PACTO DE SANGUE

No dia seguinte, Liana entrou no quarto de Freya, um sorriso radiante no rosto.

— Bom dia! — exclamou, sua alegria contrastando com a confusão que pairava sobre Freya.

— Bom dia! — respondeu a jovem, sentando-se na cama, ainda lutando para entender a situação.

Logo depois, Arya entrou no quarto e se sentou ao lado de Freya, enquanto Liana se levantava para buscar algo.

— Bom dia, Freya! Precisamos prepará-la agora! — exclamou, a urgência em sua voz deixando Freya intrigada.

— Preparar para o quê? — perguntou ela, a confusão crescendo.

— Para seu casamento! — a resposta de Arya fez o coração de Freya acelerar, e a jovem ficou aflita e nervosa.

— Que casamento? Como assim? — a incredulidade se refletia em seu rosto, sua voz carregada de confusão.

Arya segurou o rosto dela entre as mãos, forçando-a a olhar nos olhos dela.

— Minha querida, olhe para a janela — disse, sua expressão séria. Freya virou-se para olhar, e a visão que encontrou a deixou ainda mais angustiada: a tempestade devastadora ainda rugia sobre a matilha, como se o mundo estivesse em desequilíbrio.

— Os deuses te enviaram para ser a companheira do Alfa. Precisamos conter a fúria deles. Você precisa se casar com Órion! — exclamou a matriarca, a determinação em sua voz clara e inabalável.

Freya sentiu um frio na espinha.

— Eu não quero me casar! Eu não vim aqui para isso! — protestou ela, a frustração transparecendo em suas palavras.

— Querida, temos que manter a paz entre os lobos e os deuses. Se esse casamento é da vontade deles, você se casará com nosso Alfa, querendo ou não! — a voz de Arya se tornou mais firme, como se cada palavra carregasse o peso de uma profecia.

Freya ficou sem palavras, a tristeza envolvendo seu coração. A ideia de ser forçada a se casar com alguém que mal conhecia a deixava angustiada. Enquanto isso, um grupo de mulheres entrou no quarto, trazendo um vestido deslumbrante, feito de tecidos finos e adornado com detalhes que refletiam a cultura da matilha.

— Vamos prepará-la! — disseram elas em uníssono, começando a trabalhar com agilidade, como se o tempo estivesse se esgotando.

Freya observou, sem conseguir protestar, enquanto as mulheres a envolviam em camadas de tecido, suas mãos ágeis transformando sua aparência. O peso da situação a oprimia, e a tempestade lá fora parecia ecoar sua agonia interna. Com cada movimento, Freya se sentia mais presa, como se estivesse sendo moldada não apenas para um casamento, mas para um destino que ela mesma não escolhera.

...****************...

Durante a cerimônia, a atmosfera estava carregada de expectativa. A matilha estava reunida, todos os betas e ômegas observando em silêncio, enquanto o alfa, Órion, aguardava ao lado da sacerdotisa, sua presença imponente e séria.

Freya fez sua entrada, os cabelos loiros soltos caindo em ondas suaves. Ela parecia uma deusa, mas seu olhar estava abatido, refletindo a luta interna que a consumia. Cada passo que dava em direção a Órion parecia pesado.

Ao ficaram frente a frente, a cerimônia começou.

— Estamos aqui reunidos sob a bênção dos deuses e da matilha para unir duas almas em um laço sagrado. Freya, você é a escolhida, e Órion, você é o alfa que protegerá e guiará essa união — disse a sacerdotisa, sua voz ecoando pela clareira, reverberando entre as árvores.

Freya sentiu o olhar penetrante de Órion ao seu lado, e a tensão entre eles era palpável. O silêncio do público parecia aumentar a pressão em seu peito. A sacerdotisa continuou, recitando palavras antigas e sagradas, enquanto Freya lutava para se manter focada, tentando não se deixar levar pelo desespero.

— Você aceita ser a companheira de Órion, em todos os momentos, na alegria e na dor, até que a morte os separe? — questionou a sacerdotisa, olhando diretamente para Freya.

Freya hesitou, seu coração batendo descompassado. A ideia de dizer “sim" a algo que não desejava a apavorava.

— Eu... — as palavras mal saíram de sua boca, mas a voz da sacerdotisa a interrompeu.

— E você, Órion, aceita Freya como sua companheira, prometendo protegê-la e honrá-la, e levando-a como parte de sua matilha? — a sacerdotisa perguntou, direcionando o olhar grave para o alfa.

Órion, com a expressão inabalável, respondeu:

— Sim, aceito.

O coração de Freya disparou. Ele estava decidindo por eles, e a ideia de ser uma parte da vida dele, mesmo sem querer, a deixava confusa. Ela sentiu a pressão da matilha sobre seus ombros, todos os olhares fixos nela, aguardando sua resposta.

— Eu... — ela começou novamente, mas a voz falhou.

A sacerdotisa, percebendo sua hesitação, a encorajou com um olhar compreensivo.

— Pense nos deuses, Freya. Pense na matilha. A sua escolha é mais do que um simples “sim". É um compromisso com todos nós.

Freya respirou fundo, sentindo a tempestade dentro de si e ao redor. Finalmente, olhando para Órion, que a observava com intensidade, ela tomou coragem.

— Sim, aceito! — exclamou.

Após a resposta de Freya, a sacerdotisa deu um passo à frente, trazendo à tona uma lâmina reluzente. A atmosfera ficou ainda mais tensa, e o coração de Freya disparou. O medo a invadiu ao ver a lâmina, sabendo que o próximo passo da cerimônia era o pacto de sangue, um ritual que simbolizava a união deles de forma profunda e irrevogável.

Freya sentiu suas mãos tremerem. A ideia de um corte, de dor, a fazia hesitar. Ela olhou para Órion, buscando alguma confirmação ou alívio, mas encontrou apenas a intensidade de seu olhar, que parecia misturar fúria e determinação.

Com um movimento brusco, Órion pegou a mão de Freya, segurando-a de forma firme, quase grosseira, e, sem hesitar, cortou a palma de sua mão com a lâmina. O grito de Freya ecoou pela clareira, um gemido de dor que escapou de seus lábios, enquanto uma lágrima escorria por seu rosto. O corte ardia, e a sensação de impotência e medo se misturavam em seu peito.

Órion, imperturbável, utilizou a mesma adaga para cortar sua própria mão, a expressão dele permanecia séria, como se estivesse pronto para suportar qualquer dor em nome do pacto. Ele então segurou a mão ferida de Freya, unindo as mãos deles de forma rústica, permitindo que o sangue de ambos se misturasse.

— Com este sangue, selamos nosso pacto — disse Órion, sua voz profunda e autoritária, ressoando no ar.

Freya sentiu a conexão, uma mistura de dor e algo inexplicável que parecia atravessar seus corpos. O calor do sangue fervente os unia de uma maneira que ela não podia compreender completamente. As vozes da matilha começaram a murmurar em aprovação, e a sacerdotisa levantou as mãos, pedindo silêncio.

— Agora, vocês são um só — declarou ela, e a cerimônia prosseguiu, envolvendo-os em palavras sagradas.

Após o pacto, a tempestade que antes rugia lá fora havia finalmente se acalmado. Arya e a sacerdotisa trocaram olhares e sorrisos.

— Os Deuses estão contentes! exclamou a sacerdotisa.

A cerimônia era um marco, mas para Freya, a alegria parecia distante, como uma sombra em um dia ensolarado.

Após a cerimônia, a jovem se encontrava ao lado de Órion, a dor em sua mão pulsando, mas a tristeza em seu coração era muito mais forte. Ele estava sério, e a tensão entre eles era palpável, como se um abismo os separasse.

— Órion, por que você não me avisou? — perguntou Freya, sua voz cheia de frustração e confusão.

Ele a olhou com desprezo e raiva, como se suas palavras fossem um insulto.

— Você não precisa ser avisada! Eu sou o Alfa, e você apenas obedece! — exclamou ele, sua voz cortante. Com isso, virou-se e saiu, deixando Freya sozinha, a solidão a envolvendo como um manto pesado.

Sozinha, ela sentiu-se ainda pior. A dor na mão parecia um lembrete constante do que não escolhera, e a frustração a consumia.

— Vamos, Freya, vou te levar para casa — exclamou Liana, que percebeu a tristeza no rosto da jovem.

No jardim, Órion estava transbordando de fúria. A raiva parecia emanar dele como uma aura, e a matilha ao redor estava cautelosa, sentindo a tensão no ar.

— Alfa! — exclamou uma mulher que se aproximou, sua voz suave e sedutora.

Missandre

— Missandre — disse Órion, suavizando a voz ao vê-la. Ele se aproximou dela, e havia uma conexão entre eles. — Sinto muito por tudo isso. Eu pensei que seria você — disse ele.

— Eu sei que os deuses quiseram assim. Você é o Alfa e precisa fazer o melhor para a matilha — respondeu Missandre, um sorriso travesso dançando em seus lábios. — Mas os Deuses não se incomodarão se continuarmos com nosso relacionamento.

Órion pegou o rosto de Missandre entre as mãos e a beijou, um gesto que parecia tão natural para ele, enquanto Freya, assistia a cena afastada dali.

— Não se importe com isso, você é a escolhida dos deuses, ela não é ninguém — exclamou Liana, tentando aliviar a barra. Mas imagem de Órion e Missandre se beijando ficou gravada em sua mente.

Freya entrou em casa, cada passo pesado como se estivesse carregando o peso de um mundo que não era o dela. A cerimônia pode ter sido um rito de união, mas para ela, parecia mais uma prisão, e a liberdade que tanto desejava escorregava por entre seus dedos.

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Comments

daddi

daddi

ela e uma idiota. eu não teria casado. ela não é da matilha. ela não tem obrigação nenhuma com eles. e ainda a tratam mal

2025-01-27

0

Ana Lúcia De Oliveira

Ana Lúcia De Oliveira

Não casou porque quis,prestem atenção na leitura,casou apenas para agradar aos deuses.

2025-02-14

0

Fátima Ramos

Fátima Ramos

Ele não devia beijar outra
, no dia do seu casamento

2025-02-07

0

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