Capítulo Oito

Safira

O aroma inebriante de caviar e salmão defumado invade minhas narinas enquanto me sirvo de um canapé, tentando ignorar a figura irritante do Sr. Barbosa ao meu lado.

 Seus olhos úmidos me acompanham em cada mordida, como um predador farejando sua presa.

A banda no palco inicia uma melodia suave, uma valsa clássica que ecoa pelo salão. O Sr. Barbosa, com um sorriso predatório nos lábios, estende a mão em minha direção.

Posso ter a honra de dançar com a bela Safira?- ele pergunta, sua voz carregada de um tom lascivo que me faz arrepiar.

- Desculpe, Sr. Barbosa- respondo com um sorriso forçado

- Mas não estou com vontade

- Ah, que pena- ele responde, fingindo decepção.

- Mas essa é uma oportunidade unica eu gostaria de...

Sua insistência me irrita, e a náusea se instala em meu estômago. A forma como ele me olha, como se eu fosse um objeto de desejo a ser possuído, me revolta.

-Com licença - digo, me afastando da mesa.

-Preciso me refrescar-

Aproximo-me do bar, tentando me perder na multidão. Minhas mãos tremem enquanto busco um copo d'água. O Sr. Barbosa está logo atrás, sua presença sufocante me faz acelerar os passos.

-Não precisa fugir, Safira- ele diz com um sorriso que me dá arrepios.

-Preciso, sim- respiro fundo, tentando manter a compostura.

De repente, uma figura alta aparece no meu campo de visão. É Dante. Com seus cabelos pretos perfeitamente arrumados e olhos negros penetrantes, ele se destaca no meio do bar. Ele me encara por um instante, reconhecendo-me. O olhar é arrogante e debochado que tanto me irrita está lá, mas há algo mais. Um lampejo de preocupação?

-Você está bem?- ele pergunta, sua voz grave carregada de um interesse inesperado.

Antes que eu possa responder, o Sr. Barbosa se interpõe entre nós, seu rosto ficando vermelho de raiva.

- Isso não é da sua conta- ele rosna para Dante. -Estamos tendo uma conversa privada.

Dante levanta uma sobrancelha. Ele olha para mim e depois de volta para o Sr. Barbosa, claramente avaliando a situação.

-É mesmo?- ele diz,com sua voz carregada de sarcasmo.

-Porque não parece que ela quer continuar essa conversa.

Sr. Barbosa se aproxima de Dante , tentando intimidá-lo.

-E quem você pensa que é para se meter?

Dante dá um passo à frente, sua presença se torna ainda mais imponente.

-Alguém que não você não gostaria irritar

A tensão entre os dois é palpável. Sr. Barbosa parece prestes a explodir, mas hesita é claro que não quer fazer um escândalo em público, os olhares já estão se voltando para eles . Há algo faz Barbosa recuar, mesmo que a contragosto.

- Isso não acabou - murmura o Sr. Barbosa, lançando um último olhar ameaçador para mim antes de se afastar.

Respiro aliviada, mas antes que eu possa agradecer, Dante se vira para mim, sua expressão de volta àquela mistura de arrogância e charme irritante.

-Parece que você está sempre se metendo em encrenca - ele diz, um sorriso provocador nos lábios.

Reviro os olhos, mesmo sentindo um misto de gratidão e irritação.

- E parece que você está sempre por perto para me salvar. Coincidência, não acha?

Ele ri, um som baixo e rouco que faz meu coração acelerar contra minha vontade.

-Ou talvez seja destino.

- Ou um pesadelo- retruco, tentando esconder o quanto estou abalada.

Dante se aproxima.

-Talvez um pouco dos dois.

Sinto o rosto corar, mas me recuso a baixar a guarda. "

-Obrigada por me ajudar, mesmo que você seja insuportável.

Ele dá de ombros, ainda sorrindo.

-Gosto de manter as coisas interessantes.

Antes que eu possa responder, ele se afasta, deixando-me com sentimentos conflitantes. Embora irritante, Dante me salvou de uma situação terrível. E isso, por mais que eu odeie admitir, significa muito.

Dante

Afasto-me de Safira, relutante, mas com a consciência de que preciso ir. Há muito ainda a resolver, e minha presença prolongada aqui pode complicar as coisas. Dou uma última olhada para ela, seus olhos ainda carregando uma mistura de gratidão e irritação. Um sorriso irônico puxa os cantos dos meus lábios.

Antes de sair, chamo discretamente alguns dos meus seguranças.

-Fiquem por aqui, disfarçados. Quero olhos em Safira e nos pais dela. Qualquer movimento estranho, me avisem imediatamente.

Eles assentem, sabendo que as ordens não são para ser questionadas. Caminho em direção ao estacionamento, onde meu carro me espera. Entro no carro, apreciando por um momento o luxo e o poder sob o capô. Este carro é uma obra-prima, mas hoje não há tempo para admirá-lo.

Ligo o motor e saio do estacionamento, sentindo o olhar de Safira em minhas costas, mesmo à distância. À medida que me afasto do evento, noto algo que faz meus sentidos se aguçarem. Dois carros atrás de mim, mantendo uma distância suspeita.

-Será que foi aquele imbecil que mandou seus homens atrás de mim?-murmuro, referindo-me ao empresário nojento que estava importunando Safira. A ideia me irrita, mas não me surpreende.

Decido testar a teoria. Viro em algumas ruas aleatórias, acelerando e desacelerando em ritmos imprevisíveis. Os carros atrás de mim fazem o mesmo, confirmando minhas suspeitas.

"Só pode ser brincadeira," penso, com um sorriso frio se formando em meu rosto. Não vou facilitar para eles. Aperto um botão oculto no painel, enviando uma mensagem instantânea para meu chefe de segurança, alertando sobre a situação e pedindo reforços. Em seguida, abro o porta-luvas e pego minha arma, sentindo o peso familiar na mão.

Continuo dirigindo, observando os movimentos dos perseguidores pelo retrovisor. São habilidosos, mas eu sou melhor.

Minutos depois, vejo um dos meus carros se aproximando pelo espelho retrovisor. Em pouco tempo, meus seguranças aparecem de várias direções, cercando os carros suspeitos. O alívio é momentâneo, pois sei que o confronto ainda está por vir.

Os carros dos meus seguranças se movem em uma coreografia precisa, forçando os perseguidores a encostar. Reduzo a velocidade e paro o carro, observando enquanto meus homens agem com eficiência implacável.

-Vocês escolheram a pessoa errada para seguir- digo, com um sorriso irônico. A noite está apenas começando, e os homens no carro logo descobrirão que mexeram com o advogado errado.

Saio do Aston Martin, a arma firme na minha mão, enquanto meus seguranças se posicionam ao redor dos carros dos perseguidores. Os homens que estavam me seguindo saem de seus veículos, co. armas em punho. O estacionamento silencioso se transforma em um campo de batalha.

- Parece que temos uma festa - murmuro, com um sorriso irônico.

-Vamos começar.

Os tiros ecoam no ar, a adrenalina bombeando no meu sangue. Meus homens são bem treinados, eficientes. Eles cobrem cada ângulo, movimentando-se com precisão. Eu me movo usando meu carro como escudo, disparando com precisão letal. O confronto é intenso,mas a vantagem é nossa.

Em poucos minutos, a situação está sob controle. Os perseguidores caem um por um vão caindo

Os últimos sons de tiros desaparecem na noite. Aproximo-me de um dos homens, que agora está caído no chão, agonizando. Ele segura o abdômen, onde uma de minhas balas o acertou.

Abaixando-me ao lado dele, agarro seuvcolarinho e forço seu olhar para mim.

-Olhe para mim -ordeno

- Você vai me dizer quem te mandou, e eu acabo com seu sofrimento.Rápido.

O homem geme,com o rosto contorcido de dor.

Vejo o medo em seus olhos enquanto ele luta para formar palavras. Finalmente, ele murmura, quase inaudível, "Barbosa."

Barbosa. O nome ressoa na minha mente. E o mesmo nome que Safira usou para chamar aquele empresário desprezível.

-Bom garoto- digo, erguendo minha arma.

Cumpro minha promessa com um único tiro,terminando seu sofrimento.

Levanto-me,limpando a poeira das minhas calças.

"Barbosa... isso não vai ficar assim."

Meus homens se reúnem ao meu redor,aguardando ordens. Olho para cada um deles,orgulhoso de sua eficiência.

-Vamos voltar digo.

- E fiquem atentos. Barbosa e os pais de Safira não fazem ideia com quem se meteram.

Entramos em nossos carros, com o barulho dos motores voltando à vida. Enquanto dirijo de volta, meus pensamentos estão focados.

Barbosa cometeu um erro ao mexer comigo. Agora, ele vai entender o verdadeiro significado de consequências. E não verá piedade.

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Comments

Silvia Moraes

Silvia Moraes

Volte e tire a Safira de lá. Esse cara não presta

2025-03-20

0

Euridice Neta

Euridice Neta

Eita Barbosa citucou onça com vara curta...

2025-02-24

0

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