervosa? ele perguntou, a curiosidade misturada a um leve toque de desafio.
— Eu... não estou nervosa! Ela exclamou, sua voz mais alta do que pretendia.
— Está sim! Eu consigo ouvir seu coração acelerado! Órion respondeu, deixando-a surpreendida.
— Você consegue ouvir meu coração? Freya perguntou, a incredulidade nublando seu raciocínio.
— Consigo! E isso é o que me diferencia de você! ele exclamou, a voz se alterando em um misto de frustração e raiva. — Nunca mais ouse contrariar minhas ordens!
A voz dele se tornou ameaçadora, ecoando na sala silenciosa. — Na próxima vez que você me desafiar, eu a executarei em público!
O sangue de Freya ferveu com a ameaça. Ela se levantou abruptamente, decidida a não ser intimidada. Órion, em um movimento brusco, levantou-se e segurou o braço da jovem com força, puxando-a para mais perto.
— Ainda não acabei! ele rosnou, a fúria operando em cada palavra. — Quando eu bater em sua porta, você deve abrir!—
Finalizou.
Freya, com a coragem crescendo dentro de si, olhou nos olhos dele e disse firmemente:
— Eu não abrirei, nem que você tenha que me executar em público!
A frustração e a ira de Órion eram palpáveis enquanto ele a encarava. Com um gesto rude, ele soltou seu braço, afastando-se abruptamente e deixando Freya sozinha, em meio a uma tempestade de emoções contraditórias.
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Atualizado até capítulo 48
Comments
Claudia Claudia
hipócrita quando quer acasalar qualquer uma das duas serve e ainda ameaça executar -la em público se ela questionar sua autoridade ele é completamente egocêntrico
2025-02-12
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Fátima Ramos
Ela já está mais forte, já está a conseguir fazer-lhe frente, ainda bem que liana é sua amiga, senão ainda era pior, ela ia sentir-se mais sozinha
2025-02-07
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daddi
ela não pode ser submissa a este idiota. tem que ser fria com ele como ele foi com ela.
2025-01-27
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