Capítulo Seis

Dante

Em frente ao espelho,o smoking preto se ajusta perfeitamente, realçando a força de meus ombros, enquanto a gravata vermelha confere um toque de sofisticação.

As lapelas brilham à luz suave do quarto, uma prelúdio para a noite que se desenha. O relógio de pulso, símbolo do meu sucesso no tribunal, marca o compasso do tempo que se aproxima.

A luz dourada destaca o contorno firme da minha mandíbula, uma máscara impenetrável que oculta a tormenta que arde em meu interior.

Cabelos meticulosamente penteados, luziram, exalando confiança. A fragrância amadeirada do meu perfume preenche o ar, uma assinatura olfativa que anuncia minha presença antes mesmo de eu entrar na sala. Os sapatos de couro polido ecoam um passo decidido, uma melodia sonora que ressoa com o propósito ardente que guia meus passos.

Ao ajustar a lapela do casaco, vejo meu reflexo se mesclar com a sombra que paira sobre mim, uma sombra que representa não apenas a escuridão que busco dissipar, mas também a vingança que persigo. As cicatrizes do passado se refletem nos vincos do meu rosto, testemunhas silenciosas da batalha que travo contra os Rossete.

O bracelete prateado, um presente de minha falecida irmã, reluz em meu pulso como um amuleto de proteção. É a lembrança constante de que, por trás da fachada impenetrável, ainda reside um homem movido por emoções profundas.

Vou enfrentar os Rossete , infiltrando-me em seu círculo de poder. Serei o advogado que oferece a mão amiga, enquanto, na verdade, carrego o punhal da justiça. A vingança será doce, temperada com a ironia de suas próprias mentiras.

O sorriso frio que se forma nos meus lábios é a promessa silenciosa de um destino que se desenrola, e a justiça que busco será tão afiada quanto a ponta da minha lapiseira de advogado

 Saio do meu quarto O corredor se estende diante de mim, uma passarela para a noite que se promete intrigante e perigosa.

No entanto, minha jornada é abruptamente interrompida pela figura encharcada que se aproxima. A babá de Emily, com roupas molhadas e olhos transbordando lágrimas, avança em minha direção. Seus soluços revelam um conflito recente, e o palpite já se forma em minha mente.

-Já chega, eu me demito!- ela grita, palavras carregadas de frustração e desespero. Emily, minha filha, permanece um observador silencioso da cena.

-O que aconteceu?- pergunto, embora já antecipe a resposta.

-Essa pestinha me empurrou na piscina... -ela diz, raiva evidente em cada palavra. Mas a voz de Emily se eleva, tentando criar uma cortina de defesa.

-É mentira, papai. Ela escorregou e caiu.

Os olhos de Emily estão cheios de inocência, mas a culpa se reflete em seus traços. Eu conheço minha filha, e sei quando suas travessuras ultrapassam os limites.

Suspiro, irritado com a situação, e volto-me para Emily.

-Vá para seu quarto

As lágrimas começam a brotar nos olhos de Emily, e ela tenta protestar, mas minhas palavras cortam o ar antes que ela possa argumentar.

-Vai agora.

Emily sai correndo em direção ao quarto, seu choro ecoando pelo corredor. Eu odeio ter que ser duro, mas ela está ultrapassando limites que não podem ser ignorados.

Com a visão embaçada pelas lágrimas de Emily, viro-me para encarar a babá, que ainda exala frustração.

-Sinto muito por isso- murmuro, uma tentativa de suavizar a tensão no ar.

-Vou providenciar roupas secas para você. Pode ao menos cuidar de Emily essa noite? Já estou atrasado para o evento, e não sei se vou achar outra pessoa para ficar com ela.

A babá, entretanto, parece ter atingido seu limite.

-Eu não consigo lidar mais com sua filha, Dante. Não vou ficar aqui mais um segundo -ela responde, sua irritação evidente.

-Entendo- respondo calmamente, decidindo não insistir.

-Amanhã conversamos sobre sua demissão. Pode ir então.

Assim que a babá se afasta, esfrego as têmporas, sentindo a dor latejante na cabeça. Emily e suas travessuras, sempre testando os limites. A responsabilidade de ser pai solitário torna-se mais pesada a cada desafio.

A mente se volta para uma solução temporária. Max, meu amigo, tem duas filhas gêmeas, e Emily se dá bem com elas. Pode ser a oportunidade de deixar Emily sob os cuidados deles esta noite. Com isso em mente, pego meu celular e ligo para Max explicando a situação e pedindo um favor urgente , a ligação com Max se desenrola de maneira favorável. Ele aceita ficar com Emily, aliviando um pouco o peso que carregava. A gratidão pela amizade sincera se mistura com a ansiedade pela noite que se estende diante de mim.

Após encerrar a ligação, caminho pelo corredor em direção ao quarto de Emily. Bato na porta, mas o silêncio persiste. Abro a porta suavemente e encontro minha filha deitada na cama, de costas para a porta. O som abafado de seu choro revela a tristeza que ela tenta esconder.

Me aproximo e me sento ao lado dela na cama.

-Por que você fez isso?- pergunto, buscando entender os motivos por trás de suas ações.

-Você sabe o porquê-responde Emily, sua voz embargada pela emoção.

Suspiro impaciente, sabendo que preciso ser firme.

-Nem todo mundo é do jeito que a gente quer, Emily. O que você fez foi errado, e se ela não soubesse nadar, ou acabasse se machucando?

-Eu não fiz isso para machucar ela, só queria que ela me deixasse em paz -murmura Emily

-Não faça mais isso- digo , enquanto acaricio seus cabelos.

-Ela só estava tentando cuidar de você.

-Eu sei... Por que você não fica em casa hoje, papai?- pergunta Emily

-Eu não posso, mas vou voltar logo... Vou te levar para a casa do tio Max para brincar com as filhas dele enquanto eu não estiver em casa- respondo, vendo um lampejo de animação nos olhos de Emily.

Com a promessa de levar Emily para a casa do tio Max, percebo um lampejo de animação nos olhos dela, a ajudo a se arrumar. Escolhemos um vestido simples, mas ela parece encantadora, como uma pequena princesa.

Ao chegarmos à casa de Max, que fica próxima à minha, o entusiasmo de Emily aumenta. As risadas das filhas de Max ecoam pela casa, preenchendo o ambiente com uma energia contagiante. Antes de me despedir de Emily, dou-lhe um beijo na testa e asseguro que voltarei logo.

Dirijo-me ao local do evento, um salão luxuoso adornado com lustres reluzentes e uma paleta de cores que transmite elegância. As paredes são revestidas de obras de arte que narram histórias de poder e influência. A música clássica flui pelo ambiente, criando uma atmosfera refinada.

Caminho entre os convidados, cada passo ecoando o propósito que me trouxe aqui. Então, avisto Samuel Rossete ao lado de sua esposa, envolto em uma conversa política. No entanto, ao lado deles, encontro algo inesperado: Safira.

Os olhares se encontram, e a surpresa é mútua. "Então, Safira é a filha dos Rossete?"

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Comments

Euridice Neta

Euridice Neta

Eitaxque já se encontraram e que comecem.os jogos e vamos ver quem sairá VITORIOSO OU PERDEDOR, SATISFEITO OU INSATISFEITO, FELIZ OU INFELIZ!

2025-02-24

0

Silvia Moraes

Silvia Moraes

Posta fotos deles arrumados autora

2025-03-20

0

Ver todos

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