Freya estava no jardim, cercada por flores e ervas que cultivava com cuidado. O cheiro fresco da natureza a envolvia, e ela se permitiu um momento de paz, apreciando o trabalho que havia realizado. No entanto, essa tranquilidade foi interrompida quando ela avistou Órion se aproximando.
Ele estava coberto de sangue, uma marca clara de que a caçada havia sido bem-sucedida. Ao ver o estado dele, seu coração se apertou, mas uma onda de desapontamento a invadiu. Ao se encontrarem, Órion a encarou por um momento, mas Freya não pôde suportar o olhar intenso dele e desviou o rosto, sentindo a tensão no ar.
— O que você está olhando? — ele soltou, a voz rude e carregada de desdém. Não havia espaço para delicadeza em suas palavras. A rejeição ao casamento ainda pairava entre eles como uma sombra, e isso o tornava ainda mais hostil.
Freya sentiu um frio na barriga. — Eu só... estava cuidando do jardim — respondeu, tentando manter a calma. Ela não queria provocar mais a ira dele, mas a forma como ele a tratava a machucava.
Órion bufou, virando-se para entrar em casa.
— Se não tem nada para dizer, então não me atrapalhe.
Ele passou por ela sem olhar para trás, o peso de suas palavras pairando no ar.
Freya ficou ali, observando-o entrar. A porta se fechou atrás dele, e ela se sentiu novamente sozinha, com o coração pesado. Sabia que a caçada era uma parte importante do mundo deles, mas a brutalidade que sempre acompanhava Órion a deixava triste.
Ele se dirigiu à casa de banho, mas as marcas deixadas pela discussão com Freya pareciam indeléveis.
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A noite caía sobre a matilha, e a atmosfera estava repleta de risadas e celebrações. Freya observava pela janela do seu quarto, o coração pesado enquanto via os membros da alcatéia se divertindo ao redor das fogueiras. O calor da festa parecia distante, e a alegria dos outros apenas acentuava sua tristeza.
— Freya! — exclamou Liana, entrando no quarto com um brilho nos olhos. — Venha, vamos nos juntar a eles!
Freya hesitou, uma sensação de insegurança a dominando. — Eles não me querem aqui! — protestou, lembrando-se dos olhares da matilha.
— Você é a companheira do Alfa, enviada pela deusa Luna. Eles não irão perturbá-la mais! Respondeu Liana, com determinação.
Após um momento de dúvida, Freya finalmente concordou. — Está bem!
Ao saírem, a cena da festa era vibrante. A matilha estava reunida perto das fogueiras, Homens e mulheres, crianças brincando e dançando ao som de canções alegres. A energia era contagiante, mas Freya sentia-se um pouco deslocada.
Órion, imponente e distante, estava sentado com sua alcatéia. Quando seus olhos se encontraram com os de Freya, eles se ignoraram.
Liana, ao perceber a hesitação da cunhada, puxou-a para a dança.
— Venha, Freya, vamos dançar! — exclamou ela, e a jovem, ainda tímida, começou a se soltar, rindo e se divertindo um pouco.
Órion, apesar de seus esforços para ignorá-la, não pôde deixar de notar o sorriso que iluminava o rosto dela. Era um sorriso que o encantava, mas ele lutava ferozmente contra essa emoção. Ao ver outros lobos a observando, um desconforto cresceu dentro dele.
— Você precisa marcá-la!— disse Lucky, percebendo a atenção que Freya recebia.
— Eu não irei fazer isso! Ela não tem nenhuma importância para mim! — respondeu Órion, tentando esconder seu incômodo.
— Bom, talvez agora não se importe! Mas vocês são um casal agora, é seu dever! — insistiu o tio.
Enquanto isso, Freya se divertia ao lado de Liana. — Obrigada por estar comigo. Eu nunca tive uma amiga! — exclamou Freya, a gratidão transparecendo em sua voz.
— Você pode contar comigo. Eu a ajudarei no que puder. Inclusive, você quer ser mais forte, Freya? — perguntou ela.
— Como? — Freya inquiriu, a curiosidade crescendo.
— Se você treinar, talvez consiga se transformar — respondeu Liana, com um brilho nos olhos. — Se quiser, eu posso te ajudar.
— Eu quero! — a jovem respondeu, a determinação tomando conta dela.
— Ótimo! Então eu irei te apresentar a uma pessoa. Venha! — disse Liana, levando Freya em direção a um grupo de Betas que conversavam.
— Ethan! — Liana chamou, atraindo a atenção de um homem que se afastou do grupo.
— Liana, tudo bem? — ele perguntou, sorrindo.
— Está tudo bem! Esta daqui é Freya, a companheira do Alfa — apresentou Liana.
— Sim, eu soube!
Ethan respondeu, olhando Freya de forma avaliativa.
— Ela precisa ser treinada, e você é o mais capacitado para isso. Já treinou outros lobos — disse a irmã de Órion, com confiança.
— Mas ela não é como nós — disse ele, em tom de preocupação.
— Ainda não sabemos, por isso ela precisa ser treinada. Freya é filha de uma das maiores lobas que tivemos na matilha. Sua loba pode estar apenas adormecida! — exclamou Liana.
Ethan olhou para Freya, avaliando-a. — Você quer mesmo? O treinamento é doloroso! — alertou ele.
A jovem encarou Ethan nos olhos, a determinação brilhando em seu olhar.
— Eu quero! — exclamou, com firmeza.
— Ótimo! Esteja na floresta logo cedo. Não ficarei esperando! — disse ele, virando-se e se afastando.
Freya olhou para Liana, radiante de felicidade. O convite para treinar era uma oportunidade que ela não esperava, mas que significava tanto.
Finalmente, ela teria a chance de se tornar mais forte e encontrar seu lugar na matilha.
A noite avançava, e a jovem, cansada de tanta diversão, decidiu voltar para casa.
— Liana, eu irei para casa — exclamou, soltando um bocejo.
— Vamos, eu te levo! — respondeu a cunhada, sorrindo enquanto a acompanhava até o quarto.
Freya se despediu dela e se preparou para dormir, mas a paz da noite foi abruptamente interrompida. A porta do quarto se abriu com um estrondo e Órion entrou, seus olhos vermelhos brilhando na penumbra. Ele parecia uma tempestade, uma força da natureza que não poderia ser ignorada. Um calafrio percorreu a espinha de Freya ao ver a intensidade em seu olhar.
Órion fechou a porta com um movimento brusco, e Freya sentiu seu coração disparar. Ele avançou em sua direção, e antes que ela pudesse reagir, a pressionou contra a parede. A força com que segurou sua cintura a deixou sem ar, e com a outra mão, segurou seu rosto de forma selvagem.
Freya tentou protestar, mas as palavras não saíram. Órion virou seu rosto e, com um movimento de instinto, passou suas narinas pelo pescoço dela, aspirando o seu cheiro como se fosse um vício.
Então, como se não conseguisse conter sua natureza primal, ele a beijou ferozmente. Freya tentou se soltar, mas a força de Órion era esmagadora. O instinto selvagem dele a envolvia, e a pressão em sua pele se tornava cada vez mais intensa. Ele a beijava com intensidade, mordendo os lábios de Freya de forma violenta, como se estivesse marcando território.
— Órion, por favor! — ela tentou implorar, mas suas palavras foram engolidas pela fúria e desejo que o dominava.
Cada vez que ela lutava para se libertar, sua resistência parecia apenas intensificar a necessidade dele. O desespero crescia dentro dela, e, finalmente, quando a dor se tornou insuportável, Freya gritou:
— Pare!
A voz dela ecoou pelo quarto, e, como se um feitiço tivesse sido quebrado, Órion recuou. A confusão tomou conta de seu rosto enquanto ele olhava para ela.
Desorientado e furioso, o Alfa saiu do quarto em um ímpeto, deixando a jovem sozinha. Ela desabou contra a parede, sentindo a adrenalina ainda pulsando em suas veias. Olhando para os seus braços, viu marcas roxas onde ele a segurara, e seus lábios estavam feridos, um lembrete doloroso do que acabara de acontecer.
Freya encostou a cabeça contra a parede, sua mente girando em um turbilhão de emoções. O que havia sido isso?
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Atualizado até capítulo 48
Comments
Magna Figueiredo
Ele está lutando contra o laço...não quer nada com ela...mas se sente atraído e acho q isso faz ele ficar com raiva...pq não consegue resistir a ela...bom,é o q penso...não estou passando pano não...espero q ele sofra um bocado...q ela dê um gelo nele /NosePick//NosePick//NosePick//NosePick//NosePick/
2025-02-22
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daddi
caramba que imbecilidade. sério que ainda vai querer que ela goste e fique com ele. promovendo pensamento que mulher diz não mas quer dizer sim. que ela gosta de ser maltratada.
2025-01-27
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Fátima Ramos
Ele já está com ciúmes, mas fica furioso pelos sentimentos, porque quer lutar contra eles
2025-02-07
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