Dante
Eu acordo no meu da noite com o suor escorrendo pela minha testa .O que deveria ser um apenas um sonho se torna um pesadelo que nunca me abandona.O Passado sempre está lá esperando para me engolir.
Depois que os Rossette incendiaram minha casa levando embora minha família e a fortuna que me restava , fui jogado no inferno.Não havia justiça, não havia proteção.O governo fechou os olhos e eu na época, Steve Devereux , meu nome de batismo que agora até para mim soa estranho,fui deixado para morrer .
Sem dinheiro, sem nome , sem ninguém.
Chicago se tornou meu campo de batalha.
Nos subúrbios, as ruas sujas, o cheiro de fumaça e lixo queimado impregnado no ar ,as sirebes ecoando ao longe... A cidade era um monstro que devorava os fracos. E eu ,por um breve momento me senti fraco .
Mas a fraqueza ela não me matou . Ela me endureceu .
Eu me envolvia direto em brigas por território e alimento, as quatorze anos depois de apanhar muito aprendi a me defender e a matar .
Lembro da última vez que alguém tentou me matar , eu estava em um beco revirando uma lixeira , procurando algo que pudesse comer ou vender . Meu estômago roncava e eu estava exausto.
Ouvi sons de passos se aproximando de início não dei atenção até que foi tarde demais.
Senti alguem me agarrar pelos cabelos e uma arma foi colocada em minha cabeça
-Ei garoto, não sabe que está em território proibido? - alguem falou no meu ouvido
-Sabe o que acontece quando encontramos um intrusos no nosso território ?- outro homem perguntou em tom de deboche
O medo que me dominava se transformou em raiva.Uma raiva visceral que queimava em minhas veias , dando-me uma força que não sabia que tinha.
Eu agarrei o pulso do homem colocando o dedo no gatilho para o impedir de atirar e dei uma cabeçada em seu rosto com toda a força que tinha . O homem soltou um gemido e se afastou no impulso deixando a arma cair no chão , eu a peguei antes que ele pudesse reagir , sem hesitar dei um tiro que acertou sua perna o outro homem pegou a arma para atirar porém fui mais rápido atirando contra ele , estava escurecendo então não consegui ver ao certo onde o tiro pegou, mas foi o suficiente para o segundo homem cair gemendo de dor no chão, me aproximei do homem caído e chutei a arma de sua mão.
Eu não queria mata-los.
Não por moralidade mas sim porque mata-los alí me traria mais problemas , empurrei o homem contra a parede e então eu ouvi o som das sirenes da polícia se aproximando, provavelmente alguem da redondeza ouviu o barulho e acionou a policia. Comecei a correr. A adrenalina me cegava, mas a necessidade de sobreviver me guiava , corri até que me encontrasse em um terreno baldio e deserto onde desabei de joelhos exausto
Foi naquele momento que ele apareceu .
Um jovem, talvez uns três anos mais novo do que eu, com um rosto marcado pela dureza de uma vida que com certeza não foi fácil. Seus olhos escuros brilhavam com uma intensidade perturbadora e uma cicatriz cortava o lado esquerdo de seu rosto .Ele tinha uma postura de autoridade ,apesar da sua idade, e seu sorriso era o de alguém acostumado a obter o que queria .
- Você se saiu bem - ele disse com a voz calma mas carregada de uma arrogância velada
- Não é todo dia que alguém sobrevive ao ataque dos nossos ... Inimigos
Eu o encarei
- Você estava me vigiando?- perguntei e ele riu
- Há algum tempo
- Porque ? O que você quer?- Perguntei tentando esconder o tremor em minha voz
- Eu quero você Steve Devereux- ele falou como se já conhecesse tudo sobre mim
Ele jogou um maço de papéis no chão a minha frente. Pareciam documentos de alguma pessoa que eu nunca ouvi falar, vi o nome em um dos documentos " Dante Draven"
Eu os olhei sem entender o que estava acontecendo
- Sou Damien Blackwood, já deve ter ouvido falar sobre mim - O jovem quebra o silêncio
Sim... Esse nome era muito conhecido por aqueles que viviam nos becos , Damien Blackwood era o filho de Cassius Blackwood o chefe do submundo
- Você tem chamado a atenção do meu pai... Ele quer que você se junte a nós - Eu franzi o cenho, o mundo do crime nunca me foi atrativo mas em minhas condições eu não tinha muita escolha, não poderia continuar sendo um lobo solitário, ou me juntava a um grupo que me oferecesse proteção, ou morreria de fome ou assassinado
- Você não tem muita escolha- ele continuou com aquele olhar penetrante
- Se vier comigo te garanto que ninguém mais tentara te matar , você terá proteção, poder e nunca mais vai passar fome . Em troca você só precisa fazer parte do nosso grupo, e assumir uma nova identidade.
Eu sabia o que aquilo queria dizer. Máfia. Crime. Eu estava prestes a me envolver em algo muito maior do que poderia imaginar.Mas o que eu tinha a perder? Minha vida da estava em ruínas ,se eu continuasse fugindo seria morto em pouco tempo
Agarrei os documentos falsos , sabendo que naquele momento eu estava selando meu destino
...
Estaciono o carro em frente à imponente mansão dos Rossette, o motor ainda ronronando como um predador à espreita de sua presa. Olho para a fachada luxuosa, seus detalhes ornamentados e as luzes suaves que emanam das janelas, criando uma aura quase convidativa. Mas não me deixo enganar. Esta casa é o covil de serpentes que envenenaram minha vida, e estar aqui, agora, é um risco calculado.
Há algo de irônico em manter meus inimigos tão próximos. Conhecê-los de perto, estudar seus movimentos, suas fraquezas… Isso me dá uma vantagem. E como dizem, o melhor veneno é aquele que se administra gota a gota.
Desço do carro, ajustando o paletó enquanto faço um rápido inventário mental. Tudo está nos conformes. Minha expressão é serena, quase amigável, mas por dentro estou sempre em alerta. Cada detalhe conta, desde o olhar do porteiro até a forma como os anfitriões me receberão.
O porteiro, um homem grisalho de rosto cansado, me reconhece de imediato. Sem perder tempo, se apressa em anunciar minha chegada, provavelmente comunicando aos Rossette que "Dante Draven" está aqui. Um nome forjado, mas que agora carrega seu próprio peso.
Enquanto espero, dou uma última olhada ao redor. A fachada impecável, o jardim milimetricamente cuidado, e a fonte imponente no centro do caminho de entrada... Tudo respira poder e controle. Mas o que eles não sabem é que o verdadeiro poder está na paciência e na estratégia.
Poucos minutos se passam antes que Samuel Rossette e sua esposa Dorothy saiam para me receber. Samuel, com aquele sorriso ensaiado e olhos cheios de falsa hospitalidade, se aproxima com passos decididos, seguido por Dorothy, que mantém a expressão altiva. Não há afeto genuíno ali, apenas o disfarce de civilidade.
— Draven, que prazer tê-lo conosco novamente — Samuel me cumprimenta, estendendo a mão. Aperto a mão dele, notando a leve pressão em seu aperto. Ele tenta estabelecer controle até nos detalhes mais sutis.
— O prazer é meu, Samuel — respondo com um sorriso igualmente ensaiado. Dorothy faz um aceno educado, que retribuo.
Após as cortesias iniciais, vamos direto ao ponto. Eu já havia conversado com eles sobre a possibilidade de Safira ser a babá de Emily no período da tarde após sair da escola , ou então ela deixar o trabalho na escola para se dedicar como babá. Para mim, isso seria um movimento estratégico.
— Estamos muito interessados na proposta, Draven. Sabemos que Safira adoraria a oportunidade — diz Dorothy com a voz suave, mas sempre carregada de sutileza. É claro que eles não se importam com o bem-estar de Safira. Para eles, isso é apenas uma transação conveniente.
Samuel concorda com um aceno, como se quisesse reafirmar sua posição de chefe da família.
— Ela vai ganhar muito mais, e considerando o carinho que Emily tem por ela, achamos que será a melhor decisão.
Ouço cada palavra enquanto avalio suas expressões. Esses dois são mestres na arte de esconder intenções, mas é justamente isso que me interessa. Ao trazer Safira para trabalhar comigo, ganho uma posição privilegiada para observar e manipular as circunstâncias a meu favor.
Samuel me convida para entrar, e eu aceito. Há algo no ar, uma tensão quase imperceptível, que atiça minha curiosidade. Passo pelo imenso hall de entrada, adornado com mármore impecável e lustres que pendem do teto como presas de ouro. É uma demonstração de poder, uma fachada de perfeição, mas eu sei que por trás dessas paredes há mais podridão do que eles gostariam de admitir.
Samuel e Dorothy me guiam até a sala de estar. O ambiente é decorado com móveis caros e obras de arte que gritam ostentação. Tudo meticulosamente planejado para exalar status, mas me pergunto o quanto disso é genuíno. Sentamos em poltronas estofadas, e eles se posicionam de frente para mim como anfitriões perfeitos, prontos para encenar o papel de família ideal.
A conversa começa leve, girando em torno de banalidades sobre o mercado imobiliário e eventos sociais. Mas eu não vim aqui para isso. Após alguns minutos de palavras vazias, decido mudar o rumo.
— Sei que a proposta parece atraente para vocês, mas gostaria de ouvir a opinião de Safira também — digo, mantendo o tom casual, mas observando suas reações com atenção.
Por um instante, noto a tensão no rosto de Dorothy. Sua expressão se mantém controlada, mas seus olhos entregam um leve desconforto. Samuel, por sua vez, força um sorriso antes de falar.
— Claro, é importante que Safira esteja à vontade com a mudança — responde ele, mas seu tom de voz trai uma hesitação.
A essa altura, é evidente que algo não está certo. Eles estão escondendo algo, e quanto mais tempo passo aqui, mais isso se torna claro. Talvez seja o modo como Samuel sempre parece evitar mencionar a filha diretamente, ou como Dorothy, mesmo com seu sorriso artificial, deixa transparecer um traço de desprezo quando o assunto envolve Safira.
Dorothy se apressa em intervir, com sua voz doce e calculada:
— Safira está no quarto, se arrumando. Ela deve descer em breve.
Há algo na maneira como ela diz isso, como se estivesse escondendo um desconforto. A ideia de ter Safira trabalhando comigo parece ser vantajosa para eles, mas não pelo motivo que deixam transparecer. Tento imaginar o que se passa na cabeça desses dois, mas para isso, preciso ter Safira por perto e entender o que ela realmente pensa sobre tudo isso.
Dorothy continua com sua expressão educada, mas o desconforto nos olhos dela é difícil de disfarçar. Samuel se ajeita na poltrona, tentando aparentar mais tranquilidade do que realmente sente.
Enquanto a conversa se prolonga, trocamos algumas palavras sobre as condições de trabalho, benefícios e como tudo poderia ser vantajoso para todos os envolvidos. É como assistir a dois atores recitando falas decoradas, sem alma. Mas por baixo dessa encenação, há segredos que eu ainda não consegui arrancar. E é isso que me mantém focado.
Então, ouço passos suaves descendo a escada. O som ressoa pelo corredor, trazendo uma pausa momentânea na conversa. Viro o olhar para ver Safira surgir no topo da escada. Ela está usando um vestido lilás com estampas florais, simples e delicado, como se tivesse sido escolhido para não chamar atenção. Seu cabelo está preso em um coque baixo, algumas mechas soltas emolduram seu rosto de forma quase descuidada, mas não posso negar que há algo sutilmente encantador nela.
Eu não queria notar. Não deveria, mas é impossível ignorar. Mesmo com toda a simplicidade, há uma beleza serena em Safira que, em outra vida, talvez tivesse sido livre para florescer. Mas o que realmente me chama atenção é o olhar dela. Há uma tristeza ali, algo sombrio e distante, como se ela estivesse presa em um mundo do qual não consegue escapar. Ela desce as escadas com o olhar fixo no chão, como alguém que evita o confronto.
Quando ela chega ao último degrau, finalmente levanta os olhos. E então, eu vejo a surpresa. Seus olhos se arregalam ao me ver sentado ali, no meio da sala de estar de sua família. Claramente, ela não esperava isso. O desconforto dela é palpável, e eu não consigo conter um sorriso de lado. A reação dela me diverte, embora também confirme algo que eu já suspeitava: Safira me odeia.
Ela tenta compor-se rapidamente, mas é tarde demais. Eu já vi o suficiente. O desconcerto dela é evidente, e Samuel e Dorothy trocam olhares breves, quase como se estivessem esperando para ver como ela vai lidar com a situação. Fico em silêncio por um momento, apenas observando.
— Safira, é bom ve-la novamente— digo, finalmente quebrando o silêncio e a cumprimentando quando ela se aproxima ,meu é tom casual, mas com a intenção clara de ver até onde posso empurrá-la.
Abro um espaço para que Safira se sente ao meu lado e assim ela o faz ainda desconfortável
— Estávamos discutindo sobre a possibilidade de você trabalhar comigo. Achei que seria importante ouvir sua opinião diretamente.
Ela força um sorriso educado, mas seus olhos traem o que realmente está sentindo. Um misto de desconforto e relutância. Ela ainda não disse uma palavra, mas a tensão na sala é quase sufocante. É evidente que ela não se sente à vontade com a ideia, e isso me dá mais informações do que qualquer resposta verbal poderia oferecer.
Dorothy, com sua voz melosa, interrompe antes que Safira possa responder:
— Querida, sabemos que você gosta muito de Emily. Trabalhar como babá é uma oportunidade maravilhosa para você… e para todos nós.
Safira faz um leve aceno com a cabeça, mas eu vejo o conflito interno em seus olhos. Ela sabe que está sendo empurrada para algo, e não tem o poder para dizer não.
A cada segundo que passa, fica mais claro que eu estou exatamente onde deveria estar. Ao trazer Safira para o meu lado, não só me aproximo dos Rossette, mas também ganho um entendimento mais profundo sobre o que os controla. E quanto mais eu souber, mais poder terei sobre todos eles.
— Gostaria muito de ouvir o que você tem a dizer sobre isso, Safira — insisto, mantendo meu olhar fixo nela.
Ela respira fundo, claramente desconfortável com a atenção focada em si. Suas mãos se apertam levemente contra o tecido do vestido, um gesto quase imperceptível, mas que não me escapa. Ela finalmente abre a boca para responder, mas ainda há algo em seu olhar que grita para ser ouvido.
Essa será uma jogada interessante.
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Mininha
Só você Dante, pode tirar Safira desse inferno disfarçado de lar...
2024-09-07
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