Órion voltou para a matilha, mas a tensão em seu corpo era palpável. Cada fibra do seu ser pulsava com um instinto de proteção, como se uma força primordial o compelisse a resgatar Freya, mesmo que sua mente tentasse racionalizar a situação. A luta interna o deixava inquieto, e a ideia de que ela e Liana estivessem à mercê dos homens o consumia.
Em seu quarto, a escuridão parecia se acumular ao seu redor, e o silêncio oprimente apenas amplificava sua agitação. Ele se jogou na cama, mas o sono não vinha. Furioso e aflito, sua mente girava em torno do que poderia acontecer com as duas.
Foi então que Missandre entrou no quarto, seu olhar preocupado. Sem hesitar, ela se aproximou e o abraçou, buscando oferecer conforto. No entanto, Órion, tomado pela raiva e pela frustração, a empurrou para longe.
— Saia! — exclamou ele, sua voz carregada de fúria.
Missandre ficou confusa, a expressão de preocupação em seu rosto se transformando em dor. — Deixe-me ficar um pouco com você! — insistiu, sua voz trêmula, tentando se aproximar novamente.
Mas a resposta de Órion foi explosiva.
— Eu disse para sair! — gritou, rosnando ferozmente, seus olhos brilhando como chamas.
O clima no quarto tornou-se pesado, e Missandre hesitou, seu coração apertando-se com a rejeição. Ela sabia que a situação era crítica, mas sua intenção era ajudar, mesmo que Órion não conseguisse ver isso naquele momento.
A batalha interna que ele enfrentava o tornava um homem perigoso, e ela se afastou lentamente, permitindo que ele enfrentasse seus demônios sozinho.
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No dia seguinte, o Alfa reuniu toda a sua alcatéia em uma clareira sob a luz do amanhecer. Centenas de lobos, com pelagens brilhantes e olhos ardentes, estavam prontos para a missão que se avizinhava. A atmosfera pulsava com a energia coletiva, cada membro da alcatéia sentindo a ansiedade e a determinação que permeavam o ar.
Com um olhar penetrante, Órion se posicionou à frente deles. A raiva queimava em seu peito enquanto falava, sua voz ecoando como um trovão.
— Os homens atrás da muralha sequestraram minha irmã e minha companheira! — ele bradou, a fúria ressoando em cada palavra. — Eles querem seus homens de volta em troca delas!
Ouvindo suas palavras, os lobos começaram a uivar em uníssono, um coro de raiva e lealdade. Órion ergueu a cabeça, sentindo o poder da alcatéia atrás dele.
— Vamos mostrar a eles o que acontece quando tentam invadir nosso território! — gritou, e os uivos se intensificaram, reverberando pela floresta como um aviso.
Enquanto isso, no vilarejo, além da muralha, Freya estava presa em uma cela escura e úmida, com correntes pesadas que a mantinham restringindo seus movimentos. Ao seu lado, Liana lutava para se soltar, mas as correntes eram implacáveis. O desespero começava a tomar conta delas quando, de repente, uma jovem apareceu na entrada da cela, seus olhos arregalados de medo ao ver as prisioneiras.
A jovem, segurando um prato de comida, hesitou por um momento, temendo que aquelas mulheres fossem perigosas. Freya a encarou, a empatia transbordando em seus olhos, e decidiu quebrar o silêncio.
— Qual é o seu nome? — perguntou ela, sua voz suave, mas firme.
Me disseram para não falar com vocês! — exclamou a jovem, tremendo, a ansiedade evidente em seu tom.
Freya, percebendo o medo que a envolvia, tentou acalmá-la.
— Não vamos machucá-la. Eu já vivi aqui com vocês! — disse, tentando estabelecer uma conexão, um fio de confiança entre elas.
A jovem a olhou com desconfiança, mas a sinceridade nas palavras de Freya parecia penetrar em sua hesitação.
— Você é humana? — perguntou ela, a curiosidade se sobrepondo ao medo.
Freya hesitou, lembrando-se de sua infância, das histórias que ouvira.
— Eu não sei, mas meu pai sim, ele se chamava Elias — respondeu, a tristeza em sua voz revelando a complexidade de sua identidade.
A jovem ficou em silêncio por um momento, processando a informação. O nome "Elias" soava familiar, e a conexão que Freya tentava estabelecer começou a se formar lentamente.
O clima na cela, antes pesado e sombrio, agora carregava uma leve esperança, mesmo que frágil.
— Qual é o seu nome? — perguntou Freya, tentando quebrar a tensão no ar.
— Eu me chamo Maia! — exclamou a jovem, a voz um pouco mais segura.
Ela notou algumas manchas no rosto de Maia e perguntou, intrigada. — O que houve com o seu rosto?
Maia hesitou, mas a sinceridade na voz de Freya a encorajou. — Uma febre assolou o vilarejo há anos atrás. Meu pai, o guardião da muralha, encontrou a cura e conseguiu nos salvar — explicou, a tristeza refletida em seu olhar. — Olha, não vamos machucá-las, apenas queremos resgatar o meu tio, que está cativo. Meu tio acabou de se tornar pai, logo depois que foi levado pelos lobos. Ele não é uma pessoa ruim, ele apenas se perdeu — disse a jovem, a esperança brilhando em seus olhos.
Freya sentiu a sinceridade nas palavras de Maya e respondeu com firmeza.
— Eu farei o possível para ajudar seu tio.
Mas antes que pudessem falar mais, um homem entrou abruptamente na cela. Maia se levantou rapidamente, seu rosto mudando para um ar de preocupação.
— Não queremos machucá-las! — exclamou o homem, tentando parecer calmo.
— Sério? Aquele golpe foi o quê? — perguntou Liana, nervosa, defensiva.
— Não tivemos outra opção, ou isso, ou vocês nos atacariam — explicou o homem, a voz tensa. — Nós iremos levá-las de volta, em troca dos nossos homens. Espero que não resistam! — ele concluiu, com um olhar determinado.
Imediatamente, outros homens entraram, e as prisioneiras foram levadas. Freya e Liana foram arrastadas pelos corredores escuros até a saída do vilarejo. Durante a caminhada, Freya não pôde deixar de notar o que acontecia ao seu redor: homens se despedindo de seus filhos e mulheres, seus olhos cheios de medo e incerteza, temendo que aquele pudesse ser o último dia deles juntos. A cena a fez lembrar de seu pai, de como ele se despediu de sua mãe antes delas partirem.
Após saírem da muralha, o grupo andou um pouco mais até chegar ao ponto de encontro. O ar estava pesado com a tensão do que estava por vir. Freya sabia que Órion estaria ali, liderando a alcatéia, e se perguntava como tudo se desenrolaria.
Enquanto aguardavam, a tensão no ar era palpável. De repente, Órion surgiu, sua forma imponente de lobo negro emergindo entre as árvores, cada passo seu reverberando como um trovão. As sombras dançavam ao seu redor, e, à medida que se aproximava, sua transformação em humano revelava um Alfa destemido, com Lucky e Vincent ao seu lado, prontos para a batalha.
— Tragam eles! — a voz de Órion cortou o silêncio, uma ordem que ecoou na floresta.
Um beta trouxe os dois homens prisioneiros, suas expressões refletindo o pavor que sentiam diante da ferocidade do lobo Alfa. Os olhos de Órion encontraram os de Freya, e, por um momento, tudo ao redor desapareceu.
Órion fez um gesto brusco, mandando os prisioneiros andarem. Eles caminharam lentamente em direção ao seu povo, enquanto Freya e Liana avançavam na direção oposta, em direção aos lobos. Quando Freya chegou até Órion, o olhar penetrante dele a envolveu.
Quando os prisioneiros foram entregues, os homens viraram-se para irem embora, até que a voz sombria de Órion ecoou, carregada de poder e ameaça.
— Para onde vocês pensam que estão indo? — suas palavras acompanhadas de um rosnado profundo que fez o chão tremer.
— Fizemos um acordo! — o líder exclamou, mas sua voz falhou, esmagada pela intensidade do olhar de Órion.
— Vocês invadem nosso território e acham que sairão vivos? — a fúria transbordava em cada sílaba. Nesse momento, uma onda de lobos surgiu das sombras, centenas deles, cada um com olhos como brasas, prontos para o ataque.
Freya sentiu o frio na espinha e, num impulso, gritou: — Órion, não!
Ele virou o rosto rapidamente, com os olhos ferozes agora fixos nela.
— Fique aqui! — gritou, mas a determinação de Freya era inabalável.
Ela não podia permitir que o alfa sacrificasse aqueles homens.
— Não vou deixar que machuquem essas pessoas! Eles só querem seus familiares de volta! — sua voz ecoou com um poder que ela mesma não compreendia.
Órion, tomado pela fúria, empurrou Freya para o lado e se dirigiu aos homens, mas dentro dela, uma chama de proteção começou a arder. Algo primal estava despertando.
Quando o Alfa se aproximou deles, Freya, impulsionada por um instinto selvagem, correu e se colocou entre eles, desafiando-o.
— Saia da frente ou eu a matarei! — a ameaça de Órion era como um trovão, mas Freya não recuou.
— Deixe-os ir! — gritou ela, a bravura emanando como uma aura inquebrantável.
Órion fez um gesto, e um de seus lobos avançou rapidamente, mas Freya, com uma força que surpreendeu a todos, socou o lobo com um golpe poderoso, fazendo-o voar para longe. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
O Alfa ficou paralisado, seu olhar fixo em Freya, confuso e surpreso ao ver os olhos dela mudarem de cor, refletindo uma força que ela não tinha.
Frenético, ele a puxou, e a luta começou. Os dois se enfrentaram em um embate feroz, a intensidade da batalha ecoando na floresta. Apesar de sua fraqueza, Freya lutava com uma paixão crua, determinada a proteger aqueles que estavam em perigo. Órion a golpeou várias vezes, mas cada ataque parecia fazer despertar uma nova força dentro dela.
A luta estava se tornando um duelo de almas, e Órion, mesmo em sua fúria, não queria machucá-la. Ele era o Alfa, mas a conexão entre eles tornava-se mais intensa a cada golpe. Liana, percebendo o desespero da amiga, se transformou em uma linda loba de pele azulada e branca, posicionando-se ao lado de Freya, desafiando Órion com um olhar firme.
O temido lobo negro fitou as duas, percebendo que Liana, de fato, não era uma adversária à sua altura. No entanto, ao ver sua companheira ferida, uma dor aguda atravessou seu peito. Ele sabia que deveria protegê-la, mas a realidade era que ele a estava machucando.
Com um gesto firme da mão, Órion sinalizou para os lobos recuarem, permitindo que os homens se afastassem sem mais confrontos.
Freya desmaiou, e seu coração disparou ao ver a fragilidade dela. Com cuidado e urgência, ele a ergueu em seus braços, levando-a de volta para casa.
...****************...
Ao chegarem à matilha, o Alfa cuidadosamente colocou Freya, desmaiada e ferida, sobre a cama rústica feita de madeira e peles de animal. Ele a observou por um momento, um turbilhão de emoções se formando em seu interior.
A jovem estava pálida, a respiração fraca e irregular. Os ferimentos que cobriam seu corpo eram graves e visíveis, cada corte e contusão parecendo contar uma história de dor e resistência. A sacerdotisa, uma mulher sábia e respeitada entre os lobos, se aproximou, seu olhar carregado de preocupação.
— Se ela não for forte, se não conseguir lutar contra isso, morrerá — exclamou, a voz tremendo com a gravidade da situação. Aquelas palavras penetraram nos pensamentos de Órion como flechas afiadas, cada uma delas atingindo o seu coração.
Frustrado, mesmo mantendo uma postura firme e fria, a turbulência dentro dele se intensificava.
Sentindo-se sufocado por esses pensamentos, Órion virou-se abruptamente e saiu do quarto, deixando-a sozinha em um ambiente que agora parecia mais sombrio do que nunca. A porta se fechou atrás dele, e o som do estrondo ecoou no castelo, como um sinal de sua luta interna.
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Atualizado até capítulo 48
Comments
Fátima Ramos
Freya Foi muito corajosa ao enfrentar o alfa sem coração e a irmã dele também, apesar se saber que não ganharia uma luta com ele
2025-02-07
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Magna Figueiredo
Meu Deus ...ele é um lunático /Left Bah!//Left Bah!//Left Bah!//Left Bah!//Left Bah!/
2025-02-22
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Joelma Oliveira
ainfa deixa ela morrendo sozinha.... ai q raiva. 1° casal de lobos q nao quero juntos
2024-12-10
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