Alfa levou Freya até o campo de treinamento, onde o sol brilhava intensamente sobre o solo batido. Ao redor, alguns lobos treinavam, mas a atenção deles logo se voltava para o que estava prestes a acontecer.
— Vamos começar — disse Órion, sua voz firme. — O primeiro passo é treinar seus reflexos de defesa. Você precisa aprender a se proteger.
Freya engoliu em seco, sentindo a pressão de ser observada. Órion se posicionou à sua frente, um sorriso desafiador nos lábios.
— Fique atenta. Eu vou atacar, e você precisa se defender — ele avisou, seu olhar sério e concentrado.
Freya assentiu, tentando acalmar os nervos. Órion avançou rapidamente, lançando um soco em sua direção. A jovem, instintivamente, desviou para o lado, mas não o suficiente. O soco atingiu seu braço, fazendo-a cambalear para trás.
— Não se deixe levar! — ele disse, sua voz carregada de determinação. — Concentre-se! Tente prever meu movimento.
Freya respirou fundo, tentando se recuperar. Órion atacou novamente, e desta vez ela se preparou. Ela conseguiu bloquear o soco com o antebraço, mas a força do impacto ainda a fez estremecer.
— Melhor, mas ainda não é o suficiente! — exclamou ele, pressionando-a. — Você precisa ser mais rápida!
Ele avançou outra vez, e Freya percebeu que precisava mudar sua estratégia. Em vez de apenas se defender, decidiu que era hora de contra-atacar.
Quando Órion lançou um soco, ela se esquivou e, em um movimento ágil, tentou desferir um golpe em seu lado.
Porém, o Alfa foi mais rápido. Ele desviou e, num movimento de resposta, acertou um soco em seu abdômen. Freya sentiu a dor, ofegando ao se curvar levemente.
— Você foi bem, mas precisa aprender a ser mais resistente — disse ele, sem demonstrar compaixão. — E não tenha medo de me acertar de volta!
Freya se endireitou, determinada a não deixar que a dor a derrubasse. Novamente, ele atacou, e ela se preparou. Desta vez, ela bloqueou um soco e, no instante seguinte, lançou um golpe rápido em seu rosto. Órion ficou surpreso, mas logo recuperou a postura.
— Muito bom! — exclamou ele, um brilho de aprovação em seus olhos. — Continue assim!
Mas a luta não era fácil. Ele continuou a atacá-la, e apesar dos esforços dela, ele acertou mais alguns socos em seu corpo. Cada golpe a deixava mais machucada.
— Você está se saindo bem, Freya, mas precisa se acostumar com a dor. Aprender a lutar também é aprender a suportar a dor — disse ele.
Freya estava no chão, a respiração pesada e a dor pulsando em seu corpo. A luta a havia deixado exausta e machucada, com um gosto metálico de sangue na boca. Órion a observava de pé, uma mistura de satisfação e preocupação em seus olhos.
— Bom, terminamos por hoje — disse ele, estendendo a mão para ajudá-la a se levantar.
A jovem hesitou por um momento, mas aceitou a ajuda dele, erguendo-se com dificuldade. O canto de sua boca estava sujo de sangue, e ela limpou com a mão, sentindo a frustração e a raiva borbulharem dentro dela.
— Vamos! — exclamou Órion, e juntos eles se dirigiram de volta ao castelo.
O caminho foi silencioso, e Freya sentia o peso da experiência no campo de treinamento. Ao chegarem lá, ela se despediu dele e se dirigiu ao seu quarto.
— Onde você vai? — perguntou o Alfa, a voz firme e autoritária.
— Para o meu quarto! — Freya respondeu, um pouco mais alta do que pretendia, a irritação transparecendo em suas palavras.
Ele não hesitou, sua expressão inabalável.
— Dormiremos juntos durante seu período — exclamou Alfa, a determinação na voz inconfundível.
A jovem franziu a testa, sua mente girando com a ideia.
Órion observava Freya com uma percepção aguçada, sentindo que ela estava em seu ciclo de cio. Era uma intuição primitiva, um instinto que se manifestava através do ar carregado ao seu redor. O aroma dela, normalmente sutil, agora se tornava mais intenso, embora a jovem ainda não tivesse consciência do que estava acontecendo. Para ela, tudo era novo e confuso, uma realidade que se desdobrava de maneiras que ela mal conseguia compreender.
Quando finalmente se recuperou do momento de vulnerabilidade, Freya enfrentou Órion, a ansiedade pulsando em seu peito.
— Eu gostaria de dormir em meu quarto! — exclamou a jovem, a voz tremendo ligeiramente, carregada de uma apreensão que não conseguia esconder.
o Alfa a encarou, sua expressão intransigente.
— Quando você passar pelo período, poderá voltar ao seu quarto — respondeu ele, a firmeza em sua voz não deixando espaço para questionamentos. Era uma afirmação categórica, uma determinação que não se dobraria facilmente.
Ele se virou, seus passos firmes e decisivos ecoando pelo corredor enquanto se afastava, deixando Freya sozinha com seus pensamentos tumultuados.
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A noite havia caído sobre o castelo, e Freya se encontrava no quarto de Órion, um misto de nervosismo e expectativa a dominava. Ela se olhou no espelho enquanto penteava os cabelos loiros, seus dedos deslizando suavemente sobre as mechas sedosas que brilhavam à luz suave das velas. Vestia uma camisola rendada branca que realçava sua pele clara e acentuava suas formas delicadas, criando uma imagem de inocência e fragilidade.
Quando a porta se abriu, seu coração disparou, batendo descompassado em seu peito. Órion entrou, e a presença dele parecia iluminar o ambiente. Ele retirou o casaco e, em um gesto decidido, despediu-se de suas vestes, ficando completamente nu diante dela. O rosto de Freya se tingiu de um profundo rubor, e a vergonha a envolveu como um manto, enquanto a ansiedade a deixava inquieta.
Sem dizer uma palavra, Órion se dirigiu ao banheiro, onde a água morna da banheira o aguardava. Freya, ainda atordoada com a cena anterior, levantou-se e se deitou na cama, cobrindo-se com os lençóis, tentando encontrar algum conforto. Seu peito subia e descia rapidamente; ela estava ofegante e nervosa, a mente um turbilhão de pensamentos.
Na banheira, o Alfa fechou os olhos, permitindo-se relaxar enquanto sentia o cheiro de sua companheira se intensificar. Era um aroma doce e envolvente, uma mistura de frescor e calor que o atraía irresistivelmente. Ao finalizar o banho, ele se secou e retornou ao quarto.
Órion se deitou ao lado de Freya, e em poucos instantes, o cansaço tomou conta dele, levando-o ao sono. A jovem permaneceu imóvel por um tempo, as emoções conflitantes a consumindo. Quando finalmente se virou, seus olhos encontraram o rosto sereno de Órion, e a visão dele adormecido a deixou hipnotizada.
Ela nunca o tinha visto assim, vulnerável e tranquilo. Um calor percorreu seu corpo, deixando-a ainda mais ofegante.
Incapaz de suportar a intensidade daquela sensação, a bela moça se levantou, tentando aliviar a ardência que se espalhava por suas veias. Cada respiração se tornava mais profunda, e seus olhos, normalmente claros, pareciam mudar de cor à medida que o calor dentro dela crescia.
Confusa e tentando se conter, Freya deixou o quarto, cada passo parecendo um desafio.
No quarto, Órion abriu os olhos lentamente, um sorriso leve e satisfeito brotando em seus lábios. Ele sentia a chama ardendo dentro de Freya, uma energia que pulsava entre eles, e desejava que, em breve, ela também o quisesse.
Momentos depois, ao se virar, a jovem se deparou com Alfa à sua frente, o coração disparando em um misto de surpresa e tensão. O susto a fez recuar um passo involuntário.
— Por que você saiu? — indagou ele, a voz grave ressoando no ambiente, carregada de uma intensidade que a fez estremecer.
— Vim pegar mais água! — exclamou ela, a voz ofegante traindo seu nervosismo.
Órion a observou, seus olhos profundos avaliando-a.
— Por que você está nervosa? — perguntou, a curiosidade evidente em seu tom.
Freya tentou disfarçar, a ansiedade crescendo dentro dela.
— Eu me assustei! — respondeu, buscando esconder o desejo que a consumia.
— Você já estava nervosa antes! — exclamou ele, um sorriso provocador dançando em seus lábios, deixando-a ainda mais constrangida.
— Órion, estou com sono. Vamos dormir! — pediu ela, tentando se manter firme.
Com um movimento decidido, ela se virou e seguiu de volta para o quarto. Órion a observou por um instante, os sentimentos conflitantes dentro dele se agitando, antes de decidir segui-la.
Ao se deitarem, o cheiro intenso dela e o ritmo acelerado de sua respiração atiçava o instinto selvagem que habitava nele . Em um impulso incontrolável, ele puxou Freya para si, que estava virada para o lado oposto da cama. Com um gesto rápido, ele retirou a coberta que a envolvia, revelando suas costas um pouco expostas. Seus dedos, como se tivessem vida própria, traçaram um caminho delicado ao longo da pele de Freya, que desta vez não sentiu tanta dor, mas estava ofegante e assustada com aquela ousadia.
Quando as garras de Órion deslizaram, arranhando suas costas, um arrepio percorreu o corpo da jovem, misturando prazer e temor.
Órion, tomado pela urgência do momento, virou-a bruscamente para que seus olhos se encontrassem. A intensidade do olhar dele a fez sentir um calor avassalador envolvendo-a. Em um gesto decidido, ele segurou a cabeça de Freya e a beijou intensamente. Aquela conexão a envolveu completamente, mas, apesar do desejo ardente, Freya lutava contra o instinto selvagem íntimo que se manifestava entre eles.
Percebendo a resistência dela, Órion, mesmo relutante, decidiu respeitar o espaço que Freya ainda tentava manter. Ele a deixou adormecer, permitindo que a calma voltasse ao quarto.
Freya virou-se para o lado, fingindo dormir, mas a mente ainda agitada pela intensidade do que havia ocorrido. Órion, por sua vez, também se entregou ao sono, a presença de Freya ao seu lado criando um laço invisível que os unia, mesmo na quietude da noite.
...****************...
O dia clareou naquela manhã, trazendo consigo uma luz suave que filtrava pelas cortinas. Freya acordou de forma abrupta, sentindo a presença de Órion sobre ela, seus olhos intensos fixos nos dela. O susto a tomou de assalto, e ela gritou, a voz ecoando pelo quarto.
— Calma! Eu não vou te morder! — exclamou ele, um leve sorriso nos lábios, como se a situação fosse a mais trivial do mundo.
— Vamos! Temos um longo dia de treino! — disse Órion, levantando-se e começando a se vestir, a energia dele contagiante.
Enquanto a jovem se levantava, o Alfa olhou para o corpo dela e ele exclamou, com um tom de admiração:
— Uau!
Freya, confusa, olhou para si mesma e rapidamente percebeu que estava nua. O pânico tomou conta dela, e ela agarrou o lençol, cobrindo-se com pressa.
— O que aconteceu? Quem tirou minhas roupas? — perguntou, a voz tremendo de nervosismo.
Órion, com um ar de despreocupação, respondeu:
— Eu notei que você estava quente à noite e pensei que estivesse com calor, então eu tirei.
A última parte saiu de sua boca com um toque sarcástico.
Freya, visivelmente irritada, questionou:
— O que mais você fez?
Ele a olhou, um leve sorriso brincando nos lábios, antes de responder:
— Não fizemos nada... Ainda!
Em um impulso, a jovem atirou um objeto em direção a ele, mas Órion desviou rapidamente, o sorriso no rosto se ampliando. Aquela expressão dele a deixava ainda mais furiosa, e ela bufou, tentando conter a raiva que crescia dentro dela.
Enquanto se vestia, depois de Órion sair, a jovem olhou para suas mãos e notou algo diferente. Suas unhas pareciam mais rígidas e afiadas. Curiosa, ela passou as unhas pelo móvel próximo, e um arranhão profundo surgiu, cortando a madeira como se fosse papel. Um sorriso de satisfação brotou em seu rosto ao perceber que a transformação estava realmente acontecendo.
No salão da matilha, Órion estava imerso em suas responsabilidades, sua postura firme e decidida refletindo seu papel como Alfa. O ambiente era tenso, e os problemas da matilha exigiam sua atenção imediata.
— Alfa, estamos tendo sérios problemas com a matilha do sul — começou Lucky, seu tom grave evidenciando a gravidade da situação. — Cada dia que passa, mais lobos do sul invadem nosso território, atacam nosso povo e comem nossas caças. Ontem, dois ômegas nossos foram mortos enquanto cultivavam ervas.
Órion franziu a testa, seu olhar se tornando penetrante.
— Descubra quem é o Alfa do sul e mate qualquer um que invadir nosso território. Leve Vincent e Dareos com você. Vamos resolver isso logo — ordenou com uma firmeza que deixava claro que a paciência tinha limite.
Lucky assentiu, fazendo um gesto cordial com a cabeça antes de se retirar, determinado a cumprir a missão.
Enquanto isso, no jardim, Freya observava as flores com um semblante um tanto decepcionado. Seus olhos estavam fixos em um jarro onde havia plantado uma semente especial.
— Ela ainda não nasceu! — disse ela, a tristeza na voz sendo evidente.
— Rosas negras são muito raras, principalmente aqui no norte — exclamou Liana, aproximando-se e olhando para o jarro.
— Esta é especial. Minha mãe me ensinou a arte de transformá-las — Freya explicou, um misto de nostalgia e saudade preenchendo seu coração ao lembrar de Althea.
Liana, percebendo a melancolia da amiga, decidiu compartilhar uma notícia que poderia alegrá-la.
— Freya, eu tenho uma notícia para te dar — disse, um sorriso iluminando seu rosto.
A cunhada de Liana virou-se, a curiosidade despertando em seus olhos.
— Eu fui escolhida para me casar com um alfa, o Alfa do leste. Ele virá em breve para realizarmos a cerimônia — anunciou, sua voz transbordando felicidade.
Freya olhou para ela, admirando a alegria que emanava de sua amiga, mas uma preocupação a fez hesitar.
— Eu fico muito feliz, mas... vocês se conhecem? — perguntou, a ansiedade refletida em seu tom.
— A última vez que nos vimos éramos adolescentes. Ele precisa de uma companheira nova — respondeu Liana, um brilho esperançoso nos olhos.
— Torço para que seja feliz, Liana. Você é a melhor pessoa que eu conheço! — exclamou Freya, envolvendo a amiga em um abraço apertado.
— Eu sentirei sua falta! — disse Freya, a emoção à flor da pele.
— Eu tentarei vê-la sempre que possível! Eu juro! — prometeu a irmã de Órion, segurando as mãos de sua cunhada.
Nesse momento, Freya olhou para o lado e viu o Alfa a esperando. Ele estava ali, imponente e sério, como sempre.
— Bom, tenho que ir! — exclamou Freya, afastando-se do jardim e indo em direção a ele.
— Está preparada para o treinamento de hoje? — perguntou Órion, seu tom sério quase fazendo Freya hesitar.
— Estou! — respondeu ela, a determinação tomando conta de seu coração.
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Atualizado até capítulo 48
Comments
daddi
cara sério que esse casal é pra da certo? ele e um grosso e ela uma tonta.
2025-01-27
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Joelma Oliveira
tomara que esse alfa do leste não seja um babaca pra Liana igual Órion é
2024-12-11
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Renascida das cinzas
mas, primeiro tinha que ensinar as técnicas e treiná-la musculação
2025-01-29
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